domingo, 11 de dezembro de 2016

04 - A MEMÓRIA DOS HOMENS * A detenção do maltês


Este é o relato.

O maltês, que sempre vinha à feira, ano após ano, deambulava por entre as pessoas, gritando:

Quem muito dorme pouco aprende! Acordem!

Indiferentes, as pessoas fingiam não o ouvir. Uma ou outra murmurava:

É doido, para que lhe havia de dar!

O maltês não se dirigia directamente a ninguém. Se alguém o olhava com curiosidade ou como que mudamente o interpelava, não desviava o olhar nem parava e gritava:

Acordem!

Um dos membros da patrulha da Guarda Nacional Republicana aproximou-se dele e quis saber o motivo da exortação do maltês:

--- Então que se passa?

--- Esta gente parece não sentir como elas lhe mordem, senhor guarda.

--- Ah, sim?!, ironizou o agente da Autoridade.

--- É como lhe digo, confirmou o maltês.

O guarda olhou interrogativamente o camarada da patrulha:

Que fazer? Aquilo seria perturbação da ordem pública?

O outro guarda opinou:

--- É melhor levarmos o gajo ao comandante, assim ficamos a salvo de qualquer encrenca.

E lá foram, o maltês ladeado pelos guardas, rumo à vila. As pessoas olharam silenciosamente enquanto se afastavam, abrindo alas. As mais novas manifestavam uma curiosidade contida; as mais velhas, uma preocupação apenas perceptível num baixar de olhos ou num reprovador menear de cabeça.

Chegados ao Posto local da GNR, apresentaram-se ao comandante, um 1º. Cabo. Os soldados relataram a conduta do maltês e o motivo da sua detenção.

O comandante concordou com um movimento afirmativo de cabeça e fixou o olhar no detido. Depois, perguntou:

--- O detido ofereceu resistência?

--- Não, senhor! , responderam os guardas, ao mesmo tempo.

--- Na feira, as pessoas sentiram-se incomodadas com a conduta do detido?

--- Não, senhor! , de novo responderam em uníssono os guardas.

O comandante parecia meditar enquanto olhava o maltês. Seguidamente, disse:

--- Bem, vamos ao interrogatório…

Um dos guardas sentou-se à secretária para elaborar o auto e o outro saiu da sala.

--- Como te chamas?, perguntou o comandante ao maltês.

--- António Almas.

--- Qual é a tua profissão?

--- Trabalhador.


--- Isso somos todos, resmungou o comandante. --- Trabalhador de quê? O que fazes na vida?
--- Trabalhador do campo, precisou o maltês.

--- És natural de onde? Isto é, onde nasceste?
--- Não sei ao certo, sei que foi num monte, perto do Odiana, era o que dizia a minha mãe.

--- Sabes ler?

--- Não sei, nunca fui à escola.

--- És casado? Tens filhos?

--- Tive mulher. Morreu ela e a criança ao nascer.

--- Que vieste fazer à feira?

--- Acordar quem dorme?

--- Ah, sim?, estranhou o cabo da guarda.

--- Sim, senhor, quem muito dorme pouco aprende! , sentenciou o maltês.

--- Que queres tu dizer com isso?, perguntou o cabo da guarda enquanto lançava um olhar cúmplice ao guarda que registava a interrogatório.

--- Quero dizer o que disse, mais nada: quem muito dorme pouco aprende.

--- E onde aprendeste tu isso?,
quis saber o cabo da guarda.

O maltês encolheu os ombros.

O cabo da guarda não gostou do encolher de ombros e gritou:

--- Responde ao que perguntei!

Muito sereno, o maltês respondeu:

--- Toda gente sabe isto. Já minha mãe me dizia isso: filho, não fiques dormindo a sesta! Não sejas malandro! Vai procurar trabalho para ganhares para as sopas! Olha que quem muito dorme pouco aprende! 


--- Isso é política!, voltou o cabo da guarda a gritar.

--- Isso eu já não sei, disse suavemente o maltês.

Desconcertado, o cabo da guarda olhou o maltês. Seria aquele homem um pobre diabo ou um finório? E recordava a recomendação superior: na dúvida, arrecada-se.

--- Acabou o interrogatório, decidiu. --- Ficas detido e amanhã de manhã segues para a cidade. Lá, o Comando Distrital tratará de ti.


José-Augusto de Carvalho
Alentejo, Novembro de 2016.

sábado, 10 de dezembro de 2016

UM ONTEM DE SEIS ANOS.

Foto de João Andrade da Silva.





MÃE!

Partistes, para todo o sempre,

em 9 de Novembro de 2010,
Choramos.
Mas vives, entre nós,
E alegramo-nos por seres a nossa mãe.
Cantamos a tua alegria
e o teu amor.

MÃE!

viverás, eternamente,
connosco e no nosso seio.
Regamos as saudades com lágrimas
E com hino de agradecimento,
a tua coragem e abnegação

MÃE
QUERIDA MÃE!

teus filhos

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

RE.-NASCER DA EQUIPA FUTEBOL BRASILEIRA E DA CIDADE.


É uma Emergência Humana e Psicológica apoiar esta equipa e a cidade, pelo que solicito aos colegas da Psicologia Plural , que através da OPP se mobilizem para com o apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Estado Maior das Forças Armadas, a Ordem Psicólogos Brasileiros e o Governo Brasileiro criarem uma equipa de psicólogos para agirem no terreno junto da equipa de futebol e da população da cidade durante 2 a 3 meses e, desde já - É UMA EMERGÊNCIA para ajudarem a RE-Nascer a equipa e a cidade .

Ultrapassar o Luto e RE-NASCER PRÁ VIDA!


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

07 - REGISTO * Discorrendo: Não faças aos outros...


Sempre integrei as hostes que lutam pela igualdade de direitos e deveres, em todas as circunstâncias, sem excepção, porque a divisão de uma sociedade em classes determina a desigualdade de direitos e deveres.

Conhecemos a dolorosa caminhada do ser humano, uma caminhada de luta e sofrimento, uma caminhada de derrotas e tragédias que empapam de sangue e de luto a nossa memória colectiva.

Quisemos ultrapassar a vergonha do esclavagismo; quisemos ultrapassar a barbárie mais infamante das fogueiras ironicamente designada por autos-de-fé; quisemos ultrapassar o ultraje da tortura física, psicológica e moral e o desprezo pelos elementares valores da inocência e da dignidade da mulher desde menina; quisemos ultrapassar o nepotismo e as suas perversas consequências no âmbito familiar, social e laboral; quisemos, afinal, a justeza dos valores que ambicionam a suprema instauração da fraternidade ou, dito de outra maneira, a instauração do basilar princípio: não faças aos outros o que não queres que te façam a ti.

Passaram milénios e a luta de hoje é a luta de sempre. Que difícil é cumprir a base da harmoniosa convivência humana: não faças aos outros o que não queres que te façam a ti!

Como é possível, depois de tudo por que passámos, continuar a existir quem se venda por um prato de lentilhas?

Como é possível continuar a existir quem construa a sua ventura com a desgraça do outro? Ou, como escrevi um dia, construir o seu palácio com a fome de um casebre?

Eu sei que pouco valho, que serei um grão de areia do imenso deserto; mas onde estão os que valem muito ou supõem que valem muito? Onde estão eles que não os vejo agir eficazmente pela instauração dos valores supremos do ser humano e da Vida, em sentido amplo? Onde estão?

Sinto uma tristeza profunda ouvindo falar de direitos humanos a quem os espezinha; sinto-me ofendido ouvindo falar de democracia, o tal poder do povo, a quem espezinha os direitos democráticos mais elementares; sinto-me insultado ouvindo falar da Verdade e sem poder perguntar a esses petulantes «o que é a Verdade»?

No ocaso da vida, depois de tantas e tantas decepções, recordo o que ouvia em criança:
«cortaram a cabeça a São João Baptista porque ele dizia as verdades». Esta frase e também estoutra «Deus manda ser bom, mas não manda ser parvo» sempre me acompanharam como ditos populares. Hoje, para meu desespero, são máximas comprovadas.

No ocaso da vida, confirmo, pela experiência vivida, que continua válida a sentença: ninguém fará por mim tudo quanto só a mim cabe ou couber fazer. Tal qual!



José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 6/12/2016.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

PSICOLOGIA PLURAL

Amanhã, 6 de dezembro, vai a votos na ordem dos psicólogos portugueses uma lista- A.-da psicologia plural, com a preocupação de uma psicologia junto das comunidades. Mesmo que não seja a vencedora, como membro da sua comissão de honra, tudo farei para que este vector do apoio à população se concretize com protocolos com juntas de freguesia , câmaras, voluntariado etc, e que também faça ao nível psicossocial o que deve, para que a comunidade portuguesa p...ossa enfrentar melhor a ameaça de 47% de perda dos actuais postos de trabalho, por causa a 4 ª Revolução Industrial, nos próximos 10 a 20 anos, segundo estudos de uma Universidade de Oxford, e de novo, aqui , a CS tem um papel importantíssimo.


Não quererá o Público ser o number one em Portugal?

PS: e-mail, enviado ao director do público, com conhecimento ao meu amigo, colega e camarada Carvalho, da lista A - psicologia Plural - candidata á direcção da OPP.

Acrescento o contacto aos sindicatos e centrais sindicais, governo e Assembleia da Republica,

  1. Presidente do Lisbon Institute of Global Mental Health, José Caldas de Almeida defende uma psiquiatria feita mais na comunidade e menos nos hospitais. Nesta sexta-feira são apresentados os primeiros resultados de um estudo com novos…
  1. publico.pt|De Romana Borja-Santos


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

VIVA A LIBERDADE, CONTRA AS DITADURAS.

DEMOCRACIA VIVA! - FASCISTAS E SEUS PRIMOS INFERNO COM ELES!

PORTUGAL DE ABRIL DE PÉ, SEM  NOVEMBROS E CORRUPTOS!

AS DIREITAS E OS CORRUPTOS,OS CÚMPLICES, OS VIRACASACAS TÊM TAMBÉM DE SEREM DERROTADOS AMEAÇAM DE ESCLAVAGISMO PÓS-MODERNO 6.666.666 DE PORTUGUESES.

É PRECISA A REVOLUÇÃO RE-NASCER EM PORTUGAL E NA EUROPA.

RE-NASCER DA LIBERDADE, DA DIGNIDADE, DO DESENVOLVIMENTO.

PORTUGAL DE ABRIL DE PÉ, SEM  NOVEMBROS E CORRUPTOS

Asilva



http://www.dn.pt/…/europa-respira-de-alivio-apos-derrota-da…

Alexander Van der Bellen, de 72 anos, venceu segunda volta das presidenciais e promete ser um "presidente pró-europeu"
dn.pt|De Helena Tecedeiro

domingo, 4 de dezembro de 2016

QUE PAÍS: BELEZA,RETÓRICA, VERDADE E DIALÉTICA E PRIMARISMOS A ESMO!




AMO-TE PORTUGAL!


Portugal é tão lindo, como a foto da super lua sobre Mafra o prova.
MAS:



Dizer que Paulo Macedo é um supercomputador de saberes e competências - esquecendo o seu desastre no Ministério da Saúde, com a morte  evitável de milhares de doentes, nas urgências, numa das epidemias de gripe por: desidratação, frio, fome e falta de tratamento - é uma afirmação  no mínimo retórica,  despudorada e insensível.
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Estive, como convidado, na abertura do XX Congresso do PCP, encontrei antigos companheiros de lutas de Vendas Novas e Montemor foi um momento maior, porque foram lutas pela justiça, e não por qualquer ditadura que me esmagaria como a semi-ditadura actual o faz, uma mais completa prendia-me ou fuzilava-me.
Foi referido no Discurso de Jerónimo de Sousa o mapa da destruição de Portugal pelo governo do PSD/CDS: 500 mil desempregados, milhares de empresas falidas, degolação financeira do povo, dos pensionistas e dos funcionários públicos. Foi um governo de terror, que, ora, derrotado , os seus apoiantes passaram à guerrilha. O PCP neste campo considera que travar esta politica de desastre Nacional foi e é (é mesmo) importante, e que para o PCP quanto melhor para o povo, melhor.
A maior parte da intervenção teve muito a ver com a dialética do PCP ,cuja realização terá de ser analisada em cada acto concreto, nomeadamente, na luta contra a corrupção, na luta pela transparência, pela defesa do estado social e da democracia participativa. A questão da União Europeia e saída do EURO, foram apontadas sem referência a nenhum plano operacionalizado.
Foi, ainda, importante, o pouco contacto que tive com jovens da juventude comunista de Moura, quando lhes perguntei se alguma vez tinham ouvido em discurso directo algum dos jovens militares que tinham feito o 25 de Abril, a resposta foi não. Lancei-lhes o repto de dizerem em Moura, ou onde quer que seja, que podemos ir lá falar-lhes.
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EIA: primarismos adolescentes retardados.



Sou republicano, mas considero absolutamente primário, mesmo um acto de uma adolescência atrasada , a atitude do BE para com o representante da monarquia Espanhola, aceite pela maioria esmagadora dos espanhóis, logo, o acto do BE é uma ofensa ao Povo Espanhol , e envergonha o parlamento português, pelo que ,deve ser censurado a nível parlamentar, e o regulamento interno não deve permitir estes actos.
Todavia, o BE pode e deve ir para a Serra Nevada ajudar os republicanos que lá estejam ,a implantarem a República em Espanha, sobretudo, agora que está fresquinho e dá para limpar mais as ideias. Compreendo-os, porque devem ter todos entre 25 a 30 anos, mas falo-lhes com um exemplo pessoal ver se entendem a coisa : não sou crente, mas quando vou a Igrejas por amizade com os meus amigos que partiram, ou quando, como comandante militar, tive de participar em cerimónias religiosas, sempre mantive a posição de respeito - de pé, nos momentos solenes da liturgia, nem pode ser de outro modo, ao nível da moralidade, da decência e mesmo da inteligência social. Trump com trumpisadas ganhou as eleições nos EUA, o que, acontecerá aqui, usando o mesmo método? Mas julgamos que deve ter sido um acto da rebeldia adolescente já depois do prazo, pelo que, é preciso ter paciência, mas também dizer- lhes que o recreio é depois das sessões plenárias. Foram as más governações do PS que potenciaram o crescimento do BE, logo...


Porém, EIA- PORTUGAL É BELO!




asilva.

PS:
Deolinda Cardoso:
Bem hajas João por fazeres sempre, o teu trabalho de casa.

João Andrade da Silva:

Trabalho de casa faço e muito, de rua e na mudança de Portugal nem tanto a grande maioria das pessoas desertaram ou adoram Judas.
O Abril da Liberdade, da dignidade, do desenvolvimento, da justiça do direito e social está prisoneiro nas funduras deste estado da corrupção, da retórica, da dialéctica, da mentira, dos primarismos pseudorrevolucionários. Revolucionários reconheço 1383, 1640, 1910, e o 25 de Abril 1974; o 28 de Maio e o 25 Novembro são actos contra Portugal e 2/3 de portugueses. Verdade, verdade é que PPC, Portas e Cavaco destruíram o país de um modo colossal, mas a herança da corrupção, do amiguismo, do golpismo mantem-se intocável, porquê?

Carlos Arinto:

Sim, as tuas opiniões congregam milhares de portugueses que ainda pensam pela sua cabeça.
Não precisamos de "amanhãs que cantam" mas de vida.

João Andrade da Silva:

Caro Arinto se os portugueses ouvissem e quisessem ser justos, lutadores por Portugal e pelos 6.666.666 de nós que pagamos as favas, bastante poderíamos mudar internamente. Sacam-nos, a cada um de nós, milhares de euros por causa do crédito mal barato, que foi dinheiro dado aos amigos e que está pelos offsores, ora, se não querem devolver o cacau. logo 20 anos de prisão, como o fazem os americanos. Não querem ser presos que se SUICIDEM! Mas, aqui estão em liberdade com pensões de dezenas de milhares de euros/mês e são venerados como donos disto tudo, que continuam, de facto, a serem, mudem-se ou não, os governos de direita, para do PS com apoio do BE e PCP, e nada lhes acontece, mas como, porquê? Dizem que é o estado de direito a funcional ,mas qual Estado de direito, se um negro, quando acusado de roubar um TM, vai logo para a cadeia com 4 anos de prisão, outros, uns quantos, são acusados de terem defraudado os portugueses em milhares de milhões de euros : 16 mil milhões( dá para dar 500 € a cada um dos 2 milhões de portugueses abaixo do limiar da pobreza durante 16 meses) ou 200 mil milhões ,bem pior ainda( Paulo Morais e colaboradores , A25A, Novembro 2012) e nada lhes acontece?