sexta-feira, 6 de julho de 2012

UMA GRANDE VITÓRIA CONTRA OS COBARDES E OS CÚMPLICES



A INCONSTITUCIONALIDADE DO CONFISCO dos 13ª e  14ª meses



www.tvi24.iol.pt


NOTA: " COMO É  EVIDENTE  É SOMENTE UMA GRANDE VITÒRIA MORAL, NADA MAIS, PORQUE JÁ ARDEMOS COM o 13 e 14ª MESES, MAS MESMO ASSIM SIGNIFICATIVA. SE O PRESIDENTE DA REPÚBLICA E MUITOS OUTROS TIVESSEM AGIDO, TUDO, NATURALMENTE,  PODERIA TER SIDO MENOS GRAVASO PARA TODOS. O NOSSO  DINHEIRO É IGUAL AO DOS DEMAIS CIDADÂOS E MUITO MENOS QUE OS 30 MIL€/MÊS DA  NOIVA DE PORTUGAL - CATARINA FURTADO. NÃO PODE HAVER CORDEIROS PASCAIS. É IMORAL E INCONSTITUCIONAL, ponto. LOGO, OUTRAS LUTAS SE SEGUEM, ponto.






Um punhado de deputados do PS, os do Bloco de esquerda, a Associação de Oficiais das Forças Armadas, (AOFA) centenas de militares perante a gaguez e a duplicidade de todos os demais deputados  tomaram em seus ombros a luta contra um crime contra os funcionários públicos e os pensionistas, no confisco o 13 e 14ª meses.

No caso dos militares foram escritas centenas de cartas contra esta medida, de evidente inconstitucionalidade, como era do perfeito conhecimento do Sr. Presidente da República, que quando 1º Ministro em 1990, o seu governo num ofício que me dirigiu perante a minha reclamação por passar a ser incluído na lista de contribuinte sem salvaguardar outras medidas de compensação ao nível do vencimento, alegava que tal se devia a princípios constitucionais e de modernidade do sistema fiscal: o princípios da equidade e do englobamento, isto é, quando mais gente houver a pagar menor é esforço de cada um.

Se o caso do confisco for ilegal, porque carga água, um pensionista com uma pensão com mais de 1100€ mês perde as pensões do 13ª e !4ª meses e a Sra. Catarina Furtado que ganha 30 mil € /mês nada perde?

Honra para os que lutaram, vergonha e opróbrio para os cúmplices e cobardes que  fingiram que não concordavam com este pesado castigo contra milhões de pensionistas e funcionários públicos e, agora de uma forma oportunista querem associar-se a esta vitória, que é de poucos, embora sirva a muitos. Se não fosse esse esforço heroico de poucos, pelos carreiristas dos partidos e do sindicatos nunca maia teríamos de volta estes subsídios.

Obviamente que este governo é maquiavélico, e vai arranjar maneira de pôr uns contra os outros, e de sacar dinheiro a todos. Até agora , e este ano, este problema tinha sido autonomizado como dos funcionários públicos e pensionistas, e, por isso, foi  abandonado por muitos: por  todos os deputados que na defesa da Constituição e do povo, não pediram, como era seu dever, ao Tribunal Constitucional a análise da Constitucionalidade de tais normas do OGE 2012; sindicalistas e sindicatos que foram frouxos,  e pelo Presidente da Republica.

Uma vez mais poucos fizeram a diferença, mas os milhares e milhares que tiveram com o dito cujo no banco, uma vez mais vão imoralmente beneficiar deste esforço, mas esta é  regra num país habituado ao parasistismo.

OBRIGADO AOS QUE LUTARAM E QUE UMA MANTO DE VERGONHA E LODO CUBRA OS DEMAIS, SOBRETUDO OS QUE NADA TENDO FEITO SE COLAM A ESTA GRANDE VITÓRIA.  Pessoalmente não alinho nesta sujeira, e a denuncio.

O Estado de direito funcionou, agora, o estado maquiavélico vai procurar derrogá-lo, e milhões de pessoas são em 2012 afectadas por uma decisão ilegal, logo  tem de ser derrogada, e terá de dar  direito a indeminizações, obviamente.

andrade da silva

quinta-feira, 5 de julho de 2012

POR TI JOVEM CONCIDADÃ QUE TE FIZESTES AO TEJO PARA PARTIR PARA SEMPRE.





 Hoje nesta pais de sós e perdidos - UMA JOVEM FEZ-SE AO TEJO do Alto da ponte. Partiu para todo o sempre. É a segunda partida esta semana da ponte do 25 de Abril. Mau presságio a ponte da Liberdade, virou ponte da morte, por suicídio. 

Gente distraída, gente egoísta ao nosso lado alguém pode estar a precisar de nós.

Que a politica,os partidos, os militantes, os autarcas, nós todos façamos o que podemos junto dos que estão perdidos.

Irmã e irmão que partistes em vossa honra este hino e uma lágrima.

Quem falará de vós?



Mas alguns não vos esquecemos. Amigos informam-me sobre estes fins trágicos e digo a todos vós, os que não têm os olhos cegos, os ouvidos tapados e as bocas seladas, num país de CONDENADOS.


A minha voz, como de tanta gente soa impotente, mas gritamos, por dever, convicção e amor.


andrade da silva

A VISÃO DE UM CIDADÃO COMUM XXIII ( Um passo em frente … )






Na passada sexta-feira em pleno rescaldo da última reunião do Eurogrupo, a União e os “mercados” respiraram de alívio... A política de austeridade de frau Merkel tinha sido derrotada pela inesperada rebelião de Mario Monti e Mariano Rajoy que unidos conseguiram que a chanceler alemã fosse obrigada a ceder em dois pontos: o Mecanismo Europeu de Estabilização (MEE), ou seja, o fundo de resgate europeu permanente que será utilizado em breve vai poder entregar dinheiro diretamente aos bancos espanhóis e comprar a dívida italiana sem exigir um programa de rigor como aquele que foi imposto aos países já resgatados (leia-se sequestrados) a nível financeiro.

O resultado da cimeira também obrigou a frau Merkel a comparecer na sexta-feira à tarde no Parlamento alemão, onde teve que se comprometer (e a Alemanha por arrasto) a defender um programa de crescimento e emprego e um imposto sobre transacções financeiras para conseguir a maioria de dois terços necessária para aprovar o Tratado Orçamental Europeu e o Mecanismo Europeu de Estabilidade.

Esta aparente inversão da politica Europeia foi extremamente bem recebida pelos ditos “mercados” no que se traduziu numa imediata valorização do Euro face ao seu rival Dólar, diminuição das taxas de juro aplicadas às dívidas soberanas europeias e valorizações dos índices e títulos transacionados em bolsa...ou resumindo aquilo a que hoje se apelida de “alivio dos mercados”.

Mas haverá realmente um motivo concreto para festejos? Já se vislumbra uma “luz” ao fundo do túnel? Honestamente, creio que a resposta será negativa para ambas as questões levantadas senão vejamos:

Nesta cimeira não foram aprovadas nem tão pouco formuladas quaisquer propostas que se traduzam em medidas concretas que resolvam os problemas estruturais da Europa, principalmente das economias mais fragilizadas como a Portuguesa.

O que pareceu aos olhos da opinião pública uma vitória dos países do sul face à hegemonia Alemã não passou de uma jogada desesperada de Monti e Rajoy para evitar uma humilhação para as nações que representam e que teria graves consequências para a sua política interna.

Uma maior degradação da dívida pública empurraria o Governo de Mario Monti para um amargo fracasso – aliás na cimeira de Bruxelas, o primeiro-ministro italiano chegou a ameaçar demitir-se – e para a convocação de eleições antecipadas no outono. O momento em Itália é extremamente delicado, apesar da eficaz encenação montada pelo executivo tecnocrata de Monti. O sistema político encontra-se em fase de desintegração: o centro direita precisa de se reabilitar, depois do desastre de Berlusconi; o centro esquerda (Partido Democrático) vai à frente nas sondagens, mas falta-lhe coerência e fôlego; o movimento antipolítico chamado Cinque Stelle, anda à volta dos 20%, em algumas sondagens; Berlusconi – muito motivado por este último – volta à ribalta arvorando a bandeira do regresso à lira.

O caso espanhol apresenta contornos mais definidos: os problemas de capitalização da banca espanhola. A suspeita generalizada de que os problemas de Espanha são muito maiores do que admitem os governos que se sucederam no poder, nos últimos sete meses. Uma suspeita bem arreigada em determinados círculos da City de Londres. Ao contrário de Itália, a Espanha não tem problemas de estabilidade parlamentar. O Governo dispõe de uma maioria absoluta de 186 deputados e quase quatro anos pela frente.

Rajoy não sofre da precariedade de Monti, mas uma intervenção formal da economia nos moldes aplicados pela Troika à Grécia, Irlanda e Portugal poderia sujeitá-lo a uma fortíssima erosão e a elevadas tensões sociais

O Bundesnachrichtendienst, os serviços de informação alemães, controlados diretamente pelo Gabinete da chanceler, terão informado pormenorizadamente Angela Merkel dos potenciais riscos de um descontrolo político em Itália e Espanha, que poderiam constituir a origem de uma possível desintegração do euro com custos incalculáveis para a Alemanha e terá sido este estudo a
principal razão para uma capitulação temporária do executivo germânico na última cimeira.

No entanto, a Alemanha jogou uma jogada de mestre que terá passado despercebida à maioria dos observadores:

A troco de algumas cedências - nomeadamente a possibilidade de compras de dívida pública por parte dos fundos de resgate (FEEF/MEE) ou a de os fundos europeus recapitalizarem directamente bancos - ganha tempo que precisa para se organizar e consegue que os países da zona euro abdiquem da sua Soberania ao admitirem que o Banco Central Europeu possa assumir as competências de supervisão e controlo sobre todo o sistema bancário da União. Supervisão e controlo, a partir de Frankfurt, de todo o sistema bancário europeu (excluindo o Reino Unido, evidentemente). Bem como abrirem as portas para a federalização da União Europeia através do Tratado Orçamental Europeu, que no seu extremo prevê que os Orçamentos de Estado tenham de ser previamente aprovados por Bruxelas.

Como poderão constatar não existem motivos de júbilo, se estávamos à beira do abismo acabámos de dar um passo em frente, resta saber se ainda estaremos a tempo de dar um ou mais para trás...

Um abraço,
Nuno Melo
03 de Julho de 2012

quarta-feira, 4 de julho de 2012

POLÍTICA DO QUOTIDIANO:A LISBOA TRANSPORTES (LT) ENCOMENDA OPERAÇÃO STOP À PSP, QUE NATURALMENTE SATIFAZ, MAS COMO?



Viajo em transportes públicos desde que nasci, só conheço as seguintes modalidades de transporte: público, táxi, de boleia e a pé, como é natural os que mais uso são o publico e  a pé, ambos desde há décadas, e nunca vi o que hoje constatei.

Pelas 17 h de 3de julho de 2012, verifiquei um grande aparato policial com uns 8 policias,  dois de viação e transito, duas motos, uma carinha, na paragem de autocarros da Falagueira e umas , 5 ou 6  viaturas da empresa privada transportes LISBOA TRANSPORTES (LT)  paradas em fila indiana, com dezenas de passageiros lá dentro e as portas hermeticamente fechadas.

Como Portugal cada vez mais se vai assemelhando ao Egipto de Mubarak, em que as viaturas de transporte colectivo precisavam de ser escoltadas para se deslocarem , aproximei-me mais, e verifiquei, então,  que aquele aparato e a retenção dos passageiros,  do meu ponto de vista ilegal, porque desproporcional e evitável, destinava-se exclusivamente a verificar, através dos revisores da empresa se os títulos de transporte eram válidos.

 Considerando como excessiva e demorada a retenção para as pessoas que viajassem na 4 ou 5 viaturas, cidadãos que regressavam  do seu trabalho e têm afazeres, e que por causa destes atrasos podiam  mesmo perder transportes de ligação com grave prejuízo para a suas vidas, interpelei os agentes da empresa sobre a situação dos passageiros. Nada quiseram dizer, para além de que a empresa é que tinha ordenado aquela acção, isto é, reter, através da policia de segurança pública, os cidadãos para os revisores da empresa, com os cidadãos retidos e com o transporte parado por ordem da PSP -  Operação Stop – puderem conferir os referidos títulos.

Não tendo obtido resposta dos agentes da empresa, depois de me identificar com o meu Bilhete de identidade Militar, solicitei esclarecimentos, como cidadão, ao agente chefe da Missão,  agente da policia de viação e trânsito, que me esclareceu  com toda a correcção que era uma acção legal de stop, como as demais que se fazem às viaturas particulares, que estava a fazer serviço público etc. Ainda me esclareceu que tinham de fazer assim, e já tinham feito várias vezes, para evitar que os revisores fossem agredidos, e ainda que  o chefe da Divisão da PSP tinha avaliado o problema da legalidade, e que, portanto, era legal.

Informei o agente que agradecia os esclarecimentos, que considerava o papel fundamental da PSP no combate ao banditismo, que as pessoas violentas deviam estar presas, mas que discordava da legalidade  ou  da proporcionalidade e bom senso daquela acção, por :

1-    Como pode uma empresa, ou um cidadão particular, solicitar uma operação  stop, como o agente a identificou, por ser ele o chefe da missão e ser da policia de  viação, para proteger interesses legítimos, mas particulares com desrespeito pelo direito de dezenas, centenas de cidadãos de  serem  transportados, com titulo legal,  sem interrupções discricionárias da empresa, apoiada pela PSP neste acto abusivo  de suspensão do contrato e obrigação de transporte, sem paragens arbitrárias ?

2-     Nas operações stop às viaturas individuais procura-se salvaguardar bens muito importantes, como a defesa da vida dos cidadãos, pois pode alguém estar a conduzir sem a devida habilitação e até a viatura não estar em condições, o que infelizmente se descura, portanto, o incómodo provocado por amostragem a alguns  cidadãos justifica-se pelos bens que procura proteger, e nem sequer  pode ser feito de outro modo, circunstâncias que não se verificam de nenhum modo neste caso;

3-     Ora no caso dos transportes colectivos e nesta operação stop, a pedido da empresa de transportes, o bem legitimo a proteger são os interesses da empresa que podem ser defendidos sem este aparato  intimidatório e lesivo do direito dos cidadãos passageiros  que com o seu título válido tem de ser transportados dentro do horário previsto, e, neste caso, como durante década aconteceu  nem seriam precisos nem mais agentes, nem revisores, bastava que fizessem  como a CP faz e como sempre se fez nas camionetas, com estas em circulação o revisor verifica a regularidade do titulo e o policia acompanho-o , assim todos ganham, a acção  policial é discreta, eficaz e não levanta nenhuma dúvida quanto à sua legalidade;

4-    Este tipo de acção não aumenta nem o prestigio da PSP, nem o sentimento de segurança, outra coisa seria a identificação do cidadãos para detecção de outro tipo de irregularidades que põem em causa a segurança pública, como indivíduos foragidos etc.

Então porque não se faz o que deve ser feito com respeito por todos os cidadãos e sobretudo pelos que cumprem?

Disse ao agente que ia dar conhecimento deste facto ao Sr. Ministro da Administração Interna, mas não o farei,  porque não posso sozinho estar a escrever cartas todos os dias, ou quase, para os Srs. ministros e Sr. Presidente da República, entretanto, deixo aqui este alerta e vou enviá-lo para alguns órgãos da Comunicação Social.

Outros, porque são militantes de partidos podem questionar, através dos seus deputados e estruturas estes factos, é mais eficaz, outros ainda, como juristas,  podem saber melhor o que neste caso se pode fazer de mais pertinente.

 Mas se  mais nada fizerem  partilhem esta informação, com a seguinte nota - as dezenas, centenas de vitimas e assistentes deste acto nada disseram. Todavia quando  falei  os revisores e mesmo os policias deram sinais não verbais de terem dúvidas quanto à proporcionalidade daquela acção.

Mas será que ainda estamos em PORTUGAL Democrático, talvez sim, talvez já não seja bem assim, talvez!...

andrade da silva



segunda-feira, 2 de julho de 2012

Salgueiro Maia Aquele que deu tudo e não pediu a paga



No dia do teu aniversário: um abraço até sempre.

andrade da silva

SÁ CARNEIRO DIX:



                                                  SOBRE OS SUBSÍDIOS DE FÉRIAS E NATAL


Presidência do Conselho de Ministros e Ministério das Finanças e do Plano 
Decreto-Lei n.º 496/80
de 20 de Outubro



.........




Disposições finais

Art. 17.º Os subsídios de Natal e de férias são inalienáveis e impenhoráveis.


..............




Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 30 de Julho de 1980. - Francisco Sá Carneiro.
Promulgado em 10 de Outubro de 1980.
Publique-se.
O Presidente da República, ANTÓNIO RAMALHO EANES.



NOTA: Diz-se que este DL não foi revogável, todavia para além da questão técnica, fica a pergunta, o que resta no PSD, da herança de Sá Carneiro?


Este DL fala de subsídios  ( mal), quando estava convencido que falava de vencimentos.

A VISÃO DE UM CIDADÃO COMUM XXII ( A problemática dos Genéricos… )



                                                               Nota Editorial:  
“Publica- se este texto em que o nosso amigo Nuno narra um conjunto de diálogos absolutamente incríveis que nos podem bater á porta, quando nos dirigirmos a uma Farmácia. Como o Nuno refere há um grande número de farmacêuticos em quem podemos confiar, o que, neste campo felizmente é o meu caso, mas é importante conhecerem-se experiências negativas para estarmos de sobreaviso.
Todavia a  situação nos Hospitais do SNS continua a agravar-se, na quinta-feira, 28 de Junho, um antigo fuzileiro Naval que combateu em África dirigiu-se ao Hospital de Almada  para a uma 2ª intervenção a tumor maligno no cérebro, e foi mandado para casa por falta de camas vagas, sem data marcada para a intervenção, como será  o futuro deste homem, por causa deste adiamento, nada lhe foi dito e quem se importa por estes factos que vão matando silenciosamente?


Depois de uma semana a disfrutar de uma merecida pausa das minhas obrigações laborais retomo o contacto com os leitores deste espaço. Este texto não seguirá a linha editorial que venho a seguir ao longo desta minha colaboração com a AOFA pois precisamos todos de uma pequena pausa da actual conjuntura macro financeira e social que vivemos.

Este texto relata uma situação do quotidiano nacional que vivi a semana passada ao tentar aviar uma receita para uma familiar e que de certa forma, mesmo sendo uma situação aberrante quando analisada sobre um prisma deontológico e ético não deixa de ocorrer diariamente e talvez em centenas de casos resultando um prejuízo nos cofres (vazios) do Estado Português e nas carteiras (ainda mais vazias) dos cidadãos Lusos.

Comecemos pelo princípio para enquadrar melhor a situação que mais à frente se irá desenvolver: a minha familiar além de diabética, tem hipertensão crónica e colesterol elevado. Após as últimas análises a minha esposa (não lhe chamarei companheira porque acho a expressão infeliz) decidiu passar a acompanhar clinicamente a senhora.

Após analisar a situação clínica, atendendo não só às indicações do Ministério da Saúde mas também à situação económica da doente optou por prescrever os medicamentos genéricos mais baratos do mercado indicados para o quadro específico.

A situação concreta:
Quando nos deslocámos à farmácia mais perto da nossa residência enquanto a minha esposa aviava a receita notei que ia ficando com uma expressão facial cada vez mais carregada: Como sou naturalmente curioso e protector dos meus aproximei dela e indaguei o que se passava de errado, ela retorquiu que a farmacêutica que a estava a atender estava a colocar medicamentos genéricos de marca diferente daquela que teria prescrito e que eram mais caros... lá aguardou que a sra. farmacêutica acabasse de colocar os medicamentos todos no balcão e iniciou-se o seguinte diálogo entre ambas:

- Desculpe, mas os medicamentos que me está a dispensar são diferentes daqueles que constam na receita.

(farmacêutica)- Não, minha sra., são a mesma coisa, são medicamentos genéricos com o mesmo principio activo mas de outra empresa. Não tenho aqueles que foram prescritos e o preço destes são os mais baratos do mercado...

- Ah sim... e quanto custa o genérico X1 que me está a dispensar? E o Y1?

-O X1 é 7,00 € e o Y1 são 22,00€ - respondeu a farmacêutica com ar de enfado devido à fila que se formava.

- Pois tinha ideia que o medicamento X prescrito não passava de 1,60€ e o Y de 2,60€...

- Impossível! Até pode ver aqui no computador se quiser, os medicamentos genéricos que tem à frente são os mais baratos do mercado.

- Deixe estar, não levo nada. Devolva-me a receita sff.
Saímos da farmácia com a minha esposa furiosa e revoltada, argumentando que não se podia ter enganado daquela maneira, no que se converteu rapidamente num monólogo:

- Como é que posso confiar no sistema informático do hospital se não tem os valores correctos? Os meus doentes bem se queixam que muitas vezes os medicamentos genéricos que passo estão esgotados e que os que existem não estão ao alcance das suas magras reformas e salários?

Um pouco cansado do monólogo que se repetia vezes sem conta sugeri que fossemos a outra farmácia para tirar as dúvidas, assim fomos e eu a continuar a ouvir o monólogo...

Chegados à farmácia, fomos atendidos por uma jovem farmacêutica que começou por dizer que não dispunha os medicamentos genéricos prescritos mas se quiséssemos poderia substituir os mesmos por outros medicamentos genéricos ou em alternativa encomendar os que estavam prescritos. Aqui
começou um daqueles diálogos que nunca pensei ouvir pois a minha mulher detesta e faz tudo para que não tenha de revelar a sua profissão:

- Vou ser sincera consigo, acabo de vir da farmácia X e o que aconteceu foi isto (passando a descrever o sucedido), fui eu que passei a receita e tenho a certeza do valor que os medicamentos genéricos apresentavam no sistema informático do hospital. Peço, por favor, que me confirme os preços dos medicamentos que prescrevi (enunciando-os de seguida), o preço daqueles que tem para me dispensar de outra marca e aqueles que me foram colocados à disposição pela sua colega na outra farmácia.

- Com certeza dra... sim todos os valores que me indicou estão correctos e aqueles que a minha colega lhe pôs à disposição não se encontram nos 5 genéricos mais baratos do mercado. Como a dra. certamente sabe actualmente somos obrigados a ter em stock, no mínimo, 3 medicamentos de cada grupo homogéneo (mesma substância activa, forma farmacêutica e dosagem), de entre aqueles que correspondem aos cinco preços mais baixos e, destes, dispensar ao utente o mais barato.

- Muito bem e o que tem actualmente em stock?

- Tenho o genérico X2 cujo preço é 1,90€ e o Y2 cujo preço é mais caro 10 cêntimos do que aquele que prescreveu. Em relação ao medicamento genéricos K não tenho em stock mas dentro de 3 horas estará cá, isso se quiser.

- Muito bem, sendo assim e já que temos de aguardar pelo medicamento genérico K. Encomenda-me o X e o Y também?

- Certamente.

Saídos da farmácia, tendo pago no total 29 euros e alguns cêntimos muito diferente dos 90 e muitos euros que teríamos desembolsado na primeira farmácia, rumamos novamente à farmácia inicial onde após identificar a situação e exigir o livro de reclamações fomos confrontados com um sem número de solicitações para não reclamar e de justificações «técnicas» miseráveis numa situação que parecia uma autêntica novela mexicana e que durou mais de 2 horas!

As justificações só por si só poderiam originar mais um rol de reclamações de tão estapafúrdias e chocantes que eram: começando pela farmacêutica pedir desculpa e que lhe dissemos onde tinha errado para que não acontecesse no futuro, passando de seguida para o argumento do erro informático, afirmando que tinha de vender os medicamentos que existiam em stock na farmácia e era impossível ter os 5 medicamentos genéricos mais baratos em stock dada a sua reduzida margem de lucro. Que a culpa era do gestor financeiro que não comprava os medicamentos... acabando numa súplica que o seu posto de trabalho estaria em causa se a reclamação formal avançasse, argumento que a directora técnica já tinha utilizado quando lhe foi transmitida a noticia via telefone pelos seus subordinados.

Chegados a este ponto e, dado que me tinha limitado a ouvir em silêncio esta aberração achei que era hora de intervir e dirigindo-me a todos oprofissionais que se encontravam na farmácia (que entretanto já fechara as portas ao público) recordei-os do seguinte:

- Os senhores e senhoras (sim porque já não consigo ouvir a palavra doutor ou doutora mais uma vez) têm tal como os médicos que prescrevem um compromisso para com os doentes/utentes de cariz ético que não pode ser alienado por um acréscimo no vosso volume de vendas. As pessoas que aqui vêm muitas vezes são obrigadas a escolher entre comer ou comprar os medicamentos e muitas vezes entre a vida e a morte quando não podem comprar aquilo que lhes põem à frente. Como neto de um farmacêutico tenho vergonha que os titulares de tão nobre profissão aqui presentes se tenham convertido em meros vendedores, sem desrespeito para estes últimos. Vamos avançar com a reclamação por ter existido uma falta de profissionalismo gravíssima, tão mais grave é por não a entenderem.

Mas passo a explicar: a sra. não cumpriu a lei, ao não ter em stock os 3 genéricos mais baratos, voltaram a não cumprir ao não solicitar e obter o consentimento informado do utente, não colocou a hipótese de encomendar os fármacos, quando questionada mentiu descaradamente e de uma forma arrogante para efectuar uma venda, não respeitou a lei ao querer vender um medicamento mais caro que o receitado, mas acima de tudo violou a confiança que o cidadão deposita num profissional de saúde.

Assim terminou a saga de aviar uma simples receita, que caso não estivesse efectuada por alguém devidamente informado teria um custo 300% superior ao efectivamente pago. Este texto não é ficcional, e ainda aguarda um desfecho por parte do Infarmed (a entidade responsável pela fiscalização do sector).

Ressalvo que com o presente não pretendo diabolizar os profissionais de farmácia, porque acredito e conheço excelentes profissionais nesta área por quem nutro o maior respeito e amizade.

Tal como não pretendo glorificar a classe médica, muito menos a minha esposa, pois também existem bons, maus e muito maus profissionais como em qualquer ramo de actividade. Em relação aos medicamentos genéricos fica o alerta que embora o princípio activo seja o mesmo não são todos iguais, a começar pelo preço...aliás não compreendo porque o Estado Português não lança um concurso público anual/semestral para que hajam apenas um medicamento genérico para cada princípio activo e que o mesmo seja dispensado nas doses necessárias conforme acontece nos EUA.
Todos nós, como utentes e como cidadãos, temos a obrigação de nos informar sobre aquilo que nos é proposto em situações clinicas: questionando todos os profissionais que intervêm no processo e prestando especial atenção àquilo que nos é dado a assinar, exigindo informação e um tratamento de qualidade.

Para um conhecimento mais aprofundado deixo o endereço do Infarmed para posterior consulta:
www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/MEDICAMENTOS_USO_HUMANO/GENERICOS.

Um abraço,
Nuno Melo
26/06/2012

Nota 1: Os medicamentos genéricos foram por mim denominados X, Y, K e os sucedâneos foram de X1, X2, Y1, Y2 para melhor compreensão do texto, não considerei importante indicar o nome real do principio activo pois a situação poderia ocorrer com qualquer um.
Nota 2: todos os valores expressos foram arredondados por defeito mantendo a sua real proporção entre si


PS:  BOAS VINDAS A NOSSA AMIGA REVOLUCIONÁRIA. TRAZ MAIS CINCO. Abraços.