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terça-feira, 11 de setembro de 2018

01 - LIBERDADE E CIDADANIA * Poema de Jorge de Sena


Com





Liberdade, Liberdade, 
Tem Cuidado Que Te Matam



Da prisão negra em que estavas
a porta abriu-se p´ra rua.
Já sem algemas escravas,
igual à cor que sonhavas,
vais vestida de estar nua.

Liberdade, liberdade,
tem cuidado que te matam.

Na rua passas cantando,
e o povo canta contigo.
Por onde tu vais passando
mais gente se vai juntando,
porque o povo é teu amigo.

Liberdade, liberdade,
tem cuidado que te matam.

Entre o povo que te aclama,
contente de poder ver-te,
há gente que por ti chama
para arrastar-te na lama
em que outros irão prender-te.

Liberdade, liberdade,
tem cuidado que te matam.

Muitos correndo apressados
querem ter-te só p´ra si;
e gritam tão de esganados
só por tachos cobiçados,
e não por amor de ti.

Liberdade, liberdade,
tem cuidado que te matam.

Na sombra dos seus salões
de mandar em companhias,
poderosos figurões
afiam já os facões
com que matar alegrias.

Liberdade, liberdade,
tem cuidado que te matam.

E além do mar oceano
o maligno grão poder
já se apresta p´ra teu dano,
todo violência e engano,
para deitar-te a perder.

Liberdade, liberdade,
tem cuidado que te matam.

Com desordens, falsidades,
economia desfeita;
com calculada maldade,
Promessas de felicidade
e a miséria mais estreita.

Liberdade, liberdade,
tem cuidado que te matam.

Que muito povo se assuste,
julgando que és tu culpada,
eis o terrível embuste
por qualquer preço que custe
com que te armam a cilada.

Liberdade, liberdade,
tem cuidado que te matam.

Tens de saber que o inimigo
quer matar-te à falsa fé.
Ah tem cuidado contigo;
quem te respeita é um amigo,
quem não respeita não é.

Liberdade, liberdade,
tem cuidado que te matam.

quinta-feira, 15 de março de 2018

01 - LIBERDADE E CIDADANIA * Não!

Marielle, uma voz

"Hoje dizemos Marielle. Uma voz coletiva que tem nome, que se ocupou em lutar contra a noite, que carrega no seu corpo negro todas as mulheres assassinadas, todos os corpos e todo o sangue, todos os nomes expropriados de seus donos, todos os sonhos, toda a vida que a morte carregou para o oco da noite. Que diz alto os nomes dos assassinos e os acusa. A voz tem um nome, Marielle. E Marielle foi morta outra vez. Mas esta morte tem um nome, porque carregava muitas vozes, porque nunca estava sozinha nunca será esquecida, porque através dela é que lembramos dos esquecidos."

Por Mauro Luis Iasi.

 “Quando é abatido o que não lutou só,
o inimigo
ainda não venceu.
– BERTOLD BRECHT.
A chuva caia torrencialmente sobre a cidade. Iansã mandava seus raios e os clarões tentavam negar a noite que insiste em suas sombras. Os corpos não se viam, a pele negra se confunde com a noite, os rios de sangue fluem para a vala, de todas as feridas abertas, dos navios descarregando sua carga humana acorrentada, no verde dos canaviais, nas favelas, nas ruelas da velha cidade, das flechas de São Sebastião.
O sangue, ferro vermelho, rio que tanto carrega a vida como se esvai para fora dela, também dá cor as bandeiras que a defende. Na noite as cores se amam no negro, o vermelho, o lilás o preto. Iansã manda seus raios.
Outro corpo cairá. Na noite não saberemos seu nome, dos sonhos que carregava, dos braços que o esperavam no vazio da volta. No porão do navio negreiro se contará a carga faltante. No mar escuro o esquecimento fará parte da memória dos peixes. São muitos e diários, aqueles que partem sem deixar seu nome para que gritemos, para que nossas lágrimas de dor e raiva alcancem seu corpo, para que o abutre do esquecimento não dilacere sua memória.
Os índios e as montanhas guardarão suas almas, das senzalas se ouvirão cantos incompreensíveis, o bater dos pés no chão para que a terra acorde de seu pesadelo de morte. O ar da noite gelará por um instante e cada gota de chuva brilhará como uma estrela.
Nunca saberemos todos os nomes. Algumas vozes, no entanto, carregam a magia de falar por todas as vozes esquecidas, sei lá por que razão, rolam de sua face lágrimas de outras gentes, sentindo em seu corpo o açoite e o tiro, a dor e a falta. A voz da memória é que fala nelas e com sua força rompe o tecido do tempo e a pretensão da noite, revolve a terra numa agricultura reversa, desplantando o oculto. Nessas vozes cantam cânticos ancestrais, contam-se histórias de nossos avós, que lançam faíscas de luz na noite do esquecimento. Iansã manda seus raios.
Tal magia se adquire ao se comer o mesmo pão do sofrimento, quando se vive na noite ao lado dos explorados, quando se nasce onde não se pode viver, quando se vive ali onde a regra é morrer. É a voz de quem sobreviveu aos seus e levou suas almas costurados no vestido, no lenço preso na cabeça, na bandeira que leva com seus mortos para marchar nas avenidas que levam nomes de seus assassinos.
São vozes que brotam do fundo da terra, das covas rasas, das valas e que se servem da boca de pessoas vivas, no sentido mais vivo da palavra viva. Dos lábios e línguas no prazer dos beijos, dos açoites de verdades que rasgam os véus escuros da noite que insiste. Iansã manda seus raios e o clarão mostra o que a noite oculta.
Por conta dessas vozes vivas sabemos dos outros que a noite esconde. Sua voz tem nome e corpo, mas sua estatura projeta algo muito além do portador da voz, porque foi buscar seu tamanho na memória dos índios e das montanhas, das senzalas e favelas, da força dos pés que acordam a terra. Por isso podemos dizer seu nome e ao dizê-lo acordar os mortos que carrega, devolvê-los aos braços que esperavam, ao caminho interrompido que trilhavam. Iansã nos ilumina com seus raios.
Hoje dizemos Marielle. Uma voz coletiva que tem nome, que se ocupou em lutar contra a noite, que carrega no seu corpo negro todas as mulheres assassinadas, todos os corpos e todo o sangue, todos os nomes expropriados de seus donos, todos os sonhos, toda a vida que a morte carregou para o oco da noite. Que diz alto os nomes dos assassinos e os acusa. Esta voz tem um nome e dizemos: Marielle. Iansã ilumina seu corpo com seus raios. A voz tem um nome, Marielle. E Marielle foi morta outra vez. No navio negreiro, no canavial, nas ruas estreitas do Rio de Janeiro, na favela, na fábrica, em casa, agora no carro. Mas esta morte tem um nome, porque carregava muitas vozes, porque nunca estava sozinha nunca será esquecida, porque através dela é que lembramos dos esquecidos. Seu nome é Marielle, seu nome é mulher, seu nome é negra, seu nome é justiça, seu nome é luta, seu nome é socialista, seu nome é Marielle.
Iansã chora tempestades.
Cada gota de chuva lava nossa cidade, cada raio a ilumina. Cada gota de sangue que cai na terra renasce em nossa luta… que nunca termina… nunca… nunca termina.
***
Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência (Boitempo, 2002) e colabora com os livros Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil e György Lukács e a emancipação humana (Boitempo, 2013), organizado por Marcos Del Roio. Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às quartas.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

01 - LIBERDADE E CIDADANIA * Todos somos hispanos



Os nacionalismos em Espanha são uma questão mal resolvida desde o princípio. Um após outro, os nacionalismos foram mal absorvidos pelo Reino de Leão, depois pelo Reino de Castela e Leão e finalmente pela união do Reino de Castela e Leão com o Reino de Aragão. Desta união resultou a Espanha que conhecemos hoje, união 
ocorrida na segunda metade do século XV.

O centralismo de Madrid foi e continua sendo uma tentativa desesperada de lutar contra a identidade dos povos que integram o todo da Espanha.

A nossa Poetisa Natália Correia recordou certa vez a realidade da Península Ibérica: “Todos somos hispanos”. Ou iberos, digo eu. Mas todos sermos hispanos ou iberos é diferente de sermos todos espanhóis ou de todos reverenciarmos a identidade leonesa-castelhana.

A Catalunha integrava o antigo reino de Aragão.

A legitimidade reconhecida hoje a todos os povos de escolherem o seu destino colide frontalmente com a rigidez arcaica do Poder Espanhol. Um povo não está contra outro povo quando reclama o legitimo direito de escolher o seu destino sem tutelas.

Madrid está numa encruzilhada: ou aceita os legítimos anseios dos outros nacionalismos hispanos ou esmaga aquela legitimidade. E aqui chegados, a questão é outra: o confronto entre a força da razão e a razão da força.

A Espanha poderá ser uma Federação de Estados Independentes, voluntaria e fraternalmente juntos numa caminhada comum.

Eu assumo a minha identidade de português e de hispano sem contradições nem complexos.

Cordialmente,

José-Augusto de Carvalho.
Alentejo, 3 de Novembro de 2017.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

01 - LIBERDADE E CIDADANIA * Eu não fujo de mim!




Diz quem sabe que “ostracismo é o afastamento (imposto ou voluntário) de um indivíduo do meio social ou da participação em actividades que antes eram habituais.”

Ah, a nossa muita amada Velha Grécia previu tudo! Confunde-me até ao deslumbramento o legado assombroso deste Povo-maior! Foi no Conhecimento! Foi na Poesia! Foi no Teatro! Foi nas Ciências! Foi na Política! Foi no Desporto! Foi no âmbito militar! Terá sido em tudo ou quase tudo que possibilitou o seu tempo!

Uma amiga de quem nada sei há anos, professora de Filosofia, dizia-me frequentemente: pois é, ainda hoje pensamos como a Velha Grécia quis que nós pensássemos!

Eterno aprendiz, sempre me deliciou a máxima sabedoria do velho Sócrates: “Eu só sei que nada sei.” Ah, que bom seria para todos nós, hoje e sempre!, se seguíssemos o esclarecido pensamento de um homem que teve a grandeza de dizer esta frase!

Às vezes, dou comigo a tentar imaginar alguns dos que conhecemos hoje virem reconhecer que nada sabem. Loucura minha, claro. Só um louco poderá imaginar ouvir do cimo do palanque um dos pretensamente iluminados confessar “eu só sei que nada sei”.

Enfim, adiante!

Falava de ostracismo. Sim, do ostracismo que voluntariamente me impus. Quantas vezes a paz interior nos impõe o recolhimento. Eu sei que é um recolhimento sofrido, mas há situações-limite. E quando assim é, mais vale uma atitude drástica a ficar a vida inteira a reclamar como o nosso Sá de Miranda: “Comigo me desavim / sou posto em todo o perigo / não posso viver comigo / não posso fugir de mim.”

No meu ostracismo voluntário, eu não lavei as mãos, como dizem que Pilatos lavou, desinteressando-se, cúmplice, do destino de Jesus. Eu defendi a minha postura e não fui ouvido. E deitar palavras ao vento ou falar com quem não está interessado em me ouvir e me responder não é solução que me sirva. Eu sei que não sou dono da Verdade; mas quem fala comigo ou se recusa a falar comigo também não é dono da Verdade. Para mais, o tempo, esse velho tempo que tudo coloca nos carris devidos, mais cedo ou mais tarde, é minha testemunha abonatória.

Não sou nem um vencedor nem um perdedor. Sou apenas uma pessoa que tem valores a que se dá e causas a que se entrega, sem restrições, sem rendições.

Eu não fujo de mim!

Aqui fica, para que conste e para memória futura.



José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 9 de Dezembro de 2016.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

01 - LIBERDADE E CIDADANIA * "Quando o mar bate na rocha, quem se lixa é o mexilhão"


Esta versão benévola do aforismo serve o meu intuito. Até porque me não permitiria usar aqui a contundente versão, porventura a original, deste aforismo.
Hoje, dia 1 de Julho de 2016, entrou em vigor, para a Restauração, o IVA de 13%. Assim se deu fim a uma medida do anterior governo de «direita» que tantas e tantas medidas tomou contra o Povo Português.
Sabemos que Portugal é um Estado de Direito desde 25 de Abril de 1976, data em que foi aprovada no Parlamento a Constituição da República Portuguesa, Lei Fundamental que, ao tempo, se dizia ser a mais progressista da Europa. Sabemos também que as revisões à mesma Constituição, todas da responsabilidade do Partido Socialista e dos partidos de «direita», foram um retrocesso. E quando à retrocesso na nossa Lei Fundamental, o Povo Português é sempre lesado nos seus anseios de justeza social.
Como dizia, hoje, dia 1 de Julho de 2016, entrou em vigor a determinação legal de aplicação do imposto (IVA) de 13% sobre a conta do meu almoço no restaurante. Tudo bem estaria, relativamente, é claro, mas fui surpreendido pela aplicação dos 23% em vigor até ontem. Não pela importância, que é de somenos, mas pelo atropelo à taxa legal de 13%, reclamei. Fui «esclarecido» assim do sucedido: o sistema ainda não está operacional. Deste esclarecimento se extrai a conclusão óbvia: a correcção do sistema sobrepõe-se à determinação legal. Se alguém entende, eu não entendo. Lei é Lei. E assim vamos neste Estado de Direito quanto baste, talvez na esteira da infeliz frase de um primeiro-ministro de finais de 1975: «É só fumaça, o povo é sereno.»
Ora porque sou persistente na defesa do que considero correcto, desloquei-me à Secção de Finanças e, colocada a questão, intuí mais do que entendi que o IVA a 13% será aplicado depois de vencidas as dificuldades do sistema.
Esperava eu que na Secção de Finanças me dissessem isto, que me parece meridiano: há dificuldades no sistema, mas as facturas serão analisadas oficialmente e os cidadãos agora lesados serão posteriormente ressarcidos. Sorrindo, regressei a casa. A final está “tudo como dantes, quartel-general em Abrantes”!
Finalizando: pensando assim devagarinho, que “depressa e bem não faz ninguém”, atrevo-me a regressar ao primeiro-ministro de que falei: “É só fumaça, o povo é sereno”.
Apesar de tudo o que fica dito, eu continuo ao lado de Luis de Camões até que a morte me leve: “Esta é a ditosa Pátria minha amada!”
*
José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 1 de Julho de 2016.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

01 - LIBERDADE E CIDADANIA * Por que perdemos sempre?




Nós somos tantos!
Eles são tão poucos!
Por que perdemos sempre?




Talvez nós não sejamos tantos como supomos.

Um antigo companheiro de jornada sempre qualificava de mal esclarecido quem lhe manifestava uma divergência de fundo. E sentenciava: «esclarecer, esclarecer sempre!» Certamente parafraseando o tão celebrado «aprender, aprender sempre!» que nós tínhamos por divisa nos tempos obscuros.

Desses mal esclarecidos tivemos notícia mais tarde, empoleirados nos palanques acomodados duma efemeridade sem amanhã.

É verdade que quando a barca adorna e os fados pressagiam procela e risco de naufrágio, sempre os timoratos procuram a garantia da terra firme. E assim porque não sabem nem querem saber que depois da tempestade vem a bonança.

São estes timoratos que se apropriam dos fastos e desgraças dos intrépidos que foram além da dor, no dizer de Fernando Pessoa; dos intrépidos que por mares nunca dantes navegados, no dizer de Luís de Camões, dobraram cabos, dominaram medos, rasgaram nevoeiros e descobriram amanheceres.

Por tudo isto, nós não somos tantos assim!

Por tudo isto, eles não são tão poucos assim!

Por tudo isto, talvez fique claro por que nós perdemos sempre…



José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 15 de Junho de 2016.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

01 - LIBERDADE E CIDADANIA * Nesta hora!...


Ah, Democracia!
Na velhinha Atenas, o sonho somou duas palavras mágicas Povo-Poder e nasceu esta definição – DEMOCRACIA.
Caiu a velhinha Atenas democrática, o povo foi submetido, o poder foi tomado pelos outros.
Mais de dois mil anos depois, como vamos de democracia, querida velhinha Atenas?
Será que continuamos amontoados na caverna e resignados a ver as sombras projectadas do que se passa e não passa no exterior?
Será que o velho Platão estará desesperado a gritar-nos do Hades: Oh, gentes! Afinal ainda nada aprenderam? Que fazem aí acantonados?
Pois é, falando da minha pátria, que vejo eu? Vejo muitas organizações políticas em período eleitoral.
Vejo todas estas organizações políticas a reclamarem votos para a Democracia.
Assumido cidadão versado em coisa nenhuma, debato-me por entre as malhas desta interrogação: de tantas propostas de caminhos, que caminho escolho eu?
Ora bem, optei por uma proposta.
Eu sei que poderia não optar; que poderia ficar a ver a banda passar… (Olá, Chico Buarque!!) Só que não deixo que os demais optem por mim. Por dignidade, por opção.
Toda a situação me parecia evidente até que…
…até que atroaram os meus ouvidos persistentes clamores. Apurei o ouvido e apercebi-me de que surgira uma nova proposta – a da utilidade.
Fiquei sabendo que me propõem que a minha escolha deverá recair numa proposta diferente daquela por que optei. Não porque esta nova proposta que me apresentam seja melhor, mas porque tem de ser por oposição a outra ainda pior.
Não fiquei confuso, aqui juro! Fiquei desolado, porque concluí que estou perante estoutra proposta: esquece a opção convictamente sustentada e opta, de entre estas duas, por aquela que consideres a menos má.
Concluindo: há quem pretenda que a festa, que deveria ser da Democracia, passe a ser a festa do mal menor.
Finalizando: como vês, meu velho Platão, a caverna continua… e os cavernícolas também!

José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 2 de Outubro de 2015.



domingo, 23 de agosto de 2015

01 - LIBERDADE E CIDADANIA * Tormento


Como se fosse uma obsessão, assalta-me a dúvida: terá valido a pena tanta entrega? O Passado volta, agora, com insistência. Regresso à década de quarenta; regresso à década de cinquenta; regresso à década de sessenta. Foram tempos de desespero e de esperança no Futuro. Aquele Presente resistia e nele germinava o Futuro. Para todos, era inquestionável o fim do desespero que se vivia. E resistia-se; e morria-se para que os demais conhecessem o Futuro. Conheci muitos que me diziam: talvez eu não veja, mas tu verás! Um deles, um tipógrafo de assinalável cultura obtida nos muitos textos que compunha de escritores e poetas e ensaístas. Tuberculizara na prisão e a sua vida estava por um fio que teimou em resistir mais do que os médicos previam. Deixou-nos nos meados da década de sessenta, mas deixou também uma saudade imensa em quantos o conheceram, o estimaram, o admiraram.
Em Portugal, o Estado Novo implantara-se em 1933, tal como o Nacional-socialismo, na Alemanha. Em Julho de 1936, a tragédia começava na Espanha Republicana e o seu Governo Popular, legitimado em eleições livres, foi questionado por uma minoria rebelde, mas apoiada pela Itália fascista e pela Alemanha nazi; as Democracias europeias ficaram olhando como se nada fosse. Em Março de 1939, a Espanha Republicana sucumbia. O celebrado grito de Dolores Ibarruri, La Pasionaria, «No pasarán», era sufocado pelas forças alemãs e italianas. Vencera a fórmula desgraçadamente célebre: «Abaixo a inteligência! Viva a morte!» O grande poeta Federico Garcia Lorca era executado nos arredores da sua amada Granada, em Agosto de 1936. A última geração romântica, como ficou conhecida, acorreu a Espanha, em defesa da legitimidade democrática. Muitos e muitos das celebradas Brigadas Internacionais deram as suas vidas, derramaram o seu sangue pelo martirizado povo de Espanha. Acreditaram no Futuro, que não veio; acreditaram nas democracias europeias e americanas, mas em vão. O Futuro não veio e as Democracias tinham mais que fazer do que preocupar-se com o destino do povo de Espanha.
Quem ler «Por quem os sinos dobram», de Hemingway; «Homenagem à Catalunha», de Orwell; «Os grandes cemitérios sob a lua», de Bernanos; «A Esperança», de Malraux... e muitos outros textos de autores que viram claramente vista a tragédia, in loco, poderá perceber muito do que aconteceu.
Nasci durante a Guerra dita Civil de Espanha; cresci ouvindo falar nesses horrores e nos horrores piores ainda, estes a partir de 1 de Setembro de 1939, quando Hitler iniciava a carnificina que foi a II Grande Guerra (1939-1945).
Apesar de todas as tragédias, os povos tinham esperança e acreditavam no Futuro! Extraordinário! Por cá, foi o Tarrafal, foi a perseguição, foi a fome, foi a emigração, foi a Guerra Colonial... outro calvário! Um dia, os cravos floriram e todos sonhámos! Outro dia, os cravos murcharam em nome da democracia e todos perdemos. E hoje? Por onde anda a Esperança? E que Futuro germina nos nossos peitos? Olhemos em derredor e contemos pelos dedos os povos que se consideram felizes e os povos que têm esperança num Futuro de felicidade! 
Este meu texto nada mais pretende do que partilhar a desesperança e apontar estes tempos em negação. Não me demito nem me rendo. Nunca o fiz e não será agora, quase aos oitenta anos, que irei corar de vergonha. E deixo este desejo que me foi transmitido: Muitos verão o fim da tragédia e o alvorecer da dignidade! Eu não terei essa felicidade, o meu tempo está a esgotar-se.
Cordiais saudações.
José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 23 de Agosto de 2015.


sábado, 1 de agosto de 2015

01 - LIBERDADE E CIDADANIA * A fadiga e os princípios


Os anos que já vivi, os desgostos que carrego e o rosário de frustrações sociais que desfio (desfiamos?) causam-me uma fadiga difícil de suportar e mais difícil de debelar.
Dos anos, dos desgostos, das frustrações sociais não poderei mais livrar-me --- são parte integrante do meu percurso. Não poderei viver uma outra primavera e as perdas que sofri e provocaram os meus desgostos são irreparáveis. Quanto às frustrações sociais será diferente porque aconteceram independentemente da minha vontade e nada nem ninguém poderá garantir-me que não se altere o concerto que as determinou. Se depois da tempestade vem a bonança, haja esperança!, que, segundo dizem, é a última a morrer. E não confundo aqui optimismo com esperança.
Na minha idade, posso dizer estar cansado já de esperar, tantas têm sido as frustrações sociais, mas concedo esta minha «fé» no ditado popular –- depois da tempestade vem a bonança. Que chegue a tempo!
O concerto das frustrações sociais decorre, muitas vezes, de acções e atitudes que muito ficaram a dever à postergação dos princípios particulares e gerais eticamente consagrados e reclamados pelo cidadania.
Nunca interesses materiais ou outros determinaram a minha entrega à cidadania. Para mim, a participação cívica é um imperativo. Outras vontades e outros concertos determinaram o meu afastamento. E esta minha postura não é exemplar único. Muitos se afastaram quando tiveram de afrontar essas vontades e esses concertos. A recusa é uma opção. Cidadão que sou, recusei caminhos que nunca foram os meus, que nunca serão os meus. Hoje, estou onde sempre estive. Afastado? Não, não estou afastado. Quando me chamarem os caminhos que sempre percorri, eu direi «presente!» Aos outros, direi sempre a famosa recusa, ainda que noutro contexto, do Poeta José Régio: «Eu não vou por aí!»

*
José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 31 de Julho de 2015.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

01 - LIBERDADE E CIDADANIA * A lição


http://youtu.be/SlZi6iffOGc

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

01 - LIBERDADE E CIDADANIA * Pátria Transtagana


Estremoz, 11 de Dezembro de 2014
Escola Secundária Rainha Santa Isabel
Biblioteca Escolar Almeida Garrett

Lançamento do livro Pátria Transtagana


Intervenção do Capitão de Abril Coronel Andrade da Silva



terça-feira, 14 de outubro de 2014

01 - LIBERDADE E CIDADANIA * Tragicomédias


Ou muito me engano ou deverá estar prestes algum juízo final doméstico. Não é chalaça o que digo. E esta minha suspeita deriva da leva de arrependidos que anda por aí, arrependidos das malfeitorias de que foram actores ou aplaudiram ou a que passivamente assistiram.

Cansei destes arrependidos que se põem a salvo como se algum naufrágio ameace o navio em que embarcaram para o cruzeiro de mau gosto a que assistimos incrédulos.

Pois é! «O amor é eterno enquanto dura.» (E aqui convoco o poeta e escritor francês Henri de Régnier, 1864-1936, que escreveu «L’amour est éternel tant qu’il dure»). Pois é! Tal qual este cruzeiro dos arrependidos, que anteviram saboroso e agora se lhes desnuda azedo até à náusea.

Sabemos que estes arrependimentos são cíclicos. Logo, logo, ao cais do desplante outro navio atracará para receber veraneantes para mais um aliciante cruzeiro.

O milenar «estás perdoado; agora, vai e não peques mais» é o hábil vaivém dos instalados ou, como dizia frequentemente um velho amigo já desaparecido, dos que «são desta opinião e da contrária se assim convier».

Adolescente ainda, aprendi com o poeta Guerra Junqueiro, no seu livro «A velhice do padre eterno», o que reputo de máxima a ponderar seriamente: «Um justo não perdoa, julga.»

Claro que sempre há quem se engane no caminho e terá o direito de corrigir a rota. O que não entendo bem é como há quem só verifique o erro quando o fogo lhe chega aos fundilhos. E destes eu desconfio…

Até sempre!

Gabriel de Fochem
14 de Outubro de 2014.

domingo, 5 de outubro de 2014

01 - LIBERDADE E CIDADANIA * Determinação



Sem manta por abrigo,

o céu sobre o meu dorso,

prossigo.

Sem medo nem esforço.

À chuva, ao frio, ao sol,

instante o movimento.

Se o chão é lamacento,

evito que me atole

buscando outro mais firme.

Comigo na bagagem,

pressinto diluir-me

no todo da paisagem.

E a singularidade

da minha condição

perde-se na voragem

duma pluralidade

onde as partes do todo

se esbatem nos devires do lodo...

Infinitude e caos - constante mutação.



José-Augusto de Carvalho
Viana * Évora * Portugal

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

01-LIBERDADE E CIDADANIA * Tempos difíceis


Nestes tempos que vivemos, os acontecimentos que nos desgostam e/ou nos indignam sucedem-se a um ritmo avassalador.
Sei que é recorrente esta afirmação, mas nem sempre há a predisposição para o silêncio. Como diz o velho rifão: Um homem não é de ferro!
Vivemos tempos difíceis!
Vivemos tempos difíceis, fundamentalmente devidos à acção despudorada do Homem.
Em todas as latitudes, há violência: a violência da fome; a violência da carência; a violência da intolerância; a violência do esbulho; a violência dos conflitos armados; a violência dos jogos obscenos de poder e de opressão.
Hoje, os telejornais abrem, via de regra, com notícias de desgraça, de desprezo pela Vida, de insulto e humilhação.
Vivemos tempos difíceis!
A globalização da desumanidade e da infâmia é a realidade de todas as horas.
E se é verdade em termos globais, adentro do nosso pequeno mundo também as coisas não irão melhor.
Hoje, pessoa amiga visitou-me para me dar a notícia da morte de alguém que bem conhecíamos. Este facto banal não motivaria a redacção de qualquer texto. Afinal, morrer é a consequência natural de qualquer ser vivo. A Morte vive connosco. É a única certeza que temos nesta vida!
O que motivou estas linhas foi constar que a pessoa morreu há três ou quatro dias e só ontem se ter sabido.
Esta funesta ocorrência levanta a interrogação: os Centros de Saúde, as Juntas de Freguesia, as Câmaras Municipais não têm sinalizadas as pessoas em risco, designadamente as que vivem sozinhas?
É com desgosto e indignação que vivo estes dias de desumanidade e violência.
Li, há anos, um texto de autor brasileiro, cujo nome não recordo, no qual, uma personagem dizia: «Se o mundo é isto, parem o «bonde» (carro eléctrico), porque eu quero sair.»
Até sempre!
.
José-Augusto de Carvalho
3 de Setembro de 2014.
Viana*Évora*Portugal

sábado, 4 de janeiro de 2014

01 - LIBERDADE E CIDADANIA * Hora Política

Andam por aí uns quantos reclamando que a Constituição da República carece de revisão. Até eu concordo, a bem do primado da Lei e da Democracia.

Aos doutos reclamantes proponho esta alteração fundamental, a ser referendada, de modo deliberativo e não consultivo, a fim de que o Povo sem voz se pronuncie de vez:


Artigo - Todos os governantes, seja Poder Central, seja Poder Regional, seja Poder Local, cumprirão escrupulosamente os seus programas sufragadas pelo Povo Eleitor.

Único – O incumprimento total ou parcial provocará a sua destituição pelo Tribunal Constitucional, com efeitos imediatos, e a convocação de novo acto eleitoral.


Vamos a isto?


José-Augusto de Carvalho
4 de Janeiro de 2014.
Viana * Évora 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

01 - LIBERDADE E CIDADANIA * Salvar vidas ou o capital?

Frei Betto
(Escritor e assessor de movimentos sociais)


Adital

O melhor Papai-Noel do mundo mereceram 523 instituições financeiras europeias quatro dias antes do Natal: 489 bilhões de euros (o equivalente a R$ 1,23 trilhão), emprestados pelo BCE (Banco Central Europeu) a juros de 1% ao ano!
Curiosa a lógica que rege o sistema capitalista: nunca há recursos para salvar vidas, erradicar a fome, reduzir a degradação ambiental, produzir medicamentos e distribuí-los gratuitamente. Em se tratando da saúde dos bancos, o dinheiro aparece num passe de mágica!
Há, contudo, um aspecto preocupante em tamanha generosidade: se tantas instituições financeiras entraram na fila do bolsa-BCE, é sinal de que não andam bem das pernas…
Quais os fundamentos dessa lógica que considera mais importante salvar o Mercado que vidas humanas? Um deles é este mito de nossa cultura: o sacrifício de Isaac por Abraão (Gênesis 22, 1-19).
No relato bíblico, Abraão deve provar a sua fé sacrificando a Javé seu único filho, Isaac. No exato momento em que, no alto da montanha, prepara a faca para matar o filho, o anjo intervém e impede Abraão de consumar o ato. A prova de fé fora dada pela disposição de matar. Em recompensa, Javé cobre Abraão de bênçãos e multiplica-lhe a descendência como as estrelas do céu e as areias do mar.
Essa leitura, pela ótica do poder, aponta a morte como caminho para a vida. Toda grande causa - como a fé em Javé - exige pequenos sacrifícios que acentuem a magnitude dos ideais abraçados. Assim, a morte provocada, fruto do desinteresse do Mercado por vidas humanas, passa a integrar a lógica do poder, como o sacrifício "necessário” do filho Isaac pelo pai Abraão, em obediência à vontade soberana de Deus.
Abraão era o intermediário entre o filho e Deus, assim como o FMI e o BCE fazem a ponte entre os bancos e os ideais de prosperidade capitalista dos governos europeus - que, para escapar da crise, devem promover sacrifícios.
Essa mesma lógica informa o inconsciente do patrão que sonega o salário de seus empregados sob pretexto de capitalizar e multiplicar a prosperidade geral, e criar mais empregos. Também leva o governo a acusar as greves de responsáveis pelo caos econômico, mesmo sabendo que resultam dos baixos salários pagos aos que tanto trabalham sem ao menos a recompensa de uma vida digna.
O deus da razão do Mercado merece, como prova de fidelidade, o sacrifício de todo um povo. Todos os ideais estão prenhes de promessas de vida: a prosperidade dos bancos credores, a capitalização das empresas ou o ajuste fiscal do governo. Salva-se o abstrato em detrimento do concreto, a vida humana.
O espantoso dessa lógica é admitir, como mediação, a morte anunciada. Mata-se cruelmente através do corte de subsídios a programas sociais; da desregulamentação das relações trabalhistas; do incentivo ao desemprego; dos ajustes fiscais draconianos; da recusa de conceder aos aposentados a qualidade de uma velhice decente.
A lógica cotidiana do assassinato é sutil e esmerada. Aqueles que têm admitem como natural a despossessão dos que não têm. Qualquer ameaça à lógica cumulativa do sistema é uma ofensa ao deus da liberdade ocidental ou da livre iniciativa. Exige-se o sacrifício como prova de fidelidade. Não importa que Isaac seja filho único. Abraão deve provar sua fidelidade a Javé. E não há maior prova do que a disposição de matar a vida mais querida.
A lógica da vida encara o relato bíblico pelos olhos de Isaac. Este não sabia que seria assassinado, tanto que indagou ao pai onde se encontrava o cordeiro destinado ao sacrifício. Abraão cumpriu todas as condições para matar o filho. Subjugou-o, amarrou-o, colocou-o sobre a lenha preparada para a fogueira e empunhou a faca para degolá-lo.
No entanto, inspirado pelo anjo, Abraão recuou. Não aceitou a lógica da morte. Subverteu o preceito que obrigava os pais a sacrificarem seus primogênitos. Rejeitou as razões do poder. À lei que exigia a morte, Abraão respondeu com a vida e pôs em risco a sua própria, o que o forçou a mudar de território.
Se não mudarmos de território – sobretudo no modo de encarar a realidade -, como Abraão, continuaremos a prestar culto e adoração a Mamom. Continuaremos empenhados em salvar o capital, não vidas, e muito menos a saúde do planeta.


 
 
[Frei Betto é escritor, autor de "Sinfonia Universal – a cosmovisão de Teilhard de Chardin” (Vozes), entre outros livros.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

01 - LIBERDADE E CIDADANIA * O Conselho de Estado



Aceitando como exactos os dados obtidos em consulta efectuada na Internet, aqui os transcrevo.


REGIMENTO DO CONSELHO DE ESTADO

CAPÍTULO I
Natureza e composição

Artigo 1.º
(Definição)

O Conselho de Estado é o órgão político de consulta do Presidente da República.


Artigo 2.º
(Composição)

O Conselho de Estado é presidido pelo Presidente da República e composto pelos seguintes membros:

  1. O Presidente da Assembleia da República;
  2. O Primeiro-Ministro;
  3. O Presidente do Tribunal Constitucional;
  4. O Provedor de Justiça;
  5. Os presidentes dos governos regionais;
  6. Os antigos presidentes da República eleitos na vigência da Constituição que não hajam sido destituídos do cargo;
  7. Cinco cidadãos designados pelo Presidente da República pelo período correspondente à duração do seu mandato;
  8. Cinco cidadãos eleitos pela Assembleia da República, de harmonia com o princípio da representação proporcional, pelo período correspondente à duração da legislatura.

Não considero passíveis de contestação os textos das alíneas  a  a f.
Quanto à alínea g, permito-me discordar das opções presidenciais, as quais, na minha modesta opinião de cidadão, deveriam contemplar representações das Centrais Sindicais e Associações Patronais, pela relevância nacional que se lhes reconhece.

Quanto à alínea h, não consigo entender como não estão representados no Conselho de Estado todos os Partidos com assento parlamentar. E porque as ausências que se verificam decorrem da votação dos Partidos maioritários, fica claro que estes se permitem excluir os demais do Conselho de Estado como se este fosse propriedade sua.
Os meus cumprimentos.
Até sempre!

José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 8 de Novembro de 2011.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

01 - LIBERDADE E CIDADANIA * Salgueiro Maia

Salvemos a casa de Salgueiro Maia

Salvar a memória de Salgueiro Maia é salvar a nossa memória comum

A casa onde nasceu o capitão Salgueiro Maia, em Castelo de Vide, está bastante degradada e em risco de ruína.



O blogue Aventar lançou uma petição, disponível em:
http://www.peticao.com.pt/casa-de-salgueiro-maia

para apresentar à Assembleia da República, na qual se pede a recuperação deste imóvel.


Salvar a memória do capitão Maia é salvar a nossa memória comum.
Pode assinar esta petição em http://www.peticao.com.pt/casa-de-salgueiro-maia


De uma amiga, recebi a mensagem que transcrevo aqui. Quem poderá confirmar a sua veracidade? É urgente!

Salvar a memória do 25 de Abril é honrar quem tornou possível o Portugal de hoje.

A História nos julgará.

José-Augusto de Carvalho

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

01 - LIBERDADE E CIDADANIA * Carta aberta aos meus eventuais leitores

Neste momento de despedida, agradeço aos meus eventuais leitores terem aceitado ponderar o quanto me foi possível publicar em «Liberdade e Cidadania».
Apesar de alguns acidentes de percurso, foi muito gratificante, para mim, a passagem por este espaço do meu querido Amigo Jerónimo Sardinha.
Presumo que os meus textos terão merecido concordância ou discordância ou indiferença, como é natural. Se tal sucede com os melhores, por maioria de razão terá sucedido comigo, um vulgar escriba desta nossa terra.
A todos deixo as minhas saudações.
Até sempre!

José-Augusto de Carvalho

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

01 - LIBERDADE E CIDADANIA * Anteprojecto

Aceitando o convite do nosso comum Amigo Jerónimo Sardinha para integrar o colectivo do espaço «Liberdade e Cidadania», creio bem não poder ser-me negado o direito de apresentar um anteprojecto que pondere as orientações que se me afiguram determinantes para definir o objectivo deste mesmo espaço.

Com a criação do espaço «Liberdade e Cidadania», Jerónimo Sardinha assumiu, publicamente, a recusa ao modus operandi do poder político instalado e o direito de contestá-lo sob as normas constitucionais vigentes. A este seu projecto de cidadania em liberdade aderiram os seus Amigos identificados no blog «Liberdade e Cidadania».

Considerando que contestar avulsamente não será forma adequada de intervir na res publica, sugiro um levantamento do estado da nação e um subsequente programa de acção, através do qual seja possível analisar criticamente todas as situações. Por analisar criticamente entenda-se relevar o que for considerado inadequado e sugerir alternativas.

Outrossim sugiro a criação de um corpo redactorial que se submeta à orientação deste espaço e se ocupe da gestão de «Liberdade e Cidadania» contibuindo com a sua colaboração e com qualquer outra que considere adequada aos fins propostos.

Mãos à obra, que se faz tarde!

Até sempre!

José-Augusto de Carvalho