quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

PÁTRIA ETERNA. E OS VAMPIROS?





Não sei se há para aí algum esquizofrénico descompensado, armado em profeta- titanic a dizer que Portugal vai acabar, se há , o pobre diabo, deveria compulsivamente ser internado.

A situação dos países é outra, é a das suas gentes, sobretudo as mais desfavorecidas que morrem de fome e doença nas suas pátrias eternas, enquanto para os czares, os ditadores, os bokassas e os criminosos governantes do Irão, da Somália etc. não há melhores países que os seus. Para os que são massacrados, punidos em público as suas pátrias e o seus Países não existem, são apátridas.

Para mim, a Pátria existe, e considero que ter uma Pátria e ser patriota, bem como defender e garantir segurança às pessoas e defender a ingerência interna para proteger os direitos humanos são valores intrinsecamente de esquerda, que as gentes entendem, sobretudo os que são vilipendiados. Os pseudo intelectuais não o compreendem, também só sabem se auto- venerarem, e imporem à sociedade um prestígio que não têm, porque muitos limitaram-se a seguir um rito formalizado para obterem títulos académicos ou outros, para os quais não têm um mínimo de competência, e, por vezes, mesmo maturidade cognitiva, para além dos casos de iniludível senilidade (não me obriguem a citar nomes e a referir declarações esdrúxulas).

Se a Pátrias existem eternamente, se os países continuam para além das máfias que os governam, é preciso entender que países deixam os vampiros aos vindouros. Ignorar que Hitler não matou a Alemanha, mas matou milhões de judeus seria inaceitável, do mesmo modo que Pinochet não matou o Chile, mas eliminou milhares de chilenos; que Mobutu não pulverizou o Congo, mas espoliou o povo; que Estaline não derrotou a Rússia, mas esmagou milhões de cidadãos; que a Espanha não sucumbiu com Franco, mas que este fez uma guerra civil para se tornar vitorioso; que a Itália existe apesar de Mussolini, mas que por causa dele a Itália andou nas guerras do Eixo; e que Salazar também não derrotou Portugal, mas destruiu muitas famílias e desencadeou uma guerra para manter o seu poder.

Esquecer estas realidades, seria opor à esquizofrenia, a mera retórica. As Pátrias e os países continuam, sejam quais forem as vicissitudes porque passem, logo, o que mais importa é saber que país queremos construir.

É preciso restituir Portugal aos portugueses desempregados. É urgente dar esta Pátria aos jovens que precisam de ter oportunidades para estabelecerem o seu projecto de vida. É imperativo que Portugal não seja só Portugal para os banqueiros, os ricos e os que glorificam Portugal, mas o Portugal deles é a mesa farta, muitos euros no bolso e muitos enganados a dizerem Ámen às suas atordoadas de pompa e circunstância.

Mas para além de dizer que Portugal é eterno, porque, obviamente, o é, importaria dizer como, aqui e agora e em 2012, 2013 Portugal não vai ser como a Suazilândia, a Arábia Saudita, a China, a Rússia etc que apesar de continuarem a serem países eternos, são bem mais Pátria para os algozes do povo. Para este a Pátria é madrasta, campo lento da morte e terra de dores e desespero.

SIM!

Qual será a pátria de um português sem abrigo?

Qual será a Pátria de um português escravizado?

Mas qual será a Pátria de um português desempregado que durante anos e anos não arranja um emprego?

Mas qual será a Pátria de um português que lhe tiram a casa, porque não pôde pagar duas prestações ao banco, ao memo banco que perdoa milhões de euros ao filho do banqueiro?

Mas qual será a Pátria de um pequeno comerciante português afogado em taxas e sobretaxas dos bancos?

Será Portugal? Duvido, será mais a Pátria do desespero, do ódio e da revolta, dificilmente Portugal.

É preciso restituir Portugal aos Portugueses, o que, se recusa a esquizofrenia de qualquer profeta animado pelas profecias Maias de 2012, também não pode adormecer sobre a retórica sonolenta dos que ignorando 2012, 2013, olham somente para a gesta de 9 séculos, como se esta não tivesse conhecido o Domínio Castelhano e os absolutismos de D. Miguel, 200 anos de inquisição, 50 anos de fascismo e trinta e tais anos de democracia manchados pela mais vergonhosa corrupção.

Obviamente que não é preciso mudar nada para Portugal continuar. Não é preciso mesmo mudar nada, porque os 10% de portugueses que detêm toda a riqueza, não querendo ser súbditos espanhóis, tudo farão para continuarem Portugal, mas tornarão cada vez mais portugueses estrangeiros no seu país.

Será este Portugal eterno que interessa manter, sem nada fazer contra os vampiros que são também eternos e sugam o sangue ao povo – alma e vida das Pátrias?

PORTUGAL!

Andrade da Silva

domingo, 13 de dezembro de 2009

04 - A MEMÓRIA DOS HOMENS * O Monte das Águias


Da aldeia de Alambra, o Monte das Águias dista quase uma légua e com um ribeiro cruzando o caminho. É o Ribeiro das Águias, seco no verão, mas um danado nos dias de invernia puxados a chuva.
José das Águias, conhecido nas redondezas por Ti’Zé das Águias, era o único habitante do Monte.
Seguramente, José era o seu nome. Nascera num tempo em que os sobrenomes raramente eram indicados e se sucediam aos nomes próprios, aquando do registo de nascimento. O sobrenome das Águias deveria ter sido tomado de empréstimo ao Monte assim designado, onde nascera e sempre vivera, exceptuados os anos de cumprimento do serviço militar.
José das Águias era um veterano da Grande Guerra de 1914-18. Da Flandres trouxera a memória ensanguentada da violência dos homens e as consequências, não muito graves, dos gases alemães. A sua constante companheira era uma caçadeira «Liegeoise», calibre 16, e o Lampeiro, um fiel cão de caça, sentido deveras, dando sinal de intruso a grande distância.
Lampeiro era um cão feliz. Se era o melhor amigo do dono, também tinha no dono o seu melhor amigo. Tinha vida livre e tratamento privilegiado. Dormia onde queria, sob telhas ou ao relento, conforme decidisse, e comia com o dono, numa tocante partilha igualitária. A sua ocupação era estar atento aos intrusos e parar uma ou outra peça de caça.
Lampeiro raramente ia à aldeia. O dono confiava-lhe a guarda do Monte sempre que se ausentava.
Ti’Zé das Águias ia sempre ao romper do dia. Lá fazia o seu avio, petiscava na venda do Jerónimo e regressava pouco depois, chegando sempre ao Monte antes de anoitecer. Era uma hora e meia de caminho na ida e uma hora e meia de caminho no regresso. Caminhava bem, como bom caçador que era, mas a passada ficara mais lenta, vergado às limitações que a idade trouxera.
Ti’Zé das Águias nunca casara. A sua ocupação fora sempre zelar pelo Monte. E assim continuaria, pois era essa a sua vontade e o interesse do dono do Monte, um doutor que vivia na cidade e ali se deslocava, de vez em quando, quase que só nos tempos da caça.
O mês de Dezembro vinha frio e sem chuva. A nortada assobiava. Ti’Zé das Águias acendia a lareira antes do amanhecer. Aquecia água numa panela de ferro talvez mais velha do que ele. Fazia café, o tradicional café de mistura, que trazia da aldeia. Depois, bebia uma caneca do café ainda bem quente e comia pão e linguiça, habilmente cortados com a navalha.
Sentado a seu lado, Lampeiro sempre petiscava com o dono.
Apenas o tempo chuvoso prejudicava as idas à aldeia. Tio’Zé das Águias não confiava no ribeiro nem na ponte de madeira, tão baixa que, à mais pequena enxurrada, a água lambia o tabuleiro e a estrutura gemia aflita. Lembrava-se que, quando mais novo, várias vezes passara a ponte com o tabuleiro completamente coberto de água. Agora, a velhice aconselhava-lhe a maior prudência.
Já se vivia a quadra do natal. Na aldeia, as mulheres andavam preocupadas com as crianças. Vivia-se, mais uma vez, o período de gastarem o que mal podiam numas roupas para elas, novas ou transformadas. Era a memória do menino que nascera há quase dois mil anos. E era a memória dele que projectava um carinho acrescido sobre as suas crianças.
Ti’Zé das Águias entendia o natal assim: o tempo das crianças. Ouvira falar vagamente da história daquele menino. Em outro tempo, quando tinha de ir à vila tratar de alguns assuntos do Monte, vira a animação na quadra do natal; mas isso fora há muito, ainda o patrão era vivo e a agricultura na herdade era de grande azáfama. Depois da morte do patrão, a situação modificara-se. O menino Luís era doutor e não tinha tempo para olhar pela herdade. Não tinha tempo e nem era homem do campo. Quase só o via pelas rolas, em Agosto; e, depois, quando abria a caça geral, em Outubro. E só aos fins-de-semana.
Naquele fim de tarde e antevéspera de natal, Lampeiro deu sinal. Ti’Zé das Águias veio à porta ver o que se passava. Avistou uma mulher, ainda longe, que caminhava vagarosamente. Esperou que ela se aproximasse, para saber quem era. E ficou surpreendido quando verificou que não a conhecia. Quem seria? E o que quereria dele? E foi ainda a braços com a interrogação que a mulher chegou.
Sem temor, a mulher saudou-o com um boa tarde, senhor!Ti’Zé das Águias correspondeu à saudação e esperou que ela lhe dissesse ao que ia.
Senhor, começou a mulher, não me conhece, mas sou pessoa de bem e venho pedir-lhe agasalho; e enquanto aqui estiver, poderei dar uma ajuda na casa.Ti’Zé das Águias convidou-a a entrar e a aquecer-se na lareira. A mulher agradeceu e entrou. Pousou a um canto a trouxa de roupa que trazia e foi aquecer-se.
Sentados, em silêncio, olhavam o lume. Passados uns largos minutos, Ti’Zé puxou da navalha e arretalhou umas bolotas que a mulher dispôs sob a cinza escaldante.
Assadas as bolotas, comeram com gosto e falaram da Vida e das suas vidas.
Ti’Zé ficou sabendo que a mulher, uma mulher exausta das inclemências da existência e precocemente envelhecida, se chamava Maria do Céu, que era viúva, sem filhos, que andaria pelos sessenta anos, e que decidira abandonar os subúrbios da cidade e regressar para sempre ao Sul, sem nada de seu e sem destino definido.
Lampeiro olhava o lume e achava normal toda a situação.
No dia seguinte, a mulher levantou-se com a aurora e começou a tratar da casa. Quando ti’Zé apareceu, pouco depois, já a panela de ferro chiava na lareira.
Ti’Zé olhou, satisfeito. E disse de si para si: temos mulher!A mulher, ao vê-lo, deu-lhe os bons dias e disse: esta casa está precisando duma barrela ao meu jeito. E, logo à noite, de uma ceia, porque é véspera de natal.
Ti’Zé correspondeu à saudação e sorriu. Depois, sentou-se à lareira e comeu, como habitualmente: uma caneca de café e uma fatia grossa de pão com linguiça. A mulher acompanhou-o na refeição. E Lampeiro teve, pela primeira vez, duas pessoas a repartir com ele comida e carinho.
Lá fora, o dia resplandecia sob o sol nascente e um céu todo azul. Nos álamos, a passarada gorjeava, num hino de amor à vida. As galinhas, sempre madrugadoras, há muito que andavam por ali. Saíam e recolhiam a seu bel-prazer, sem peias.
Ti’Zé das Águias saiu, para ver o dia e inspeccionar todas as redondezas da habitação. A tranquilidade era plena. Apenas a nortada assobiava. Era o nordeste, trazendo de Espanha aquele frio seco.
Desceu uns metros até ao poço. Bem perto, o quinchoso, muito bem tratado. Ali, Ti’Zé tinha as suas verduras, os cheiros e algumas árvores de fruto. Só comprava na aldeia o que a terra não dava.
Regressado a casa, pediu a Maria que o acompanhasse, para lhe indicar o quinchoso, o poço e o galinheiro. Ela seguiu-o, satisfeita. Percebia que encontrara um lar e que a vida lhe sorria.
Cerca do meio-dia, uma açorda de poejos com bacalhau e azeitonas novas foi a refeição. Comeram devagar, entre palavras arrastadas e silêncios prolongados. A mulher falou da infância triste, da adolescência suada nos campos, e do seu homem, com quem se juntara aos 19 anos, da ida, com o seu Tóino, para os subúrbios da cidade grande, do acidente que o vitimou, na construção civil, e da sua decisão de regressar ao Sul, sem eira nem beira, confiando no destino. Ti’Zé das Águias falou do pai, caseiro no Monte, e da mãe, dois mouros de trabalho. Ali nascera e ali ficara como ajuda do pai. Depois, a guerra levara-o. Quando regressou, continuou como ajuda até à morte do pai. A mãe pouco tempo sobreviveu ao companheiro. Ficou, então, sozinho, como caseiro. Ensinou ao menino Luís, o filho do patrão, os segredos e mistérios da vida animal e vegetal, a caçar, as andanças das aves de arribação e outras tantas coisas do campo. O menino foi crescendo e estudando. Saiu doutor e fixou-se na cidade. Depois, aconteceu a morte do patrão e o fim da agricultura. O rendimento da herdade era agora a cortiça, a lenha e as pastagens. Ficara no Monte para olhar por tudo.
Já o dia declinava quando a mulher levantou a mesa e lavou a louça. Depois, foi tratar da ceia para a longa noite de Inverno.
Ti’Zé das Águias saiu para o terreiro. Ali esteve até ao lusco-fusco. O vento amainara e o pôr de sol era uma aguarela incendiada.
Lampeiro dividia o seu tempo entre a casa e o terreiro. Em casa, sentado à lareira; no terreiro, ora andando de um lado para outro, farejando e olhando, ora a ventos, procurando perceber o que se passaria nas redondezas, ora estiraçado ao sol que, baixo, quase nada aquecia
Ti’Zé das Águias, regressando a casa, foi sentar-se à lareira. Lampeiro seguiu-o.
Maria preparava para a ceia um frango de cabidela. Haveria figos secos e nozes à sobremesa. Passariam a meia-noite à lareira.
Um manto de paz descera sobre o Monte. Maria foi olhar o tempo. Voltando para dentro, disse: o céu está todo limpo e cheiinho de estrelas. Teremos uma noite linda.Ti’Zé assentiu com um gesto.
Diligente, Maria tratava de alindar a mesa. Ti’Zé ajeitou o lume, levantou-se e foi lavar as mãos. Depois, sentou-se à mesa, para jantar. Lampeiro, seguindo o dono, sentou-se a seu lado. Maria sentou-se também à mesa e serviu a janta.
Ti’Zé, enquanto comia, elogiou: Ah, Maria, há quantos anos eu não provava uma cabidela assim! Desde a morte da minha mãe, acho eu.Maria, agradecida, respondeu, com um sorriso: Ainda bem que está ao seu gosto, Ti’Zé.
Lampeiro,
sentado entre ambos, olhava, ora para um, ora para outro, seguindo o diálogo.
Puxando do seu velho relógio de algibeira, Ti’Zé exclamou: aqui estamos ceando e as horas correndo. É meu costume deitar-me cedo, mas, hoje, teremos de passar a meia-noite a pé, pois o tal menino dizem ter vindo ao mundo a essa hora.
É verdade
, confirmou Maria. Assim reza a tradição e também lá na cidade assim ouvi. E prosseguiu: Lá na cidade era uma canseira, toda aquela gente de um lado para o outro, comprando roupas e brinquedos para as crianças. Era um grande negócio para as lojas!Ti’Zé, atalhou: Pois, deveria ser. Vi essa canseira na vila. Não seria igual, mas teria as suas parecenças. Aqui, na aldeia, as coisas não são assim. O povo mal ganha para o sustento. E as crianças terão de se sujeitar, coitadinhas!
Tadinhas delas
, lamentou Maria. Dizem que somos todos iguais, mas o natal e tudo o mais está sujeito à força do dinheiro. E também dizem que o menino nasceu pobrezinho para dar o exemplo…
É verdade, também ouvi dizer isso
, confirmou Ti’Zé das Águias, mas, pelos vistos, o exemplo deste menino não medrou. Isto de ser rico e querer ser pobre é uma história muito mal amanhada!Maria, sorrindo, rematou: Se fosse bom ser pobre, não haveria ricos…Ti’Zé das Águias sorriu também e disse: É bom conversar destas coisas da Vida, mas não adianta. A força está nas mãos de quem manda. O povo vai esperando por dias melhores, mas ninguém sabe quando será. Sabe, Maria, quem tem a barriga cheia não se lembra de quem tem fome.Maria confirmou: É verdade e esse ditado diz tudo. Diz-se agora que as coisas vão mal lá para as Africas e que já mandaram soldados para lá. É mais uma desgraça que vem aí!Ti’Zé das Águias sentenciou: Os homens não se entendem. O que um quer, o outro não quer. E o povo é só penar! Sabe uma coisa: se só houvesse dois homens, um seria contrabandista e o outro guarda-fiscal. É assim, não se entendem, não há união.
Eu sempre vi o mundo assim. E vou morrer sem ver mudança. Já não me adianta esperar. Pode ser que os mais novos ainda vejam alguma coisa de melhor. Eu já não tenho idade para lá chegar.
As horas passavam e a meia-noite estava prestes. Passaram da mesa para a lareira. Maria levou um taleiguito de figos e Ti’Zé começou a partir as nozes.
Maria comentou, divertida: Já viu que eu me chamo Maria e vosmicê se chama José? É verdade! Só falta aqui um menino…Ti’Zé recomendou: Juízo, Maria! Dizem que é a Sagrada Família e a gente não é assim.Maria apressou-se a esclarecer: Foi só uma brincadeira, não ofendi ninguém.
Tá visto que não
, reconheceu o velho. E, brincadeira por brincadeira, o seu nome é Maria do Céu e o meu é José das Águias. E as águias voam por essas alturas além…
Contrariamente ao que Ti’Zé poderia supor, a mulher não aderiu ao gracejo. Ficou pensativa e inquieta. Depois, num murmúrio, arriscou: Ti’Zé, até parece que foi o destino que me trouxe a pedir-lhe agasalho e fez com que vosmicê mo desse!...Ti’Zé das Águias olhou-a fixamente. E assim ficaram, olhos nos olhos, como que querendo cada um sondar o que o outro pensava. Parecia que o tempo parara. Até que Maria do Céu, despertando daquele enleio, disse, arrebatada: É isso, Ti’Zé! Foi um milagre! O nosso milagre de natal!
*
José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 12 de Dezembro de 2009.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

JÁ ESTÁ A ACONTECER: NUVENS CINZA AVOLUMAM-SE A ORIENTE E A OCIDENTE.




O conflito está a acontecer no país do faz de conta, neste país uns dizem uma coisa, outros, dizem outra, mas o país parece estar a ser conduzido para o caos.

Neste país, não muito grande, relativamente pobre, com poucos milhões de habitantes vive-se num quadro surrealista, muito próximo de outros países de reis, tipo Bokassa, que para alimentarem a sua dezena de mulheres e vinte filhos exploram ao máximo a população que, também nessa longínqua Suazilândia, tudo aceita até o dia que a fome bater à porta da maioria do povo.

Mas no país de ficções que mais me preocupa neste momento, existe uma teia de elfos repartidos por vários clubes que estão por toda a parte, cumprindo os desígnios dos seus clubes-partidos, contrários e inconciliáveis entre si. Neste reino de Elfos, diabinhos, criam-se instituições culturais, sindicais, políticas e outras, mas por todo o lado está instalada a teia, isto é, não é possível ser independente e criativo, tudo morre, e de pé só ficam os eucaliptos e as catatuas, para quê?

O desígnio maior é a indução da convulsão que promova o poder ditatorial. Neste país de que falo, ninguém é capaz de compreender o valor da negociação e o que seja o comportamento democrático. Neste país de elfos maldosos o que importa é o poder pelo poder; a expropriação das riquezas de todos em prol de 10%, e, até, houve em tempos um grande poeta que falou de um esquisito banqueiro, do que outros há 200 anos já falaram, e tiraram-lhes uma fotografia muito negra. Essas figuras pardas nos colocariam o garrote ao pescoço, que um dia esses mesmos banqueiros puxariam e muitos “esticariam o pernil”, ou seriam reduzidos a escravos.

Todavia nesta terra prima afastada, esclareça-se, mas com o mesmo DNA da Suazilândia, à beira de um abismo, uns Elfos dizem que lhes compete governar de um dado modo, outros, dizem que não será bem assim, porque o país não é monocolor, e nem todos pensam do mesmo modo, mas enquanto decorre esta batalha e o país vai a caminho do precipício, outros elfos dizem que há contas ocultas, que muitas coisas se desconhecem da riqueza pública, e que todas estes jogos florais destinam-se a camuflar a realidade, mas o que parece certo é que nesta terra muitos ou todos endoidaram e o desastre pode ser o desfecho inesperado.

Mas talvez não seja assim, porque desde a querida Vénus, o pequeno país tem gozado de protecção Divina, sucessivamente renovada pelos deuses e as senhoras divinas das religiões monoteístas, de Mitra ou de Cristo, ou mesmo de Alá, sei lá! Talvez tudo isto seja teatro de marionetas, mas também no teatro se morre ou simula a morte, porém os campos de batalha também se chamam de Teatros de operações, onde, se morre, e quem parte não vê o dia seguinte nascer.

Mas seria muito bom e justo haver muitos dias seguintes de Sol e inteiros, para os elfos-povo, facto que numa longínqua primavera se sonhou, desejou e desenhou como possível, mas outros têm sido os caminhos, contudo ouso, sei que parvamente, perguntar: porque não se realizam mais os sonhos?

O vento sopra e só transporta poeiras, e, por entre estas, as palavras confundem-se com o cisco que as compõem. Já não há ventos para as trovas.

Enfim, é o fado de uma terra que tanto amo, e que tanto me cansa, já, mas tudo passa, para quem tem uma vida com termo certo e breve. A natureza só aceita contratos a recibos verdes com os plebeus. Também, por aqui, não nos safamos.

ELFOS!

andrade da silva

SOS

SOS SOS SOS

Appel à action d'Amnesty International pour soutenir sept défenseurs sahraouis des droits humains arrêtés au Sahara Occidental



Lutar pelo que é justo torna-nos Seres Humanos e distancia-nos do irracional

Marília

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

SOS



A pátria é nos lugares onde a alma está acorrentada.
Voltaire





COMUNICADO URGENTE DE POETAS DEL MUNDO EN ESPAÑA SOBRE AMINETU HAIDAR

ESPAÑA-Toledo. Poetas del Mundo en España le rogamos a todos los poetas y a toda la gente de buena voluntad que hagan suyo el presente Comunicado y lo reenvíen por todos los medios a su alcance a sus contactos, blogs, Medios de Comunicación para defender la más justa y digna causa que debemos de asumir TODOS, cuantos apoyamos, sin reservas ni fisuras y con absoluta decisión,
LOS DERECHOS HUMANOS.

. E-mail: amnestyis@amnesty.org.
envia:

acreditaciones@mpr.es, montas@un.org,
maciej.popowski@europarl.europa.eu,llmdepuig@senado.es,
coepa.del@parliament.uk, herta.daeubler-gmelin@bundestag.de,
epmadrid@europarl.europa.eu, sonia.dona-perez@diplomatic.gouv.fr,
InfoDesk@ohchr.org, dirk.debacker@consiliu.europa.eu,
eurobarometer@ec.europa.eu, leonor.ribeiro-da-silva@ec.europa.eu,
ofiprensa@psoe.es, atencion@pp.es, cdc@convergencia.cat,
comunicacion@izquierda-unida.es, prensa@upyd.es,
prensa@coalicioncanaria.org, info@nobel.se, comments@nobelprize.org,
juanfernando.lopezaguilar@europarl.europa.eu,
Michael.Denison@fco.gov.uk, Madlin.sadler@fco.gov.uk,
Sarah.Schaefer@fco.gov.uk, Matthew.gould@fco.uk,
hallp@parliament.uk, lisa.glover@fco.gsi.gov.uk, ukrep@fco.gov.uk,
charles.moore@fco.gov.uk, nicolas.sarkozy@elysee.fr,
claude.gueant@elysee.fr, henri.guaino@elysee.fr, cecom@casareal.es


Envoyer un message avec votre nom et votre ID d'email:

todosconaminatou@gmail.com

PLATE-FORME DE SOLIDARITÉ AVEC LE Aminatou Haidar







COMUNICADO URGENTE DE POETAS DEL MUNDO EN ESPAÑA SOBRE AMINETU HAIDAR

POETAS del MUNDO en ESPAÑA, desde la histórica y culta, abierta y universal, digna Ciudad de Toledo, hace un llamamiento a Todos los POETAS del MUNDO y muy en especial a los POETAS en ESPAÑA y a sus hermanos en MARRUECOS para que levanten su voz en defensa de la Vida y de los Derechos Humanos de Aminetu Haidar, pidiéndoles encarecidamente, y con carácter de absoluta urgencia, al Gobierno y al Rey de España, que tengan la honradez y el coraje de hacer lo imposible, para resolver esta dramática situación; y al Gobierno y al Rey de Marruecos, que obren con inteligencia y humanidad, para permitir volver a Aminetu Haidar con sus hijos, su familia y con el Pueblo Saharaui; y vivir dignamente, en paz y en libertad, si es que ambos Gobiernos y respectivos Reyes, de España y de Marruecos, verdaderamente anhelan el respeto de sus poetas y de sus ciudadanos.

Poetas del Mundo en España

En Toledo, a 6 de diciembre de 2009.


Publicación: 10-12-2009

APORTES POÉTICOS:

Atónitos todos...


El atónito ojo contempla sin un parpadeo:
ya no hay lágrimas para tanta ceguera...

Un hombre asemeja a otro hombre
que a otro asemeja, que pasan
se rozan y entre ellos tropiezan;
no se ven, no se oyen, no saben entenderse.

El zig-zag de los pasos traza líneas sin rumbo
cada uno abrazado a su sin par problema,
que es el mismo de todos, el mismo de siempre
y por todos se ignora y nadie lo enseña...

En el cutre salón donde sólo hay “espejos”,
el atónito ojo contempla sin ningún parpadeo
-atónito él, atónito yo, atónitos todos- ...
¡No, ni una lágrima más ante tanta ceguera!

Antônio L. Ros Soler [13284122].
Alrosoler [c] alrosoler@hotmail.com

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

25 DE NOVEMBRO 1975, MAS ONDE ESTAVAM OS NOVE? MEMÓRIAS ESFARRAPADAS, SEM INTERESSE.



Quem viu a reportagem da RTP1 no dia 25 de Novembro 09, se tinha alguma informação sobre este acontecimento, deve ter ficado perplexo, porque até a exibição deste documentário, parecia ter sido aquela sombria acção dirigida pelo “grupo dos nove”, mas afinal parece que foi mais arquitectado pelo, então, tenente coronel( ten-cor) Almeida Bruno que com toda a isenção partidária, como lhe competia e era obrigação dos militares, contactou o CDS, partido democrático, para combater o PCP que, segundo eles, e de acordo com a análise do, então, Sr. tenente- coronel Ramalho Eanes tinha pressa em tomar o poder, depois da eleição para a Constituinte. Eleição que claramente dizia que o país estava voltado, já na altura, para o centrão, o que , cortava a meio o processo revolucionário, e, assim, disto, só se podia sair e chegar ao poder, através de uma revolução que teria como sua vanguarda o PCP e os militares otelistas (?) e gonçalvistas, estes, de certeza.

Com base nestes pressupostos é feito o enquadramento político por Melo Antunes, enquanto, para além dos contactos do Sr. ten-cor Almeida Bruno com o CDS, o Sr. Major Monge fazia com o PS, como se o “grupo dos nove” não tivesse uma ligação umbilical ao PS e outros com PSD.

Com base nesta visão com alguma lógica geopolítica, diga-se, e interpretando que as manifestações e o cerco dos operários à Assembleia Constituinte e outra bagunça eram mesmo a tentativa de tomada do poder pelos comunistas, as forças militares comandadas por aqueles militares para conterem o golpe comunista lançam as suas forças contra as unidades perigosas, em 25 de Novembro 1975.

No mesmo passo, o general Costa Gomes, adverte Álvaro Cunhal que se reagisse lançaria o país num banho de sangue, argumento que deve ter convencido Álvaro Cunhal e, por isso, o PCP regressou a abrigos seguros, também o mesmo deve ter sido dito aos fuzileiros navais e a Otelo que foi para casa, abandonando as forças sob o seu comando. A atitude de abandono das forças sob o seu comando nunca deveria ter tomado, porque se queria evitar sangue, somente cabia-lhe ficar no posto de Comando e ordenar às suas forças que ficassem em quartéis, e, desde logo, ao Regimento de Comandos, à Escola Prática de Cavalaria e ao Regimento de Estremoz, isto é, se ele fosse um comandante não teria havido 25 de Novembro nenhum, de qualquer modo nunca um comandante poderia, em circunstância alguma, abandonar os seus soldados. O acto de abandono das suas tropas é um acto inqualificável, ponto.

Mas aqui voltámos à questão, se o PCP estava a preparar um golpe, o “grupo dos nove”, através dos serviços de informação militar e outros deve ter um exacto conhecimento dos planos, assim penso, porque no 11 de Março a comissão coordenador do MFA sabia com grande pormenor o que ia acontecer, só não sabiam as datas, de resto tinham conhecimento muito perfeito do plano de operações.

Nessa altura, como delegado do MFA da Escola Prática de Artilharia, fui chamado a Lisboa e foi claramente exposto, numa casa semi- acabada, tudo quanto ia acontecer, como o bombardeamento ao Ralis etc, portanto, não entendo, como é que os que iam fazer aquilo que aconteceu, como diz o Sr. General Almeida Bruno de nada soubessem, mas a Comissão Coordenadora do MFA sabia de tudo, foi premonição?

Mas sobre este 11 Março 75, seria bom lembrar que mais um militar referido na reportagem, como estando ao lado das forças democráticas no 25 de Novembro foi o, então, sr. Major Casanova Ferreira que estando no comando da PSP, em 7 de Março 75, ordenou à PSP de Setúbal para que montasse na janela do 1º andar da esquadra uma metralhadora, a fim de fazer fogo sobre a população que cercava a esquadra, apesar desta estar protegida por um cordão de forças militares por mim comandadas, e com a garantia que sob o meu comando ninguém passaria incólume o cordão de segurança.

Acrescente-se que em Setúbal havia um Regimento que mandou uma força comandada por um oficial miliciano, meu antigo colega, como professor, na Escola Superior Politécnica do Exército e, actualmente, professor no ISCAL que logo respirou de alívio com a chegada das forças de Vendas Novas. Mas porquê Vendas Novas e o capitão Andrade da Silva? Coisas do Diabo, não haveria capitães melhores ou tão competentes no regimento de Setúbal?

Acrescento que fui sempre nomeado por ESCOLHA para estas missões, não era nem o mais moderno, nem o mais antigo, portanto, por escala nunca me caberia a sistemática primazia no comando destas acções, mas se era o pior de todos que grande seria a irresponsabilidade desses comandantes que me nomearam e louvaram, mas se estava entre os melhores, ou era mesmo o melhor, então, de que me ACUSARAM?
De ser comunista ou do PCP, porque não deixei MATAR, ASSASSINAR, MASSACRAR POVO e fazer ajustes com os latifundiários? Mas qual a moral destas encenações?

Naquele 7 de Março de 1975, uma vez mais, as forças da Escola Prática de Artilharia, com honra, orgulho, competência e sacrifício cumpriram a sua missão, e, logo, que o aspirante ou alferes Pauleta me falou da metralhadora, a colocar na já referida janela, imediatamente ordenei aos policias que a retirassem, e que se fizessem um só tiro que fosse, todas as armas que tinha para fazer o cordão de defesa seriam voltadas contra eles, e que não ficaria pedra sobre pedra, o que, foi compreendido nos seus exactos termos, sem qualquer dúvida, aliás, nunca houve dúvidas acerca do que com toda a clareza dizia, outro facto, de que os torpes acusadores se esqueceram, porquê?

O cerco durou uma noite e dois dias, ninguém foi molestado, mas infelizmente a evacuação da esquadra fez-se durante a tarde do 2º dia, com excesso de espectáculo, com uma força de chaimites, agora, comandada por um brigadeiro. Durante a madrugada a população regressou aos seus doces lares, e as condições foram as ideais para se fazer a evacuação. Nos termos em que foi feita os polícias foram humilhados, e, isto, seria de todo evitável, porque não foi?


Parece, assim, que estes militares no 11 de Março estavam num golpe contra-revolucionário que dizem desconhecer, mas que a comissão coordenadora do MFA, donde saiu o “grupo dos nove” sabia muito bem, o que é estranho, e mais estranho se torna, quando, agora, se sabe que são estes oficiais contra-revolucionários no 11 de Março que estão no comité do 25 de Novembro lutando pela democracia, ombro a ombro, com o “grupo dos nove” que em 28 de Setembro e no 11 de Março os combateu, como contra-revolucionários, para não dizer fascistas, simplesmente estranho.

Certo, certo ao meu nível é que se fui contactado pela coordenadora do MFA para após o 28 de Setembro controlar o capitão Mira Monteiro, e para no 11 de Março pegar em armas, levantar a EPA para defender a Revolução, no 25 de Novembro em nenhum encontro com os camaradas com quem me reunia ( a esquerda apelidada de gonçalvistas) foi sugerida nenhuma acção militar e, de qualquer modo, nem sequer podem dizer que estes oficiais seriam comunistas e totalitários, o que é um despudor e um acto cobarde.
Sim, porque carga de água é do PCP quem não tinha nenhuma ligação operacional ou de dependência ao PCP, mas são isentos e apartidários os que contactaram e combinaram com o PS, o PSD e o CDS a guerra do 25 de Novembro? Mas também não podem, porque muitos desses oficiais além de hoje estarem, ombro a ombro, com o tal “grupo dos nove”, têm desempenhado altos cargos a nível Governamental nos últimos governos, a não ser que fossem totalitários, mas agora já não sejam, enfim…

Mas onde pára a ética e a verdade disto tudo? E também se a comissão coordenadora do MFA tinha todos os planos da pólvora das forças spinolistas no 11 de Março, também deveria e deve ter as do golpe comunista do 25 de Novembro, porque, então, não as mostram e, já agora, gostaria de saber para que data estava combinado o golpe, e o que caberia à Escola Prática de Artilharia fazer?

Só mais um apontamento parece que quando se diz que alguém é comunista, se quer dizer que é burro que nem um penedo, mas nós não seríamos assim tanto, também se sabia que quem saísse em primeiro lugar perdia, portanto …

Mas ainda mais uma questão, se os tais “golpistas” do 11 de Março não tinham o plano de operações que a comissão coordenadora do MFA conhecia, e se foi desta comissão que saiu o “grupo dos nove”, e que também ninguém sabe quem deu a ordem aos pára-quedistas para ocuparem as bases no 25 de Novembro 75 que páginas tantas, também não sabiam que iam fazer isso, mas fizeram, o que é que isto poderá querer dizer?

Embora não seja especialista em enigmas ou coisas policiais, parece-me que houve a reincarnação de um Richelieu. Será que quem fez as listas dos oficiais a prender no 11de Março, foi o mesmo que se diz que as fez no 25 de Novembro, mais concretamente, qual terá sido o papel histórico no meio disto tudo da CIA, e do, então, major/ ten-cor inquisidor-mor e do MRRP,(?) como geralmente se dizia sobre o Sr. Major Aventino Teixeira , o que tem alguma consistência democrática, porque um dos mais ferozes e aguerridos adversários do PCP era o MRRP, pelo que talvez para a direita fosse muito democrático .

O papel do PS nesta acção é mais dedutível, a nível internacional pela ligação a Carlucci e ao chanceler alemão e a nível interno ao “grupo dos nove”. Évora nas vésperas do 25 de Novembro encheu-se de slogans do PS a proclamarem: PEZARAT AMIGO O POVO ESTÁ CONTIGO.

Claro que não descarto a hipótese que o grande arquitecto das derrotas primeiro dos spinolistas que depois são recuperados para derrotar os Otelistas e os Gonçalvistas, seja uma alma e um inspirador do “grupo dos nove”, tendo ou não como alter-ego comum o do Sr. general Eanes que ao que se dizia seria o major Aventino Teixeira, que, como Deus, por ter muitos cargos, ao que diziam, estava em toda a parte, ou seja, em nenhures, ao não ser nos locais duros da alto conspiração.

Pessoalmente não conheci, este major- cardeal, mas tenho pena, porque ao que dizem era muito inteligente e perverso politicamente, e, só por isso, acho-o capaz de ser um dos Richelieu destes tempos. Ele ou outro, se as coisas se passaram assim, são mentes diabólicas, mas inteligentíssimas. Mas a alma disto tudo pode estar no grupo dos nove, e pode não ter sido a mente brilhante de Melo Antunes? Então quem?

Mas se sabiam que não havia um golpe comunista em marcha, porquê e para quê puniram, estigmatizaram militares que estavam no canal de comando legitimo: Chefe Supremo das Forças Armadas, Chefe do Estado Maior do Exército, Comando Operacional do Continente?

Entre muitos, este era o meu caso, em que o general Fabião a um pedido do brigadeiro Azeredo para ir ajudá-lo a resolver a questão agrícola da Madeira, então, com uma estrutura medieval, não o permitiu, por considerar que a minha presença no Alentejo era uma garantia de não correr sangue. Por aquilo que vivi, julgo que foi mesmo assim, afirmo-o sem qualquer pitada de narcisismo, mas com muita honra e orgulho. A honra e orgulho que os meus pais plebeus me ensinaram, pelo exemplo.

Nem sei se no meu caso terá algo a ver com ser adjacente, lá das ilhas, e de me “armar em esperto”, como o grande Melo Antunes e o Major Morais da Silva me diziam e ameaçavam. Numa dada reunião ameaçaram-me, porque tinha “ a mania de ser esperto, mas que ainda me “lichava”, - Melo Antunes, anos mais tarde, pós 25 de Novembro, numa comemoração do 25 de Abril no Teatro Aberto há-de cumprimentar-me, incitando-me, com a expressão – FORÇA!, mas, então para quê? - quando barafustava contra um dado comportamento sobranceiro da marinha, que muito me irritava, habitualmente pela voz do comandante Victor Crespo ou outro lá iam afirmando que se fossem eles a fazerem as coisas tudo seria mais avançado,, mas na hora da verdade… enfim, era difícil vê-los nas primeiras linhas, coisas….

Enfim, memórias sem interesse. A história não é feita nem destes pormenores, nem por quem quer, mas por quem pode.

Andrade da silva