sexta-feira, 29 de junho de 2012

A Lei da Terra, 1977 | 420doc#9



Um documentário inesquecível. Estranhamente identifico-me bem no primeiro militar que fala,a identificar a luta da reforma agrária como a luta do povo. identifico-me com o discurso e os gestos do 2º tenente que fala, pareço eu, mas não me reconheço, seja eu ou não somos gémeos no gesto e no discurso, mas também se não sou eu, não sei quem seja, e tenho pena de não conhecer um gémeo, de quem nunca tive noticia.Mas seja quem for este tenente não posso deixar de dizer que hoje o admiro, e penso hoje exactamente o mesmo, e digo o mesmo é preciso reunir as pessoas dignas para refundar Portugal.

 De entre os outros identifico o o heróico Canejo,  do Couço., bem como todo o discurso e queixas dos trabalhadores que ouvi da frente para trás, e de trás para a frente centenas de vezes.´, com dores e lágrimas, dia após dia, de manhã até à noite, de Maio de 74 ao 25 Novembro 75. 

Um documentário glorioso, Histórico, belo. Agradeço a Maria Joaquina Babau de Estremoz o ter referido
.
Á altura era tenente.

andrade da silva

PS:                                VALEU A PENA!


Valeu a pena!


 Este filme é de facto a prova dos nove, de que da minha parte ( o tenente que fala, como já referi no comentário, sou eu, inquestionavelmente) NUNCA INDUZI NINGUÉM PARA COMPORTAMENTOS DIFERENTES DOS APOIADOS PELO MFA, e o grave, muito grave, foi o MFA ter consentido que me acusassem de outros comportamentos- ou seja de andar a fazer o que o PCP queria - esta foi a minha acusação nos processos militares, de RECEBER instruções de membros do PCP, e grave também foi que outros, que tanto gritam pelos capitães de Abril, queiram riscar, esquecer, roubar ao convívio do povo aqueles que somente foram do 25 de Abril.

 Da minha parte digo hoje, como em 74/75, que  darei luta a todos os que roubam ao povo  a verdade a que têm direito, e que  este combate pela verdade, hoje, como em 74 - é o combate  do povo, é como dizia naquela altura:  O COMBATE É VOSSO.


quarta-feira, 27 de junho de 2012

OS BRAVOS DA COMPANHIA 3416.






Fotos 1 -guião da Cart; 2 -Os bravo da Companhia; 3 - Convívio; 4 - os netos estão atentos. VITÓRIA!


A Companhia de Artilharia ( CART) 3416 que se bateu com muita coragem e dignidade na Guerra, mas também nas muitas acções de PAZ realizadas em território  de Angola, entre 1971-73, em Lumbala Velha, Saliente do Cazombo, reuniu os seus bravos, uma vez mais,  em 23 de Junho, nos arredores de Fátima, no restaurante o truão, com ar de Castelo medieval, o edifício é muito antigo.

Muitos bravos da companhia, suas mulheres, filhos e netos estiveram presentes, como não acontece em mais nenhum lugar do mundo, para comemorarmos a vida, a amizade, a camaradagem que nasceram em tempos difíceis, e se tornam cada vez mais necessárias nos tempos que correm.

O convívio decorreu  com  a máxima alegria, amizade e camaradagem.  A gastronomia tradicional fez-nos companhia,  como nos convinha e estava de acordo com o ambiente físico do local, que em muitos aspectos recordavam tempos idos,  como já referi. Nós viemos  de lugares distantes, alguns estiveram no Canadá, e dessa experiência e da justiça social desses países falaram, garantem  que ninguém na reforma é abandonado à sua sorte, e pode morrer com a mesma dignidade que viveu, quando era um membro da sociedade activa, trabalhando para produzir. 

Também aos que emigraram para países civilizados, causa grande estranheza a impunidade dos corruptos em Portugal. Coisas que mais de três décadas de democracia não resolveram e em alguns aspectos até agravaram, e, espantosamente ninguém  responsável pela Governação sente vergonha por este abejecto estado da imoralidade política. Até quando?

Com uma identificação total com todos e com os que morreram ,e continuam ao nosso lado, dirigi algumas palavras a estes meus camaradas e seus descendentes no sentido de lhes dizer que a cada um de nós, antes de morrer  - coisa certa  - cabe viver, e dar testemunho do que vivemos, e transmitir esses testemunhos aos mais jovens, pois a eles cabe construir o Futuro, muito embora, nós, os mais velhos,   não enjeitemos:  nem o direito, nem o dever de darmos o nosso contributo.

Recordando a Lumbala dor, a Lumbala sacrifício, a Lumbala beleza e mangueirais, a Lumbala força , patriotismo, camaradagem e alegria sentimos o dever sagrado de nunca deixar perecer Portugal e que sempre  Portugal e os portugueses podem contar com a nossa disponibilidade e coragem.

Creio que a identificação foi grande desde os netos aos avós, como a foto  testemunha,  o  interesse dos netos foi enorme, logo, que maior alegria!

Mas este  evento, como todos, precisa dos primeiros entre o primeiros, e estes são os que nos vão mobilizando e organizando estes acontecimentos  e eles são: o Cândido Gomes, o Mário Silva, o Armando Almeida,  e as senhoras que os ajudaram e receberam as nossas flores de amizade.

 As mulheres presentes merecem uma palavra de carinho muitos especial por nos acompanharem, e por também aqui ,e uma vez mais, como sempre aconteceu, estarem nas primeira linhas a defesa do direito de ser povo em Portugal.

Também um abraço  especial para os filhos e netos destes bravos da cart 3416 que estiveram presentes E para vós  honrados camaradas que com, muito trabalho organizam estes eventos obrigado, que torno extensivos aos nossos camaradas da Companhia do Cavungo e de Mucaba, por onde também passei, e com os de Mucaba voltei a estar este ano.

 Ainda uma palavra  de reconhecimento ao presidente da Câmara de Barcelos que tem acompanhado esta companhia com  muito carinho.

  Nesta companhia, está um filho de Barcelos, o Cândido, que todos os anos nos dá novas sobre o seu trabalho e o de outros em prol dos idosos do concelho. Sobre este apoio talvez, a Cart 3416 e os nossos amigos possam dar alguma ajuda.

Para o ano PRESENTES, na zona de Aveiro.

Como portugueses, servidores e amantes de Portugal Livre, Independente e Democrático  levantaremos sempre o guião da CART 3416 que se curva perante a Bandeira Nacional, os Portugueses e  Portugal.

Abraços Camaradas. Abraços Portugal. Abraços Diáspora Portuguesa.

Sempre Presentes! Sempre Prontos!

andrade da silva


segunda-feira, 25 de junho de 2012

FUTEBÓIS: NÓS, ELES e OUTROS




Em tempo de Futebol, não resisto à moda e ao fascínio.

                         I - DECALARAÇÃO DE PRINCÍPIO.

Sou o 1º adepto do Mundo, deste e de outro (onde, segundo um seu camarada, Cristiano Ronaldo, madeirense de Santo António, já está) do futebol com  bola de trapos, ou com jogos a feijões, dos outros, gosto de uma França-  Espanha; uma Grécia - República Checa, etc, com Portugal , a coisa é outra, mas…

                        II- FUTEBOL ORGULHO NACIONAL, MAS?....

Numa das TV, hoje, o politólogo, vidente, oráculo, o sabe tudo de tudo, Adelino Maltez- que disse que gostava de Futebol, boa!-  declarou  que o futebol era a ritualização do orgulho Nacional e, mesmo  supra nacional. Mas é assim  só quando se ganha, ou sempre?

Fiquei confuso com esta declaração, porque olhei para o jogo da Grécia, da Grécia que perde tudo, com a Alemanha que ganha tudo, e que muito tem humilhado a Grécia, e com a derrota  no jogo por  4-2 que podia ser bem pior, fiquei a pensar que se  o  grande académico tiver razão, como sairá a ritualização do orgulho Grego pelo futebol, face à derrota perante a Alemanha que tanto tem maltrado os países do sul?...

 III –FUTEBOL DE GABINETE, MODALIDADE MUITO PORTUGUESA

Disse Helena Roseta, numa das TV que quando bastonária da ordem dos arquitectos, apresentou um projecto ao membro do Governo,  de então, Miguel Relvas, que logo disse que o projecto seria apoiado, mas que o trabalho teria de ser atribuído, sem concurso, a uma empresa de que Passos Coelho era administrador.

O facto de um ser 1º Ministro, hoje,  e o outro Ministro adjunto, ou vice-versa, é  tudo  uma mera virtualidade  neste outro tipo de futebol, onde, também se ritualiza o Portugal, destas pessoas.

IV – FUTEBOL NO ESCURO

Que dizer do jogo entre  a ERC, o PÚBLICO e MIGUEL RELVAS, quem sai, quem perde, em que esquema de ataque  se joga,  e quem é o árbitro?
Haverá árbitro?

V –O FUTEBOL CONSTITUCIONAL

Porque perdi, por desconhecimento, a manifestação de protesto da AOFA,  contra o confisco  do 13º mês – que insisto, o que, a burocracia recusa, que tanto ou mais que uma perda de massa salarial  este confisco é um atentado à saúde, em termos da medicina primária e secundária,  no caso do stresse e da exaustão psicológica - acompanhei a de hoje da Função pública.
Todavia,  teimosamente os sindicatos continuam a dizer  que o 13ª mês é um subsidio, lá lhes disse que era um  vencimento.
Para uma sexta-feira houve bastante gente, e, sobretudo, gente em idade activa.
Julgo que o Tribunal Constitucional está fora de jogo, mas talvez seja uma impressão, de qualquer modo alguns dos funcionários  daquele tribunal interagiram com os gestos  amistosos que lhes dirigi.

VI – O FUTEBOL DO GRUPO DA MORTE

A Grécia foi obrigada por pressão externa a votar num governo, ao que parece, fisicamente adoentado e politicamente muito doente.

Logo se verá o que vai acontecer,  todavia tudo está na mesma,  como previ no texto anterior, só que tudo na mesma é pior do mesmo, e na Grécia, como aqui, isso será impossível,  até porque levará o SYriza a radicalizar o seu comportamento para se manter vivo, e evitar mais suicídios na Grécia.

Neste contexto, à beira do desastre Europeu, na próxima cimeira da União Europeia ou se tomam medidas de efectivo apoio  e de mutualização das despesas dos países em dificuldade ; ou a União Europeia vai tremer, e os 130 mil milhões  de apoio  aos países periféricos, decididos na mini cimeira dos 4 países com economias mais fortes, que teve como palco Roma, não será mais do que uma lasanha, logo….

Quanto a Portugal  já há quem diga que o bom  é virmos a ser como a Grécia, para,  in-extremis, alguém nos salvar, ou nos enterrarmos, para aí, numa  derrota no Futebol  Europeu, ou nos salvarmos ritualmente numa vitória contra a Alemanha.

Mas como o mundo será, outro ( se é que já não é, poderíamos ver isto   pela variação da taxa de suicídio na Grécia , nos próximo dias) sempre que se decidir o devir de um país em 90 minutos de futebol.

VII  -  FUTEBOL  LIÇÃO

Se como no Futebol, desde muito cedo se prepararem  bem os jovens nas escolas competentes; depois se der boa formação; melhor selecção;  treino com treinadores competentes,  com objectivos bem definidos e ambiciosos, e muito importante a recompensa material, profissional e pessoal for  justa e atractiva,  a motivação será mobilizada, aumentando o desempenho e a produtividade.

VII –FUTEBOL  DEVIR

?????…………………………  mas, gostaria que fosse dentro de outra Europa  mais justa, digna, democrática, solidária e no caso militar também com a mutualização das despesas nas missões das Forças Nacionais Destacadas. Mas?….

22 Junho 2012
Andrade da silva

publicado na página do facebook da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA)

domingo, 24 de junho de 2012

O 1ª ANIVERSÁRIO DESTE TRÁGICO GOVERNO.



 
Era  e é preciso pôr ordem nas contas publicas e na governação de Portugal: combatendo as gorduras, os excessos, o clientelismo, a corrupção, a evasão fiscal, a descoordenação de serviços, como nos transportes etc.Todavia nestas áreas  o governo tem feito pouco, muito pouco.
 
Os  sucessivos governos, desde há muito,  em Portugal são péssimos: má gestão, gestão danosa, baseada em clientelismo politico recrutado nos partidos, através da eleição de deputados por listas da completa confiança dos secretários-gerais daqueles,  ou dos seus órgãos colectivos, o que, é  um sistema ignaro de reprodução simples, tipo do caciquismo,  do modo de pensar dos lideres partidários, isto é,  os deputados não representam nada quem os elegeu, representam sim, os interesses ideológicos e, ou outros dos respectivos partidos,  e muitas das vezes dos seus Dirigentes.
 
POR TUDO ISTO E MUITO MAIS, ESTE  ANO DE GOVERNAÇÃO FOI UM ANO DE.

MEIAS ROTAS;

GESTÃO DANOSA DOS BENS PÚBLICOS - PRIVATIZAÇÕES EM SALDO, TUDO O QUE É ESTRATÉGICO JÁ FOI OU VAI SER VENDIDO A ESTRANGEIROS – CHINISES,ANGOLANOS E OUTROS;

FOME;

DESEMPREGO MASSIVO;

ECONOMIA EM ESTADO DE COMA;

PIOR SAÚDE;

CONFISCO DE VENCIMENTOS AOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS;

AUMENTO  DE IMPOSTOS;

MÁ EXECUÇÃO ORÇAMENTAL COM  MENOR RECEITA, MAIOR DESPESA COM O SERVIÇO DOS JUROS;

PERDA INDEPENDÊNCIA NACIONAL SEM CONTRAPARTIDAS, ISTO É, MENOS PORTUGAL, MAS TAMBÉM MENOS EUROPA;

MALABARISMO DISCURSIVO.

TRAPALHADAS E CONFUSÕES EM ÁREAS NUCLAERAS DO ESTADO DE DIREITO E DEMOCRÁTICO: SERVIÇO DE INFORMAÇÕES E COMUNICAÇÃO SOCIAL.
Etc. Etc.

Se estes aniversários se prolongarem só os mortos o podem seguir e os coveiros do país: banqueiros, governos liberais, partidos e militantes fanatizados, corruptos e outros tais.

A Salvação de Portugal está na criação de um novo grupo de liderança entre os 50%  que se abstêm e aqueles que votam no mal menor, que devem  fazer emergir uma nova força  democrática ou obrigarem  os partidos a fazerem, o que nunca fizeram no seu interior, a Revolução Democrática e a respeitarem o povo, a se abrirem à sociedade para antes de tudo  ouvirem os cidadãos e APRENDEREM, e não os quererem doutrinar no que nem sequer acreditam e, ou  não são capazes de praticarem, e, esta contradição é notória e notável.

Um ano de meias rotas, a continuar será de pés descalços sangrando e de mortos escanzelados.

 A liberdade também dá para isto… escolham…

Todavia que se desenganem os que pensam que ter verbo forte e justo é pieguice, depressão, masoquismo, porque não nada disso,  é  sim: VIDA,LUTAR PELA VIDA, e a vida é um poema, mas não os cantados pelo Sr. Primeiro-ministro na Colômbia. Quem tão mal governa contra  o seu povo, devia ter o bom senso de nunca, por nunca, declamar um poema que fala das vítimas de tão nefastas, erradas, desumanas politicas do capitalismo de casino, ou pangermânico, que é em si, uma própria aberração dentro do capitalismo mais genuíno, o social-democrata, com expressão em  muitos países reais conhecidos da nossa Diáspora.  (Ainda ontem alguns dos militares que comandei me falaram dos seus 20 anos vividos no Canada. Falarei disto, quando de me reportar ao dia de ontem).

Na esperança que Portugal renasça das cinzas… ainda será possível, mas….

andrade da silva.
 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Mesmo Longe: MEU PORTUGAL, MEU AMOR

Vida e Morte dos Emigrantes Portugueses


Feito à Memoria de meu Pai e dito por mim na Residência André Gouveia, na Cidade Universitária em Paris, em Homenagem ao Jornalista e Escritor Álvaro Morna


Testamento

Lança as cinzas ao mar
ao Oceano
não nos fechem em mar
que tem fronteiras
nós queremos viajar
livres as cinzas
por nossas vidas
dantes prisioneiras.

Lança ao mar o sonho a percorrer
nós iremos espraiar em Portugal
nossas cinzas no mar, ainda a arder
hão-de voltar à praia de outro sal.
Sabem a lágrimas as cinzas em viagem
mas o sonho é sempre verdadeiro
se no exílio a voz foi de coragem
será heroico voltar ao chão primeiro.

Lança no Atlântico o que resta
da força que nós fomos, mas vencida
verás reflorir como giesta
em festões d’oiro a água conseguida.
Iremos semear o mar imenso
da esperança de não ter partido ainda
importante afinal é o começo
da sementeira agora pressentida.

Deixa ir sobre as águas azuis, verdes
a nossa fundura vertical
porque na água estão as nossas sedes
se nunca ter deixado Portugal.
Se a história se escreveu no que passou
nas cinzas nosso corpo está presente
mar da Liberdade nos levou
no caminho sem fim da lusa gente.

Que as cinzas vão ardendo sobre o mar
em derradeiro grito à Liberdade
pois nós seremos livres de voltar
pela força do tempo e da vontade.
E se nossa viagem se prolonga
a abraçar países infinitos
há-de chegar o dia em que se alonga
a saudade da terra dos proscritos.

Voltaremos então a Viriato
à Pátria Lusa, em bandeiras de sol
o vento gravará nosso retrato
na leve luz da tarde, ao arrebol,
seremos outra vez, voz portuguesa
a vir poisar numa canção sem fim
na noite ardente de cada rouxinol
nossas cinzas serão mais um jardim.

Marília Gonçalves

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A VISÃO DE UM CIDADÃO COMUM XXI




                            ( Até Quando?!… )


Na semana passada, o TenenteCoronel António Mota lançou-me publicamente um desafio de realizar um texto que mostrasse como a conjuntura económica e social actual, está a afectar a União Europeia e cada estado membro individualmente.

Confesso que considerei aceitar o desafio, mas  rapidamente cheguei à conclusão que dada a complexidade da temática, aliada ao pouco tempo que tenho disponível para pesquisar e escrever, seria um trabalho digno para se juntar aos outros doze de Hércules.

Por outro lado, com a velocidade exponencial com que a adversidade e a crise se espalham pelo continente europeu, creio que até ao final do primeiro semestre do próximo ano estaremos em condições de fazer uma compilação de textos, cujo resultado estará à altura do desafio lançado.

Feita a introdução do presente, por se encontrar na ordem do dia e já ter sido abordado anteriormente, hoje vamo-nos debruçar, ainda que ao de leve sobre a crise na vizinha Espanha.

Como é de conhecimento público o executivo espanhol no passado fim-de-semana solicitou um resgate financeiro, resgate esse que embora esteja a ser designado por  empréstimo ao sector financeiro não deixa de constituir o inicio de um resgate, como teremos oportunidade de verificar ao longo do presente texto.

A economia espanhola onde se prevê uma recessão até 2013, apresenta para já um taxa de desemprego efectiva que atinge mais de um quarto da população activa, défice orçamental em níveis preocupantes e uma grande parte do PIB anual hipotecado para pagamento das dívidas contraídas pelas diversas regiões e províncias do país.

A banca espanhola, tal como a portuguesa, apresenta elevados níveis de crédito mal parado, a maioria fruto do rebentamento da bolha imobiliária e da incapacidade dos órgãos de poder local – municípios e regiões – fazerem face ao serviço da dívida assumida. Resta acrescentar que essa dita bolha foi a força motriz da economia espanhola durante mais de duas décadas.

 Os elevados níveis de crédito “mal parado” associados às provisões que os bancos foram obrigados a constituir por via das mesmas, afectaram de sobremaneira os seus rácios de solvabilidade chegando ao ponto de algumas instituições financeiras espanholas não se conseguirem financiar junto dos mercados financeiros pondo, a curto prazo, o sistema financeiro espanhol em risco de colapso.

Há duas semanas atrás afirmei, neste local, em jeito de previsão digna de um Velho do Restelo: “...Os mercados traçarão as suas linhas de defesa do Euro em Espanha, cuja situação é tão ou mais complicada que a nossa mas, cuja saída do Euro levaria não só ao fim da moeda única como também à implosão da própria União Europeia e, consequentemente, dos seus lucros...”. De facto, infelizmente, não me enganei em nada.

Senão vejamos o comportamento da UE, dos mercados que no sentido de preservar o Euro, ainda que por uns meros meses: vão injectar 100 mil milhões de euros no sistema bancário espanhol sem que, aparentemente, seja necessário assinar formalmente um memorando  de entendimento  que contemple com uma série de medidas de austeridade, de contenção orçamental e reformas estruturais. Aliás, como aconteceu à Grécia, Irlanda e Portugal quando foram alvos de um “resgate”.

Os Espanhóis já foram obrigados a adoptar uma série de medidas de austeridade, no entanto desenganem-se aqueles que pensam que  nuestros hermanos irão ter a vida facilitada em relação aos outros países intervencionados, pois a Alemanha, o BCE e os burocratas em Bruxelas na passada Segunda-feira deixavam o seguinte  recado:  “O resgate financeiro destina-se à banca espanhola, mas o acordo alcançado no sábado pelo Eurogrupo estabelece, também, a implementação das recomendações já feitas a Espanha pela Comissão Europeia.

Ou seja, é um acordo com condições para os bancos, mas que não esquece também outras exigências, entre elas :o cumprimento das medidas já assumidas de combate ao défice excessivo e de correcção de desequilíbrios orçamentais, no quadro do Semestre Europeu.  O progresso nessas áreas será revisto atenta e regularmente, paralelamente à ajuda financeira”.

Os pontos centrais das recomendações europeias estão no relatório sobre Espanha divulgado no dia 30 de maio, onde, Bruxelas considera que em algumas áreas as políticas do executivo espanhol carecem de ambição para responder aos desafios que a actual situação levanta.

A Comissão Europeia considera que é necessário uma maior consolidação fiscal e disciplina ao nível regional, para recuperar a confiança dos mercados e travar o rápido aumento da dívida pública.

Entre outros problemas, a CE considera que, há fracos níveis de concorrência em sectores de serviços e retalho, fracos ajustes no aumento salarial e fraca produtividade. A nível laboral, vai mais longe, ao considerar que a reforma laboral aprovada «não foi suficientemente ambiciosa», especialmente por não corrigir os aumentos salariais indexados à inflação e não reduzir segmentação laboral.

Resumindo, Espanha pode não ter um memorando de entendimento assinado, pode formalmente até não se considerar sobre resgate, mas a verdade é que o espaço temporal que irá decorrer entre este empréstimo à banca, e um futuro novo resgate seja formalizado será mínimo, uns parcos meses e depois voltaremos à estaca zero...

As questões que se levantam a nível europeu são: até quando é que esta farsa se manterá? Quantos terão que sofrer, desesperar e morrer para que possamos encarar a realidade e começar a resolver esta situação atroz?

A nível nacional, além das questões levantadas no parágrafo anterior levanta-se uma outra: Até quando vamos deixar que a Pátria, a Constituição e os Portugueses sejam ameaçados, acossados e feridos de morte?

Abraço
Nuno Melo.

publicado na página do Facebook da Associação de Oficiais das  Forças Armadas (AOFA)


Um abraço ao  Meu camarada francisco Serra que nos passa A ACOMPANHAR NESTE ESPAÇO, Esperamos os teus poemas.

terça-feira, 19 de junho de 2012

enquento nao vos fizerem em picado, nao querem perceber!!!!


"A Cabra o Carneiro e o Cevado" 

 Uma vez
Uma cabra, um carneiro e um cevado
Iam numa carroça todos três,
Caminho do mercado...
Não iam passear, é manifesto;
Mas vamos nós ao resto.
Ia o cevado numa gritaria,
Que a cabra e o carneiro
Não podendo na sua boa fé
Acertar com a causa do berreiro,
Diziam lá consigo:
Que mania!
Cá este nosso amigo
E companheiro
Por força gosta mais de andar a pé!...
o caso é
que o cevado gritou tanto
ou tão pouco
que o carroceiro
perde a cabeça
vai como louco
saca o foeiro
e diz:
homessa !
eu inferneiras tais não as aturo
ouvir berrar há tanto tempo é duro
o senhor não vê que esta em chora
nem ao menos
as lágrimas lhe saltam
o que é tão natural
numa senhora
goelas não lhe faltam
e de ferro
o ponto é que ela as abra
mas é cabra;;
teve outra criação
não dá alguma sem alguma razão
e julga que este cavalheiro é mudo?
tem propósito é sério é sisudo!
às vezes, dá um berro que estremece tudo
mas é só quando é preciso
tem juízo
miolo!
miolo... exclama o outro!
pobre tolo!
ele supõe que o levam à tosquia
e por isso nem pia!
e esta,$pensa que vai de carro ao tarro
vazar a teta
pobre pateta
mas porcos não se ordenham
cevados não se ordenham
nem tosquiam
demais sei eu
demais sei eu
o fim com que se criam
por isso grito e gritarei
do fundo da minha alma
até à morte
aqui d'el-rei aqui d'el-rei
gritava como um homem muita gente
não discorre com tanta discrição
infelizmente
quando o mal é fatal
a lamuria que vale
que vale a prevenção
mais vale ser insensato
que prudente
o insensato
ao menos
menos sente
não vê um palmo adiante do nariz
vê o presente!
está contente!
é mais feliz!!

João de Deus


segunda-feira, 18 de junho de 2012

PORTUGAL DOR : 1960- 1975 - A GUERRA



O 25 DE ABRIL 74 FOI O TRATAMENTO CONTRA ESTE CANCRO,  O DA GUERRA. TRATOU-O, NÃO CUIDOU BEM DAS SEQUELAS. FOI TREMENDO QUE NÃO O TENHA FEITO.

DEI O MEU CONTRIBUTO PARA QUE ASSIM FOSSE, MAS NOS MEUS 25 ANOS DE IDADE ERA INIMAGINÁVEL QUE A MALDADE E A CRUELDADE HUMANAS FOSSEM TÃO INFINITAS: SONHÁVAMOS  COM A PAZ, O DESENVOLVIMENTO E O ENTENDIMENTO ENTRE RAÇAS, MAS ACONTECEU A GUERRA CIVIL E A EXPULSÃO DE 500 MIL PORTUGUESES, E, ASSIM, QUÃO DIFERENTE FOI TUDO. TUDO FOI MUITO MAIS TRÁGICO.

MAS TUDO PODERIA SER DIFERENTE?


 QUANDO HOJE JÁ CONHEÇO E RECONHEÇO COM EDUARDO LOURENÇO QUE A HISTÓRIA DOS HOMENS É CRUELDADE E TRAGÉDIA,TALVEZ NADA, POSSA SER DIFERENTE ALGUMA FEZ DO QUE FOI, NEM ISSO INTERESSA MUITO AVALIAR, MAS, SEJA COMO FOR, SENDO A PAZ, O AMOR, ARTEFACTOS RESIDUAIS, PENSO QUE O MAQUIAVELISMO DA GEOPOLÍTICA DESTRUIRIA QUALQUER OUTRA MODALIDADE DE ACÇÃO DA QUE SE EXECUTOU, INDEPENDENTEMENTE DAS RESPONSABILIDADES COLECTIVAS E INDIVIDUAIS QUE TENHAM FACILITADO ESTA TRAGÉDIA.

HONRA ÀS MULHERES E HOMENS QUE REGRESSARAM E VENCERAM, E AOS PORTUGUESES QUE CONTRIBUÍRAM PARA QUE TUDO SE FOSSE ULTRAPASSANDO, E HONRA AOS AFRICANOS QUE, AINDA, TRAGICAMENTE SE BATEM PELA PAZ E PELA DEMOCRACIA, NOS SEUS PAÍSES.

COM AMOR.

andrade da silva

domingo, 17 de junho de 2012

PORTUGAL NO DIA ANTES DE UM EVENTUAL VENDAVAL GREGO-EUROPEU





Percebe-se porque os poderes Europeus e outros partidos e militantes queiram atirar para debaixo do tapete o que se está a passar na Grécia, mas está a acontecer.

 Em Portugal só o Bloco de Esquerda levanta espadas e o copo de champanhe em nome do Syriza que quer fique em 1º ou  2ºlugar é o grande vitorioso destas eleições na Grécia e na Europa,  mas para quê ? Logo se verá!....

Mas como estamos, hoje, em Portugal?

 Comecemos por essa longínqua história, tão mal contada,  do 25 de Abril 74, para lembrar aos que pedem novo 25 de Abril que a situação de hoje, já nada tem a ver com aqueles tempos, e é preciso saber Historicamente o que se passou. A mistificação em prol de outros  que distorça a realidade é um erro ( crime ) contra Portugal e os Portugueses.

O 25 de Abril vingou, porque quase todo o Exercito estava contra o regime, e  sobretudo a guerra de Africa,  e as Forças Armadas também, garantido a sua neutralidade activa.  A GNR e a PSP estavam desmotivadas, e a PIDE sabia que contra o Exército pouco podia. A adesão dos oficiais era massiva na metrópole e em África, logo, de um ou de outro modo, inevitavelmente, o regime ia cair, qualquer serviço de informações não poderia chegar a outra conclusão, e no caso da PIDE o conhecimento dos generais  que emergiriam,  no pós golpe, sobretudo o General Spínola  deve de os ter  confortado, e com razão, como depois se veio ver.

 O 25 de Abril  de 74, o histórico, até à s 12- 13 horas do dia 25 de Abril foi uma acção exclusivamente militar. Depois o Povo tomou conta da coisa e foi a Revolução. Uma parte do povo foi iniciada nessa acção, diretamente   sobretudo pelo PCP e outros antifascistas que contagiaram o POVO à espera de uma mudança em Portugal.   

 Então a realidade era muito simples  e clara:  as Forças Armadas eram a Instituição Nacional suprapartidária que merecia uma aceitação e credibilidade que mais nenhuma instituição detinha, e estavam a lutar pela democracia, logo o fruto foi a Liberdade.

Hoje a realidade nada tem a ver com isto. A realidade  hoje é a de e uma democracia  podre, legal, legitimada pelo voto popular e governada há muitos anos por governos que não cumprem os programas votados, nem a constituição e governam desde o poder central ao local com violação grave dos bens públicos, e politicamente há  um bloco politico subordinado ao estrangeiro PSD, CDS e PS e a UGT (75%, a 80% dos 50% que votam)   bastante homogéneo no essencial a favor do actual capitalismo cientifico e de casino, e do outro lado o PCP, a Inter- Sindical e Bloco de Esquerda ( 15% a 20% dos votantes) com a característica  de  pouco homogéneo. Em termos de partidos ,o PCP e o BE não se entendem, e agora, talvez  menos com os novos acontecimentos da Grécia.

Todavia na actual situação    todos sabem  que o PCP detém um poder ao nível dos sindicatos, organismos culturais e no poder local  muito para além da sua expressão eleitoral, face à militância dos seus membros, e tudo isto com  um PS que não se liberta da direita ,e também não surge uma nova força da esquerda socialista, torna a situação em Portugal  politicamente dramática, podendo ou não, o caso Grego mexer com a estagnação.

Todavia,  talvez nada aconteça  quer porque o medo deve ter condicionado o voto dos gregos, quer porque o Syriza pode desiludir. Sendo preciso derrotar as politicas alemães, a Grécia tem de  ao mesmo tempo erguer um estado decente e moderno,  o que,  nem tem, e  lutar pela liberdade e a democracia tem de assentar na verdade, na responsabilidade  e na própria LIBERDADE.

Em conclusão sem a libertação do PS  da canga da corrupção e das politicas liberais, o que já não parece possível, ou  a libertação do povo Português da alienação,  através de um grande movimento de cidadania pela Democracia, a Dignidade e o Desenvolvimento, o que poderia e deveria acontecer nas próximas eleições Presidenciais (único momento em que nesta democracia residual o cidadãos têm voz e ainda  podem ter melhor e maior, como apesar do fracasso na escolha da personagem demonstrou a candidatura de Fenando Nobre).

Contudo  se este momento não for aproveitado, só mesmo um grande desastre vai mudar algo, que pode ser o regresso a um regime ditatorial, quiçá de extrema-direita, por via não eleitoral.

A via eleitoral com  a má lei eleitoral,  pachorrentamente,  criou o rotativismo PS –PSD  – o mais do mesmo, o impasse,  embora outros, agora,  com a Grécia com pano de fundo pensem outros horizontes, a que chamam utopia, mas utopia para quem?

Creio que a utopia é fazer uma destruição construtiva  -o 25 de Abril necessário no interior dos partidos para os libertar do aparelhismo, abri-los à sociedade para ouvirem a sociedade e não só querem doutriná-la  –  de modo a criar- se um novo grupo de liderança democrático, patriótico,  universalista, humanista e não corrompido por praticas ditatoriais e jogo de interesses, corrupção, espionagem e perseguição. Acontecerá?...

DO DESERTO ECOA O SILÊNCIO, DO MEDO E DA SEGURANÇA DA PODRIDÃO. O PÂNTANO É UM RISCO MENOR QUE A LIBERDADE.NO PÃNTANO MORRE-SE LENTAMENTE A LIVBERDAE PELA LIBERDADE PODE MORRER-SE POR ANTECIPAÇÃO.

andrade da silva

sexta-feira, 15 de junho de 2012

SYRIZA: GRÉCIA, EUROPA- SALVAÇÃO/SONHO, TRAGÉDIA /PESADELO, SALVAÇÃO…








“ MAS A GRÉCIA FOI RISCADA DO MAPA? DEIXOU DE EXISTIR? PENSO QUE NÃO, E COMO VAI DAR QUE FALAR,  ANUNCIO OS TEMPOS QUE AÍ PODEM VIR. O QUE SERÁ… SERÁ!...”

A 18 de Junho  2012, na Europa ou estaremos numa situação mais pantanosa que a actual, isto é, mantém-se o impasse na Grécia sem ninguém poder formar governo, ou,  no mesmo sentido, se ganharem  os partidos pró- resgate e conseguirem uma maioria; ou, num sentido de revolução, se  o  Syriza nascer na Grécia, no dia 18, como a salvação, a materialização do sonho - a Grécia passaria de  novo a ser um pais independente e os Gregos Libertos da escravização, voltariam a ser cidadãos gregos, como antes, embora de um modo diferente da chegada dos invasores troikianos.

Mas como  poderá ser realmente o 18 de Junho de 2012, na Grécia e na Europa, e também em, e para Portugal?

Os gregos que vão votar Syriza querem  o regresso imediato à Grécia  de antes da crise, mas isso não acontecerá: se a Grécia sair do Euro tem um muito complicado problema para vencer, desde logo,  como garantir a alimentação do povo grego, o funcionamento  da economia etc.

Todavia, perante este sonho da liberdade fora  do euro, o líder do Syriza,  começa a dizer que é preciso negociar com a UE e a sra Merkel as condições para se manter no Euro, porque a saída da UE, seria a morte desse grande projecto  Europeu que o líder do Syriza,  Alexia Tsipras, diz não querer destruir. Para si, o destino da Grécia está, como sempre esteve, ligado ao da Europa, e vice-versa.

Esta diferença de linguagem entre a saída da UE e manter-se e negociar pode dar lugar ao pesadelo para os gregos que votaram Syriza num sentido de libertação que pode ser adiado, e vir a não ser conseguido se a Alemanha continuar a insistir na sua politica de austeridade. Politica, nos seus actuais termos,   inaceitável e impossível para a Grécia.

Contudo se a Europa e  a Alemanha continuarem a ignorar o Syriza no caso de ser o vencedor, agora,  numa posição mais flexível  que em  Maio, não caberá somente  à Grécia  resolver a sua tragédia, ou seja, não podendo nem ficar, nem sair da UE e do Euro, a Grécia, decidirá,  naturalmente, pela  situação de igual sacrifício e diferente honra e orgulho nacional, e, nesta situação limite,  de rompante ou assistida sairá da UE, então, poderá  iniciar-se a tragédia grega na sua plenitude, para  a Grécia e a Europa, pois também parece ser duvidoso que o Syriza possa ser capaz de conduzir a Grécia, pela tormenta da tragédia,   gerada, para a salvação.

Neste quadro e antes mesmo que o Syriza prove a sua capacidade de pôr a Grécia a funcionar, o sonho que transporta pode contagiar Portugal, reunindo-se em torno do bloco de esquerda, os que desejam a libertação do país e vêm neste partido o Syriza Português, o que, além de poder ser precipitado pode lançar-nos na tragédia, a que o Sryza pode conduzir a Grécia.

Será avisado ver primeiro de que é  capaz o Sryrisa,  que novos caminhos e governança  traz, e, em simultâneo,  lutar-se com denodo e imperativamente,  por politicas de crescimento e desenvolvimento na Europa e, sobretudo,  nos países periféricos e em Portugal.

O Syriza vai ser pressionado para,  desde já, libertar a Grécia, o que , perante  uma eventual,  grave  e perigosa indiferença da UE  pode acelerar esta decisão, mas na cava mais funda da tragédia  a Europa e, sobretudo, Portugal,  Grécia, Espanha, Itália, França têm de fazer um grande esforço para que a União Europeia ultrapasse esta crise global do Euro, apoiando, solidariamente, os países periféricos.

Todavia,  se tudo se mantiver do lado Alemão com a imposição de uma politica de austeridade  impossível e estúpida para a Grécia, e para Portugal, o Syriza ganhar as eleições e formar governo também com exigências impossíveis, mas,  eventualmente negociáveis, como diz o líder do Syriza,  mas  ao fim e ao cabo, nada se negociar, o presente e o Futuro da Europa vão ver terrivelmente abalados, provavelmente cairemos numa tragédia que, sabe-se lá como e quando, descobrirá a salvação, já não a possível, mas a heroica.

O certo é que a 18 de Junho tem de se iniciar um novo ciclo politico na Europa, porque o contágio Syriza, num ou em vários sentidos, vai sentir-se em Portugal e na Europa, e, isso, não  vai poder ser ignorado,  muito embora, não pareça que os vários cenários que se põem, e que podem mexer mais com  a Europa que  a eleição de Hollande, estejam a merecer a atenção adequada dos lideres e governos europeus, e  percebe-se porquê - a Vitória do Syriza demonstra a completa falência dos partidos tradicionais. 

Todavia,  para mim,  o grande senão desta opção grega, quanto ao que se conhece por cá,  é que o Sryza  fechou-se  muito sobre a questão pró ou contra  o resgate, o que , como projecto de governação para um país é simplista.

 Seria importante que falasse do sistema politico, económico, social, de emprego que defende, assim, como parece estar a ser feito, agarra-se mais ao que uma parte importante da população quer ouvir - sair da UE, rasgando os compromissos do resgate, mas evita  discutir todas as consequências e desenvolvimentos de tal decisão,  facto que me parece importante e da maior gravidade ou mesmo irresponsabilidade não se fazer.

Ter um pais falido e com uma quebra de 30%  ( a reintrodução do escudo levaria a uma desvalorização idêntica ou superior) das economias pessoais e na moeda que tudo, ou quase tudo, tem de comprar no exterior, será sempre  um facto com uma dimensão catastrófica ou lá muito próxima, mas!...

Porém, creio que o re-renascimento europeu só poderá estar num imenso movimento de cidadãos de bem, marchando ao som de um  hino de amor e força, que poderia ser a canção de Fanhais – “ Porque”   e sob as bandeiras da DEMOCRACIA PARTICIPATIVA; DA DEFESA DA DIGNIDADE HUMANA DO NASCIMENTO ATÉ A MORTE; E DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO: ECONÓMICO, SOCIAL, CULTURAL, ECOLÓGICO E ÉTICO.

De resto, coisas velhas e putrefactas que passarão, embora, antes possam destruir milhares de cidadãos e até um povo, como os peixes invasores, o siluro- europeu, que dizimou, no Ebro, espécies inteiras de peixes endémicos, e o Ebro jamais voltará a  ser o  Ebro. Espero que outro destino esteja reservado à Grécia, Portugal e Europa, mas…

Apesar das nuvens negras de Breu acredito no RE-RENASCER da EUROPA e do nosso PORTUGAL LIVRE DEMOCRÁTICO UNIVERSALISTA, mas um novo grupo de Liderança faz falta, e de que modo! 

As raízes, as estacas da Polis estão mais podres do que nunca, quer pelo muito pouco,  que já é muito, que se vai sabendo, mas também, pelo muito que  provavelmente não se sabe.

andrde da silva

PS:

Saudarei  no Domingo com muita alegria o fim do regime do Centrão dos interesses e da corrupção na Grécia, como é evidente, se isso vier a acontecer, e espero que venha, As sondagens dão 30% de votos ao Syriza, Tenho é fortes dúvidas que o Syriza protagonize o renascimento da Grécia e da Europa: segundo os eixos da Democracia, a Dignidade e o Desenvolvimento.

 Sempre os três D.

publicado em: 012-06-15 - Andrade da Silva - "SYRIZA: GRÉCIA, EUROPA – SALVAÇÃO / SONHO, TRAGÉDIA / PESADELO, SALVAÇÃO…"

Este artigo insere-se no projecto de colaboração de Amigos e Amigas da AOFA e o seu conteúdo é da exclusiva responsabilidade do Autor.

http://www.aofa.pt/artigos/Andrade_da_Silva_Syriza.pdf 

DIA DE PROTESTO e INDIGNAÇÃO EM 16 JUNHO 2012



 
Junto a minha voz aos que amanhã, povo do meu país, gritarão, com justiça e indignação, contra:
o Governação estrangeira;
O DESEMPREGO;
a Corrupção;
 a Injustiça Social;
O baixo salário mínimo e médio, e os altíssimos e imorais vencimentos de gestores de falências;
A completa falta de supervisão de serviços de utilidade pública, como os prestados pela EDP com lesão de milhares de utentes com as taxas bi-horárias ( vejam os relógios  dos contadores estão atrasados de minutos a horas;
O confisco do 13 e 14ª meses;
A brutal e estúpida política de austeridade que cria uma onda de desemprego sem solução por décadas;
A desqualificação do Serviço Nacional de Saúde, com meses e meses à espera de consultas, 10 ou mais meses, e operações adiadas sem data. Não terá morrido mais pessoas, se não morreram ficaram a sofrer mais tempo?
Estarei com todos os portugueses e ao lado de muitos GRITAREI PELA INDEPENDÊNCIA DO MOVIMENTO SINDICAL.
 
 A actividade sindical  nunca deveria ser prisioneira, nem do estado, como acontecia no fascismo, nem de nenhum partido. Os  dirigentes sindicais devem  ser objectiva e subjectivamente independentes das estratégias e tácticas partidárias.
 
  Uma vez mais é lamentável que a UGT fique na outra banda, quando é preciso o esforço de todos,.
 
A hegemonia que existe é  do liberalismo, da corrupção e das negociatas, logo…

andrade da silva

PS:     MAS SERIA IMPORTANTE LEMBRAR A MUITO DOS QUE VÃO PROTESTAR:

 que é o futebol, pois é preciso dizer que o futebol vai buscar os milhões de euros  aos adeptos e a muitos outros que não o são   e pagam balúrdios pelas  coisas  que compram, para sustentarem esses reis da bola - é lindo jogar futebol, É uma barbaridade pagar o que se paga aos futebolistas que lhes permite terem um ou mais carros de 300 mil euros, ou seja cada carrinho dava para pagar um  mês de salários  mínimos a 600 mil desempregados . 

Tudo dito.


Um Emigrante Morre em Russelsheim a pensar no regresso



Na apresentação do Livro:

Nota:
 Em 14 de Dezembro de 1980 faleceu em Russelsheim, na República Federal Alemã, o emigrante português Joaquim Marques dos Reis.
........Joaquim Marques dos Reis, operário e dirigente de uma Associação  de emigrantes portugueses na cidade onde vivia, lutava pele transformação do mundo e amava muito a sua terra, os trabalhadores como ele e também as crianças. Isso se pode ver através da leitura dos seus poemas........

..............da Fraternidade ele tinha conhecimento. Com fraternidade lemos as suas composições simples e as organizámos para publicação. Este livro não é mais  de que uma homenagem a um homem que trabalhou, lutou e acabou por morrer, quando o sonho do regresso ia ser finalmente concretizado.

............ Brincar com a vida e o sofrimento dos emigrantes, aproveitar-se de tudo isso para manter o poder,eis o que fazem agora, os que afinal levaram Joaquim Marques dos Reis a emigrar ao lado de centenas de milhares de outros portugueses, por não terem condições para sobreviver. Hoje novamente no poder, essa gente privilegiada, através dos seus representantes  políticos, manipula os legítimos anseios, dos que vivem e trabalham lá fora, tenta servir-se dos emigrantes para conseguir manter o poder precário e fugidio.

Lisboa, Março de 1981
António Modesto Navarro


Regresso
            I
Vida traiçoeira e bela
Que um homem emigrado tem
Perde amigos, faz amigos
é sempre assim um vaivém.

              II
Nesta sociedade mal traçada
A vida imprecisa, inconstante
Traz-nos alegrias e tristezas
E vai-se desfazendo por aí adiante.

                III
Emigrar, emigrar à procura de nada
Perder-se a mocidade a sonhar
Ai que vida mal traçada
Que a gente tem fora do lar.

                 IV
Regressar, regressar à Pátria
Para uma vida mais calma
Onde  tristeza mais precária
Não seja vida que se derrama.

                    V
A duplicidade no sofrimento
Do Português fora, imigrado
Tira-lhe todo o contentamento
Como se fosse um homem acabado.
  
Joaquim Marques dos Reis