domingo, 11 de julho de 2010

ESTÓRIAS


O CAPITÃO, O VELHO, O CÃO E O LATIFUNDIÁRIO


Como todos os que me conhecem sabem, e dá para ver, amo muito Portugal, os portugueses e, de um modo muito particular, as Portuguesas (não posso deixar de dizer que dedico - às que , de algum modo, gostam de mim, não para alimentarem o meu narcisismo, mas sim, um sentimento de bem-estar - muito carinho e amizade) todavia, reconheço que Portugal tem muito vilão que tudo anula e espezinha.


Vem isto a propósito de tão belos quadros que aconteceram no PREC. É um acto de malvadez quererem tudo calar, e reescreverem sob uma forma fascizante e indigna, a tanta coisa bela e muito nobre que aconteceu naquele tempo, sobretudo na alegria de viver e sentir-se gente.


Vou contar-vos umas pequenas histórias do PREC, muito embora, à direita e indignamente à esquerda, tenham esquecido. Mas a verdade é que nas localidades, onde, o MFA se erguia com o Sol e regressava a quartéis ou à cama, já a lua ia muito alta, as equipas de dinamização externa eram verdadeiros julgados de Paz.


Iam mulheres queixaram-se de assédio, mas por vezes o assediado era ele e não ela. Queixavam-se de salários em atraso, e como reconhece o António Gervásio do PCP, pagaram-se todos os salários em divida. Depois conto-vos. Agora, somente garanto é que a ninguém se apontou uma arma. Falou-se e negociou-se durante muitas e muitas horas - ECA, em Alvalade do Sado, minas de pirite, Cooperativa Agrícola do Vale do Sorraia, Associação de Regantes, que tinha à frente o filho do antigo Ministro do Interior, Eng. Rapazote, pessoa, naturalmente "amada" em Coruche.


Mas hoje, quero falar-vos de quanto fiquei surpreendido, e sem saber o que fazer, quando num dado dia, em 74/75, um homem de 70 anos, de Coruche, se apresenta no quartel de Vendas Novas, chorando o desaparecimento do seu cão.


Não sabia o que fazer, nem como o confortar, preparei-o para aceitar a quase perda irreversível do seu amigo e companhia. Comunguei com ele aquela dor que fez deslocar um homem de Coruche a Vendas Novas, o que, na altura era muito, muito, longe ( eu que o diga, em que uma ou outra vez, já com os condutores ensonados, os jeep's não fizeram dadas curvas. Salvou-nos a incúria dos que deixavam o silvado crescer à altura de verdadeiras torres e mares de silvado - velaram, sem quererem, pelas nossas vidas-Bem-hajam !).


Não podendo fazer mais nada por aquele homem, compreendi e vivi, no entanto, a dimensão do seu amor pelo cão e a dor do seu luto, e disse-lhe que faria, sem ter grande esperança no sucesso, um pedido à GNR de Coruche, para que visse o que poderia fazer.


Fiz o pedido e desconheço o resultado, mas nunca esqueci esta grande lição de amor de um velho pelo seu cão, e, de quanto, um animal pode quebrar uma solidão, e também de quanto toda a gente pensava que o MFA poderia resolver tudo, mesmo tudo, e, daí, as muito poucas horas de sono que tínhamos, e alguns riscos que corremos, porque trabalhávamos sempre no limite.


Mas também ao MFA recorriam os Latifundiários, assim, aconteceu com o Sr. Veiga Teixeira de Coruche que recorreu ao Grupo de Dinamização Externa da Escola Prática de Artilharia, para resolver um seu diferendo com outro latifundário, o Sr. Infante da Câmara.


Empenhei-me pessoalmente nesta questão, com a mesma disponibilidade que ofereci ao caso do velho e do cão. O assunto correu a contento do sr. Veiga que ofereceu à secção uma linda e grande caixa de pêssegos, que desfrutamos e saboreamos sem nenhum complexo de culpa, ou de esquerda.


Éramos assim, humanos, ao serviço da justiça e nunca contra as pessoas, como o disse, no teatro de Montemor-o-Novo, quando nesse sentido fui interpelado por um dos filhos do sr.Vacas de Carvalho que ia às sessões do MFA, e fazia perguntas obtusas, a que sempre respondi sem nenhuma ameaça ou hipocrisia.


Éramos assim, porque, então, calam estas histórias? ...


Coisas!....


andrade da silva
PS: Amando Portugal considero deplorável, uma sem vergonha total, o que o Sr. Passos Coelho fez em Espanha. Por muito menos num Congresso Internacional de Psicologia em Espanha, na presença do meu colega António Rodrigues e do Prof. Danilo Silva insurgi-me, de um modo muito, muito duro, contra uma colega psicóloga que apresentou um trabalho vergonhoso, sem nível, desculpando-se com a falta de apoio da Instituição portuguesa, onde, fez a investigação.
Em termos metodológicos o trabalho foi arrasado e, bem, pelo prof. Danilo, em termos de decoro, por mim, do que não me arrependo. Esta gente fora de casa deve ter algum juizinho. Bolas!...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

GATOS


" A TODOS OS GATOS, TODAS AS CRIANÇAS, MULHERES E HOMENS AMANTES DE ANIMAIS, ESPECIALMENTE AO MEU/NOSSO AMIGO FRANCISCO SANTOS, DO ALENTEJO PROFUNDO"



Poderia e desejaria gritar, gritar, e dizer basta, basta, de tanta bosta, trafulhice, mentira.

Basta, basta de nos considerarem atrasados mentais, parvalhões etc. Sei, como li hoje, algures, que eles odeiam, muitos amigos e, outros, inimigos, quem fala muito. Ora se muitos me dizem que falo muito, sei qual a conclusão, quando são andeiros e outros maltrapilhos engalenados. Fico mais perplexo , quando são republicanos, embora aristocratas e,ou meus bons amigos. Mas que diabo me querem dizer estes meus amigos?

Será mesmo que tenho um grave défice na inteligência geral, no tal factor G, de que estão condensados os testes de inteligência. Mas sempre obtive um resultado na classe média, mais (+) ou menos (-) um desvio padrão em relação à média. No meu caso, ligeiramente acima da média, mas isto pouco diz, até porque inteligências e manhas há muitas e manhosos ainda mais.

Deveria perguntar mas de quê, para quem, falou o sr. Dr. Mário Soares numas quaisquer jornadas do PS? Mas o sr. Mário Soares não maltratou o socialismo ? Pede mais força, agora, para quê?

Mas para quem falou Ferro Rodrigues, quando se refere ao monstro neo-liberal, e aos prémios aos homens do capitalismo de desastre? Para quem falou?

A quem o sr. eng.Sócrates quer convencer, quando chama de ultra-liberal a Barroso, quando Barroso, já o era antes de nascer, e mais ferrenho se tornou, quando com Bush decidiu invadir o Iraque?

Guerra do Iraque, onde, por ordem do Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, o Exército não poderia intervir, mas será que esta ordem foi respeitada, ou estiveram militares portugueses naquela guerra, de que fizeram relato, publicado na revista de Artilharia, mas como? Somos um país " à lá séria", ou não, e, parafraseando Barroso, isto, não é uma questão ideológica, é de Estado, então!?...

Mas falando de gatos.

Quando era criança, na Madeira, no quintal da minha casa, passeavam muitos gatos. Achava que eram um pouco vádios e deviam receber escola: matemática, português e bons costumes. Ministrei-lhes estas matérias. Como nunca soube língua de gato não sei se aprenderam algo de português, mas de bons costumes aprenderam muito. A mãe gata e aluna, todos os dias, pela manhã, ia até junto da minha cama apresentar os filhotes, julgo que para dizer bom dia. Éramos amigos.

Mais tarde os democratas do 25 de Novembro 75, depois de me porem o rótulo de comunista mandaram-me para a Madeira, para me entregarem aos bombistas da Flama, e ser MORTO, literalmente MORTO. A ameaça foi feita por um dos supostos operacionais da rede bombista, do que, em 27 de Março 1976, dei conhecimento, em exposição escrita, ao, então, governador militar Brig. Azeredo que me disse nada puder fazer, e que me defendesse e à minha família.

Um mês depois sou cercado por uma quadrilha de 15 elementos - os diabos à solta - sou obrigado a me defender desse bando, para não ser morto. Como tive de usar uma arma de fogo, fui preso na prisão da Trafaria, sujeito a um regime de excepção por um coronel tão malcriado, como a malcriação, genro do dono da fábrica dos chocolates Regina, que me acusava de ter querido ocupar as terras daquele benemérito - sou cliente e praticante de comer sofregamente chocolates regina - da localidade de Casebres ( oh Casebres, que herói borrado safei generosamente, para quê!?... ) e que quem defendera a quinta, fora o caseiro.

MENTIRA, se não houve transferência da posse da terra, é porque não cumpria os critérios, se os cumprisse, nem o caseiro , nem o diabo o impediriam, somente a autoridade militar que NUNCA, REPITO NUNCA, ATÉ AO 25 NOVEMBRO 75 ME DEU TAL ORDEM OU COISA SEMELHANTE, antes fui louvado, em Outubro 74, por cumprir missões difíceis. E que missões!.... ( Uma com o Chico Patricio em Aljustrel de que vou falar, agora, que descobri a sua filha Carla Patricio)

Na prisão da Trafaria salvei de morte certa 2 gatos: um preto de cor e nome e outro riscado, este, foi dado a uma amiga de Isabel Pestana, amiga, que me visitava na prisão, o outro, o preto, ficou primeiro com a minha mãe e depois comigo.

O preto era bebé, quando o safei às brincadeiras dos bons soldados que, por uma questão de tédio, jogavam, literalmente, à bola com o pobre do gato, que sendo preto parecia castanho por causa das pulgas.

Feita a quarentena foi para a minha casa e acompanhou-me até 86, 87, 88, dez , onze anos, e morre de pneumonia no dia 21 de Março de um daqueles oitentas. Julgava o preto bem mais forte do que era. Chorei, com um grande baque, a sua morte. O preto tinha-me um amor imenso, olhava-me a toda a hora, e colocava-se, sempre, entre mim e quem, ao meu lado se sentasse. Amei-o.

Mais tarde o meu filho trás da rua um outra gato que para simplificação de nomes, a minha mãe apelidou-o de patusco, como ao outro tinha chamado de preto, o que, me criou embaraços, quando na presença de um negro que me visitava, e perante as tropelias do meu filho lhe disse:- se não te pões quieto chamo o preto! Fiquei numa posição desconfortável e não vi nenhuma, mesmo nenhuma, saída, e mesmo hoje não vejo o que poderia ter feito, se não deixar a coisa morrer por si, como então aconteceu.

O patusco acompanha-me há muitos anos, é muito duro, e já me mordeu, de tal sorte, que andei 3 semanas de mão ao peito, no período em que decorria uma selecção para sargentos, e as pessoas pareciam duvidar da história, porque ninguém acreditava que o gato me pudesse ter feito aquilo e, eu, não o tivesse atirado pela janela. Mas como fazer isso, se ele também me ama, neste momento 1h da manhã de 9 Julho cá está ele postado a fazer-me companhia? Penso que me ama, e eu também o amo.

Há dias o meu amigo alentejano Francisco Santos perdeu um dos seus gatos e, logo, pensei fazer esta pequena homenagem a todos os gatos do mundo e seus donos. Aqui fica este tributo amigo e fraterno.

A todos abraços e beijos, segundo os usos e costumes do mundo humano e do gatal.


andrade da silva

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Companheiros de Luta, Portugal






Companheiro incansável Andrade da Silva,Companheiros de Luta e dor e desespero pela Pátria traída, Portugal atraiçoado, o 25 de Abril
de rubros Cravos de Esperança perdendo-se por meandros de cobardia e obscurantismo, Amigos, Leitores


se neste longo título passa um pouco do que me vai no intimo
eu Marília Gonçalves, venho pedir contas aos que confortavelmente se calam,contas pelas vidas dos meus, que heróicos se bateram por Portugal, meu pai, um poço de bondade e humanismo, de saúde tão frágil, que depois de passar pelas mãos da nojenta PIDE, nunca mais voltou a ter um dia de saúde, com vómitos de sangue, diante do olhar aterrado de meu irmão pequenino, que a cada dia pensava perder o pai
pelo meu tio Alfredo Dinis "ALEX", cobarde e traiçoeiramente assassinado, revolucionário sim, dirigente Comunista, um homem de tanta ternura que nunca passava pela mulher, minha tia "Zefa" sem a beijar, que adorava o filho pequenino, doente, que morreu seis meses antes do pai! Pelo velho Vasconcelos o enfermeiro dos pobres da Penha de França 25 vezes preso, uma das quais no Tarrafal "o conde vermelho" que por sorte ainda viu Abril e seus cravos entre os quais se erguiam em flores de sangue as imagens de Adelaide e de Idalina , suas filhas mortas tuberculosas, na flor da idade, em consequência das prisões do pai e da fome que as seguia! o velho Vasconcelos quase cego esteve presente no primeiro 1° de Maio e andou mesmo ao colo de Marinheiros, ao que uma revista francesa deu larga cobertura!
e venho pedir contas pela minha falta de saúde que de menina de doze anos comecei a trabalhar, vendendo bolos e batatas fritas que minha mãe e minha avô materna faziam noite fora, para aos catorze anos decidida e digna desembocar em França, vivendo o trabalho e o cansaço como se de uma mulher formada se tratasse, venho pedir contas por minha infância que me foi arrancada, pelos meus estudos interrompidos, numa longa caminhada para Abril dos que destacando-se dentre a carneirada amaram e lutaram por Portugal, tudo dando de si! venho pedir contas pelos amigos presos, torturados, assassinados, vidas destruídas que tanta falta ficaram a fazer ao progresso de Portugal e à transformação das mentalidades, cuja paralisia transforma o nosso povo no "corno manso" esvaziado de toda a força viril e generosa que podia REERGUER PORTUGAL!
e venho pedir contas por todos os filhos de presos políticos quer tenham visto, tal como eu o pai, ou a mãe, enjaulados por trás dum corredor de vidro com um carcereiro enfiando volta e meia o focinho nojento a relembrar a PIDE omnipresente! venho pedir contas, pelos filhos dos clandestinos que durante tempos infindos não podiam ver seus pais, num sofrimento atroz para uns e para outros!
e tudo isto para quê?
para que após essa magnífica e única madrugada da Abril e de todas as Conquistas que se lhe seguiram de direitos para quem anteriormente nunca os havia tido, se percam, se esfumem?
PARA QUE MAIS UMA VEZ O POVO DE PORTUGAL, depois de conhecer a Luz da Liberdade, se deixe acorrentar numa anestesia do sentir e do pensar que o hão-de levar à perdição e à de seus filhos!

e pelo silêncio dos que se calam,pela ignomínia dos que se vendem, vendendo Portugal em leilão,destruindo o bom que havia no país, eu, não a mulher de sessenta e dois anos, mas eu a menina que pagou no roubo de sua infância a Dignidade de Portugal e a de todos os que o salazariamo/caetanismo oprimiam, humilhavam, assassinavam além-mares, é pois a menina que se ergue de dedo acusador, contra os criminosos fascistas/nazis e contra todos os que silenciando consentiram
Glória para sempre aos que venceram o medo e foram dignos representantes daquilo que são: SERES HUMANOS!
e hoje acima de tudo acuso todos aqueles que pela sua cobardia e silêncio estão a assassinar a Esperança, mola real do progresso e da felicidade dos povos! fazendo-nos retroceder e cair no horror do passado

Marília

ACUSO

Cavalo de vento
Meu dia perdido
O meu pensamento
Anda a soluçar
Por dentro do tempo
De cada gemido
Com olhos esquecidos
Do riso a cantar

Quem foi que levou
A ânfora antiga
Onde minha sede
Fui desalterar
Sementeira de astros
Que o olhar abriga
Por fora dos versos
Que hei-de procurar

Quem foi que em murmúrio
Na fonte gelava
Essa folha branca
Aonde pensar
Quem foi que a perdeu
Levando o futuro
Por onde o meu barco
não quer navegar

Quem foi que manchou
a página clara
Com água das sedes
Que eu hei-de contar
Quando o sol doirava
As velhas paredes
Da mansão perdida
De risos sem par

Quem foi que levou
Os astros azuis
Do meu tempo lindo
Meu tempo a vogar
Por mares de estrelas
Vermelhas abrindo
Quando minhas mãos
Querem soluçar

Não mais sei quem foi
só sei que foi quando
a noite vestiu o dia que era
E todos os sonhos
Partiram em bando
Fugindo de mim e da primavera

Mas há na memória
Da minha retina
A voz que se nega
A silenciar
Com dedo infantil
Erguendo a menina
Diante do réu
Em tempo e lugar!!!

Marília Gonçalves

e o meu abraço fraterno e universal a quantos se batem pelo ser humano, pelo futuro, e até pelo amanhã dos filhos e descendentes de quantos atraiçoam Portugal
o meu amor por vós amigos e a minha infinita ternura


Marília Gonçalves

PORTUGAL ESTÁ A AFUNDAR-SE !


Eis a notícia que era tão previsível…

Há poucos dias, ouvia-se o Governo a afirmar que o desemprego teria dado sinais de estabilização. É verdade que, segundo os dados oficiais, isto passou-se ao nível da União Europeia, mas no caso português trata-se de uma mentira bem grave. A verdade é noticiada dia 2 de Julho pela CGTP-IN, segundo os dados oficiais do EUROSTAT: Portugal encontra-se com uma taxa oficial de desemprego de 10,9%, nada mais nada menos que o valor mais elevado dos últimos 30 anos, a quarta maior taxa de desemprego na União Europeia.

A partir deste resultado, que é meramente o oficial – não esqueçamos que, periodicamente, os registos daqueles que procuram emprego são actualizados conforme é, ou não, renovada esta procura (ou seja: mesmo que uma pessoa continue desempregada, se não renovou o seu pedido de procura de emprego, deixa de ser considerada oficialmente uma pessoa desempregada), e que os conhecidos valores não oficiais (então publicados pelo INE, designados por “taxa de desemprego em sentido amplo”), que se aproximavam muito mais da realidade, deixaram de ser publicados vá-se lá saber porquê! –, podemos chegar à conclusão, penso, de que as medidas de austeridade propostas pelo Governo em cortar salários, congelar pensões, pôr fim ao subsídio de desemprego, entre outros, são o sinal claro de que o caos está para breve. Apesar da fama do povo português em ser “sereno”, acredito que, com a fome que se aproxima, a eventualidade (ou inevitabilidade…) de espoletarem convulsões sociais fora do sistema de uma intensidade e dimensão imprevisíveis, não estará tão distante, quanto muitos dos leitores podem pensar.

Com o aumento do desemprego, veremos o aumento inevitável da criminalidade – deixemo-nos de ilusões ou utopias: não são apenas alguns estrangeiros que se encontram em Portugal que propiciam este problema. E o factor desemprego vem trazer sérias consequências para além das sociais: refiro-me, obviamente, às económico-financeiras.

Um desempregado é menos um trabalhador a contribuir para a economia e para as finanças portuguesas: é menos um contribuinte, visto existir legislação fiscal que define o valor mínimo de matéria colectável para que um cidadão seja um contribuinte fiscal (artigo 68º do Código do IRS); é menos um trabalhador que desconta para a Segurança Social (o que propicia a falência deste serviço, que é a garantia de todos termos pensões no fim da vida); é mais uma despesa para o Estado (pois ainda tem direito ao subsídio de desemprego, à saúde, e no caso de familiares também lhe assiste o direito à Educação, entre outros constitucionalmente consagrados); o poder de compra do desempregado é nulo, e todos os efeitos que o factor desemprego desencadeará aos não desempregados irá provocar, também, a diminuição do poder de compra aos últimos… enfim: temos um “efeito bola-de-neve” que aumenta em conformidade com o aumento da taxa de desemprego.

Sobre isto, recordo um poema de Bertold Brecht, cuja moral é a seguinte: se não nos preocuparmos com aqueles que nos rodeiam, além de não termos quem depois se preocupe connosco, fará com que o Estado declare falência – e depois assistimos às situações que ouvimos nos meios de comunicação social de países como a Islândia (sem alimentos) e a Grécia (com as manifestações – mais que justificadas).

Este facto seria, e é, corrigível de outras formas que não as propostas tão erradamente pelo Governo; senão vejamos os factos: os bancos não pagam o real valor pelo qual são tributados em sede de IRC, as grandes empresas igualmente não pagam o real valor anunciado pelas Finanças… não discordo que os salários e regalias dos popularmente designados por “políticos” – num sentido mais rigoroso, é daqueles que são nomeados para a Assembleia da República, para o Governo e para a Presidência da República) – mas esse corte seria insuficiente face à realidade nacional.

E é essa mesma realidade que vemos ocultada à população. E esta deveria ser a notícia de maior destaque em qualquer meio de comunicação social… mas o próprio povo conforma-se em verificar que no lugar de ser incomodado e de se incomodar psicologicamente com estes factos, a comunicação social dá-lhe o prazer de saber os resultados dos jogos de futebol, das visitas clericais, de assistir à missa de domingo pela televisão, de assistir aos crimes praticados aos touros (pergunto-me que mal fizeram os touros a este mundo para merecerem tanta tortura!), e dos anúncios de vendas de produtos estrangeiros em Portugal, entre muitos outros deleites (também aprecio um bom jogo de futebol, mas não é por aí que deixo de pensar no meu país, e não é graças à vitória ou derrota de uma equipe num jogo que Portugal sofrerá alterações nos campos sociológico, económico, político e financeiro).

E aproveito esta deixa para acrescentar: é verdade que comprar ajuda à economia nacional… mas vejam bem o que compram, pois a aquisição de produtos estrangeiros apenas prejudica ainda mais a situação grave em que nos encontramos. A título de exemplo, a dívida pública externa portuguesa é das maiores do mundo, num valor equivalente a 250% do PIB. Como vamos pagar a dívida contraída? As medidas do Estado até podem ser eficazes, mas implicam uma máxima há muito conhecida: “Os ricos não querem pagar? Matem-se os pobres!”. E é esta mesma máxima que não podemos nem devemos aceitar por parte do Estado. E apesar de poderem ser eficazes, são excessivamente insuficientes.

Com a Revolução dos Cravos, Portugal ressuscitou – segundo as palavras de Ary dos Santos. Mas uma coisa é certa: as portas que Abril abriu já estão semi-cerradas, e o país já se encontra num estado de coma profundo (desde Novembro de 1975 que só tem piorado). Enquanto é tempo, é urgente fazermos a diferença. E esta só pode ser feita sem quaisquer preconceitos e eleitoralmente.

Fernando Barbosa Ribeiro

terça-feira, 6 de julho de 2010

BILHETE DE IDENTIDADE



BI: LIBERDADE E CIDADANIA


IDADE: 2 ANOS


Bebé?


Adulto?


Sénior?


Não sei...


Nascestes a 6 Julho 2008.


Viestes, para continuar a liberdade.


A liberdade, matada, vilmente,


Na avenida da Liberdade.


Que desfaçatez! Que contradição!


Tivestes pai e mãe,


mais que um pai , mas porque és blogue,


sem pecado, uma só mãe - Marília.


Tivestes padrinhos de nascimento,


Tens amigos e seguidores,


Mas o teu tempo é difícil.


A liberdade livre, é rara.


A coisa séria é uma seca.


Nasceste numa época em que decepam


o verbo incómodo.


Nascestes, quando os blogues morrem,


Os facebooks eucalipetaram tudo.


E as catedrais do pensamento linear,


têm encarcerados os seus crentes.


Dois anos é a tua idade:


Dois anos de canseiras;


Dois anos de adultidade (?);


Dois anos ao serviço de Abril;


Dois anos em que príncipes emigraram


para os emiratos de maior fausto e proveito,


na contingência do on-line.


Nascestes e vives por um Desígnio -


SERVIR A LIBERDADE, EM VERDADE E PELA VERDADE.


Mas o teu tempo,


Ou o teu verbo,


Ou a tua alma,


Parecem não ser deste aqui e agora.


Titanicamente,


O que importa,


É o vistoso, o que está a dar,


E desta nova religião, os seguidores, são Milhões.


andrade da silva


domingo, 4 de julho de 2010

CONTRA-CONTRAREVOLUÇÃO




ALERTA N+7


A contrarevolução iniciada no 25 de Novembro 75, leva estes anos todos. Primeiro quis destruir o PREC e, conseguiu, agora, desde há umas décadas anda empenhada em destruir a democracia, o regime e mesmo Portugal.


Quanto à destruição da democracia os sinais são evidentes: a imoralidade, a corrupção, o completo desprezo pela soberania do povo, são provas irrefutáveis.Os cidadãos são tratados como súbditos numa monarquia absolutista. Votam e depois a sua vontade é completamente desrespeitada, não vale nada, e, assim, o povo plebeu que é republicano, intrinsecamente, sente-se abandonado pelo seu regime.


A impunidade, a indignidade, o abandono, a desonra da palavra e dos compromissos eleitorais fazem falecer a democracia, mas também o próprio regime republicano, facto que vai dando azo, a que, alguns com mais ousadia, vão sugerindo que se exclua da constituição a natureza do regime.


Também quanto à destruição de Portugal e à sua venda a retalho ao estrangeiro, as provas são muito evidentes e " quem finge que não vê, é culpado" ( filme Missipi em Chamas ). São as terras, os latifúndios, no Alentejo, abandonados , e, depois, vendidos aos espanhóis e outros. São as empresas que se vendem por trinta moedas, e o mesmo se faz nos sectores económicos e financeiros estratégicos.


Foi mal privatizar o que o estado devia defender num país cheio de andeiros. Como se viu agora na PT, nos negócios com a telefónica, e, como dizia Marx, o capital não tem Pátria, o que, o sr. Primeiro- Ministro tão fria e cruelmente acaba de conhecer, através das punhaladas dos seus mui queridos amigos portugueses banqueiros.


Enganou-se ele, e o impoluto prof Marcelo. Por ingenuidade, ignorância, ou complexo anti- marxista, foram enganados, porque quiseram. Aqueles seus amigos, têm como Deus - o dinheiro, catedrais - os bancos e a Pátria é, exclusivamente, a esfera financeira mundial, e um dia inter-galáctica. Descubram um banco forte e poderoso noutra galáxia, e, verão, logo, a debandada.


Então, porque defendem os Estados nacionais os seus banqueiros, através do sacrifício desmesurado de toda a população? E como querem esses governos que o povo aceite tais e tamanhos sacrifícios, para fazerem crescer o proveito e a riqueza dos Andeiros, ou não foram, só e somente, os accionistas portugueses que deram a vitória, na PT, a Espanha?


Sem garbo e sem honra caímos neste malfadado campo, por causa de 7 mil milhões de euros, as tais 30 moedas, dos tempos de hoje.


Sem a revolução contra esta contrarevolução em curso, a Democracia falecerá, o pântano e o chiqueiro farão soçobrar a liberdade e Portugal, como país independente.


Vós, os que, ledes estes alertas, dai o vosso esforço, para que as vozes livres não se calem, pois é esforçado ser livre e fazer um blogue com liberdade e pela cidadania, como este, que vai fazer 2 anos, mas alguns doutos e príncipes o abandonaram, porque gostam do proveito fácil e da vaidade vã, e nada disso por aqui passa.


Neste blogue somente reside trabalho, esforço e amor genuíno a Portugal e aos Portugueses, e algumas certezas, temos acertado bastantes vezes em previsões que outros tanto contrariavam.


Falaremos destas coisas no dia 6 de Julho, dia do 2º aniversário desde blogue.


andrade da silva

sábado, 3 de julho de 2010






MULHER O DIA INTEIRO




" Á minha mãe que na sua longa agonia, indolor, espera a partida,


às minhas amigas, à mulher. Como gostaria de que tagides


houvesse, e me ajudassem a cantar-vos, assim, digo do modo que sei AMO-VOS!






MULHER O DIA INTEIRO:

Mãe
Amante

Trabalhadora

Apaixonada

Dona de Casa

Lutadora.

Morre pelos filhos.

Morre pelo pai dos filhos.

Ergue as bandeiras:

Contra a fome e as guerras

Que lhes matam os filhos.

Levanta-se e morre

Pela jornada de 8 horas de trabalho.

Conquistadora do Mundo:

Umas vezes Vitoriosa,

Outras, Derrotada,

Mas sempre mulher.

Mulher:

Ora livre,

Ora escrava, aquela burga!...

Ora Amada,
Ora odiada,

Linda, bela...
e depois... um dia!...

Mas Mulher, sempre mulher,

O dia inteiro,
segundo a segundo:

Nasce Mulher;

Vive mulher,
Morre Mulher.

Quando morre:

O homem perde tudo,

O mundo empobrece;

Murcha um amor-perfeito;

Parte uma borboleta,

A Lua deixa cair

Uma lágrima.

Doravante, no luto, o homem

Descobre

Que a mulher

É a alma dele próprio.

Dos olhos escapa-lhe

A última lágrima,

E do seu coração, quebrado,

O canto:

AMOR!...


andrade silva