sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Zeca Afonso - Vejam Bem

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A Visão do Cidadão Comum XXVII... Não me Lixem!




Mais uma semana que se inicia sem que se veja quaisquer avanços na chamada Crise da Zona Euro. Digo chamada crise da zona euro porque trata-se na verdade de uma crise muito mais abrangente que a moeda única, muito mais que as economias (isoladas ou em conjunto) do Eurogrupo ou até de um modelo económico e social...é tudo isso somado a uma inversão de valores morais, cívicos e de educação, educação essa que tende cada vez mais, a ser confundida com formação académica. 

Para muitos estes meus textos semanais serão um eco do seu descontentamento e das suas apreensões, mas para a maioria serão apenas um desabafo de quem não se adapta a uma nova realidade (que se foi instalando silenciosamente como é comum nas neoplasias mais letais), um velho do Restelo de 40 anos...talvez estes últimos tenham a sua razão. Não me adapto (nem quero adaptar-me) a uma sociedade de consumo imediato e efémero em que o ser foi substituído pelo ter e que para ter aquilo que actualmente é valorizado tenha de abdicar de tudo em que acredito: Liberdade - Democracia – Pátria – Família – Honra – Camaradagem – Lealdade – Frontalidade, valores que actualmente são vistos como anacrónicos ou defeitos de carácter.

E foi por possuir estes defeitos anacrónicos que o discurso do sr. Primeiro-ministro da semana passada me pareceu ofensivo não pelas palavras usadas - como qualquer pessoa da minha idade conheço um sem número de palavras bem mais vernáculas – mas pela verdadeira mensagem que encerram.

Ao afirmar “...que se lixem as eleições” Pedro Passos Coelho, numa postura arrogante que tão bem o carateriza, colocou-se acima do escrutínio do Povo Português, assume uma postura entre o pai tirano e um messias que encerra em si a salvação da Nação Lusa... O que à primeira vista pode parecer um mero exercício de retorica populista esconde algo bem mais sinistro e perigoso: um individuo que fará tudo para cumprir uma agenda desconhecida da maioria do povo Português.

 Esse santo gral que PPC pretende atingir não é mais que a destruição do Estado Social, a alienação gradual dos sectores estratégicos do país, o desmantelamento progressivo do que resta aparelho produtivo nacional e a consequente miséria que transformará 2/3 da população numa versão moderna de servos da gleba. Conseguido isto PPC terá concluído a função para o qual tem vindo a ser preparado e financiado desde dos tempos em que ainda militava nos jotinhas...não existem almoços de borla e está a pagá-los a custa de todos os Portugueses- actuais e futuros!

Não tenhamos dúvidas que a actual crise que assola a Europa, foi provocada pelos chamados “mercados” e está em marcha há pelo menos três décadas desde que as políticas liberais começaram a varrer o globo sobre o manto da globalização.

Agora à falta de novos povos (mercados) para explorar, com a escalada do custo nos factores de produção nos países emergentes, com o aumento exponencial do poder de compra e qualidade de vida que os seus habitantes vivenciaram e que constituiria um verdadeiro risco de despoletar um novo conflito bélico à escala mundial caso se pusesse um travão brusco aos mesmo a única coisa que resta aos “mercados” para manterem os seus lucros astronómicos imorais é a destruição dos modelos sociais existentes no mundo ocidental. 

Estamos à beira de entrar numa nova idade média, ou das trevas como muitos a chamaram, é um dever cívico, patriota e até enquanto humanos de o combatermos com todos os meios disponíveis pois o liberalismo proposto é insustentável: quer seja ao nível dos escassos recursos naturais existentes e seja pela falta de humanismo que lhe está subjacente.

É chegada a hora de agir em conformidade e de dizer bem alto: NÃO ME LIXEM!!!

Nuno Melo
31 de Julho de 2012.

UMA LÁGRIMA-CASCATA




Uma lágrima por Carla Lupi,tão cedo partiu desta vida- injusto- quando lutava pela sua filha. Uma heroína de carne e osso.


Uma lágrima por Gore Vidal uma voz indomável que se silencia - estas vozes são únicas.

Lágrimas que na bela Madeira formam Cascatas.

andrade da silva

PPD UM ARAUTO DA SOCIAL-DEMOCRACIA, ONDE?



Se há alguma coisa, que fez parte do meu imaginário de adolescente, foi  o paradigma  de vida dos países nórdicos, particularmente, a Suécia.

 Como madeirense,e como já referi,  via nas Suecas outra gente, gente feliz e livre, e, assim fui sonhando  com  a Suécia, e  que a liberdade tinha um DNA-  a liberdade sexual, o amor livre, o topless-  nem era a politica, nem chamava ao  estado  Sueco de social-democracia. 

Era madeirense e o nosso fascismo era de outra natureza, sendo católico e filho de um militar, nem ouvía falar de luta anti-fascista, nem o regime era na Madeira denominado como fascista, aparentemente, vivíamos tão sossegadamente que comemoravamos o 1ºde maio,como uma grande festa popular, na Quinta do Palheiro Ferreiro ,pertencente a uma família tradicional inglesa - a família Blandy, e para melhor colorir o quadro, até o filho do chefe da PIDE, meu  colega no Liceu,  era alegre e porreirissimo, o que banalizava o nome  dessa PIDE, como algo que tinha a ver com alguma coisa na área policial internacional e defesa do estado, e, para mim, madeirense,  nada disso tinha a ver com prisão de pessoas por discordarem de Salazar, ou da guerra em África que se inicia, quando tenho 12 anos,e sobre o que falo aos meus colegas dos aspectos militares, ficcionados, da invasão Indiana à índia portuguesa. Era filho de militar sabia da coisa. 

(Ainda me recordo dessas queridas e belas fantasias, sobretudo da minha ideia sobre o que seria uma metralhadora-pesada. Concebia-a como um grande recipiente redondo que ao rodar libertava umas bombas tipo pequenas laranjas, que rebentando matavam muita gente... coisas...)

Assim, foi correndo a minha vida. Em 1969, estou na Academia Militar, revejo-me  em Marcelo Caetano  de que tinha lido alguns textos que escreveu como Comissário nacional da Mocidade Portuguesa,  sobre os jovens, com o que muito me identifiquei. 

Todavia, no meu curso de Artilharia tenho um camarada de Chaves, o H.P., que tem outras ideias, e começo a dar-lhe muita atenção,aliás, sempre olhei o mundo em meu redor,e interpreto o que vai acontecendo,foi assim que me afastei da Igreja Católica, depois de ter sido  um católico praticante. Vivi em estado percepcionado e sentido como de graça durante anos, com missa diária e dois cursos de cristandade para jovens - onde nunca me confessei perante todos. Fui na juventude Escolar Católica (JEC) secretário diocesano com o Padre Vidal, que creio que depois acompanhou o bispo de Évora, D. Teodoro,  que conheci-o,  como monsenhor na diocese do Funchal.

Todavia é com a minha ida para a guerra, e já mesmo com a chegada à vida militar no terreno que começo a descobrir as grandes contradições do sistema.

 Na guerra descubro,o que é um regime injusto, indigno, violento e corrupto.Anoto-o  no meu diário  de guerra,e em 13 Novembro 1972,alerto num aerograma, escrito ao meu camarada C. P., que  em 1973, aquando do nosso regresso à metrópole deviríamos dar a volta à situação politica-militar. Para mim a guerra estava perdida.

Regresso em 1973, está em marcha o movimento dos capitães, entretanto, começo já na guerra a olhar a Suécia e a Dinamarca como países outros,onde, aconteciam outras coisas que não eram só o amor livre e o topless, mas desenvolvimento,bem-estar e outras realidades que não existiam em Portugal, e,assim, vou-me apercebendo que o regime também era negativo em Portugal, pois tinha de comprar livros por debaixo do balcão numa livraria no Cais do Sodré,  de tal sorte que tudo isto, faz da Suécia  uma referência forte,e,assim,  na carta que escrevi para coordenadora do movimento dos capitães dizia que  com o nosso movimento desejava para Portugal  a implantação de um sistema politico do modelo social democrático dos países nórdicos; Suécia e Dinamarca, mas acrescentava, adaptado a Portugal e aos Portugueses.

Ora este desejo nunca se realizou, e quando hoje evocam que Eurico de Melo foi um verdadeiro social-democrata,  num partido profundamente social-democrata, isto, é um grande nada, porque nem o PPD/PSD, nem o PS são partidos sociais democratas, pelo menos de acordo com a matriz nórdica

O PSD é um partido tradicionalista, continuador do marcelismo,ou seja, de defesa dos interesses das famílias tradicionais com uma aliança preferencial com a igreja católica, e que recorrendo por um lado a figuras parternalistas regionais, como Eurico de Melo, padrinho de casamento de  não sei quantos afilhados,  e, a outras figuras, como Cavaco da Silva,  Dias loureiro, Isaltino Morais,João Jardim, Duarte Lima, Valentim Loureiro, Santana Lopes, Durão Barroso, Martques Mendes, Miguel Relvas, Passos Coelho, Marcelo rebelo de Sousa faz uma grande misturada de liberalismo, populismo, perversidade,  jogos de interesses que o segura no poder , para servir os grandes interesses capitalistas, embora a sua base  social de apoio seja o Portugal profundo conservador que não sabe dos negócios do PSD,mas bebe-lhe a doutrina social conservadora, muitas vezes destilada do alto dos púlpitos.

Este PPD/PSD é de facto a evolução do Marcelismo sem Revolução, como Marques Mendes se referia aos 30 anos de evolução pós 25 de Abril - matéria que discuti nas aulas de introdução às Ciências Sociais,na Escola Superior Politécnica do Exército, o que levou um aluno a  incompatibilizar.se comigo ( o aluno com o professor,e não o professor com o aluno, de quem guardo um trabalho importantíssimo,sobre os MEMES,ou seja, os genes culturais)

O PSD é um partido tradicional que na fase actual pela sua completa colagem à politica de Merkel vai vender o pais  ao estrangeiro, e depois vai  rifar ou vender os portugueses como escravos, mas não sei bem aonde, e,não estou a dizer que seria, ou se deveria continuar as políticas erradas iniciadas com Cavaco da Silva e continuados pelos sucessivos governos do PS, no interesse da Alemanha,dos portugueses ricos e,aparentemente, só aparentemente, como se está a ver,  dos consumidores compulsivos.

O PS  é outra mistura do género com Varas, clientelismo, gente a viver das tetas do OGE, corrupção, liberalismo-social, com umas franjas sociais-democratas sem poder, o que,quando se aproximam do poder fazem através de gente velha que,como revela Medeiros Ferreira e outros, já esquecidos, traem o seu melhor amigo, para serem candidatos a cargos políticos de destaque.

De facto a tragédia portuguesa é não existir nem o partido liberal que Santana Lopes quis formar, nem um social democrata, cuja emergência mais segura seria através de uma revolução interna no PS, o que, muitos consideram impossível, porque o aparelhismo nos partidos é tão ditatorial que não é possível, em nenhum, qualquer mudança interna, e assim, reproduzem-se num sistema de reprodução simples até que a entropia os rebente e o país expluda com eles.

Concluindo pode o Sr.Marques Mendes e todos os demais considerarem o sr. Eurico de Melo um grande Português,um empreendedor nortenho, um grande amigo, mas um grande social-democrata nem ele, nem nenhum outro português que tenha exercido elevados cargos políticos, porque se o tivessem sido teriam deixado uma herança que nos teria de aproximar mais das Suécias e menos das Suazilândias, como tem acontecido, sobretudo desde a saída do general Eanes da presidência da República.

andrade da silva


PS:E se duvidas houvesse o código de trabalho aprovado permitindo o aumento da carga de trabalho com maiores dificuldades para a organização da vida de quem trabalha, e diminuição dos vencimentos, bem como confisco de alguns vencimentos revela que este PSD,esta trioka e este PS nada têm de sociais democratas e uma vez mais nada disto tem a ver com a avaliação do mérito e o despedimento com justa causa.


Aos familiares e amigos de Eurico de Melo os meus sentimentos.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Ao Capitão de Abril Andrade Silva


Capitão de Abril Andrade Silva
De família antifascista, em 1958 meu pai que pertencia ao MUD na época e que veio a pertencer ao PCP foi preso pela PIDE a 22 de Maio. Antes disso era chefe de escritório da Roche, na Rua Do Loreto n°10, com a prisão foi despedido e eu aos 12 anos tive que vender bolos e batatas fritas, a colegas e professores, às escondidas; porque a Mocidade Portuguesa mo tinha directa e formalmente proibido.
Sobrinha do Alex, do Comité Central e se não estou em erro um dos fundadores do PCP. Ainda eu não tinha nascido, por conseguinte as informações que tenho chegaram-me pela sua Viúva, Minha tia Josefa, já falecida e que esteve com o Alex e com mais alguém na clandestinidade.
O Avô que me criou, foi preso 25 vezes no total, uma das quais no Tarrafal tendo estado na “frigideira”.Tantas prisões em consequência do que lhe morreram duas filhas tuberculosas na flor da idade, uma com 18 anos.
Meu avô era ou tornou-se enfermeiro, na Penha de França onde vivia dava as injecções logo nos inícios da estreptomicina e como os doentes não tinham meios para a comprar, vendia ou empenhava do que tinha em casa, até do enxoval da mulher dele, que era excelente bordadora, pois havia sido educada num convento desde menina.
Meu pai despedido do emprego após a prisão, de saúde frágil, saiu com vómitos de sangue e nada mais pôde fazer.
Assim se justificam as minha vendas aos doze anos de bolos e batatas fritas que minha mãe e minha avó materna faziam noite fora.
Mas a saúde de meu pai agravava-se e o que ganhávamos era insuficiente, para fazer frente a todas as despesas de uma casa. Assim quando tive 14 anos minha mãe e eu viemos para França trabalhar.
A dignidade era a preocupação constante e trabalhamos duro, mas sempre de cabeça erguida. Com 15 anos tinha o pulso em permanência oscilando entre os 120 e 140
Abrimos caminho a meu pai, que foi ter connosco a França, onde quase de imediato lhe extraíram um rim, parte do estômago e parte da cápsula supra renal do outro rim. Ora como são as supra renais que controlam a pressão arterial, convalescente da operação; meu pai teve uma subida de tensão a 32, acompanhada de trombose e mais umas quantas complicações. Meu pai tinha uma força moral a toda a prova, quando saiu do coma começou a reeducação, com muito custo, mas com os anos foi recuperando o uso da perna e da Mao direitas, o que lhe permitiu recomeçar a escrever, embora com letra um pouco tremida.
O Ódio ao fascismo que vinha senão do berço, de muito tenra idade, foi-se sempre acentuando!

Assim,em 1964 ao bairro da lata de St Denis , perto de Paris ,chegavam imensos desertores
eu tinha dezasseis anos quando comecei a ir para lá como militante antisalazarista
morava não muito longe e através da Bourse du Travail (CGT) que dispensava um local para isso dava aulas de francês aos jovens desertores que iam chegando.
Certo sábado, a seguir ao almoço, porque ia por La muitas vezes entreter e conversar com crianças muito novinhas, ao chegar, deparei com o bairro da lata cheio de carros de polícia com polícias por todo o lado. Aflita e preocupada, inteirei-me do que se passava: duas criancinhas brincavam juntas
Uma de quatro anos e outra um bebé de ano e tal. O bebé tinha caído na improvisada e tosca fossa das necessidades e ali morreu afogado na porcaria. A pequenita de quatro anos, assustada, correra a esconder-se na barraca dos pai, debaixo do que lhes servia de cama e não havia quem dali a tirasse.
A Polícia queria interrogar a garotinha, para saber exactamente como as coisas se tinham passado.
Os meus dezasseis anos audazes, impuseram condições: vou buscar a menina,mas os senhores não lhe dirigem a palavra, se têm que fazer perguntas, fazer-mas a mim e eu traduzo a resposta que ela me der. A polícia anuiu um tanto espantada, diante duma miúda a quem eles não impressionavam nada!
A minha dor era o bebé morto e a minha preocupação a garotinha de quatro anos. Fui à barraca dos pais, acocorei-me de modo a espreitar para debaixo da cama, falei com a menina e ela confiou em mim, saiu donde estava, para vir para o meu colo donde não saiu mais até que a policia se fosse embora do bairro da lata. As coisas decorreram exactamente como estipulado, A Policia dirigia-se a mim, para fazer as perguntas, eu falava com a pequenita em português, ela respondia-me e em seguida eu fazia a traduçao para a policia. Quando deram por terminado o interrogatório,foram embora, não sem me olhar com o mesmo espanto diante da minha jovem idade.
Nessa época aos Domingos, distribuía o Avante, que era em papel de bíblia; finíssimo, e que iam escondidos entre o Jornal do PCF a Humanité Dimanche, passava ainda com amigos e meu pai que ia melhorando, outros jornais de militância anti salazarista.
Na mesma época entre os 16/17 anos ia também às horas das refeições ao hospital de Dt Denis, dar de comer a paralisados e a pessoas em final de vida, passava-lhes um braço por detrás das costas para as soerguer um pouco, depois de lhes ter posto em frente um enorme guardanapo.
Foi esta essencialmente a minha vida dos 16/17 anos, com excepção de certos domingos em que ia dizer poesia numa grande sala onde se juntavam os portugueses exilados, os desertores e alguns migrantes que começavam a chegar. Nessa mesma sala o Luís Cília Cantava as suas canções contra a guerra colonial e contra o fascismo. Foi aí, que nos conhecemos, vai em 50 anos.
Eu entretanto voltei para Portugal para casar, mas meu pai, permanecia exilado em França, passando por múltiplas operações e sem nunca ter recuperado a saúde, até que faleceu em 1985, depois de se bater durante anos pela vida com a coragem e a força que o caracterizavam, qualidades que lhe permitiram resistir a tanto!



Agora após a minha apresentação a que ainda faltam muitos pontos, falemos do 25 de Abril de 1974!
Como sabem todos os interessados o 1° Militar a sair do quartel com os homens, depois de prenderem o Comandante foi o então Tenente Andrade Silva. Foi com ele ainda no final do dia 24 de Abril, que as manobras começavam. Jovem entre outros Jovens os Capitães , traziam-nos nas mãos uma Luz apagada há décadas! Décadas de medo, de silêncio, em que o sofrimento era calado, em que o perigo se ocultava em cada ouvido onde quer que estivéssemos. E tal devia ser a fera que invadira Portugal, que de tudo o povo amedrontado se calava mesmo dentro de suas casas, onde não ousava nem pronunciar a palavra “política”
Em pouco mais de 24 horas, esses Jovens Capitães, libertavam Portugal do horror fascista, o que mais ninguém soubera fazer, nem ousara!
Havia uma forte Resistência, mas quanto a Revolução, nada!
Ano e meio depois, por responsabilidades partilhadas e ocultas, deu-se o 25 de Novembro! E a Luz , as conquistas populares, de Direitos laborais, cívicos, sociais, começavam a regredir. A Reforma Agrária, a conquista da terra por Quem a Trabalha começava a sofrer sérios ataques. A Direita reacionária e mais uns mascarilhas,  tinham-se organizado e conspirado contra Abril. E um jovem Capitão, Andrade Silva, entendeu, pôr a sua vida ao, lado do Povo do Alentejo, e justo e digno, defendeu a Reforma Agrária, ao lado dos que sempre haviam sido espoliados, mas tentando evitar excessos, cujas consequências, não se podiam prever, mas pressentir.
E por isso foi preso dois anos!
Por isso desterrado para a Madeira tentaram assassiná-lo!
Que isso possa ter acontecido a um dos Homens da Liberdade dos que nos ofertaram a Luz há tanto negada, que nos deram a possibilidade de beber Ar de o sorver, como nunca dantes havíamos feito, parece-me de tal modo absurdo e ridículo, tão ingrato como falto do mais elementar sentido humano para quem tal fez, que ainda hoje me custa mais a compreender que possam vir insultos, de quem apenas deveria ter abraços para com esse Homem, que tão jovem, deu mostras do lado a que pertencia, independente, mas sempre do lado do povo amachucado e sofredor.
Hoje é fácil ser herói! Mais admiro os que o foram, quando saindo para a rua, não sabiam, como diz o Próprio Salgueiro Maia, numa entrevista, o risco era aparecer baleado nalguma praia de Portugal
Por isso Capitão, eu, desde menina antifascista, presto-lhe a minha homenagem, simples, mas com o maior respeito, respeito que você e outros Capitães de Abril deviam merecer a todos os que hoje podem dizer o que pensam, mesmo quando é para insultar, um dos Homens que lhes deu o Direito à Palavra.
O Meu sentido Abraço Capitão!

    25 de Abril Sempre

    Espasmo interior
    ou revolta fulminante
    qual o nome para a dor
    vinda do meu tempo infante?

    algozes vis destruíram
    em feroz atrocidade
    os sorrisos que fugiram
    ao futuro da verdade.

    Antecedendo o dia luminoso
    eles mataram feriram sem remorso
    da tortura fazendo íntimo gozo
    curvando ao povo as almas e o dorso.

    Mas a alma do povo é resistente!
    De humilhações de feridas de peçonha
    que lhes fechavam as portas do presente
    em crueldade barbara medonha
    Ânimo erguido! Na luta na arena
    na solidão feroz de cada cela
    desprezando o sarcasmo da hiena
    caindo em bando sobre uma gazela
    o povo foi erguendo em cada nao
    a historia portuguesa do futuro:
    fez luz nascer da escuridão!
    Um jardim nascia no monturo.

    Marília Gonçalves

Paisagem

 

Anda sozinha 

quem o diria

 a avózinha pelo meio-dia

vai para a horta

vai ou não vai

curvada e torta

como seu pai...

tomou-lhe o jeito

a posição

vergou-lhe o peito

de arar o chão...

é a paisagem 

do trigo- pão.

         Marília Gonçalves

BILHETE POSTAL DA MADEIRA I





Bem desejaria, neste período,  ter começado a escrever bilhetes postais da Madeira, mas a  ligeireza, como muitos enfrentam o problema da segurança pura e dura, nos guetos da nossa vergonha a que, insensivelmente, chamam de bairros, com  o cognome  de lata, (assunto   de que as policias, como técnicos deviam falar), levou-me a  abordar esta questão, que mereceu de alguns indivíduos, que se identificam como comunistas, um soez e vergonhoso ataque pessoal, da mesma natureza que a inquisição fazia aos hereges, ou a PIDE aos referenciados como membros do PCP. 

Assim, na boca de um desses indivíduos cheio de malvadez passei de herói de Abril,segundo as suas próprias  palavras, a anti-comunista primário,etc.etc, no que foi logo apoiado por uma outra sua companheira, que com um espírito de alcateia, me referencia numa actividade conspirtória contra os comunistas.

Contudo,   tudo o que digo é público, está neste blogue, e desmente por completo estes cidadãos obscuros e maldosos.Obviamente, que não sou nem nunca fui membro de qualquer partido, mas em todas as organizações formais e informais a que pertenço mantenho a minha liberdade de opinião, sempre com um custo elevadíssimo, mas já era assim nas assembleias do Movimento das Forças Armadas em 1975, pelo que fui ameaçado pelo,então, Major Melo Antunes e Morais da Silva que me diziam que tinha, segundo eles,a mania que era esperto,mas que me ia lixar, solenemente o disseram numa reunião na  Cova da Moura, não me intimidaram, mas quanto às consequências  acertaram

Mas, por, agora, vou, então, ao bilhete postal I daqui da Madeira:

a- A Viagem Lisboa-Funchal 

Foi de gritos pela beleza imensa de  subir aos 10000m, ultrapassar ou furar a abobada celeste, docemente, sem turbulência,sem balanços, com uma aterragem impecável. Ao sair lá agradeci à tripulação o voo e a aterragem impecáveis. Faço sempre num  ou noutro sentido,se houver algo que mereça ser destacado, desta vez havia e -lo.  Numa das últimas viagens,  em 27 de Dezembro de 2009, louvei a perícia do piloto, porque fizemos a  pior abordagem ao aeroporto da minha vida, parecia   que estávamos no meio de um tufão.Mas nestas situações lembro-me do pavilhão dos aviões - TAP - e ainda, e aqui, por mero estereótipo, penso  que  tão exímios pilotos vieram da Força Aérea Portuguesa, é mesmo e  somente um estereótipo, mas baixa o stresse.

b -INCÊNDIOS

 Ardeu demais, mas parece ser assunto tabu. Todos, à excepção das vitimas, parecem querer esquecer o sucedido, mas a 19 de Julho o DN do Funchal traz uns textos interessantes: um com  Hélder Spinola que fala de todo um conjunto de medidas  organizativas e preventivas que, desde há muito, deviam estar a ser efectivadas,mas ninguém quererá fazer nada, porque isso é só despesa,e  no pós  incêndios há bons negócios com as madeiras queimadas " saem os bombeiros, entram as funerárias das aéreas ardidas",e,assim,  tudo se manterá até a próxima. Outro facto que tão bem refere Pedro Fontes é que só há duas opiniões irredutíveis:  a dos seguidistas do governo regional, para quem  tudo é obra dos criminosos, e para os  outros  tudo é fruto da desorganização governativa,  responsabilizam somente o governo.Todavia, como diz aquele cronista, o fogo serpenteou as casas, porque o mato as rodeava, e nem o Povo,nem as autoridades, alguma vez, se lembraram de limpar os arredores das casas, e alguns as perderam, e podiam ter ficado  por lá.Quase todos eram pobres e ficaram, ainda,  muito mais pobres.

c - O MAR E A TEMPERATURA: 

Só quase  nesta  ilha dos amores se pode desfrutar de águas tão transparentes, com, uma  temperatura agradável e com os peixes a nadarem ao nosso lado,é,assim no complexo balneário da Ponta Gorda - o céu na terra. A temperatura também é muito amena - um encanto. Dizem que nos dias de fogo a temperatura foi terrível.

d- Amigos e outros

Já encontrei alguns, falaram-me das suas maleitas, e de como  os seus  pais tinham emagrecido, e também da história recente da ilha, acerca  da libertação dos madeirenses do intrincado sistema da organização agrícola - a da colonia para o que, nos  idos de 75 o Brigadeiro Azevedo quis o meu concurso.Porém o general Carlos Fabião,.chefe do Estado Maior Exército,  não autorizou,porque considerava o meu contributo importante para a paz social no Alentejo, com o que, sem reservas, concordava e continuo a concordar. Também soube através de um destes amigos que o projecto de lei que resolveu jurídícamente esta complexa questão, tão bem retratada por Horácio  Bento de Gouveia,no livro a canga, foi Alberto João Jardim, facto que lhe permitiu inaugurar o seu reinado, por muitos e bons anos. Uma outra cara conhecida na sua imponência, quando lhe  disse olá, olhou-me de alto a baixo, cheio de arrogância, e disse entre dentes algo   que não entendi, mas deve ter a ver com o facto de ser militar de Abril -um perigoso comuna para os nazi-fascistas.Todavia se algumas partes do território Português beneficiaram muito com o 25 de Abril foram as autonomias regionais, e a Madeira, em particular, but o que fazer, se uns encartados e gloriosos auto denominados  anti-fascista me chamam de canalha, por ser livre,e, outros bebendo na mesma gamela me chamam de cubano II?Todavia, sou simplesmente um cidadão que trilha os caminhos muito  duros da liberdade,do amor a Portugal e aos Portugueses concretos.

e - GRANDE FEITO DO JARDINISMO: 

Vivem 9% dos madeirenses em habitação social. Viveu a minha família a paredes meias com um destes bairros de dimensão média para os lados da Cruz de Carvalho, um dos primeiros, a vizinhança nem sempre foi querida, porque de facto as zaragatas e a violência física,o medo aumentaram, mas com o passar dos anos houve alguma acalmia. Porém um bairro posterior que é maior que algumas vilas do continente,o da Nazaré, foi melhor construído junto de um quartel, com ruas amplas, com comércio,centro de saúde e uma linda e grande Igreja muito frequentada. Neste bairro pode passear-se  á vontade e a vida flui com o prazer e os riscos de outro qualquer local, facto que  testemunha que há soluções para o cancro urbano desses lugares lúgubres, desses guetos, chamados, com grave insensibilidade, de bairros,embora de lata.Devo acrescentar que muitas destas pessoas viviam em furnas, realidade que também conheci ( quem vive muitas vidas numa, experienciou coisas várias, e ficou a conhecer o mundo, de que vou dando testemunho, simplesmente) na freguesia de S. Gonçalo, quando frequentava a 4º classe,e o meu professor incumbiu-me de preparar para exame um meu colega, de seu nome Marcelino, filho de um motorista-- pessoa já importante- dos horários ( camionetas)  de S.  Gonçalo,mas que vivia numa furna,na freguesia das Neves... tempos muito, muito difíceis, que, hoje, na praia, desvairadamente, uns anunciavam o seu regresso, como um caminho da salvação para 2014,e que o percorreriamos, como naqueles tempos se fez; comendo milho cozido, acompanhado com cebola crua partida em 4 e salpicada de sal... Gente isto foi assim,e há gente desvairada que diz que não há mal de maior se tiver de voltar a ser assim. MY GOD!! Que futuro para este pais com gentes assim?

f - A BELEZA DE LONDRES.

Que belos e verdes caminhos tem percorrido o ciclismo Olímpico em Londres, simplesmente belo.

Abraços para todos, e para os que praticam a malvadez que nunca a vida se vingue de tanta peçonha, mas justa e rigorosa deveria ser, mas não o será. As trevas são imensas e muito fortes.

andrade da silva