
quinta-feira, 29 de julho de 2010
CONTRA-CONTRAREVOLUÇÃO ALERTA N+12 ( PRÉ-FINAIS)

terça-feira, 27 de julho de 2010
CONTRA-CONTRAREVOLUÇÃO ALERTA N+11 ( PRÉ-FINAIS)

segunda-feira, 26 de julho de 2010
Homem, Abre os Olhos

Homem, Abre os Olhos e Verás
Homem,
abre os olhos e verás
em cada outro homem um irmão.
Homem,
as paixões que te consomem
não são boas nem más.
São a tua condição.
A paz,
porém, só a terás
quando o pão que os outros comem,
homem,
for igual ao teu pão.
Armindo Rodrigues
sábado, 24 de julho de 2010
DESTAS COISAS!?...

ai Portugal o que esperas?

Eça de Queirós, in 'Cartas de Inglaterr
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Pobres dos Nossos ricos

Pobres dos Nossos ricos
Por Mia Couto
A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mas ricos sem riqueza. Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.
Rico é quem possui meios de produção. Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.
Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro, ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.
A verdade é esta: são demasiado pobres os nossos "ricos".
Aquilo que têm, não detêm. Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.
É produto de roubo e de negociatas.
Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram. Vivem na obsessão de poderem ser roubados.
Necessitavam de forças policiais à altura. Mas forças policiais à altura acabariam por lança-los a eles próprios na cadeia.
Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade. Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (...)
Mia Couto
terça-feira, 20 de julho de 2010
CONTRA-CONTRAREVOLUÇÃO ALERTA N+10 ( PRÉ- FINAIS)

" aos distraídos divulguem as tristes desgraças futuras, se distraídos continuarem..."
Mas, uma vez mais a direita vai à frente, porque o sr. Passos Coelho sabe, porque em Portugal houve um 25 de Abril, a revisão que propõe é para ser chumbada, logo o seu objectivo é outro, é desde já entrar em campanha eleitoral para futuras legislativas. O que o PSD, mais parecido com um qualquer PDO, quer, é tão somente dizer, como vai governar,com esta ou com a sua constituição, se for governo, como julga que vai, logo após a próxima consulta popular, mas pode perder,mostrou as gsrras cedo demais.
O PSD, mais semelhante com um PDO , sabe que pode governar contra a Constituição, como sempre aconteceu com mais alguma dificuldade, mas não é uma impossibilidade, é nisto que está a sua aposta, o resto é uma manobra de mera diversão, simplesmente mostraram as garras, depois entenderem-se-iam com o CDS. Sem nenhuma dúvida que o PS, mesmo com a actual liderança recusará aquela proposta de revisão constitucional, mas depois, se continuar na mesma linha, apoiaria o PSD e o CDS na legislação normal que prossegue aqueles objectivos.
Como o cidadão normal entende, as decisões do tribunal constitucional dependem da sua composição que é definida pelos partidos, através da Assembleia da República, e que ainda a violação da letra da constituição é facilmente contornada com virgulas, pontos, entre parêntesis e sinónimos. É, sobretudo, uma mera questão semântica e,ou ideológica.
Por tudo isto, o apelo à mobilização para a contra-contrarevolução, como, claramente, se definiu no Alerta N+9, é uma necessidade urgente. Mas Portugal é Portugal, eterno, na sua surdez e arrogância, portanto, apesar de em tantas previsões aqui se ter acertado, continuaremos a ser ignorados, mas aqui vão ficando, a título de diário, partilhado por alguns, as previsões de tanta desgraça que se consumaram, e podia não ter sido assim, parece, evidente, se se tivesse percorrido caminhos alternativos de convergência, ou ousadia de rompimento. Mas não se fez nem ou, nem outra coisa .Todos defenderam a segurança dos seus territórios, e deram e vão dar a vitória as forças das trevas. Arrogância, estupidez, masoquismo?
segunda-feira, 19 de julho de 2010
10 - JORNAL DE PAREDE * Assim vai a Freguesia de Alvalade, em Lisboa

CONTRA-CONTRAREVOLUÇÃO ALERTA N+9

É dentro deste quadro de conquista do poder pela direita e extrema- direita e pela ambiguidade e cumplicidade do PS que faz todo o sentido, a proposta para a luciferina aliança, entre PS, PSD e CDS que o cardeal Richelieu da Politica portuguesa, Paulo Portas, propôs.
Esta aliança é tão importante para Portugal, na perspectiva do capitalismo dos banqueiros, como para toda a Europa do Sul, o que, podia fazer de Portas, um líder europeu destas águas. Todavia, assim não será, porque Portas, para bem do Mundo, nasceu num país pequeno, onde, não se dá qualquer apreço à inteligência, e Portas tem as suas sinapses saturadas de factor G ( da inteligência geral).
Para bem de Portugal a direita, e, sobretudo a extrema-direita de Paulo Portas, têm grande dificuldade, em abocanharem o poder, porque o 25 de Abril 74 (feito pelos militares e o povo que esteve no terreno e não por outros, que deram o seu contributo antes, durante e depois, mas quem o fez foram aqueles e não outros) libertou Portugal da escravização fascista, e trouxe aos olhos de todos o grande valor da democracia, e, ainda, é também isto que os democratas devem aos militares e ao povo-herói de Abril - este é o que esteve na rua, os outros aderiram, aqueles o fizeram .
Quem faz os sapatos são os sapateiros, quem os concebe são os desenhadores, quem os usa são os cidadãos .Sem o conceito não haveria o sapato, mas a dor e o risco do parto quem o suporta é o sapateiro, e também sem cidadãos não haveria necessidade de sapatos, tudo é um todo, mas se quem dá à luz às crianças são as mães,e, por isso, ocupam um lugar central na continuidade da espécie humana, também os beneméritos da Nação de Abril são os que realmente o fizeram, muito embora a politica menor e a piolheira nacional, a outros tenha consagrado, coisas...
Por tudo isto, a extrema-direita e a direita perderiam, não fosse o comportamento neo-liberal de completa aliança, cumplicidade e culpa de muitos partidos socialistas e, entre nós, do PS com a defesa do interesse de 1% da população que constitui uma oligarquia toda- poderosa de banqueiros, grandes empresários, aos quais se juntam mais 9% de outros poderosos assalariados, entre os quais: administradores, gestores executivos (CEO), estrelas cinema, futebol e televisão e grandes funcionários do sector público e privado, para em seu proveito executarem uma politica de escravização, ou mesmo extermínio de 1/3 a 2/3 da humanidade.
Para manter a rota do capitalismo de desastre e os níveis de consumo dos poderosos e seus eunucos, ao nível do desenvolvimento Mundial actual, seriam precisos dois ou três planetas terra, como todos mais ou menos sabem, apesar de um número excepcional de gentes viverem no limiar das subsistências, como é o caso do operariado chinês que ganha 100€/ mês e dos marroquinos com 200€/ mês etc.etc.
As actuais estratégias dos Partidos socialistas e das esquerdas fora destes partidos se se mantiverem e não encontrarem uma convergência, não houver um forte compromisso dos partidos socialistas com a justiça social, a liberdade, e a defesa dos interesses das camadas populares, contra os injustos e imorais proventos dos banqueiros, a médio ou curto prazo, o fascismo social impôr-se-à, em Portugal e na Europa.
Outra das vantagens do 25 de Abril foi interromper a governança fascista, claramente fascista, e vacinar o país contra regimes fasciszoides que na Europa de hoje seriam tolerados. Sem o 25 de Abril seria mais provavelmente o tipo de governo que teríamos, como Manuela Ferreira Leite desejou, e, hoje, Passos Coelho proclama, quando quer um Presidente da Republica musculado.
Basta recordar aos que acham que há um exagero nestas considerações que conceituados economistas, prémios nobeis, prevêem a manutenção de um nível elevado e perigoso de desemprego por muitos e bons anos, cortes nas prestações sociais, privatização de serviços como a saúde, ou degradação grave dos públicos, baixa dos salários, deflação e a continuação de dificuldades nas finanças públicas. Se isto não for suficiente para fazer tocar todas as campainhas que bem-aventurada é a manha e a estupidez.
Resta acrescentar que neste inferno até a taxa de miseráveis diminuirá, por falta de cuidados médicos, alimentação e habitação a taxa de mortalidade aumentará entre os miseráveis e o risco deixa de ser por muito tempo estar na situação de miserável, mas sim cadáver. Infelizmente nem esta evidência foi referida, quando se falou do abaixamento de 0.6% no risco de pobreza, mas qual passou a ser a esperança de vida dos miseráveis em igual período, e entre os idosos e os demais quem morre mais cedo e com que doenças e com que abandono etc?
Esta grande convergência à esquerda que exige aproximações de todos, pode parecer muito pouco para alguns, mas é muito, muitíssimo, para a defesa dos interesses de 1/3 a 2/3 dos Portugueses e dos cidadãos da Europa, sobretudo do Sul, e do Mundo.
Enfim.... quanta dor e sofrimento se pode evitar, se em vez dos interesses de primos e das capelas todos quiserem, sob a abobada celeste, realizar a sociedade livre, justa, solidária e fraterna das mulheres e dos homens que amam a vida e o belo, e que, de certeza, serão a maioria dos nossos concidadãos e cidadãos do mundo, mas para muitos destes primeiro é preciso libertá-los das ditaduras, da doença, da fome, da ignorância e da corrupção.
andrade da silva
PS: CONTRA-CONTRAREVOLUÇÃO É UMA LUTA, UM COMBATE ATÉ AO FIM DOS TEMPOS E DAS NOSSAS VIDAS, DEMOCRÁTICO, LIVRE, APAIXONADO, ALTRUISTA QUE SE TRAVA, NO DIA À DIA, PELA PELAVRA E PELA ACÇÃO NOBRE, FRATERNA E COM AMOR POR TODOS OS CANTOS E LUGARES: INTERIORES A NÓS MESMOS E EXTERIORES, CONTRA A CONTRAREVOLUÇÃO NEO-LIBERAL QUE PRETENDE EM PORTUGAL DESTRUIR OS IDEAIS E CONQUISTAS DE ABRIL E NA EUROPA E NO MUNDO IMPÔR UM REGIME DE EXIGUIDADE, POBREZA, VIDA SEM DIREITOS E MORTE, SOB O SUPERIOR COMANDO DOS BANQUEIROS E AS POLITICAS DA DIREITA E EXTREMA-DIREITA, PREERENCIALMENTE COM A CUMPLICIDADE CULPOSA DOS PARTIDOS SOCIALISTAS E SOCIAIS-DEMOCRATAS.
sábado, 17 de julho de 2010
10 - JORNAL DE PAREDE * A tirania dos títulos

Texto de Zoltan Zigedy
Noventa anos atrás Lenine afirmou que "sob as condições gerais da produção de mercadorias e da propriedade privada, a 'dominação' dos monopólios capitalistas torna-se inevitavelmente a dominação de uma oligarquia financeira". Ele desenvolveu a ideia de que "A supremacia do capital financeiro sobre todas as outras formas de capital significa a predominância do rentista e da oligarquia financeira". Deixarei ao leitor curioso o exame de Imperialismo: A etapa superior do capitalismo para verificar a argumentação convincente que está por trás desta afirmação presciente. Mas seguramente ela decorre de um entendimento profundo da exposição de Marx da lógica do capitalismo e da evidência disponível no tempo de Lenine. Ironicamente, esta projecção agora antiga – esta previsão da dominância do capital financeiro – diz mais da crise económica que agora devasta o planeta do que a multidão de laureados com o Prémio Nobel que pontificam acerca da causa da retracção começada em 2008. A dominância de uma "oligarquia financeira", como prevista por Lenine, atingiu o seu zénite durante os últimos vinte anos com o sector financeiro a duplicar a sua fatia dos lucros corporativos nos EUA. Mas "dominância" não é meramente uma matéria de supremacia no lucro; ela inclui também a ascendência do poder político, social e ideológico. A viragem neoliberal introduzida solenemente no fim da administração Carter e vigorosamente alimentada por Reagan principiou um processo de desregulamentação que acabou por remover as algemas nas finanças estabelecidas pelo New Deal. O sector financeiro desencadeou a dívida como o mecanismo para escravizar consumidores, cidades, municípios, estados e países soberanos. Fundos de pensão foram ou privatizados ou atraídos para grupos de investimento especulativo. Cartões de crédito, hipotecas e títulos tornaram-se as ferramentas de dominação da oligarquia financeira. Ao mesmo tempo, os enormes lucros acumulados permitiram ao sector financeiro comprar uma influência decisiva no circo dos dois partidos, através de lobbies, contribuições de campanha e corrupção desenfreada. Com a notável excepção da descrição do perverso Gordon Gekko no filme de Oliver Stone, os banqueiros de investimento foram encarados como as figuras mais brilhantes, mais dinâmicas e mais invejadas da imaginação popular. Dominância inevitavelmente convida à tirania e o sector financeiro avidamente aproveitou a oportunidade. Hoje, a expressão desta tirania é a noção louca de que bancos são "demasiado grandes para falirem". Vemos esta tirania na arrogância da Goldman Sachs, a operar sem nenhum respeito pelos interesses nacionais ou a opinião pública e sem qualquer travão efectivo do governo. Analogamente, a timidez de legisladores em conceber regulação bancária efectiva destaca esta tirania. Mas nada sublinha mais esta tirania do que a actual crise da dívida europeia. CRISE EUROPEIA A Europa, hoje, é uma refém do mercado de títulos. Porque a União Europeia é um projecto comum incompleto com desigualdades, desequilíbrios e contradições histórica, ela é presa fácil para a oligarquia financeira. Estas condições de fraqueza abandonam as economias menos desenvolvidas aos abutres do capital financeiro. Mas o jogo não era a solvência porque nunca houve realmente qualquer questão – como as coisas estavam no fim de 2009 – de que a Grécia, Portugal, Itália, Irlanda, Espanha ou mesmo Roménia e Hungria pudessem cumprir suas obrigações de dívida ou assegurar novos empréstimos. Mais exactamente, a crise foi tramada pelos predadores financeiros. O ataque especulativo em grande escala por parte do sector financeiro estrangulou estas economias até à submissão, forçando-as, no momento em que a recuperação estava no equilíbrio, a abandonar quaisquer programas de estímulo e a abraçar uma extrema austeridade do sector público. Nove meses depois, este pânico da dívida propagou-se através do mundo, com governos a correrem para cortar empregos no sector público, benefícios e salários, eliminando programas sociais e privatizando obras públicas. Como carneiros, políticos, sabichões e comentadores acrescentaram suas vozes reverenciais aos mercados de títulos. O governo do PASOK na Grécia prosternou-se à oligarquia financeira, seguido pelos governos espanhol, português e irlandês. O novo governo do Reino Unido garantiu cortes profundos nas despesas do governo. Preocupações com dívida empurraram para o lado todas as outras questões nas eleições holandesas. O governo francês está a pressionar por um aumento na idade de reforma. E o novo governo da Hungria quase entrou em colapso ao sugerir que podia desviar-se do plano de jogo imposto pelo FMI de miserabilismo fiscal. Os EUA, embora não afectados pela agressão financeira, também sucumbiram à extorsão da oligarquia financeira. O presidente Obama pretende cortar a Segurança Social e o Medicare através da sua discreta Comissão sobre Responsabilidade e Reforma Fiscal. Para aqueles que se recusam a desafiar a dominância dos mercados financeiros e a tirania dos títulos, não há nenhum outro caminho senão aceitar e impor cortes profundos nos gastos públicos. O ataque à Grécia foi uma demonstração do poder do sector financeiro e a sua brutalidade ao utilizá-lo. Exactamente quando os cortes de despesas começam a sentir-se, a Grécia experimenta inflação explosiva, um desenvolvimento fatal nos seus efeitos sobre os padrões de vida da classe trabalhadora grega. Mas há uma resposta à tirania dos títulos, uma resposta que apela à mobilização em massa do povo trabalhador contra a oligarquia financeira. Essa resposta recusa-se a acatar um sistema que promete atrasar durante décadas a segurança e os padrões de vida do povo trabalhador e oferece-lhe um futuro negro. Os omnipresentes porta-vozes da oligarquia financeira apelam a sacrifícios para restaurar a ordem no sistema económico. Isto é um logro calculado. Não há qualquer nobre sacrifício em capitular à extorsão ou aceitar que há a inevitabilidade da dominação dos mercados financeiros. Trabalhadores na Grécia, liderados pelos comunistas gregos e o agrupamento de todos os sindicatos, PAME, estão na vanguarda da organização de greves e manifestações contra a oligarquia financeira. A sua determinação e apelos à unidade estabeleceram um exemplo para todos os trabalhadores europeus. Nos calcanhares das acções gregas, trabalhadores portugueses foram às ruas. A maior central sindical da Espanha, Comisiones Obreras, foi à greve em 8 de Junho, com 75% dos 2,6 milhões de trabalhadores da organização aderindo à acção e com uma greve geral prevista. Trabalhadores do sector público na Roménia organizaram várias acções militantes. Quando o combate se intensifica, a unidade é essencial – mas não a expensas da militância. Os resmungos das lideranças de muitos sindicatos europeus são bem vindos, mas devem ser apoiados por organização efectiva e mobilização de massa. Recentemente, vários líderes sindicais do Reino Unidos falaram iradamente dos cortes draconianos prometidos pelo novo governo, mas falharam em apresentar mais do que retórica estridente e futuras ameaças eleitorais. Nos EUA, uns poucos líderes têm falado contra o assalto encoberto da administração Obama a programas sociais, mas um movimento de massa ainda está por emergir. Uma confrontação de base classista com a oligarquia financeira enfrenta muitos obstáculos, o não menor dos quais é a quase total dominação do trabalho organizado no pós Guerra-Fria pelos colaboracionistas de classe, a liderança social-democrata. E os oligarcas financeiros estão plenamente conscientes desta fraqueza. Recentemente, o chefe da Comissão Europeia, presidente José Manuel Barroso, reuniu muitos dos líderes sindicais social-democratas para instruí-los sobre os perigos de resistir ao assalto aos padrões de vida provocados pela "crise" predatória da dívida. Conforme relatado pelo Daily Mail britânico: "Numa palestra extraordinária a responsáveis sindicais na semana passada, o presidente da Comissão José Manuel Barroso expôs uma visão "apocalíptica" na qual países atingidos pela crise no Sul da Europa poderiam tornar-se vítimas de golpes militares ou levantamentos populares quando taxas de juro subirem e serviços públicos entrarem em colapso porque acaba o dinheiro dos seus governos". São os "levantamentos populares" que Barroso teme, um temor que é partilhado pelos líderes sindicais social-democratas. Além disso, ele quer alistar estes líderes na tarefa de empurrar o programa de austeridade goela abaixo dos trabalhadores. John Monks, responsável do European Trades Union Congress, comentou: "Tive uma discussão com Barroso sexta-feira passada acerca do que pode ser feito para a Grécia, Espanha, Portugal e o resto e a sua mensagem foi brusca: "Olhe, se eles não executarem estes pacotes de austeridade, estes países poderiam virtualmente desaparecer do modo que os conhecemos como democracias. Eles não têm nenhuma escolha, é isto". Ao mesmo tempo, "o sr. Monks advertiu ontem que as novas medidas de austeridade poderiam por si próprias levar o continente 'de volta à década de 1930' ", segundo o Daily Mail. Claramente, sociais-democratas como o sr. Monks estão desejosos de remeter a classe trabalhadora europeia "de volta aos anos 1930" ao invés de arriscar levantamentos populares que desafiariam a oligarquia financeira. A Federação Sindical Mundial apelou a um dia internacional de acção do movimento sindical em 7 de Setembro de 2010. Devem ser feitos todos os esforços para preparar esta acção ao longo do Verão. Devem ser feitos todos os esforços para mobilizar o povo trabalhador contra a oligarquia financeira. Levantamentos populares é o que precisamos.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
CONTRA-CONTRAREVOLUÇÃO

ALERTA N+8
andrade da silva
quarta-feira, 14 de julho de 2010
REVOLUÇÃO FRANCESA

A Todos os Antifascistas

À memôria de Vicente Campinas
À memória de Ary dos Santos
Às suas Vozes de Combate
Acuso
Pela fome dos camponeses
pelo ventre de Catarina
pelos dias, anos, meses,
incendiando a campina
pelas crianças famintas
pela sede de cultura
pela vossa feroz chacina
meio século de noite escura...
Por todos os que sofreram
por todos os que cobardes
não tinham alma com olhos
em Maio todas as tardes!...
Pelas crianças sem escola
pelos vossos hospitais
na hipocrisia da esmola;
por calarem os jornais!...
Pelos presos numa jaula
em dias de escuridão
pelo ping-ping endoidando
os detentores da razão!...
Pelos povos colonizados
pelas unhas arrancadas
pelos cigarros apagados
nas pálpebras condenadas!
Pelas famílias destruídas
pelo livro não publicado
pelos operários fabris,
pelos jovens estudantes
que adivinhavam Abris
- no segredo agonizantes-
pelas vidas emudecidas
no desmaio, na loucura,
por milhares, milhares de vidas
às mãos da vossa tortura!
Por todos os prisioneiros
pelo nome de meu pai
cada antifascista morto
entre lágrimas choradas,
pelo olhar absorto
das mulheres violentadas!
Pela palavra proibida
Pelo nosso Portugal
de carne e alma traída
pela máquina fatal!
Pela vossa infame doçura
enganando o povo incauto
../..
por Alex, pelos amigos
cansados, mortos, em perigo;
pelo velho Vasconcelos
que era enfermeiro dos pobres
à miséria condenados,
pelos presos no Tarrafal
na frigideira queimados!
Pelo povo de Portugal!
Pelas guerras coloniais
por nossos filhos perdidos
sem saber porque razão
eram mandados meninos
matar ao longe um irmão!
Pelas terras abandonadas
pela esperança do emigrante,
pelas tradições caladas
na morte de cada instante!
Pelas aldeias sozinhas
quase despidas de gente...
Pelas velas dos moinhos
que cessaram de girar
porque do Algarve ao Minho
havia choro no mar!...
Pelas vozes que se calaram
dentro do seu próprio lar
como se nem as paredes
as pudessem abrigar!...
Pela mente das crianças
embalada pelo sono
do aniquilar da esperança!...
É que minha voz se eleva
a gritar todos os prantos
a tentar erguer da treva
a voz do Ary dos Santos!
Marília Gonçalves
terça-feira, 13 de julho de 2010
DESTAS COISAS!?...

segunda-feira, 12 de julho de 2010
PORTUGAL PRECONCEITUOSO?

Deparamo
Deparamo-nos com tristes realidades nacionais…
Houve alguém na História (julgo que todos conhecerão este facto) que disse que “aquele povo lá para os lados da Lusitânia” (ou seja, Portugal) “é um povo que não se governa nem se deixa ser governado!”. Este relembrar da História foi só para recordar um facto vivido há mais de 30 anos, bem como outros factos (como o de 1640, o de 1910, entre tantos outros): Portugal, desde que despertado (e é contra isso que vemos o combate das forças políticas maioritárias – e deixemo-nos de rodeios, dá para compreender que me refiro ao PS, ao PSD/PPD e ao CDS-PP – que são partidos, pelo menos actualmente, populistas… enganam o povo com a abstenção em matérias de enorme relevo nacional, fazendo crer que não apoiam as matérias que prejudicam o povo; e são os únicos partidos que já formaram governo por sufrágio universal desde há mais de 30 anos), sabe distinguir quem o apoia e quem poderá fazer algo de bom para o país – e isso ficou ainda mais claro na Revolução de Abril. Concordo plenamente, esses partidos a que aludi são, actualmente, os merecedores do comentário “os políticos são todos iguais”. E que fazer contra isso?
Infelizmente o resultado está à vista… cite-se, pela sua importância a nível nacional, o caso das eleições legislativas de 2009: 40,32% de abstenção (ou seja: 3.838.663 abstenções). Pergunto: sabem o que significa a abstenção?
A abstenção é o acto de não ir votar (isto é óbvio). Nalguns países, isso daria o direito a uma coima… por cá ainda não é assim (mas o direito pessoal e dever cívico de votar ainda existe, tal como consagram o número 1 do artigo 10º e o artigo 49º da Constituição da República Portuguesa). A abstenção traduz-se no conformismo: o acto de um cidadão eleitor se abster traduz-se na aceitação de quem for eleito pelos outros, perdendo assim a legitimidade (não o direito!) de protestar contra quem foi eleito. E eu pergunto o seguinte, face ao que expus: será que é esta a intenção dos abstencionistas? Repare-se bem que eu nunca disse que era um sinónimo de protesto (porque não o é!), mas sim um sinónimo de concordância com a escolha dos outros, e da perda da legitimidade em protestar contra aquilo que os eleitos pelos outros fizerem.
Na realidade, o único protesto, mas que não é totalmente são na minha modesta opinião, seria o voto
Aqueles que se encontram ao serviço do Estado, estando este, presentemente, ao serviço dos grandes mercados internacionais e da banca, não querem que as vozes da razão sejam ouvidas – e daí depararmo-nos com um enorme silêncio nos meios de comunicação social no que se refere aos partidos que não apoiem o capital (além de pouco ouvirmos falar dos partidos mais pequenos que nem se encontram com assento na Assembleia da República). Há que reflectir um pouco antes de votar: se durante mais de 30 anos ficámos descontentes com os governos, e se esses governos foram todos, sem excepção, do PS e do PSD/PPD – este último com ou sem CDS-PP – então devemos dar uma oportunidade para que os restantes mostrem o seu valor. Infelizmente, como disse na minha primeira publicação neste blogue (“Portugal está a afundar-se!” de 7 de Julho), existe um vasto mundo de preconceitos por parte de muitos eleitores… e citando Albert Einstein, “é mais fácil destruir um átomo que um preconceito”.
Mas acho piada a este preconceito… muito sinceramente devo dizer que acho piada, pois nas lutas prosseguidas pelos trabalhadores e reformados (citem-se as mais recentes da CGTP-IN – dos dias 29 de Maio e 8 de Julho) já afastam os preconceitos para protestarem – o que é o comportamento adequado para a construção de uma alternativa. Para mais que, teoricamente, os sindicatos são apartidários (na prática não é bem assim). Só no acto eleitoral é que têm medo… não têm medo de, nem preconceitos em, apoiar o seu sindicato ou intersindical (mostrando a cara) e, indirectamente, um dos lados políticos (esquerda vs direita), mas têm medo de, e preconceitos em, colocar (sem mostrarem a cara, como se sabe) uma cruz em determinados quadrados da folha de papel… não questiono, contudo, a liberdade de escolha dos eleitores – respeito as decisões tomadas (como escreveu Ary dos Santos, “o povo de Portugal deu o poder a quem quis. Mesmo que tenha passado às vezes por mãos estranhas, o poder que ali foi dado saiu das nossas entranhas”); questiono apenas a lógica deste preconceito, pois é um pouco confuso.
As sondagens também contribuem para este facto: por exemplo, ainda tão longe das eleições presidenciais, e sem que todos os candidatos eleitorais estejam discriminados, já se fazem juízos. E isto vem afectar, nem que seja apenas no subconsciente, a decisão dos eleitores. Muitos pensarão que “não vale a pena, não é um único voto que fará a diferença”. Mas sem querer, um voto de cada um dos 3.838.663 abstencionistas faria toda a diferença.
E termino com as mesmas palavras que utilizei na conclusão do meu primeiro, e sincero, contributo a este blogue: enquanto é tempo, é urgente fazermos a diferença. E esta só pode ser feita sem quaisquer preconceitos e eleitoralmente.
Fernando Barbosa Ribeiro