terça-feira, 30 de setembro de 2008

MAS QUEM E QUE POLÍTICAS PROVOCARAM A CRISE GLOBAL?




Depois da desculpabilizante intervenção do Sr. Vitorino na RTP1 é urgente sublinhar, antes que todas as Donas Constanças dêem a volta ao texto que a crise é global, mas também tem os seus cúmplices em Portugal.

É com a maior estupefacção que vejo a candura, como pessoas que deviam ter uma posição dura contra as toupeiras que corroeram os pilares da democracia e da cidadania, aceitam os seus cantos de sereia para, uma vez mais, ludibriarem a maioria das classes trabalhadoras e a classe média nos seus legítimos direitos, e, não digo expectativas, porque estas ao nível dos portugueses são tão baixas que qualquer dona Constança com o marketing politico consegue até convencer a maioria dos portugueses.

Nesta questão se entrecruza a politica e a Moral, e o confronto é terrível, de um lado estão os que vendem a alma ao diabo, até se tornam revolucionários para salvar o capitalismo selvagem, e, do outro, estão os que sabem que com aquela gente, sem qualquer moral ou humanidade, não se vai a lado nenhum.

Quando muito eles guiam-nos para a aceitação de um sacrifício colectivo para nos safarmos do buraco, o que interessa a todos, só que sem alterações na cidadania, ultrapassadas as dificuldades presentes com eles e no mesmo sistema, como Marx previu e não se tem enganado, estaremos, mais adiante, noutra crise tão ou mais grave. É preciso mudar de modelo.

É preciso dizer que são co-responsáveis com Bush, nas erradas politicas económicas, como de segurança (guerra do Iraque, independência do Kosovo) os sucessivos governos desde o do Sr. Cavaco da Silva, o dos Srs. Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes ( esteve pouco tempo, mas estragou o bastante) e Sócrates e os Presidentes da República Srs. Mário Soares, Jorge Sampaio e novamente o Sr. Cavaco da Silva, porque não fizeram nada para contrariar o fome selvagem dos capitalistas da banca e das empresas, e, antes, pelo contrário, isentaram-nos de taxas e impostos, e canalizaram para os seus lucros vastos recursos da comunidade Portuguesa, através dos sucessivos Orçamentos de Estado.

A nível Europeu também só cantaram hossanas à sanha neo-liberal, e invectivaram os portugueses de coluna vertebral levantada, quando contra este regabofe protestavam. Foram tratados como malditos, quase anti-cidadãos.

Mas o desastre está aí, pela minha parte alertei para este descalabro desde Fevereiro, seguindo e ouvindo o que entre outros, o economista Ferreira do Amaral aludia na sua conferência: 2008- ANO DE TODAS AS CRISES.

Está publicado no blogue silenciado da avenida da liberdade, o que dói aos circenses da mentira e da magia negra, sobretudo quando querem dizer que, agora, são eles os arautos do caminho justo, da manhã do dia inteiro. Impostura.

São, ainda, co-responsáveis por esta situação os neo-liberais que tomaram com apoio das TV o poder no PS e PSD. É tempo do povo correr com estes senhores.

É tempo dos militantes socialistas do PS e os sociais-democratas do PSD fazerem uma grande aliança com a esquerda de modo a forçar, como, e bem, Santana Lopes já propus, levar os liberais e os defensores do capitalismo selvagem do Pensar Portugal a formarem o partido liberal, a que se deve juntar Marques Mendes que só num país cego e surdo pode ter o “prime time”, quando vem dizer para privatizar mais o Estado, no momento que até Bush pretende nacionalizar os bancos, para salvar o capitalismo.

De facto temos os melhores e mais oportunos políticos do Mundo que mesmo que o Mundo acabasse defenderiam o que o matou. Somente espantoso.

De qualquer modo, acompanho e louvo Marques Mendes na sua luta solitária contra a conspurcação da política, e, deste ponto de vista, as suas propostas são actuais e imperativas. É o seu lado muito positivo, e de superior valor.

MY GOD se forem os mesmos que provocaram a crise e os seus co-autores a resolvê-la, porque são mestres no seu fabrico, então, bem podemos arrumar as botas, e ir para o velório, porque não haverá no próximo milénio tratamento para tanta alienação esquizofrénica, face à completa perda do teste da realidade.

MY GOD! QUE MUNDO!


andrade da silva


segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Vergonha: Eduardo Prado Coelho


Não é meu hábito, publicar dois post's no mesmo dia. Não me parece ético e concorre para afunilamento.

Que me perdoem, pois, os meus leitores (se os tenho) e muito especialmente os meus amigos (que julgo ter) e colaboradores deste blog.

No entanto, a oportunidade e o enquadramento do que se segue, justifica-o !


RELEMBRANDO Eduardo Prado Coelho.

Antes de falecer (25/08/2007), teve a lucidez de nos deixar esta reflexão, sobre nós todos, por isso façam uma leitura atenta.
Precisa-se de matéria prima para construir um País.
Eduardo Prado Coelho - in Público

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres.
Agora dizemos que Sócrates não serve.
E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.O problema está em nós. Nós como povo.Nós como matéria prima de um país.
Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ....e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país:
- Onde a falta de pontualidade é um hábito;
- Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
- Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
- Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
- Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
- Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.
- Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
- Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
- Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes. Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta. Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa. Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte... Fico triste. Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados.... igualmente abusados!
É muito bom ser português.
Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda... Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias. Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:
Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.
E você, o que pensa?.... MEDITE!

EDUARDO PRADO COELHO

Com vénia a Eduardo Prado Coelho,
Jerónimo Sardinha
29Setembro08

CARTA O BERRO.


A solicitação de um amigo e nosso colaborador, insiro o artigo abaixo.

A oportunidade em que é apresentado, é de excepção e configura o melhor comentário, o mais digno e o mais fiel, ao artigo anterior, da autoria do nosso amigo Andrade da Silva.

Com lentidão, com muito laxismo, mas as sociedades tendem a mexer. Será que querem dar resposta condigna aos desmandos dos governantes-malfeitores ?

Embora da autoria de um dos nossos mais conceituados sociólogos, o mesmo foi publicado no Brasil, na revista «O Berro», a quem apresento cumprimentos e a minha gratidão.

J.Sardinha


DEBATE ABERTO


O impensável aconteceu


O Estado deixou de ser o problema para voltar a ser a solução; cada país tem o direito de fazer prevalecer o que entende ser o interesse nacional contra os ditames da globalização; o mercado não é, por si, racional e eficiente, apenas sabe racionalizar a sua irracionalidade e ineficiência enquanto estas não atingirem o nível de auto-destruição.

Boaventura de Sousa Santos

A palavra não aparece na mídia norte-americana, mas é disso que se trata: nacionalização. Perante as falências ocorridas, anunciadas ou iminentes de importantes bancos de investimento, das duas maiores sociedades hipotecárias do país e da maior seguradora do mundo, o governo dos EUA decidiu assumir o controle direto de uma parte importante do sistema financeiro.
A medida não é inédita pois o Governo interveio em outros momentos de crise profunda: em 1792 (no mandato do primeiro presidente do país), em 1907 (neste caso, o papel central na resolução da crise coube ao grande banco de então, J.P. Morgan, hoje, Morgan Stanley, também em risco), em 1929 (a grande depressão que durou até à Segunda Guerra Mundial: em 1933, 1000 norteamericanos por dia perdiam as suas casas a favor dos bancos) e 1985 (a crise das sociedades de poupança).
O que é novo na intervenção em curso é a sua magnitude e o fato de ela ocorrer ao fim de trinta anos de evangelização neoliberal conduzida com mão de ferro a nível global pelos EUA e pelas instituições financeiras por eles controladas, FMI e o Banco Mundial: mercados livres e, porque livres, eficientes; privatizações; desregulamentação; Estado fora da economia porque inerentemente corrupto e ineficiente; eliminação de restrições à acumulação de riqueza e à correspondente produção de miséria social.
Foi com estas receitas que se "resolveram" as crises financeiras da América Latina e da Ásia e que se impuseram ajustamentos estruturais em dezenas de países. Foi também com elas que milhões de pessoas foram lançadas no desemprego, perderam as suas terras ou os seus direitos laborais, tiveram de emigrar.
À luz disto, o impensável aconteceu: o Estado deixou de ser o problema para voltar a ser a solução; cada país tem o direito de fazer prevalecer o que entende ser o interesse nacional contra os ditames da globalização; o mercado não é, por si, racional e eficiente, apenas sabe racionalizar a sua irracionalidade e ineficiência enquanto estas não atingirem o nível de auto-destruição; o capital tem sempre o Estado à sua disposição e, consoante os ciclos, ora por via da regulação ora por via da desregulação. Esta não é a crise final do capitalismo e, mesmo se fosse, talvez a esquerda não soubesse o que fazer dela, tão generalizada foi a sua conversão ao evangelho neoliberal.
Muito continuará como dantes: o espiríto individualista, egoísta e anti-social que anima o capitalismo; o fato de que a fatura das crises é sempre paga por quem nada contribuiu para elas, a esmagadora maioria dos cidadãos, já que é com seu dinheiro que o Estado intervém e muitos perdem o emprego, a casa e a pensão.
Mas muito mais mudará. Primeiro, o declínio dos EUA como potência mundial atinge um novo patamar. Este país acaba de ser vítima das armas de destruição financeira massiça com que agrediu tantos países nas últimas décadas e a decisão "soberana" de se defender foi afinal induzida pela pressão dos seus credores estrangeiros (sobretudo chineses) que ameaçaram com uma fuga que seria devastadora para o actual american way of life.
Segundo, o FMI e o Banco Mundial deixaram de ter qualquer autoridade para impor as suas receitas, pois sempre usaram como bitola uma economia que se revela agora fantasma. A hipocrisia dos critérios duplos (uns válidos para os países do Norte global e outros válidos para os países do Sul global) está exposta com uma crueza chocante. Daqui em diante, a primazia do interesse nacional pode ditar, não só proteção e regulação específicas, como também taxas de juro subsidiadas para apoiar indústrias em perigo (como as que o Congresso dos EUA acaba de aprovar para o setor automóvel).
Não estamos perante uma desglobalização mas estamos certamente perante uma nova globalização pós-neoliberal internamente muito mais diversificada. Emergem novos regionalismos, já hoje presentes na África e na Ásia mas sobretudo importantes na América Latina, como o agora consolidado com a criação da União das Nações Sul-Americanas e do Banco do Sul. Por sua vez, a União Européia, o regionalismo mais avançado, terá que mudar o curso neoliberal da atual Comissão sob pena de ter o mesmo destino dos EUA.
Terceiro, as políticas de privatização da segurança social ficam desacreditadas: é eticamente monstruoso que seja possível acumular lucros fabulosos com o dinheiro de milhões trabalhadores humildes e abandonar estes à sua sorte quando a especulação dá errado. Quarto, o Estado que regressa como solução é o mesmo Estado que foi moral e institucionalmente destruído pelo neoliberalismo, o qual tudo fez para que sua profecia se cumprisse: transformar o Estado num antro de corrupção.
Isto significa que se o Estado não for profundamente reformado e democratizado em breve será, agora sim, um problema sem solução. Quinto, as mudanças na globalização hegemônica vão provocar mudanças na globalização dos movimentos sociais que vão certamente se refletir no Fórum Social Mundial: a nova centralidade das lutas nacionais e regionais; as relações com Estados e partidos progressistas e as lutas pela refundação democrática do Estado; contradições entre classes nacionais e transnacionais e as políticas de alianças.


Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).
Jerónimo Sardinha
29Setembro08

domingo, 28 de setembro de 2008

IGNOMÍNIA, VERGONHA, IMORAL, INACEITÁVEL



Nada de novo no discurso do Sr. Bush. Nada que ele já não soubesse, e mais, não seja ele um dos principais responsáveis com todos os neo-conservadores e neo-liberias americanos e europeus pelo estado da economia mundial, bem como, pela falta de segurança internacional. Foram e são o carrascos da nossa harmonia e paz.

Quanto ao Sr. Bush a sua intervenção e as que se seguirão, são, como alguns previram, um modo de intervir na corrida presidencial, de forma a ajudar o seu candidato Mccain, comprometendo Obama numa politica económica e Mundial tudo idêntica à neo-liberal e neo-conservadora que está a dar cabo dos valores da nossa civilização com programas de TV dissolutos, corrupção generalizada, trabalho sem direitos, privatização dos Orçamentos de Estado para dar toda a seiva da Nação aos mais funestos e ignominiosos seres que alguma vez existiram sobre a terra.

Bush sabe que, eliminadas as diferenças e vinculando Obama a um programa neo-liberal e neo-conservador da economia americana e por arrastamento da Mundial, a investidura Presidencial torna-se mais favorável para o candidatado do partido republicano, que será sempre o que tem melhores condições para realizar aqueles programas.

Muito diferentemente do que acontece em Portugal que, depois do 1º ministro Cavaco da Silva, é o PS, quem melhor executa as politicas económicas e de supressão de direitos, para salvação dos empresários e banqueiros, ou seja, a meia dúzia de famílias que detêm a posse de todo o capital financeiro e industrial, exactamente as mesmas de antes do 25 de Abril.

Contrariamente ao que alguns dizem, acusando o 25 de Abril de ter dado cabo de toda a estrutura produtiva do país, e ser o responsável pela pobreza da nação, o que aconteceu foi o oposto, o 25 de Abril não destruiu quanto era preciso desmantelar a estrutura politica, económica e jurídica herdada do fascismo.

É exactamente pela recuperação do antigamente, a que o 25 de Novembro conduziu, que estamos na cauda da Europa, com um desemprego estrutural sem solução. Infelizmente os trabalhadores que perdem os empregos aos 40 anos de idade, não têm competências profissionais adequadas à revolução cibernética em curso, desde os anos 60.

Em Portugal, como no Mundo é patético, um verdadeiro espectáculo do circo do grotesco, ver os coveiros dos destinos dos povos, os Sr. Bush, Sr. Cavaco, Sr. Durão Barroso, Sr. Lula da Silva, Sr. Sócrates, Sr. Sarcozy a pedirem cândida, angélica e, quase, languidamente compreensão para o desastre mundial que provocaram, e de que são os principais réus.

Todo este desastre não é produto de um acidente, mas da regulação da economia que estes senhores fizeram, julgando que a esfera financeira era completamente independente da economia e que, portanto, poderia haver um enriquecimento ilimitado dos banqueiros e empresários.

Como não podia deixar de ser, e os críticos deste regabofe já tinham alertado a economia real disse-lhes que a verdade é outra, e, agora, querem estes senhores, por um acto de magia negra e imoral, surgirem como os salvadores. Váde retro Satanás. Ide morrer em praias distantes.

Seja como for, por artes do diabo, mas sobretudo pela criatividade manipuladora, e porque como diz aquele grande filósofo Novembrista e semi-democrata, o povo, ou seja, na sua opinião, o rebanho de escravos, segue os vencedores, e manda às urtigas uns Zés-ninguém arvorados em idealistas, Mccain ou Obama, um deles, será o Messias deste capitalismo, e, como sempre, os países pobres vão ficar mais miseráveis.

Será o Sul a pagar esta factura. Resta saber qual a terapia de choque, mas seja a realizada por Obama ou por Mccain vão ser tempos muito duros. As vítimas da primeira linha serão os países párias do, chamado, 3º mundo, mas logo de seguida, vêm os morenos da Europa, entre os quais, nós somos os mais morenos.

E aqui, as coisas começam a entrar-nos pela porta dentro, com os portugueses na sua maioria distraídos com programas televisivos dirigidos por viúvas-negras que se não matam, adormecem; com os governantes que não defendem o futuro, mas procuram proteger a todo o custo os sobrelucros dos seus amigos empresários e banqueiros e com a mais grave despreocupação em relação ao futuro da maioria dos portugueses. Com toda esta leviandade que futuro nos espera?

Nesta conjuntura é estranho que os neo-liberais do Pensar Portugal tenham desaparecido, e Marques Mendes venha propor mais privatização do Estado, quando esse modelo está em agonia no PAÍS-SOL do Capitalismo. Não seria melhor a Marques Mendes, se só sabe dizer pior do mesmo, manter-se calado, a gerir bem melhor do que fez no PSD a empresa do seu amigo?

É preciso com coragem, dignidade denunciar os responsáveis por este estado de coisas, que são os neo-liberais e neo-conservadores, e não permitir que no PS e no PSD neo-liberais, travestidos, agora, de salvadores venham com palavrinhas mansas e meia dúzia de euros, de que depois se pagará elevada taxa, sacrificando mais quem já não pode, enganar quem os deve julgar com rigor e não lhes confiar de novo o voto, não para evitarmos já, um beco sem saída, mas para não cairmos num abismo mortal.

Também os partidos de esquerda não podem só fazerem reivindicações de encantar ao povo, mas não exequíveis. É preciso criar alternativas à esquerda com os cidadãos responsáveis.

É preciso defender uma melhor distribuição da riqueza, mas é preciso ASSUMIR SEM MENTIRA QUE PORTUGAL ESTÁ A VIVER MUITO ACIMA DAS SUAS POSSES, COMO O ENDIVIDAMENTO DO RENDIMENTO DISPONÍVEL DAS FAMÍLIAS CONFIRMA.

UM NÚMERO SIGNIFICATIVO DE PORTUGIUESES, MESMO DOS QUE GANHAM 600 €, JULGA-SE COM DIREITO A ADQUIRIR TUDO, INCLUINDO O SUPÉRFLUO, EM QUE GASTAM MUITO, MUITO DINHEIRO.

OCULTAR ISTO É EXCESSIVAMENTE PERIGOSO, E ACARRETARÁ FALÊNCIAS OU MAIS TAXAS BANCÁRIAS SOBRE QUEM CUMPRE PARA COBRIR O CRÉDITO MAL PARADO.

TODOS OS PARTIDOS POR QUESTÕES ELEITORAIS ESTÃO A ESCONDER ESTA REALIDADE, MAS ELA AÍ ESTÁ, E VAI REBENTAR, SE O REINO DA MENTIRA NÃO FOR DESTRONADO, E ESTA É UMA MISSÃO DA CIDADANIA QUE RESIDE NOS CIDADÃOS, QUE DEVEM OBRIGAR OS PARTIDOS A SE ABRIREM À SOCIEDADE DIZENDO A VERDADE.

andrade da silva



PS: Bom Domingo. Está sol em Portugal, chora-se em África e em muitas outras terras miseráveis.




sábado, 27 de setembro de 2008

O Sucessor !


Há exactamente 40 anos, passaram ontem, o “homem que caiu da cadeira”, era, sem o saber, substituído por um seu antigo delfim, caído em desgraça alguns anos atrás.
O Estado Novo, tentava assim fazer um remendo, com pano da mesma peça.
Refiro-me, obviamente, a António de Oliveira Salazar e Marcelo das Neves Caetano.
Marcelo Caetano, que em 1962, durante a crise académica, assumira uma posição que sem ser de desafio ou de confronto com o poder, foi pelo menos, de desobediência ao Chefe e aos seus ditames. Com isso permitiu uma espécie de diálogo com os estudantes, coisa até aí impensável, lançando alguma confusão e perplexidade na oposição, pelo menos na ala estudantil.

Em boa verdade, assumido o destino do País, por vontade de Américo Tomás, Presidente da República, com a oposição do grande poder capitalista e de uma grande da parte da oficialada de alta patente, com principal destaque para o ultra direitista Kaúlza de Arriaga, general da Força Aérea e antigo homem de confiança de Salazar e quando se propagandeava uma “primavera política” marcelista, este, fez saber da sua «Evolução na continuidade», esmorecendo de imediato os mais optimistas sobre a sua linha de condução.
Cedo se percebeu que o homem era um indeciso, frouxo e uma marioneta da direita mais conservadora, sua origem natural, basta consultar o percurso político para o confirmar, fazendo reformas em cuja base assentava a enorme «mudança» do nome.
À União Nacional, passou a chamar Assembleia Nacional Popular, à PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado), passou a chamar DGS (Direcção Geral de Segurança), as Colónias, já transformadas em Províncias Ultramarinas por Adriano Moreira, de uma forma muito modesta e quase em segredo, passaram com Caetano a ter estatuto e propaganda de tal.
Manteve a guerra colonial (ultramarina), mas sem conseguir perceber como a deveria conduzir e rodeando-se de homens ostentadores, vaidosos e gananciosos, mas pouco competentes e ainda menos interessados. Em todo o governo, dava a sensação que os nomeados concorriam para o desastre, alegremente.
Foi neste estado de situação e de pessoas, que são apanhados pelo 25 de Abril de 1974, a poucos meses de perfazer 6 anos de governação.
Se é verdade que o povo sentiu uma melhoria no modo de vida e se notou alguma evolução da sociedade, sendo o consumo e o poder de compra os que maiores reflexos tiveram, também é verdade que, a curta distância se intensificou de novo a repressão, entrando pela primeira vez nos quartéis e nas Forças Armadas, até aí mais ou menos estanques às investidas da DGS. O poder sentido pelos generais e a necessidade de pessoal para a guerra, evitaram até então a intrusão da polícia política e das funestas consequências que isso veio a ter. Com Marcelo e a sua dubialidade, aconteceu e recrudesceu.
São famosas as suas “Conversas em Família”, com que regularmente presenteava os pobrezinhos portugueses, qual professor explicando o inexplicável, mas deixando muita gente feliz e contente, porque o Senhor Professor tinha a consideração de nos informar sobre as suas decisões e intenções, enquanto governo.
Entrementes, enviavam-se cada vez mais “fornadas” de “magalas” mal preparados, na ignorância da situação real, mal armados e largados onde Deus queria, muitas vezes dirigidos por estados maiores que nunca saíam dos gabinetes, nas grandes cidades e onde subalternos davam em doidos com a falta de material, de pessoal sem preparação e de exigências superiores de resultados impossíveis de alcançar.
Se, em boa verdade, Caetano consegue um aparente razoável perfil no continente, deve-se a toda a massificação do envio de jovens para o ultramar, permitindo que as condições de trabalho em geral se alterem. Não é a sua política que o consegue, são as condições impostas pelos acontecimentos. Mas tudo se degrada lentamente. Da sociedade à política, dos quartéis aos comandos, do governo aos serviços públicos. Marcelo não percebe ou não consegue alternativas. Há quem diga que era traído nos mais pequenos pormenores pelos que o cercavam. Não será de admirar, nem surpresa para quem já teve a responsabilidade de dirigir, que uma chefia frouxa, pouco informada e há deriva, é enganada por todos os lados.
É, pois, neste quadro que o “velho homem” de 1933, fecha os olhos e baixa à terra.
É este o País que entre 1968 e 1974, era repudiado por uma Europa, que de pura, pouco teria, mas que tinha a virtude da Liberdade. É neste clima e neste quadro, que o Senhor Presidente do Concelho Marcelo Caetano, começa a ser repudiado pelos seus pares estrangeiros e a cair em desgraça interna. À esquerda e à direita. Por razões e lógicas diferentes, ambos os opositores estavam de acordo. Aquilo, Não.
Fez pois, ontem, quarenta anos, que se começou a fingir que se mudava.
Lembremos, para que a memória nos ajude a evitar erros dramáticos num futuro muito próximo.
É sempre mau ter mais do mesmo, com outro nome e o mesmo corpo.

Jerónimo Sardinha

27Setembro08.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

PORTUGAL! QUERIDO E FANTÁSTICO PORTUGAL. COMO TE AMO COM TODA A MINHA ALMA E CORAÇÃO.

( À minha mãe, mulher forte deste povo, e às minhas irmãs Fátima e Ana que todos os dias também fazem com que Portugal aconteça)

A propósito de uma consulta do expresso online sobre o que de melhor Portugal tem, alguns comentadores com redundância paroquiana, disseram que o que Portugal tinha de melhor eram os portugueses, como na França serão os franceses e no Iraque os iraquianos, só por uma questão patrioteira isso seria diferente, connosco.

Agora, na minha opinião, nós, os portugueses, temos na nossa maior qualidade o nosso maior defeito que é a extrema generosidade e ingenuidade como seguimos os sermões dos padres das aldeias e as falsas promessas dos políticos, e a completa descontracção, por ignorância ou irresponsabilidade, como vivemos as crises sociais e económicas.

Parece que nada é connosco, o que, faz deste país um paraíso de cigarras, sem cidadania, e nos torna simpatiquíssimos para toda a gente, menos para aqueles que trabalham para nós que são sempre os piores trabalhadores do Mundo, enquanto, nós, quando falamos de nós próprios, somos os mais sábios e eficazes. Vá lá Freud dizer porquê.

Também como comemos de mais e bebemos ainda melhor fertilizávamos as terras para a agricultura, o que ao nível da de subsistência era importante adubo orgânico e barato, hoje, com esta agricultura morta, poluímos o ambiente.

Temos belos monumentos que os portugueses não conhecem nem pelos nomes, nem pelas visitas, e o Estado e as autarquias deixam cair, e como também não há nenhum mecenas, que os salve do musgo e da ferrugem, lá vão morrendo, como acontece na Senhora da Agonia, mas também o mesmo por toda a parte.

O único mecenas que existe em Portugal é o Sr. Belmiro de Azevedo que com os monstros dos shoping’s destruiu todas as muito belas lojinhas do Chiado, das ruas e das praças, enfim o que era único e fazia parte da nossa identidade cultural e histórica. Nada de assim muito importante, quando a divindade suprema é o lucro.

Temos uma paisagem exuberante, com matas dignas do pincel do maior pintor, só que ficam todas cheias de lixo, após os piqueniques dos portugueses que tão garbosamente confirmam quanto respeitam as plantas e promovem a limpeza das florestas. Depois de passarem pelos parques, além das flores espezinhadas, o chão torna-se um verdadeiro chiqueiro. Sermos assim parece ontológico, será?

Temos muito Costa completamente abandonada, como a da Caparica que tem projectos de reabilitação para aí, desde 1977, altura em que, por lá, fiz um estudo sociológico.

Também temos um lindo Algarve com sobre construção e uma rede de hotéis de 5 ou 4 estelas, faltando os médios de 3 e 2 estrelas, como na vizinha Espanha.

Temos extensos areais, onde, convivemos a paredes meias com lixo e caca de cão, porque os donos dos mesmos, muito humanamente, os levam às praias, mas esquecem-se de levar os saquinhos de plástico para recolherem os produtos orgânicos, dos nossos melhores amigos.

Sou um amigo dos cães e dos gatos que tanto sofrem com o massivo abandono pelos seus donos na época de férias. Um comportamento que seria inaceitável numa Bélgica, é uma normalidade em Portugal. Tudo numa boa. Só que exigem as regras de convívio e de saúde que onde estendo o corpo, não haja porcaria desses queridos amigos.

Somos pessoas de gostos simples, sardinhas, pão, tinto, telenovelas, futebol e temos uns cromos maravilhosos como um programa, a liga dos últimos, revelou, pondo todos os burgueses de Lisboa à beira de um ataque de nervos. Aquela gente não existe, é a vergonha da cara das suas aldeias e dos portugueses.

Enfim, alguns comentadores intelectuais falaram de Siza Vieira, Eça, Fernando Pessoa, mas estes não são os mais conhecidos. Na arquitectura e artes plásticas todos são uns notáveis desconhecidos. Na literatura o monstro sagrado é a Sra. Margarida Rebelo Pinto, nas canções o Toni Carreiras e o Quim Barreiros. Somos, de um ponto de vista da cultura popular genuína, uma potência com uma dimensão que ultrapassa a nossa dimensão geográfica e demográfica. Valha-nos isto.

Somos de um humor transbordante, logo que nos lixam no trânsito disparamos a apitar e a chamar palavras muito simpáticas aos outros, de FP para cima. Um esmero linguístico nacional, mas para compensar nas romarias e nas festas populares depois de bem bebidos lá damos beijos a tudo quanto é rabo-de-saia, e no entusiasmo lá vai um beijo a um barbudo, obeso.

Somos um verdadeiro hino ao que de mais essencial e primitivo existe no Homem. Somos tão extraordinários que nos convertemos num caso de estudo para sociólogos e outros curiosos de fora fronteiras.

Como grande curiosidade nacional actual temos os jardins cheios de idosos e de gente com quarenta anos que foram para o desemprego, porque não têm qualquer competência para os novos empregos.

Como os Magalhães chegaram tão tarde ( mas ainda bem que chegaram, é um grande feito), toda este gente tira o seu doutoramento em Sueca que o nosso Presidente da República pedirá internacionalmente para que se torne numa disciplina olímpica. Veremos.

Também temos uns simpáticos que batem nas mulheres e maltratam gravemente as crianças, mas fora isto, este pequeníssimo senão, são muito simpáticos para as amantes e as vizinhas.

Enfim, Portugal é o mais belo País de Mundo, e nós, os Portugueses e as Portuguesas (sobretudo estas, são maravilhosas, como Diana e Vénus), somos os mais dilectos filhos de ZEUS.

Por tudo isto, se PORTUGAL não existisse o Mundo seria outra coisa, mas nunca um Mundo com uma menina de olhos como, Portugal é para ele. Um assombro de Glória, Maravilha, Sonho, Sedução e Eternidade.

VIVA PORTUGAL, “DITOSA PÁTRIA AMADA”, ÉS ÚNICO NESTE PLANETA.

Somos os grandes Gamas de todos os tempos. Amo-te Portugal. Somos quase uma sociedade agrafa com um capitalismo quase- selvagem instalado e muitas catedrais de consumo quase-superfluo. SOMOS Uma QUASE- MARAVILHA DA NATUREZA E DO HOMEM. SOMOS DE FACTO QUASE TUDO E QUASE NADA. SOMOS ESTA EQUAÇÃO QUE SÓ DEUSES SÁBIOS, MUITO SÁBIOS, PODIAM CRIAR.

SOMOS PORTUGAL. AMO-TE QUERIDO E ÚNICO PORTUGAL .

andrade da silva

05 - POEMÁRIO * Terra sagrada




Nos campos perdidos, as pedras resistem.
Vestígios passados, no tempo presente.
As ervas medrando, silvestre semente,
viçosas gritando que nunca desistem...

As pétreas ruínas, no chão decadente,
são marcos, são ais, são sinais que persistem
nos tempos danados que fingem que existem,
são esta agressão a doer indecente...

Nas ervas que medram, assombra a saudade
dos louros trigais, na promessa do pão
que a fome sacia na ceia suada...

Ah, tempos danados de mediocridade!
Ah, terra sagrada! Que profanação
assim te sujeita às grilhetas do nada?


José-Augusto de Carvalho

22 de outubro de 2004
Viana do Alentejo * Évora * Portugal