terça-feira, 17 de julho de 2012

UM PAÍS BOCA ABERTA: OU SAI ASNEIRA, OU ENTRA MOSCA….OU…





Num momento  de evidente  pré- crise politica deveria adiantar o que penso sobre a mudança profunda que todo este sistema requer, para não continuarmos a viver, mais ou menos, com o mesmo   lodo, sob a ameaça terrível da Europa, ou seja, ou seguimos as suas regras, ou cairemos num quadro próximo da ameaça americana de 1975,  a  da Albanização do país, ( esqueceram-se?) então, para punir o crime do PCP e de outros comunas  ( os assim chamados  gloriosos oficiais do MFA, independentes de todos os partidos que queriam um Portugal genuinamente Português) de quererem conquistar  o poder ao serviço da URRS.

Agora, o crime a punir será não cumprirmos o plano suicidário da Troika que esquecendo a Economia real  permite  lucros fabulosos aos agiotas dos mercados, e pode aumentar  entre nós, os  pobres para 42%  de população ( segundo as  estatísticas do actual   ministro Álvaro, 42%  da população ganha entre 0 a 10.000 €/anos)  a que facilmente  se juntarão mais uns 24,a 25 % dos que ganhavam  acima de 10.000 €/ano , mas que com os cortes têm empobrecido.

 Todavia, apesar desta realidade  não vou falar de alternativas, porque o calor que se aproxima poderia derreter tais ideais, ou as águas das férias oceânicas as lavar, assim, e, embora,  com o mesmo resultado esperado, da profunda batalha que temos ou deveríamos travar com  nova gente politica , falarei em Setembro, até lá mandarei uns postais de visitas da  minha terra.

Todavia quero falar deste pais boquiaberto de aneiras que saem,  ou moscas que entram, ou… mas, sobretudo, de que nada acontece.

Mas não será mesmo de ficar de boca aberta, como o Sr. Procurador-Geral da República com as licenciaturas de Domingo à tarde, ou supersónicas ? De facto é, mas seria muito mais importante fechar a boca, pensar, decidir e agir, mas isto não acontecerá. Mas,  então,  o que farão as moscas?

O país vê a escravatura na Covilhã, e vem o   presidente da câmara lá do sítio dizer  que  aquilo afinal é um mero detalhe, um não assunto, e o país fica de boca aberta e nada faz, mas o que farão as moscas?

Sabe-se que uns agiotas nos emprestaram dinheiro,  impuseram-nos uns juros inaceitáveis, mas ao contrário dos outros agiotas, além dos juros, roubam-nos a independência, e dizem o que temos de fazer ou não fazer, para pagarmos a divida e os juros, mesmo que os estejamos a pagar, e o país fica de boca aberta, mas nem, em si cai. Então,  o que farão as moscas?

O país ouve dizer que estamos em crise e ao director da RTP 1 que a estação pública adaptou-se a estes tempos, e até os vendedores de programas, e que, consequentemente,  poupam, comprando formatos mais baratos. Todavia o país fica de boca aberta, perante tanto desplante e falta de vergonha, quando sabe quiçá que poupam nos conteúdos, para esbanjarem nos ordenados milionários a Catarina Furtado, Malato e outros, mas, então,  o que farão as moscas, perante tanta boca aberta?

E como fica o pais, quando o Tribunal Constitucional faz o que deve, declarando Inconstitucional o confisco dos 13º e 14º meses a uma parte da população portuguesa e, assim, age, não só pelo principio da equidade, mas  também do – englobamento-  que em 1990, o Governo do Professor Cavaco me referiu em ofício e que tenho evocado, mas os surdos também  não  ouvem?

 Todavia  foi este principio e o da  proporcionalidade que o presidente do tribunal Constitucional referiu, e, logo, o Sr. 1º Ministro veio dizer que ele dizia aquilo, porque estava em fim de mandato.  Mas, então, como ficará este país se adora estar de boca aberta para sair… ou entrar….. com estas tirados directas e espontâneas, ao que dizem , do Sr. 1º Ministro?

Há muitas mais coisas de espantar, como os sonhos de Belém, quanto à futura generosidade da troika, quando pareceria mais útil, o Sr. Presidente da República cumprir os seus deveres constitucionais, para que Portugal não seja um laboratório de como se destruir a economia real, para transformar um país num campo de reunião de escravos, ou ainda os não assuntos do Sr. 1º Ministro. Maquiavel não responderia melhor a tais questões, mas Maquiavel  também diria  que há limites para tudo.

Os motivos para espanto são muitos, todavia espero que os portugueses fechem a boca antes que morram sufocados ou pela asneira ou pela moscas,  e que, sobretudo,  ajam não na construção de um ditador, mas numa democracia com cidadania.

Em Setembro - muito embora tanta coisa possa acontecer até lá, debaixo dos pés do governo está uma bomba de crise politica espoletada que pode rebentar a qualquer momento, e que vai  rebentar, naturalmente- retomarei a apresentação de pensamentos críticos contra o  fazer de conta que algo acontece, para que tudo se mantenha na mesma ou pior, mas também não, para  carregar ainda mais as cores negras desta situação e contra Portugal e os portugueses apoiar que a solução se encontra na ditadura de um homem providencial, o que, além de historicamente falso é um crime de lesa Alma Portuguesa.

Até Setembro, até lá uns bilhetes postais.

Abraços a quem me lê.

andrade da silva

PS: publicado na página do facebook da AOFA


segunda-feira, 16 de julho de 2012

ESTA LISBOA BEM PORTUGUESA, ALEGRE…. E ESTA OUTRA LISBOA DOR..


Andei, hoje, Domingo, dia 15 Julho 2012, por  Lisboa do Intende ao Chiado, vi e vivi as Lisboas que amo e as que me doem.



O meu amigo Tiago, da secção do PS da Almirante Reis, há uns anos, pediu-me  para  dar um contributo para o programa candidato à junta da freguesia dos Anjos na vertente segurança e dinamização cultural daquela zona.

Quanto à segurança não falarei, por agora, conquanto defenda que os sem-abrigo têm direito a uma habitação, mas na ausência desta, deve ser-lhes concedido um abrigo. Não está reconhecido o direito a ninguém de dormir nas ruas, porque não têm habitação, e depois porque sim , … mas adiante.

Todavia, na vertente de Dinamização,  propunha as festas pelos bairros e até interculturais. Andei por aquelas ruas a ver o que se poderia fazer na área da recuperação urbana ( sou licenciado, com um curso de 5 anos, pelo ISCTE, em sociologia urbana) e vi ruas com nomes dos países de Angola, Moçambique etc, e também pelo muitos comerciantes de várias etnias, o que me levou a adiantar essa ideia de eventos musicais e outros, de modo a trazer vida e gente para as ruas naquelas áreas e em todas as áreas urbanas de Portugal – é o que penso, também é-me muito fácil pensar assim, sou madeirense, e na Madeira estamos sempre, isto é, quase sempre, a festejar alguma coisa: bela, linda, mas os tempos, infelizmente, neste campo podem estar a mudar para negro, para a ausência de festas, e, então, morremos: Morre um povo, O POVO DA MADEIRA.

Mas hoje vi e vivi a Lisboa que amo, a Lisboa da Festa, no Intendente um grupo jovem e animado tocava música muito dinâmica. Os jovens pulavam,  a cerveja Sagres, a um euro o copo, corria, mas um homem já entradote ainda superava os jovens na dança e nos gestos - um assombro. Pensei que seria animador de um grupo, mas, mais tarde, vi-o só no Chiado, e pensei que talvez seja mesmo assim, estando só – uma força da natureza, belo.

No Martim Moniz  gente de meia idade mulheres e homens, sentados, ouviam, num espectáculo ao ar livre ,um fadista, e com que entusiamo o ouviam!  Muito o aplaudiam no fim das intervenções.

No Chiado estavam  os cantores ambulantes  sós e em banda e entre eles uma criança. Também  o homem estátua suspenso de uma bengala  lá estava, a desenhar gestos espantosos, o que, face  àquela suspensão se torna misterioso, e um acontecimento que muito divertia as crianças que assistiam à exibição,  e  deu uma grande trabalheira  a um cidadão africano que queria tirar uma foto, mas ao que parece o seu telemóvel não estava lá muito de acordo, ou, então,  o tempo e as tentativas seriam  para tirar a foto na melhor pose.

Mas esta Lisboa, bem portuguesa, também está no sentir bem português de um  povo pobre que embandeiram as suas casas humildes com a bandeira verde rubra, o pretexto será  a selecção de futebol, mas a razão de fundo chama-se Portugal, do que, a foto dá indelével testemunho.
Contudo esta Lisboa bela  e linda não podia deixar de mostrar-me  as suas feridas, e não muito longe da festa do Intendente e a dois passos da entrada principal da sede do Bloco de Esquerda jazia um sem-abrigo, em que ele – pessoa  - e os trapos e talvez as pulgas, porque ele se coçava sem parar,  era um todo. Mas que fiz eu? O mesmo que os outros, passei ao largo, neste momento nem moeda decente tinha.

Porém ,  mesmo antes deste encontro com um homem feito farrapo, subi um pouco a Rua Maria da Fonte e que dor, my God! a ver por ali tanta casa, lindas quintas, totalmente abandonadas – MY GOD, que dor!

Saindo do Martim Moniz, ( está com um lindo arranjo)   cheguei à Praça da  Figueira e nova dor, à boca do metro um homem encardido e julgo que cego remexia-se à espera da moedinha, já estava municiado e dei, ele sussurrou qualquer coisa que não entendi – também sou artilheiro, logo ouvir… –  nem distingui se era uma palavra, mesmo um  monossílabo, ou outra qualquer coisa.
Mais à frente, a cinco metros   da boca o metro, um rapaz com uma garrafa de cerveja de litro e meio, com as calças arregaçadas urinava. Sendo homem até pensei que estaria a resolver outras necessidades, mas era mesmo urinar. O que se pode ver por Lisboa, quando se anda  a pé e observa!

Mas aqui, nesta praça, ainda, um jovem-adulto com  malas, cobertores e dois cães montou a sua  “ suite” numa das paragens de autocarro. Todavia deve ter tido a infeliz ideia de ir perturbar a mui selecta  freguesia – quantos BNP, por esse mundo fora? – da pastelaria Suíça. O gerente chamou a PSP que ali acorreu, e interrogaram o homem, identificaram-no, comunicaram para a esquadra os dados daquele novel sem-abrigo, julgo, e  durante uns 10-15 minutos assisti à distância ao interrogatório, mas tive de partir, e, depressa, porque poderia, uma vez mais, intervir, como o fiz, aquando do sequestro pela PSP de centenas de cidadãos nos autocarros da Lisboa transportes, numa operação Stop, por aquela companhia de transportes encomendada.

 Todavia, tamanha barbaridade, nem beliscou o sossego dos meus amigos virtuais que, de um modo geral, levantam bem alto, e bem,  os seus pergaminhos de cidadania,  quando um militante dos seus partidos é desrespeitado, mas estes casos da politica do quotidiano de desprezo pelos cidadãos parece não os incomodar, e é pena, porque perdida a  liberdade só quem tiver vocação para a vitimação poderá  vivenciar algo de transcendente,  mas será terrível para quem gosta de amar ao luar, e para estes é preciso travar TODAS AS BATALHAS PELA LIBERDADE, sem esperar as directivas burocráticas dos seus partidos.

 A luta deve ser global, de todo o Povo e de cada cidadão, como o dizia já em 1975.

Somos um país com muita gente maravilhosa, mas temos cínicos a mais, e, por isto, a DEMOCRACIA vai a caminho do seu funeral, quase irreversível.

Mas, hoje sobretudo quero dizer:  adoro a Lisboa do fado, da sardinha, do amor e das lindas Tágides. Tágides baixai o vosso olhar para quem tanto vos adora.

andrade da silva

sábado, 14 de julho de 2012

O COMBATE POR PORTUGAL É O DO POVO.



 
 
 
 
Obviamente é de demitir o Ministro Miguel Relvas, melhor este governo e dissolucção do Parlamento, porque não cumpre nenhuma outra função para além das discursatas.
 
Todavia, o Povo Português deve preparar-se para mudar completamente esta velha classe politica, e substituir na governação  a indecência pela ética; o compadrio  pelo comportamento honesto; a força pela democracia; a falta de respeito pelo povo, pelo serviço ao Povo; os interesses pessoais, pelos públicos; a falta de consideração pela dignidade humana ( os tais detalhes) pela valorização do homem; o ímpeto ditatorial pela negociação democrática.
 
O COMBATE PELA DEMOCRACIA É O COMBATE DO POVO PORTUGUÊS . O POVO PORTUGUÊS ou  TRAVA  ESTA BATALHA, como os Espanhóis  a iniciaram, correndo com os andeiros, mas também com todos os capatazes que andam a adormecer e a acobardar o povo português, como se fossem seus donos,  ao serviço da  perversão do  sistema democrático; ou  uma saída ditatorial é provável, gozando a ditadura tipo salazarista  de muita  simpatia, mas há  outras com popularidade.
 
Todavia deve ser a democracia a vencer, tendo como autores o POVO e seus representantes, fora do caldo de estrelas requentadas e rançosas que com os mesmos de sempre, começa por aí a fervilhar,  para uma vez mais enganarem Portugal e perpetuarem o reino do lodo. 

A solução tem de ser nova com novo autores – O POVO – e  novos actores, ou definharemos…

andrade da silva

PS; Foto de Fernando Barbosa.
 

sexta-feira, 13 de julho de 2012

COM OS MÉDICOS, COM PORTUGAL DE ALMA E CORAÇÃO





Estive na  manifestação dos médicos de 11 Julho 2012, porque:

- Basta de mentira e destruição do Serviço Nacional de Saúde;

- o SNS é um sistema complexo de médicos, paramédicos, enfermeiros, farmácia, outros agentes e máquinas /tecnologia e tudo tem de estar bem afinado para que eu, tu não morramos;

- Todavia, o sistema está a colapsar. No meu Centro de saúde, depois de ter pago a respectiva taxa moderadora, o que, sempre fiz, pediram uma consulta  em dezembro 2011, só a marcaram  para  Setembro 2012 – uma barbaridade – tive de recorrer a um hospital privado;

-o sistema tem necessariamente de colapsar com enfermeiros e médicos, como se dizia na manifestação, a dias;  com médicos especialistas, como é o caso da minha irmã, com 20 anos de serviço a ganhar entre 1600 e 1800€ mês, ( falo de factos reais e não de ficções), quando os seus colegas no privado ganharão no mínimo três vezes mais – isto, é um escândalo;

- O SNS não defende sequer a saúde dos  mais pobres. Como o fará, se  uma pessoa que tenha uma pensão de reforma de 300€,  e tiver casa própria deixa de estar isento, ( outro facto concreto que atinge uma pessoa concreta que conheço) isto é, por este andar o governo só isenta os sem-abrigo que só conhecem e frequentan uma só vez – a primeira, a última e  única -a morgue.

BASTA SRS GOVERNANTES A SAÚDE e  A DESPESA COM A POVO PODEM SER REDUZIDAS QUASE A ZERO- BASTA LANÇAR SOBRE OS PORTUGUESES UMA BOMBA  BIOLOGICA DE DESTRUIÇÃO MASSIVA- barato, eficaz, mas, simplesmente, terrorista.

BASTA…. BASTA…. BASTA….

Basta da mentira seródia  de que não vem mais auteridade, se não mudarem de rumo vem mais austeridade, obviamente. Todavia  a alterntiva não é desbaratar dinheiros públicos e outros para alimentar corruptos sejam eles a gente do poder  e os seus afilhados, ou pura e simplesmente os mandriões.

É preciso mudar a partir da raiz este estado e esta governação. A governação tem de ser feita por gente decente, competente e com comportmento ético, no governo, nas oposições, nos partidos nos sindicatos e todos TÊM DE CUMPRIR  A CONSTITUÇÃO, o QUE NENHUMA INSTITUIÇÃO, MESMO NENHUMA CUMPRE, como, oportunamente, farei a devida prova.


PS: Foto da Manifestação em que se vê o Bastonário da Ordem com a sua  bata branca  - uma grande saudação para este médico, outra para a jovem médica madeirense que me informou que há muitas mortes de gente com 40- 50 anos de idade de  coração, e um abraço para o meu amigo Rosado, éramos dos poucos utentes presentes... coisas....


quinta-feira, 12 de julho de 2012

A Visão do Cidadão Comum XXIV... Cronologia de um Golpe.





A semana que passou ficou marcada pela publicação do acórdão do Tribunal Constitucional, declarando a inconstitucionalidade do corte de subsídios de férias e Natal a trabalhadores do sector público e pensionistas. Dada a extrema importância que o mesmo se reveste, bem como as consequências que o mesmo terá na sociedade portuguesa nos meses (senão anos) vindouros o texto desta semana abordará esta questão num angulo diferente daqueles que têm circulado nos media e no ciberespaço.

Cronologia de um Golpe

Desde muito jovem não acredito em coincidências e agora que o nó se vai apertando em torno dos Portugueses, e a Pátria enfrenta a sua hora mais sombria em muitas décadas, importa fazer uma breve resenha do que aconteceu à luz daquilo a que alguns chamarão teoria da conspiração (isto é, por enquanto não pode ser provado documentalmente, mas as provas são por demais evidentes):

1 1-  Terceiro trimestre do ano passado:
O actual Executivo anuncia uma contribuição extraordinária (novo imposto encapotado) a pagar em sede de IRS, correspondente a 50% do subsídio de Natal a ser liquidado quando do pagamento do referido subsidio. Esta medida impopular é fortemente contestada mas levada avante. Medida que foi determinante para as contas de 2011 e rendeu aos cofres do Esta pouco mais de 1.000 milhões de euros: cerca de 840 por via da retenção na fonte extraordinária em 2011 e quase 200 milhões de euros a serem cobrados este ano depois de todos os contribuintes entregarem as suas declarações de imposto. Desemprego e descontentamento social aumentam.

2 2-    Outubro, Novembro e Dezembro:

O país fica politicamente ao rubro, com múltiplas manifestações e greves de todos os quadrantes contra as politicas de austeridade impostas pelo governo e pela aprovação na Assembleia da República do Orçamento Geral do Estado 2012 - claramente inconstitucional (mesmo aos olhos de um leigo) na questão do confisco dos subsídios de Férias e Natal para os servidores do Estado e pensionistas - e com a sua posterior promulgação por sua Exa. o Presidente da República. Desemprego e descontentamento social aumentam.



3 3-     Janeiro de 2012:

Em sede de (des)concertação sindicatos (excepto os afectos à CGPT que abandonou as negociações), patronato e o Executivo chegam a acordo sobre novo acordo laboral, altamente penalizador para os trabalhadores do sector dito privado, mas que é aceite na premissa que estes últimos teriam saído favorecidos no OGE 2012, dado que não estariam sujeitos à suspensão dos subsídios de Férias e de Natal como aconteceria aqueles que trabalham no sector público.
Desemprego e descontentamento social aumentam.


4.4-   Fevereiro de 2012:

Milhares de cidadãos através de associações como a AOFA e de organizações sindicais recorrem ao Tribunal Constitucional para que este se pronuncie sobre o OGE/2012 e a sua inconstitucionalidade. Greves, desemprego e descontentamento social aumentam novamente.

5 5- Março de 2012:

A Grécia quase entra em bancarrota e é salva com um segundo resgate financeiro aprovado in extremis.
Por cá o desemprego continua a aumentar e são efectuadas novas greves.

6  6-  Abril de 2012:

Desemprego, mesmo em estatísticas oficiais, atinge valor recorde em Portugal. Receitas fiscais mostram-se muito aquém do esperado e continua a aumentar o défice nas contas públicas. Órgãos do Estado começam a dar sinais de ruptura em face dos cortes impostos pela política de austeridade do actual Executivo. Aumenta a contestação social logo contraposta pela arrogância das principais figuras do regime que passam a acusar todos aqueles que se opõem de procurar mediatismo imediato aproveitando-se da débil situação do país.

7  7-  Maio de 2012:

Manifestações do primeiro de Maio abafadas/desviadas por uma espetacular campanha de promoção de 50% de desconto efectuada por uma cadeia de distribuição alimentar com a anuência do governo. Apesar de se tratar de um esquema de dumping, proibido na legislação nacional e internacional, é rapidamente esquecida e perdoada. O desemprego continua a aumentar exponencialmente e começa-se a verificar um aumento da mortalidade (suicídios e outros motivados pelas politicas de austeridade) que não é vertida e processada estatisticamente de uma forma correcta e imparcial. Surgem rumores de uma eventual promiscuidade entre partidos políticos e candidatos a Juízes do Tribunal constitucional. Surgem também evidências de ligações entre grupos empresariais sombrios e a comunidade de informações que ganham contornos de uma autêntica tentativa de golpe de Estado silencioso. Todas as situações passam impunes embora sobejamente conhecidas por todos os portugueses. A situação politica/económica a nível da União Europeia ameaça a ruptura com o resultado das eleições Helénicas, com a crescente dificuldade financeira de Espanha, Itália, Chipre e Eslovénia. O eixo Berlim-Paris enfraquece com a derrota eleitoral de Sarkosy.

8 8-   Junho de 2012:

A instabilidade varre a União Europeia e fala-se do fim da União Monetária e da própria UE. Pressionados e abandonados por todos o povo Grego capitula nas Urnas e submete-se ao carrasco da Troika. A UE respira de alívio por uns dias até os “mercados” virarem as baterias para Espanha e Itália, que numa jogada desesperada a 28 de Junho encostam a UE (Berlim) à parede e conseguem momentaneamente um resgate financeiro sem a assinatura de um memorando de entendimento e sem ter que implementar medidas de austeridade. Em troca deste alivio dos mercados os representantes dos países presentes aceitam ratificar o Tratado Orçamental e aceitar a centralização da supervisões bancárias no BCE. Na prática aceitam a perda uma parte substancial das Soberanias nacionais em troca de uma solução temporária e ineficaz para acalmar os “mercados financeiros” e abrem a porta a federalização da União Europeia.

 A nível nacional a situação continua-se a degradar exponencialmente, o desemprego aumenta e com ele a contestação popular. O défice nas contas públicas continua a aumentar, o executivo começa a admitir que não terá receitas suficientes para o diminuir ao nível acordado com a Troika. No dia 29 de Junho é anunciada a nomeação dos novos juízes para o Tribunal Constitucional, matéria já esquecida na opinião pública.

9 9-  Primeira semana de Julho de 2012

A nível da UE vários países voltam atrás no compromisso assumido na Cimeira realizada a 28 e 29 de Julho. A Finlândia afirma-se disposta a abandonar a UE caso a sua permanência implique avalizar os resgastes financeiros de Itália e Espanha ou reestruturar novamente a dívida Grega. O Chipre contrai um novo empréstimo junto de Moscovo, que lhe salva da insolvência imediata enquanto aguarda um plano de resgate financeiro por parte da Troika.

A nível interno no dia cinco de Julho (quatro dias após a nomeação dos novos elementos) o Tribunal Constitucional publica um acórdão que declara a inconstitucionalidade do corte de subsídios de férias e Natal a trabalhadores do sector público e pensionistas.

No entanto, este acórdão vai mais além e determina que esta decisão não tem efeitos para este ano. Ou seja, é ILEGAL mas neste ano o governo não tem que repor a legalidade. Mais, todo o acórdão tem como base a equidade fiscal entre cidadãos abrindo uma brecha monumental, aproveitada por Passos Coelho, para alargar este confisco ao resto da população e conseguir a receita necessária (detectada a sua falta em Junho) para cumprir as metas impostas pela Troika.

O que está em causa, e sempre esteve, além da equidade fiscal é a inconstitucionalidade do OGE/2012 por violação do disposto no Artigo 59º alínea d) da Constituição da República Portuguesa que estipula:
ARTIGO 59º
(DIREITOS DO TRABALHADOR)
....
d) Ao repouso e aos lazeres, a um limite máximo da jornada de trabalho, ao descanso semanal e a férias periódicas pagas.

Caros amigos, chegados a este ponto é legítimo perguntar em que tipo de regime vivemos?

 A Constituição da República não é respeitada (agora até com o aval do Tribunal Constitucional), o património nacional e sectores estratégicos essenciais para a sobrevivência da Pátria e dos Portugueses são alienados ao desbarato juntamente com o que resta da Nossa Soberania. As medidas de austeridade (para alguns) impostas pelo Executivo ameaçam a sobrevivência do Estado e literalmente a vida dos nossos concidadãos. A situação nacional vai-se agravar ainda mais e não tardará que surjam muitos mais actos desesperados.

 Mas enquanto a Pátria agoniza e definha mortalmente  e com ela cada vez mais Portugueses, muitos daqueles que juraram solenemente defende-la, a custo da própria vida se necessário, viram a cabeça e assobiam recusando honrar o seu compromisso e a sua palavra de Honra.

Não podemos continuar a ignorar as evidências, a refugiar-nos em argumentos legais para não agirmos... É chegada a hora de dizer BASTA!!! É chegada a hora de refundar Portugal!!!

Nuno Melo
06 de Julho de 2012.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

A DEFESA DOS DIREITOS, DA REPÚBLICA, DA CONSTITUIÇÃO - DE PORTUGAL E DOS PORTUGUESES.



Neste encontro de Oficiais da AOFA, em 5 Julho 2012,  ergui a minha voz para:

-  RECLAMAR um Exército Moderno com uma hierarquia e funções adequadas à sua Missão;

- PROTESTAR  contra o confisco do 13ª mês por ser Inconstitucional, mas também por atentar contra a saúde psicológica das vitimas e também, por esta via, violar a constituição da Republica  quanto ao direito e à defesa da saúde, e exigir uma intervenção muito forte dos comandantes na defesa do bem estar e moral dos militares ( nesta noite o Tribunal Constitucional daria razão aos que denunciaram esta inconstitucionalidade –VITÓRIA ! Há outras lutas mais à frente, serão travadas e VENCIDAS.)

-  CHAMAR a  atenção da AOFA e de todos, para que sendo militar com muitas mazelas por esse facto:  nariz partido, tímpanos afectados por causa dos tiros de artilharia; cicatrizes de estilhaço, calcanhares de Aquiles com setas, nada pedi a ninguém, mas exijo  não um melhor SNS que o dos outros cidadãos, afirmei  que nunca defenderia ou aceitaria a constituição de uma casta, mas defendia um serviço de saúde digno, mesmo ao nível da medicina convencionada, pelo que todos os protocolos deveriam ser revistos ,para que com o apoio de todos esses serviços fossem sustentáveis;

- O DIREITO DA NAÇÂO ser informada sobre a utilidade e necessidade das suas Forças Armadas e o interesse do que fazemos nas Forças Nacionais Destacadas, não informar e querer que o Povo não questione o que fazemos, é um acto de arrogância, inaceitável.

Fiz uma vez mais, o que sabia, podia e devia, e quem faz o que pode, faz o que deve. Sinto que cumpri.

andrade da silva


PS: Por PORTUGAL, PELOS PORTUGUESES ,na greve em curso dos médicos, a todos saúdo e abraço, de um modo muito especial a minha irmã ANA, a quem beijo, e sei que ela só faz esta greve na defesa do SNS e dos seus doentes, os quais, põe acima de TUDO, de um modo inequívoco, sem nenhuma dúvida.

Poema-instante fugidio

Mes chers amis, quand je mourrai,
Plantez un saule au cimetière.
J’aime son feuillage éploré ;
La pâleur m’en est douce et chère,
Et son ombre sera légère
À la terre où je dormirai.

(Alfred de Musset)



Transportamos em nós cada paisagem
Cada instante fugidio
Cada aroma     cada aragem
Cada cor que em nós fulgiu

Seguimos caminhos d’oiro
De pó que se esboroou
Como cascatas em coro
Do tempo que em nós passou.

Tal águas de nostalgia
De interior mar apertado
Ente a montanha do dia
 E a noite do outro lado

Vamos vencendo a vereda
Da ramagem que é a vida
Entre casulos de seda
Duma flor em nós perdida

Marília  Gonçalves