terça-feira, 27 de julho de 2010

CONTRA-CONTRAREVOLUÇÃO ALERTA N+11 ( PRÉ-FINAIS)




A REVOLUÇÃO DAS SOMBRAS ESTÁ EM MARCHA.


" NOTA: estes textos são retirados do meu quase diário, prática que trago da guerra colonial. Também escrevi no meu exílio na Madeira e na prisão em 1977/ 1979, onde, falo de muitos pavões, cobardes e traidores, que não mudaram nada.

Hoje, como então, escrevo em caderninhos, agora, passo alguns textos para este blogue, havendo meia dúzia de amigas e amigos que lêem estas páginas deste diário, quase louco, de revolta e impotência, de quem, ainda jovem, andou num 25 de Abril, e , agora, vê toda esta podridão, e, sabe que, como no 25 de Novembro 75, perante o avanço reaccionário se vier a dar-se com violência, a esquerda irá para debaixo das camas.

Obrigado a quem me lê, é pena que sejam tão poucos, mas que fazer?"



Um dia, num Maio Negro, de Braga,levantou-se um Lúcifer que colocou o país a ferros durante 40 anos. Vivíamos tempos de crise. Nasceu um salvador - Salazar!


Hoje vivemos em crise de tudo, valores, económica, social: vendem o país a retalho ao estrangeiro nas barraquinhas do PS, PSD (PDO?), CDS. A Pátria, o solo Pátrio, perdem-se.


É preciso mudar de Rumo. É preciso defender Portugal e os Portugueses, dos outros portugueses que elegemos para nos governarem, e estão a desgovernar e a destruírem Portugal. Estão de cócoras perante o capitalismo especulativo, com sede em Bona e Paris, não resistem, cedem, matam os direitos e as esperanças dos portugueses. Convertem-nos em súbditos das potencias estrangeiras, são iguais aos andeiros de todos o tempos.


É preciso defender a liberdade, a República, a democracia, Portugal, Abril, os direitos de cidadania- o emprego, a saúde, a habitação, a educação, a segurança física e a social, a justiça - mas nada se defenderá com uma revolução das sombras, do passado, dos vampiros, do 24 de Abril - esta gente é o fascismo que ainda é pior que todos os vendilhões da pátria e de Abril.


Portugal precisa de mudar de rumo, mas não com João jardim, nem no sentido que ele tem exercido o poder ,ou pelos caminhos que no último Domingo apontou, em que a Comunicação social, como o Diário de Notícias do Funchal que o critica é acusado de ser uma célula do PCP e a informação pluralista no RTP 1 é de uma célula da extrema esquerda. Heróicos jornalistas que são marcados por João Jardim, para serem destruídos. Que diferença faz isto do regime de Mugabe, ou de Bocaça?


Pouca. Então, porque se calam os bem pensantes de Lisboa? Só poderá ser, porque Lisboa, como uns mais que outros sabem, e eu sei, porque já fui calado algumas vezes, está repleta de Mugabes, camuflados de grandes democratas, mas ai dos que deles discordam! São logo atirados, às jaulas dos leões. Cobardes, farsantes, culpados!


João Jardim reconhece que os valores da solidariedade são de esquerda, quando declara - Não sou de esquerda, mas só por cima de mim destruirão o serviço nacional de saúde -. Não aceita que os pobres fiquem desamparados, abandonados na doença, sem educação e sem emprego, nisto Jardim tem razão, e tem alguma obra na Madeira, aqui, o preço das consultas médicas estão tabladas 50 € as de clínica geral, 75 € as da especialidade, e ninguém o chama de comuna, nem sequer a tão liberal ordem dos médicos, porque será?


Todavia, Jardim não é, "nem a palavra, nem o caminho", porque quer um povo submisso, e também porque em 30 e muitos anos de governo, fez muito obra faustosa, gastou dinheiro ao desbarato, mas esqueceu-se de apetrechar a Madeira com um Hospital novo, que deve ser uma carência fundamental desta Terra, desde há 15, 10 anos. Também é justo referir que ao nivel da saúde contratualizou serviços que são um apoio excepcional aos idosos e seus familiares.


Nesta terra também tem razão quando fala de uma oposição medíocre, em que encontra uma grande excepção na CDU e no ex-padre Edgar, e num outro lutador sem partido, julgo, defensor da biodiversidade e do ambiente, o eng. Quental.


É preciso mudar de rumo, mas com uma esquerda global unida, competente, honesta, pobra, não dogmática com um projecto alternativo que sirva os interesses da quase totalidade da população portuguesa no contexto civilizacional que Portugal escolheu.


andrade da silva

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Homem, Abre os Olhos


Homem, Abre os Olhos e Verás

Homem,
abre os olhos e verás
em cada outro homem um irmão.

Homem,
as paixões que te consomem
não são boas nem más.
São a tua condição.

A paz,
porém, só a terás
quando o pão que os outros comem,
homem,
for igual ao teu pão.

Armindo Rodrigues

sábado, 24 de julho de 2010

DESTAS COISAS!?...




GIRO DO HORIZONTE


Zero graus:

Uma mulher e o seu filho
Caem,
Morrem de fome.
São milhões!

Treze graus:

Uma Mulher é lapidada
São milhares.

Dezoito graus:

Sapartacus reergue-se da Tumba,
Segue em frente -
Luta!
É acompanhado por duas dúzias de Marias
E dez inválidos.
Somente!


Noventa graus:

Doze cegos estóicos
reclamam por luz,
mas, o mundo está submerso pela escuridão.


Cem graus:

Meia dúzia de heroínas
E Três heróis,
Descalços de fortuna,
Lutam pelo amanhã.
Sós!


Dos cento e um graus aos trezentos e sessenta:

Traidores,
Imbecis anafados,
Sanguessugas, piolheira,
Vivem, como eunucos,
do deboche, da ganância, do crime.
São os senhores da cidade.


Trezentos e sessenta graus de giro do horizonte:

Uma dúzia de espíritos, meus irmãos,
Milhões de desgraçados,
Meus irmãos, também,
Dez por cento de plutocratas e seus amigos
que tudo devoram.
E nada mais resta
que não um rasto de morte,
destruição, fome e infortúnio.


andrade da silva






ai Portugal o que esperas?

Dependência do Governo Diz-se geralmente que, em Portugal, o público tem ideia de que o Governo deve fazer tudo, pensar em tudo, iniciar tudo: tira-se daqui a conclusão que somos um povo sem poderes iniciadores, bons para ser tutelados, indignos de uma larga liberdade, e inaptos para a independência. A nossa pobreza relativa é atribuída a este hábito político e social de depender para tudo do Governo, e de volver constantemente as mãos e os olhos para ele como para uma Providência sempre presente.

Eça de Queirós, in 'Cartas de Inglaterr

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Pobres dos Nossos ricos


Pobres dos Nossos ricos

Por Mia Couto


A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mas ricos sem riqueza. Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.

Rico é quem possui meios de produção. Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.

Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro, ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.


A verdade é esta: são demasiado pobres os nossos "ricos".

Aquilo que têm, não detêm. Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.

É produto de roubo e de negociatas.

Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram. Vivem na obsessão de poderem ser roubados
.

Necessitavam de forças policiais à altura. Mas forças policiais à altura acabariam por lança-los a eles próprios na cadeia.

Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade. Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (...)


Mia Couto

terça-feira, 20 de julho de 2010

CONTRA-CONTRAREVOLUÇÃO ALERTA N+10 ( PRÉ- FINAIS)




FERREIRA LEITE E A BANDEIRA DA DITADURA A PRAZO, PASSOS COELHO O GOVERNO À MODA DO 24 DE ABRIL

" aos distraídos divulguem as tristes desgraças futuras, se distraídos continuarem..."




Infelizmente, poucos, por aqui passam. Todavia, no Alerta n+9, traçava-se o quadro da política da direita, e ainda nem conhecia as propostas de revisão da constituição do PPD/PSD, na sua versão futura, ao que parece, de PDO, Partido da Democracia Orgânica, como corajosamente e com todas as letras o disse António Arnaud. Os demais políticos, para além do retrocesso civilizacional, fizeram criticas parcelares, porque a educação isto e a saúde aquilo, ou seja, a nova proposta procura promover uma selecção social: para os ricos tudo, para os pobres e menos ricos as sobras, ou sejam, os de 1/3 a 2/3, referidos no alerta N+9.

Todavia o que está em causa é a natureza global e essencial do sistema politico pós 25 de Abril, é como diz Arnaud um golpe de Estado, ou Manuel Alegre a revisão do actual sistema democrático e social.

Mas, uma vez mais a direita vai à frente, porque o sr. Passos Coelho sabe, porque em Portugal houve um 25 de Abril, a revisão que propõe é para ser chumbada, logo o seu objectivo é outro, é desde já entrar em campanha eleitoral para futuras legislativas. O que o PSD, mais parecido com um qualquer PDO, quer, é tão somente dizer, como vai governar,com esta ou com a sua constituição, se for governo, como julga que vai, logo após a próxima consulta popular, mas pode perder,mostrou as gsrras cedo demais.

O PSD, mais semelhante com um PDO , sabe que pode governar contra a Constituição, como sempre aconteceu com mais alguma dificuldade, mas não é uma impossibilidade, é nisto que está a sua aposta, o resto é uma manobra de mera diversão, simplesmente mostraram as garras, depois entenderem-se-iam com o CDS. Sem nenhuma dúvida que o PS, mesmo com a actual liderança recusará aquela proposta de revisão constitucional, mas depois, se continuar na mesma linha, apoiaria o PSD e o CDS na legislação normal que prossegue aqueles objectivos.

Como o cidadão normal entende, as decisões do tribunal constitucional dependem da sua composição que é definida pelos partidos, através da Assembleia da República, e que ainda a violação da letra da constituição é facilmente contornada com virgulas, pontos, entre parêntesis e sinónimos. É, sobretudo, uma mera questão semântica e,ou ideológica.

Por tudo isto, o apelo à mobilização para a contra-contrarevolução, como, claramente, se definiu no Alerta N+9, é uma necessidade urgente. Mas Portugal é Portugal, eterno, na sua surdez e arrogância, portanto, apesar de em tantas previsões aqui se ter acertado, continuaremos a ser ignorados, mas aqui vão ficando, a título de diário, partilhado por alguns, as previsões de tanta desgraça que se consumaram, e podia não ter sido assim, parece, evidente, se se tivesse percorrido caminhos alternativos de convergência, ou ousadia de rompimento. Mas não se fez nem ou, nem outra coisa .Todos defenderam a segurança dos seus territórios, e deram e vão dar a vitória as forças das trevas. Arrogância, estupidez, masoquismo?

No alerta de hoje N+10, fala-se de fase pré-final, porque depois da tomada do poder pela direita não valerá a pena alertar ninguém para o abismo, depois de lá estarmos enterrados e empilhados. Depois lutem, numa luta cruel com vitória incerta, mas que um optimismo fixado poderá sempre dizer que a vitória no espaço de um milénio será a possibilidade, o que, é uma verdade virtual, tão verdadeira como o seu contrário.

Parece-me, no entanto, mais urgente pensar-se que no espaço das gerações presentes, em que já está a acontecer desemprego massivo, nomeadamente entre os jovens, emprego precário para milhões de cidadãos, cuidados de saúde em franca degradação, impunidade para os poderosos (nós conhecemos as suas aldrabices -porque houve violação do segredo de justiça - e eles são absolvidos e gozam-nos, ou são condenados e continuam a gozar-nos) uma corrupção grave, falta de segurança física muito grave, ordenados exíguos, consumo excessivo de lixo, com base num crédito bancário desregrado - agora com alguma contenção. Neste momento, está em alta as casas de penhores- completa e total perversão das solidariedades: os aposentados ingleses estão mais preocupados com a as acções da BP, do que com o derrame do petróleo. As suas pensões são asseguradas pelo êxito da BP, este é um dos efeitos da privatização da segurança social. etc etc.

São todas estas questões que têm de ser discutidas com as pessoas, de um modo claro e objectivo, demonstrando-lhes que as politicas actuais do PS nos conduziram a isto, e que, as politicas do PSD, e CDS com o PS só nos podem conduzir a uma situação pior que a actual. E é preciso demonstrar que se houver uma convergência global à esquerda, incluindo todos os militantes e simpatizantes do Partido Socialista ( escrevo intencionalmente com todas as letras ), as demais forças de esquerda do Parlamento, da sociedade e dos sindicatos pode haver uma alternativa a esta Governança de desastre, sem todavia se pretender, agora, nesta fase, ultrapassar o sistema capitalista.

De facto a luta para o superar já, tem de estar fora desta aliança, e só pode ser uma luta revolucionaria intensa de que, as idas e vindas, à rua, são um mero e simples prelúdio, muito pouco doloroso, para os sacrifícios e as batalhas muito duras e quiçá cruentas que seriam necessárias para ultrapassar o capitalismo.

Ultrapassar o capitalismo será uma meta, mas não é uma probabilidade evidente, neste momento, contrariamente, aos que leram mal os sinais desta crise e avaliaram mal a possibilidade da direita recuperar, razão porque devem estar muito surpreendidos com as respostas eleitorais das massas populares. Todavia não há nada de surpreendente para quem analisa a realidade concreta, o que é surpreendente, isso, sim, como desde há dois anos ando a escrever e a gritar, é a incapacidade de se mostrar outra alternativa e a tornar credível, junto das pessoas, nomeadamente dos militantes e simpatizantes do PS.

Compreendo as dificuldades desta convergencia global à esquerda, depois dos inesperados apelos no interior do PS à consagração da sua actual linha politica, o que, não é nada útil, nem necessário ao Povo Português e a Portugal.

A Portugal e aos Portugueses interessa uma outra politica de defesa dos direitos e liberdades conquistadas em Abril, e que têm sido perdidas e estão, agora, sob uma ameaça de morte pela conjugação das politicas neo-liberais do capitalismo financeiro, especulativo e de desastre que têm sido prosseguidas na América, Europa e Portugal, indistintamente, por partidos conservadores ou socialistas.

Seja como for, sem uma resposta global da esquerda, dos democratas e os humanistas não se poderá aproveitar este assombramento do actual PSD que poderia ser o princípio do fim da sua sonhada vitória, se o PS tomar o seu lugar na defesa de Abril com os comunistas e todos os demais cidadãos livres e independentes deste novo Portugal, que querem, de novo, prender.


20 julho

andrade da silva
PS: 20 julho data do rascunho, postado,no entanto, em 21 julho às 18h.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

10 - JORNAL DE PAREDE * Assim vai a Freguesia de Alvalade, em Lisboa




Diz um velho rifão: «Se queres ser bom, morre ou vai-te!...»

Pois é, a Assembleia de Freguesia de Alvalade, em Lisboa, não pensa assim.

Casualmente, chegou às minhas mãos o PRESTA CONTAS nº.17, da CDU, correspondente aos meses de Junho e Julho de 2010. E leio:


«A Assembleia de Freguesia de Alvalade, reunida em 24 de Junho de 2010, delibera manifestar o seu profundo pesar, a sua enorme mágoa pela morte do escritor José Saramago e expressar as suas sentidas condolências à sua companheira Pilar del Rio e restante família.»
Voto de pesar recusado com 4 votos a favor (1 PCP e 3 PS) e 7 votos contra (PSD).


Votos de pesar apresentados por outro partido:


O PCP votou a favor de um voto de pesar pelo falecimento de José Saramago.
(Aprovado com 7 votos a favor e 4 abstenções.)


O PCP votou a favor de um voto de pesar pelo falecimento de Saldanha Sanches.
(Aprovado com 10 votos a favor e um voto contra.)


O PCP votou a favor de um voto de homenagem a Tito de Morais, por ocasião dos cem anos do seu nascimento.
(Rejeitado com 4 votos a favor e sete votos contra.)



Assim vai a Freguesia de Alvalade, em Lisboa...

José-Augusto de Carvalho