quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

VIVA A VIDA!


VIVA A VIDA!

Ergo a minha voz, alma e coração,
Contigo, cara amiga e amigo,
E, por entre, Sóis, Luas, Escuridões,
Dores, Alegrias,
Gentes, Plantas, Animais e Minerais,
Damos uns Vivas, do Tamanho do Cosmos:
À VIDA, a toda a espécie de vida;
À amizade, fraterna, rara e preciosa
Que nos conforta;
Ao Nascimento e às mulheres-mães
Que estoicamente nos transportaram nos seus ventres,
Dia e noite, no trabalho e no lazer,
Durante longos tempos e canseiras.
VIVA à mulher-mãe!
Um Viva de reconhecimento, sem fim,
A todos os que produzem tudo, de quanto, necessitamos,
E tantas vezes, quase sempre, os esquecemos.
Um Viva sonante, ébrio de paixão, aos artistas
Que nos dão a conhecer a face do belo.
Um Viva a todas as mulheres e homens
Que amam e servem o seu próximo.
Um Viva que é também um grito de raiva,
Por ti, meu irmão, palestiniano, israelita, angolano,
congolês, brasileiro, que morres, neste momento,
Nesta hora tardia do sofrimento,
Sempre longe da alvorada,
De fome ou de guerra.
Mas que diferença faz morrer de um, ou de outro modo?
Se tu querida irmã, querido irmão tens o direito à vida.
UM VIVA MUITO ESPECIAL A TI, AMIGA E AMIGO,
POR SERES QUEM ÉS
E SERES MINHA AMIGA, MEU AMIGO.
Obrigado!
E, ainda, um Viva à ventura
Para que seja vossa companheira,
Em Todos os dias de 2009 e para todo o sempre.
VIVA À AMIZADE FRATERNA, LIVRE, IGUAL, ETERNA.
AMIGAS, AMIGOS, MUNDO, IRMÃOS
ABRAÇO-VOS!

andrade da silva 31 de Dezembro de 2008




Amigas e Amigos
Desejo-vos o melhor, e que tragam ao círculo da nossa amizade fraterna e sincera mais amigas e amigos, para, entre tantas outras coisas, falarmos da vida, de Portugal e do Mundo, mas sempre, por mais que os corações estejam doridos, cantarmos um hino sereno, apaixonado, lânguido à vida.

BOM ANO, BOA PASSAGEM DE ANO, ÓPTIMO PRIMEIRO DIA DE Janeiro UM DIA DA PAZ que não será de PAZ para tanta gente.



05 - POEMÁRIO * Pátria




A minha pátria foi a tentação de um cais
que se inventou num caos de angústias e sinais!

No instante marulhar, o pélago profundo
trazia, nas marés, as seduções remotas
de mundo mais além do limitado mundo
que errava, resignado, o voo das gaivotas.

No longe, em seu ousar de estrénuo vagabundo,
o vento adivinhava enfeitiçadas rotas!...
Que terras pode haver além de mim ignotas?
Assim sondava o cais o pélago profundo.

E, um dia, disse ao lenho atávico que fosse
em busca da visão plantada nos pinhais...
E o lenho foi e, quase alucinado, trouxe
a nova de que ousar é ir além do cais...




José-Augusto de Carvalho

27 de Dezembro de 2008.
Viana * Évora * Portugal
Do livro em construção: DO MAR E DE NÓS

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

13 - REFLEXÕES DE G.F. * Hoje

Apercebo-me de que as minhas reflexões reflectem uma aprensão crescente. De dia para dia, as surpresas de mau gosto, somadas à degradação evidente, anunciam tempos difíceis, talvez até de retrocesso. E neste balanço não incluo quem fez do mau gosto a sua bandeira e elegeu a degradação como ideário. Apenas me refiro a quem se incorporou na caminhada da emancipação e, agora, avilta um caminho de honradez e espezinha a humanidade de uma esperança.

Todos sabemos que algumas decisões precipitadas provocam situações desesperadas. Também todos sabemos que quando a exigência diminui, as surpresas acontecem. Daí a urgência de se tomarem medidas drásticas, para se evitarem males maiores.

Estamos num tempo de decisões. E adiá-las será trair a esperança.

Houve um tempo em que se acreditou que um modelo de sociedade geraria o homem novo. Hoje, sabemos que será o homem novo quem criará um modelo de sociedade. E o homem novo será aquele que romper com o passado que é este presente que vivemos, velho de séculos de degradação, de corrupção, de vilania. É inadiável dizer não. Ainda que esse não signifique trilhar o caminho sozinho. Até porque, se bem atentarmos, a libertação começa por ser uma acção solitária, como que um renascer...

Gabriel de Fochem

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

2008 UM ANO DE GRAVE CRISE DOS VALORES, ALICERCES DA DEMOCRACIA



O ano 2008 termina como alguns, em tempo oportuno, em Fevereiro, alertaram o país e altos responsáveis para que uma grave crise vinha aí, e que não seria meramente financeira, mas sobretudo económica. Crise que já tinha dado alguns sinais em Portugal com o aumento do desemprego, das taxas de juro e os vencimentos e prémios escandalosos dos gestores e administradores, de que até falou o Sr. Presidente da República, isto é, a crise já tinha uma dimensão interna, nos níveis financeiro, económico, social e moral

Eu próprio reportando-me a uma conferência do economista Ferreira do Amaral, no Ministério da Defesa, em Fevereiro, fiz um alerta para o que iríamos ter pela frente. Neste sentido dirigi memes ao Sr. Dr. Mário Soares, publicados no blog, silenciado da Associação 25 de Abril, recordando-lhe que não seria suficiente governar um pouco mais à esquerda, como, então, o antigo Presidente da República defendia, também apelei ao Sr. deputado Manuel Alegre para agir muito para além das abstenções em votações.

Para além da crise económica e financeira termina-se o ano com uma crise social grave, baseada numa flagrante injustiça neo-liberal, em que todos os ganhos que o erário público conseguiu, obtidos na segurança social com base no sacrifício desumano e inaceitável de milhões de desgraçados e dos trabalhadores em geral, são agora mobilizados e gastos ao desbarato para defenderem as grandes fortunas de uns poucos por cento de cidadãos de Portugal.

Também no contexto interno é preciso referir que as alterações de várias politicas sectoriais tiveram consequencias dramáticas na vida de muitas pessoas. Neste caso, estão, por exemplo a retirada de comparticipações a um conjunto de análises médicas de rotina, medicamentos, o mesmo na área da medicina oral e na das medicinas alternativas, criando dificuldades tremendas aos doentes já fidelizados às mesmas e aos diplomados nessas áreas que, de um momento para outros, viram-se sem doentes com capacidade de custear as consultas e de adquirem os medicamentos que são, de um modo geral, caros, isto é, nesta área desrespeitaram-se direitos dos doentes, e criou-se uma situação de crise grave entre os seus técnicos.

Também se chega ao fim do ano com um PSD na ante câmara da morte; um PS neo-liberal, arrogante e autista, confiante que as pessoas protestam na rua com o Bloco de Esquerda, mas votam PS, como afirmou o deputado Lello, o que lhe dá força acrescida para ampliar as politicas dirigidas, sem dó nem piedade, contra os trabalhadores, as classes médias.
Concorrendo para esta tragédia está o facto de que a alternativa de esquerda, sob a bandeira da convergência de esquerda, está somente a ser canalizada para o aumento do peso eleitoral do Bloco de Esquerda, o que, a acontecer dificilmente tirará a maioria ao PS neo-liberal, e enfraquecerá perante uma nova maioria do PS a sua ala de esquerda, nomeadamente a posição de Manuel Alegre que verá necessariamente a sua posição enfraquecida no interior do PS, e será acusado de ter promovido uma transferência de votos para o BE, o que, objectivamente, é mesmo assim, resta perguntar com que efeitos para a politica nacional?

Na minha opinião qualquer caminho que Manuel Alegre prossiga no interior ou fora do PS deve ser autónomo com alternativas próprias que não podem ser o ruído do Bloco de Esquerda, que sendo útil não é uma alternativa de Governança, do que as pessoas se apercebem, como diz o deputado Lello, no momento da votação.

Naturalmente que defendo todo o diálogo e convergência de esquerda para enfrentarmos as dificuldades, mas, neste momento histórico, o que falta em Portugal é um partido, uma força política de centro – esquerda, social-democrática e socialista, que obrigue os neo-liberais a assumirem-se como tal, e a serem sufragados nas urnas, sem disfarces, com seus programas neo-liberais.

O caminho que julgo de maior Sol para Portugal e os portugueses seria que esta realidade acontecesse, através da reconquista da social-democracia no interior do PS, mas com a blindagem de Betão que Manuel Alegre diz existir e com o Ministro Santos Silva, como o da ideologia deste governo, tal mudança parece impensável. O ministro Santos Silva se, ontem, extremou as suas posições à esquerda, hoje, com maior virulência as agudiza à direita. É o comportamento pendular, característica de determinadas personalidades.

Marca lugar, ainda, no fim deste ano conflitos sociais graves, como seja o dos professores em que espantosamente acerca da avaliação vão todos de passo errado. O que o governo propõe tem erros graves, aliás, os mesmos da avaliação dos militares e dos funcionários públicos, e o que os professores propõem não é uma avaliação, mas sim uma auto –avaliação, seguida de uma troca de impressões com os órgãos de gestão da escola.

Tudo isto é muito grave, porque impedirá o estabelecimento de uma cultura democrática que para o ser, tem de assentar no mérito, na liberdade e na negociação responsável e ética, outras formas de impor soluções sejam feitas pela força das maiorias para injustamente fazerem cumprir os seus desígnios , ou pela pressão da rua para negar a justiça da prática de um acto legitimo e imperativo, são comportamentos que tem como raiz as sequelas do regime ditatorial, acientífico e ignorante que foi destronado em 25 de Abril 74.

Mas a questão mais pesada será a do desemprego e da miséria, associada à generalizada corrupção que crassa pelo país, sem punição, isto é, aumenta a miséria, mas os ricos ficam ainda mais ricos, e quando entram em queda livre na falência, por gestão danosa e corrupta, lá vai o governo socorrê-los, como aconteceu com o banco Privado de Negócios, onde, se acantonavam as 3 mil famílias mais ricas de Portugal que sabiam do negócio especulativo daquela instituição.

Ganharam milhões, e, agora, o Governo aparece para proteger as fortunas fraudulentas com dinheiros públicos que deveriam ser utilizados mais produtivamente noutros investimentos, e, aqui, uma vez mais, através de uma pseudo nacionalização se vai sanear financeiramente aquele banco, para depois o entregar por preços simbólicos ao sector privado, provavelmente com dinheiros emprestados pela concorrente CGD, algo semelhante ao que parece que aconteceu com a compra do Totta, aquando das privatizações.

O ano também termina com algumas sombras sobre Belém, (diz-me com quem andas…), o facto de Dias Loureiro se manter como conselheiro de Estado parece só ser possível com o apoio pessoal do Sr. Presidente ao seu amigo de sempre Dias Loureiro.

Com todas estas sombras, com o PS do Sr .Eng. Sócrates a cumprir o papel histórico que lhe cabe nesta fase neo-liberal do capitalismo, com os sociais-democratas e os socialistas esmagados e fora dos sectores de poder, com Manuel Alegre numa indecisão já retardada, sem alternativas de governo à esquerda, com as cambalhotas de neo-liberais, como Durão Barroso, para se manterem à superficie, e com o eventual agravar da crise em 2009, graves canseiras e desassossegos vários nos esperam, mas o GRANDE DRAMA SERÁ SEMPRE OS DESEMPREGADOS, VÍTIMAS DESTES DESMANDOS NEO-LIBERAIS.

Naturalmente que se saúda a Lei da IVG, a lei anti-tabaco, a lei do divórcio, a chegada do Magalhães às escolas, o aumento do tempo de funcionamento das escolas, o apoio ao transporte escolar, mas tudo isto somado, podem ser migalhas face aos benefícios e isenções fiscais dos bancos e das grandes fortunas e, apesar destes factos positivos, nada, de modo algum, pode atenuar a severa critica à permissividade do Governo perante determinados negócios e vencimentos de gestores absolutamente imorais, face ao país que somos, e a censura não pode ser calada, nem maior, exactamente, porque o primeiro valor da democracia é a MORALIDADE E A ÉTICA.

É também verdade que face ao apertar do cinto a que a população em geral tem estado sujeita, Portugal tem respondido melhor à crise internacional, o que, teria sido um facto assinalável, se o esforço tivesse sido equitativo, mas, assim, não foi. Foi sim, desigual e injusto. A maioria está a pagar o desaforo de alguns milhares, que, entretanto, enriquecem, apesar e por força da crise.

Ainda quanto à crise internacional interessa sublinhar que esta tem estado limitada a sectores financeiros e económicos, onde, não estaríamos tão expostos como outros países, portanto, também os impactos serão mais colaterais e, estes, chegam mais tarde, naturalmente os seus reflexos só chegarão em 2009, com a sua expressão mais grave no aumento do desemprego.

Em conclusão ou mudamos de rumo em 2009, e aproveitamos as eleições para isso, ou tempos conturbados nos esperam, porque ninguém aceita ficar muito mais pobre, para que 1% ou 2% dos portugueses fiquem, ilegitimamente, mais ricos à custa do sacrifício de 80% ou mais da população.

As cartas estão quase todas lançadas e, neste contexto, quanto maior for a indecisão de Manuel Alegre e de outros agentes tudo fica mais fácil, para a continuação de mais do mesmo, ou ainda, como mais provável, pior do mesmo.

Uma nota finalíssima quanto ao braço de ferro entre a Presidência da República e o Governo, luta sem sentido a pronunciar outros conflitos, porque tudo poderia ter sido resolvido com a alteração dos artigos polémicos, ou com a fiscalização da constitucionalidade daquelas normas pelo Tribunal Constitucional, porque não seguiu o Sr. Presidente este caminho, e porque não deixou o PS cair as normas que deram origem a esta batalha, mais à frente se saberá, a razão de ser desta estratégia.

Andrade da silva 28 Dezembro 08


PS: Neste fim de ano não é possível calar o grito de desespero contra a comunidade internacional e os EUA por não se implicarem com toda a determinação na resolução do barril de pólvora e de morte do Médio Oriente e de muitos outros cemitérios de África, da Ásia e da América Latina, isto é, os mais pobres e miseráveis povos do mundo são mortos aos milhares e mesmo aos milhões às mãos de assassinos desses países, armados com armas produzidas no Mundo Rico e Democrático – grande paradoxo.

domingo, 28 de dezembro de 2008

AMIZADE E HONRA


Cara Marília, Caro Carlos Domingos, Caros Drs. Xencora Camotim e Goucha Soares


Como um dos jovens tenentes que em Novembro de 72 gritava, em carta de Angola, que vou publicar, endereçada a outro tenente, contra o regime fascista, em cujo derrube me empenhei desde a Alvorada do Movimento dos Capitães, fazendo questão por ser dos primeiros a assinar, de um modo legível, o meu nome nos documentos de protesto; por ter sido quem quase sozinho fez o plano de tomada da Escola Prática de Artilharia; chefiou a equipa que prendeu o comandante da unidade, e depois acompanhou os alentejanos na sua luta contra os latifundiários absentistas, senhores à Idade média e fascistas, sinto a maior alegria, por ler os vossos textos, bem como, as palavras de saudação do grande amigo Dr. Goucha Soares que com o Dr. Xencora Camotim, graciosamente, me defenderam no 3º Tribunal Militar de Lisboa, contra uma acusação infame, e uma sentença que raptou, nos idos de 77, um inocente durante dois anos.

Estas e muitas outras coisas ao longo de todos estes anos os vencedores do 25 Novembro calaram, para que se pense que os vencidos naquela data eram uns perigosos comunistas, totalitários. Pessoalmente nunca fui de nenhum partido e muito menos um totalitário, pelo que sempre pensei que a luta por Abril passa por repor algumas verdades históricas que alguns por conveniência pessoal ou por capitulação têm calado.

Nunca lamberei feridas, mas não serei cobarde, calando o que deve ser dito. Lutarei no presente pelo futuro, mas não esquecerei o passado, e tanto mais livre estou para fazer o que deve ser feito, porque nada peço, nada pedi, nada pedirei e nada espero. Sou guiado por um imperativo que muitos reconhecem como louco e estúpido, outros até de arrogante, mau feitio etc., mas que no caso de alguns é tão natural como respirar, sendo este o meu caso, de simples cidadão que exerce a sua cidadania, e entende que a “moralidade é fazer o que deve ser feito sem olhar às conveniências”. Muito simples, simplesmente, simples.

É ainda pelo passado de luta anti-fascista e pelas liberdades que com a maior alegria oiço as vozes dos que antes de nós e connosco lutaram e lutam por Abril, campo em que me encontro desde 1972, depois de ter passado pela guerra colonial, e d
aqui ninguém me tira. Entre outras coisas, sou filho de gente de bem e daquela rocha negra, basáltica, vulcânica que dá fundura e convicções aos que têm como Mátria, a Madeira.

Um grande e fraterno abraço para todos os que nos acompanham.


Andrade da silva 28 de Dezembro de 20
08

UMA RECEITA DE NATAL!










RECEITA PARA UM NATAL DOS POBREZINHOS

Natal de Juanito Laguna -António Bergi




Três gotas de calor sobre a raiz

daquela esperança ténue, quase morta,

pesadelos submersos na alma absorta,

raivas pisadas no almofariz




juntam-se a mil desejos imbecis

a cavalgar uma alegria torta

e aguarda-se que a sorte bata à porta

transportada num cântico feliz..




Disfarça-se o rancor à opulência,

coberto com farrapos de tristeza

num forno brando de miséria solta.



Sorrisos mendigados à consciência

distribuem-se, em cacos, sobre a mesa

enquanto a fome baila à sua volta.







Carlos Domingos


Dezembro de 2008

sábado, 27 de dezembro de 2008

10 - JORNAL DE PAREDE * Feliz Natal!


Feliz Natal a todos que pulam corda com a linha do horizonte e riem à sobeja dos que apregoam o fim da história.

FELIZ NATAL aos infelizes cativos do desapreço ao próximo, da irremediável preguiça de amar, do zelo excessivo ao próprio ego. E aos semeadores de alvíssaras, aos glutões de premissas estéticas, aos fervorosos discípulos da ética.
Feliz Natal ao Brasil dos deserdados, às mulheres naufragadas em lágrimas, aos escravos do infortúnio condenados à morte precoce. E aos premiados pela loteria biológica, aos desmaquiadores de ilusões, aos inconsoláveis peregrinos da vicissitude.
Feliz Natal aos órfãos do mercado financeiro, pilotos de vôos sem asas e sem chão, fiéis devotos da onipotência do mercado, agora encerrados no impiedoso desabrigo de suas fortunas arruinadas. E também aos lavradores da insensatez espelhada na linguagem transmutada em arte.
Feliz Natal às lagartas temerosas de abandonar casulos, ao desborboletear de insignificâncias cultivadoras de ódios, aos exilados na irracionalidade do despautério consensual. E aos dessedentados na saciedade do infinito, no silêncio inefável, nas paixões condensadas em prestativa amorosidade.
Feliz Natal a quem escapa dos indomáveis pressupostos da lógica consumista, dessufoca-se em celebrações imantadas de deidade, livre do desconforto da troca compulsória de presentes prenhes de ausências. E aos hospedeiros de prenúncios do leque infinito de possibilidades da vida.
Feliz Natal a quem não planta corvos nas janelas da alma, nem embebe o coração de cicuta, e coleciona no espírito aquarelas do arco-íris. E a quem trafega pelas vias interiores e não teme as curvas abissais da oração.
Feliz Natal aos devotos do silêncio recostados em leitos de hortênsias a bordar, com os delicados fios dos sentimentos, alfombras de ternura. E a quem arranca das cordas da dor melódicas esperanças.
Feliz Natal aos que trazem às costas aljavas repletas de relâmpagos, aspiram o perfume da rosa-dos-ventos e carregam no peito a saudade do futuro. Também a quem mergulha todas as manhãs nas fontes da verdade e, no labirinto da vida, identifica a porta que os sentidos não vêem e a razão não alcança.
Feliz Natal aos dançarinos embalados pelos próprios sonhos, ourives sapienciais das artimanhas do desejo. E a quem ignora o alfabeto da vingança e não pisa na armadilha do desamor.
Feliz Natal a quem acorda todas as manhãs a criança adormecida em si e, moleque, sai pelas esquinas a quebrar convenções que só obrigam a quem carece de convicções. E aos artífices da alegria que, no calor da dúvida, dão linha à manivela da fé.
Feliz Natal a quem recolhe cacos de mágoas pelas ruas para atirá-los no lixo do olvido e se guarda no recanto da sobriedade. E a quem se resguarda em câmaras secretas para reaprender a gostar de si e, diante do espelho, descobre-se belo na face do próximo.
Feliz Natal a todos que pulam corda com a linha do horizonte e riem à sobeja dos que apregoam o fim da história. E aos que suprimem a letra erre do verbo armar.
Feliz Natal aos poetas sem poemas, aos músicos sem melodias, aos pintores sem cores, aos escritores sem palavras. E a quem jamais encontrou a pessoa a quem declarar todo o amor que o fecunda em gravidez inefável.
Feliz Natal a quem, no leito de núpcias, promove despudorada liturgia eucarística, transubstancia o corpo em copo, inunda-se do vinho embriagador da perda de si no outro. E a quem corrige o equívoco do poeta e sabe que o amor não é eterno enquanto dura, mas dura enquanto é terno.
Feliz Natal aos que repartem Deus em fatias de pão, bordam toalhas de cumplicidades, secam lágrimas no consolo da fé, criam hipocampos em aquários de mistério.
Feliz Natal a quem se embebeda de chocolate na esbórnia pascal da lucidez crítica e não receia se pronunciar onde a mentira costura bocas e enjaula consciências. E a quem voa inebriado pelo eco de profundas nostalgias e decifra enigmas sem revelar inconfidências; nu, abraça epifanias sob cachoeiras de magnólias.
Feliz Natal a todos que dão ouvidos à sinfonia cósmica e, nos salões da Via Láctea, bailam com os astros ao ritmo de siderais incertezas. Queira Deus que renasçam com o menino que se aconchega em corações desenhados na forma de presépios.
.
Frei Beto
*
CARLOS ALBERTO LIBÂNIO CHRISTO , o Frei Betto, 64, frade dominicano e escritor, é autor de "A arte de semear estrelas" (Rocco), entre outros livros. Foi assessor especial da Presidência da República (2003-2004).
______________________________________________
revista o berro

CARTA DO HOSPITAL




"Lembro as nossas irmãs e irmãos hospitalizados e doentes, mas também os bons
médicos, enfermeiros e auxiliares que nos tratam. Ao nível médico lembro a minha
irmã, Ana Paula, médica no Hospital de Faro, e a Luisa, entre os enfermeiros o meu amigo
Alberto Pereira, e o meu filho João, destinatário principal desta carta.
Abençoados sejais. Abraço-vos.

LEMBRO, AO VER OS MORTOS, EM GAZA AS VÍTIMAS DA GUERRA.
MALDITOS TERRORISTAS, DE UM E DO OUTRO LADO, ABANDONAI
A MATANÇA, PORQUE MORREM INOCENTES


Lisboa 19 de Outubro de 1989

Mais uma vez estou no Hospital. Desta feita para uma intervenção mais chata, mete anestesia geral. Estou tranquilo, mas nada contente. Não quero pensar em nada, e acabo por pensar em tudo. Tenho alguns receios que quase parecem impensáveis em pleno século XX, seriam mais naturais na Idade Média. Todavia por aquilo que oiço, em matéria de medicina, Portugal é também um país atrasado.

Sei que a operação que vou fazer é simples, porém nestas também acontecem os azares. Se vier a acontecer o pior, gostei do bom e do mau que a vida me trouxe, este valorizou mais aquele. Se tudo tivesse sido bom, teria sido melhor, mas ao não sê-lo, tal facto não eliminou nunca em mim o gosto de viver. Não farei nenhum balanço. Tudo fica dito nesta simples afirmação do amor pela vida.

Se partir aos que cá ficam e em especial ao meu filho (então, com 4 anos de idade), a quem quereria dizer muitas coisas (mantém-se de pé este desejo), mas que correriam o risco de em relação ao futuro serem desactualizadas, assim, refiro simplesmente os grandes princípios que devem nortear uma vida:
Ter Prazer em Viver;
Ser Justo;
Dar e Receber Amor;
Desenvolver o corpo e o Espírito;
Olhar com atenção a Natureza e com ela travar um diálogo constante;
Amar o Belo, para além das fronteiras sexuais, rácicas, ou outras.
O Belo é sempre Belo seja masculino ou feminino, oriental ou ocidental, branco ou negro.

Vivei quanto mais puderdes, e se possível com o máximo prazer. Será tanto melhor.

Um abraço do
João António

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

POEMA DA MULHER




"Hoje, dia de natal em especial à mãe de Andrade da Silva e a todas as mulheres para que nenhum homem esqueça que é filho de uma mulher"





Mais si la force est synonyme de courage moral, alors la femme est infiniment supérieure à l'homme. GANDHI (Tous les hommes sont frères) ...





Poema da Mulher




Era noite enluarada
Desciam brancos os montes
Quando nessa madrugada
Desenhando os horizontes
Um pedra ali postada
Pelo tempo da memória
Ia pela voz das fontes
Dar início à nossa história.

II

Dormia esse sono impuro
Que tanto pensar agita
Quando iluminando o escuro
Uma luz branca me fita.
Era sudário de sonhos
Como lençol de luar
Temeroso nevoeiro
Nas rendas do alto mar.

Gélida alvura na noite
Envolve prende o meu ser
Ou êxtase ou sorvedoiro
Rasga o silêncio do ver.
Névoas montes nevoeiro
Treva em flor água sombria
véus de mouras lírios brandos
Noivas de apenas um dia
Estavam cantando o seu pranto
Ali rente à penedia.

Que vozes de tal requebro
Esclareciam meu sentir
Que essa alvura tomou forma
Nas mães da história a sair.
Foram sentando pelos montes
Como flores de amendoeira
Tinham o timbre nocturno
Perfume de laranjeira.

De suas frontes pendiam
Atavios de tal esplendor
Que quem tais astros urdia
Era mago ou era a dor.

Vinham do fundo dos tempos
Atravessado a idade
No rosto sulco de vento
Da perdida mocidade
E no matutino olhar
Um fio d’água de saudade


Além me sentei também
Herdeira de seu dizer
Presente eu mais uma mãe
Pra melhor as perceber.

Ali naquela pedra toda musgo
Uma esguia mulher a trança alta
Trazia no sorriso a anoitecer
A fala que de súbito a exalta:


É dia de colheitas, noite embora
Ao longe de milénios semeámos
Ninguém se enternece pelos escombros
Dos sonhos que velámos.

É dia de falar de mão estendida
Essa mão que nunca ninguém viu
E que trazia nela a flor da vida

É dia de largar no vendaval
A história de milénios que calámos
Nossa dádiva bela e natural
Dos filhos que na terra semeámos

O sol acompanhava nossas vidas
Num hino universal à chuva
E das sementes conseguidas
Fizemos pão fizemos uva.

Mas nossa sementeira era de vida
Arámos o chão com nossas mãos
Mas de cada broto em nova vida
Nem sempre vimos irmãos

Como filhas da horda guerrilheiras
Tudo demos de nós sem o medir
E fomos Catarinas e ceifeiras
E parimos Mandelas e Ghandis.

Enquanto nosso sangue se espargia
No ódio à traição do nosso ventre
Cada criança que nascia
Nascia no direito a ser diferente.

Mas tudo foi pretexto para guerra
Um pedaço de rio que o chão nos dá
Por um metro de terra
O sangue que era amor se esvairá
Sempre por mais avareza e ambição
O humano olhar perde a essência
E derramando o sangue dum irmão
O que ontem foi menino é inclemência.

A mãe não distingue seu menino
Nesse ser déspota e cruel
Outrora ria como passarinho
A voz clara e doce como mel.

A voz infante que dizia Mãe
Hoje não sabe face a uma mulher
Aquele vulto é também para alguém
A pura fonte que lhe deu o ser.

Mata lacera violenta sem razão
Ante o olhar de horror de criancinhas
Em cada olhar que morre perde-se um irmão
E nasce mais fereza e mais chacina

As mães correm o monte em alvoroço
Mulheres da cor do sol que tempo deu
Esgatanhando os ares lembram o moço
Que viram partir vivo e que morreu.

Mas é chegado o dia da colheita:
Colher o pensamento e a Unidade
Eia mulher! Em Pé!
Por cada afronta feita
Que cada mãe saiba ser
Solidária! Mulher!


Marília Gonçalves

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

MÃE



À minha querida mãe e a todas as muito queridas mães”


MÃE

És eternamente
A Mulher épica
Que me espantou nos meus tenros 7anos,
Quando, Diana, bela e forte,
Depusestes na cara ímpia
Do malandro do “pataca”-
Assim chamado, o canalha do senhorio,
Javali capado, pig -
Uma bofetada hercúlea
Que ecoou por todo o Funchal
E de cólera, raiva e impotência
Ruborizou a maldita face do celerado.

MÃE

És eternamente,
A Mulher épica,
Lutando, nos idos de 76 do século antecedente,
Perdida na grande Lisboa –
Tu que és uma madeirense de gema,
Totalmente incorporada na casca, Madeira-
Contra os Vasco ncelos miseráveis
Que, tão cedo e tão injustamente,
Prenderam o teu filho,
Tinha ele 27 anos,
E era somente O CULPADO
Pela luta social no Alentejo,
Mais 6 anos e teria como libelo
O crime maior de ser um inimigo da Pátria,
Ousando questionar o Poder
De todos os donos de Portugal,
Quiçá do Mundo.

MÃE

Tu Mãe, Maria da Conceição,
Nunca abandonaste o teu filho,
Verdade é que a Terra não tremeu,
O sol não escureceu,
Mas tu também Mãe-Maria,
Nunca vacilastes,
És uma epopeia das gentes,
Do ventre que nos procriou.


MÃE

Mulher, lutadora inquebrantável,
Agora, lutas contra a doença
Que ninguém venceu,
Mas tu só sabes ser assim:
Maria sofredora,
Maria lutadora,
Maria mulher, épica
Maria nunca vencida.

MÃE

És, serás eternamente
E simplesmente,
MÃE.


Noite de Natal 2008

Andrade da silva

PS : Todos tivemos uma mãe, muitos de nós somos pais ou mães, mas como filhos sabemos que as nossas mães não querem que soframos, assim, aconteceu com a minha mãe, o mesmo com as vossas, mas nós, provavelmente, filhos extremosos e pais e mães com um amor infinito aos nossos filhos, fomos insensíveis a um sucessivo apelo que lancei à solidariedade para com um nosso companheiro, acidentado numa curva financeira difícil da vida, por causa do que por entre nós acontece e no mundo, esquecemo-nos que ele nasceu, e que tem uma mãe que, onde quer que esteja, sofreu neste Natal, perante a álgida indiferença de quase todos nós, filhos extremosos.

Mas, se neste grupo restrito de pessoas que lê e fala a solidariedade é assim, o que será no grande mundo!?...

Valerá mesmo a pena continuar a lutar pelo intangível? Amar, sinceramente, simplesmente, o outro..

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008


Ser ou não ser


Expressão dramática;
elevada capacidade de teatralização?
Não!
O espírito que irrompa.
A Vida que finalmente,
desponte.


Filipe Papança

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

NATAL 2008


Cara Amiga e Amigo

Que de tudo tenhas à tua mesa
Familiares, amigos, lembranças mil,
Mas que sobretudo o teu coração vibre de amor e paixão
E o teu espírito fraterno veja através da luminosidade cósmica
Que há mesas com muita ausência
Mas nunca falta um coração, um corpo e um espírito humanos
Tão iguais ao do menino de Belém, aos nossos e aos dos Reis e
Presidentes.
Então, porque tantas e tão cruéis diferenças?

Neste natal com as estrelas selemos um contrato:
O de construirmos uma mesa PLANETÁRIA, onde,
Sob a abobada celestial
Em paz, liberdade, fraternidade e entre iguais:
Reis, Presidentes, Nós e os Outros, todos,
Cantemos um Hossana à vida,
Mas se isto for pedir demais,
Então, melhoremos cada um de nós e todos em conjunto,
O Natal e a vida de um outro, um, somente um, mais próximo da nossa
alma.
E o Mundo será melhor e haverá mais Natais.


BOM NATAL!

Abraço fraterno


andrade da silva


PS: Infelizmente a dureza do que se vai passando no Mundo e em Portugal atingiu fortemente um nosso companheiro, por isto, o Natal dele, o de outros amigos e o meu serão bem menos alegres.

Que 2009 seja um ano melhor!
Há gente já penalizada por esta crise e pelas medidas neo-liberais deste Governo. São realidades, duras realidades.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A UNIDADE DE MUDANÇA SOCIAL É O SEGUNDO, O ANO, O SÉCULO , O MILÉNIO OU A ETERNIDADE?


Durante algum tempo, um grupo de amigos, reunidos na sala de jantar da casa do Alentejo, amigavelmente, almoçando, para celebrarem a amizade nesta quadra festiva, falaram de mudança ou da imutabilidade das coisas.

Seria interessante dizer que entre os participantes havia uma diferença de idades com algum significado, e ainda com um interesse sociológico e psicológico relevante está o facto que os mais velhos, por vezes mais sofridos e com motivos de maior descrença, parece que são os que acreditam que as mudanças se não se operam aos segundos, e aos dias, pelo menos, mudam a períodos bem mais curtos do que os séculos e os milénios.

Parece que os mais jovens, no que são apoiados por autores de referência julgam que não há REVOLUÇÕES, há meros sobressaltos sociais, algumas roturas políticas, económicas e civilizacionais de maior ou menor intensidade, por períodos mais ou menos longos, mas que tudo num espaço de tempo, não muito dilatado, retoma a linha de vivência social e politica que o sobressalto retirou do carril do poder. Este propriedade exclusiva dos poderosos, isto é, a minoria de poderosos nunca é definitivamente desapossada, salvo no caso das revoluções, como a Francesa, em que liquidaram parte significativa da nobreza.

Se de um ponto de vista Universal se poderia dizer que segundo, esta abordagem histórica, teria havido a revolução Francesa , a Russa, e da implantação da República em Portugal, não se poderá, no entanto, afirmar que qualquer daquelas revoluções tenha operado uma mudança significativa nas relações e na lógica do poder, isto é, os que exercem o poder são sempre uma minoria consistente que se perpetua nos governos ou nas lideranças, para ter acesso às benesses e para, do mesmo modo que as elites que destronaram, se apossarem da riqueza da maioria que são quem a produz.

Este ciclo infernal parece que mesmo com revoluções e contra-revoluções se propagaria por todos os tempos, ou dito de outro modo, nos vários ciclos da história só mudaram as personagens e nunca a politica no que esta poderia ter de mais válido, ser um exercício de melhoria das condições de vida nos vários campos ao serviço dos Povos.

Assim, dizem os que têm esta visão da história que as mudanças são meras e rápidas soluções de continuidade no exercício essencial do poder que se mantém com o mesma DNA que Weber radiografou, ou seja, o Poder é a capacidade que um individuo ou um grupo têm de impor a sua vontade a outrem ou outros, mesmo que este ou estes discordem, podendo acrescentar-se que, nos tempos de hoje, este exercício é feito quase sem limites, éticos e jurídicos no sentido de espoliar a maioria para o enriquecimento da minoria dos detentores dos capitais que gerem os mundos.

Naturalmente que esta visão se comungada pela maioria e levada até ao seu limite nega toda possibilidade de mudança, o que, diga-se, ao nível da unidade de tempo século, ou milénio seria absolutamente desmentida. Mas não será este exercício que farei, vou-me referir mais aos nossos quotidianos.

Obviamente que neste grupo de amigos, todos percebem que no caso português de governos do arco do rotativismo que há diferenças entre estar no poder um PS Guterrista, ou um PS Sócrates ou um qualquer PSD, é indiscutível. Todavia o que se quer dizer, quando se diz que nada muda, é que quanto à natureza essencial das relações do poder com os cidadãos, quem detém mais posses determina o nosso futuro colectivo e os nossos quotidianos.

Ninguém perceberá o hoje de uma forma muito diferente desta visão quanto à realidade que nos circunda, a diferença que haverá ente uns e outros, é que quando muitos deixam cair os braços e aceitam esta inevitabilidade, outros há, poucos, que lutam contra ela, não a conseguindo derrotar, mas pelo menos atenuando-lhe os efeitos, o que pode fazer toda a diferença, porque como diz o povo , “enquanto o pau vai e vem, folgam as costas”.

Humildemente até que se consiga alterar esta lógica totalitária e desumanizada do exercício do poder, resta aos que pretendem mais Sol, Liberdade e Justiça Social para todos irem fazendo o que podem, para que as costas folguem, e se crie no Mundo, ao nível cósmico, uma nova visão da Governança, e também para que tudo isto não precise de milénios para acontecer, mas se for esse o caminho, interessa não desistirmos….

Esperemos que um futuro mais justo não precise da Eternidade.

andrade da silva 22 Dez. 08


PS: Estava, pelas 13h, a colocar este post, quando fui surpreendido por um pedido de ajuda de quem conhecemos, fiquei sem respiração e sem capacidade de editar este texto, faço-o, agora, mas o problema mantém-se, nem sequer consigo avaliá-lo, e, muito menos, contribuir, de um modo satisfatório, para a sua solução, porque vivo financeiramente limitadíssimo.

sábado, 20 de dezembro de 2008

A BONDADE É UMA QUALIDADE INTRÍNSECA DA PESSOA,


CARA MARÍLIA

O seu belo Post demonstra, com toda a luminosidade do Mundo que se conseguimos ser atenciosos no Natal, é porque em 1ºlugar o homem, quando tocado pelo espírito se torna uma pessoa, e, então, conhece e possui nem que seja um átomo de bondade.

O 2ºfacto é que para estarmos bem com os outros, temos de estar em harmonia connosco, e nesta quadra isso explica-se melhor na Madeira e nas aldeias do que nas grandes cidades.


Na minha querida ilha da Madeira as decorações de natal, os presépios ( as nossas belas e inesquecíveis lapinhas) e a música suave, isto é, a beleza, muito concorrem para este ambiente de plenitude, e, por este efeito global nas pessoas sempre achei que aquelas decorações são um investimento e não uma despesa. Na Madeira as decorações e o fogo de artifício são os artefactos da maior festa popular dos madeirenses. O povo merece essa despesa.

Finalmente fica ainda demonstrado que se na sociedade se operasse uma mudança duradoira no sentido da solidariedade, da bondade, da fraternidade, da igualdade, as pessoas seriam mais bondosas e alegres, como, aliás, tive a oportunidade de o verificar no Alentejo, entre o 25 de Abril e esse negro, vil e traidor 25 de Novembro 75. No Alentejo, e naquele entretanto da Revolução, todos os dias, entre o povo explorado, foram Natal.

Todavia e para desgraça de toda a humanidade as bestas existem, habitando homens que nunca foram tocados pelo espírito nem pela beleza, e, consequentemente, nunca alcançaram o Thelos do estatuto de pessoa humana, e põem os instintos mais ferozes e egoístas à frente de tudo, e tudo esmagam e reduzem à condição de escravos.

As bestas não podem conviver com a alegria geral, pelo que terminaram com os dias de sol no Alentejo e as noite de permanente Natal, em que noite, após noite, à meia noite em ponto, renascia sempre vigorosa a liberdade, a fraternidade e uma sentida e vivida aspiração à igualdade de direitos. Esta veleidade terminou, através da ocupação militar do Alentejo, pelas forças da GNR e com a morte de um jovem de 17 anos e um homem mais velho. Uma vez mais a terra ensanguentada do Alentejo foi regada com o sangue mártir destes capitães de Abril: o Caravela e o Casquinha. Que Natal para os seus pais e familiares?

Estas famílias choram, mas os carrascos compram prendas e mais prendas para os seus filhos, mulheres e parentes. Nenhuma bala assassina os ceifou, e ainda bem, mas deveriam pensar naquelas mortes, para que se evitassem outras, tantas outras, que se desenham no horizonte, se este espírito de natal morrer no dia 6 de Janeiro 2009, como será o mais provável.

Seja como for contigo e com todos os que sabem que o “ NATAL É QUANDO UM HOMEM QUISER” tudo faremos para que assim se realize, e a paz, a bondade, a fraternidade e a liberdade reinem entre todos os Homens, tocados pelo Espírito Cósmico do AMOR E DA BELEZA.

Concluindo com Dostoievski- SÓ BELEZA SALVARÁ OS HOMENS.

Bom Fim-de-Semana.

andrade da silva

DUAS NOTAS MUITO BREVES (TRÊS)!


A primeira e imperativa:
Boas Vindas, à nossa Companheira Marília como contribuidora.
Obrigado e contamos consigo, como sempre. Abraço;

A segunda:
O blog tem um e.mail próprio, para uso de contribuidores, leitores, comentadores e amigos.
Assim é mais fácil o contacto; liberdadeecidadania@gmail.com

A terceira:
Por proposta de um amigo e porque não? contribuidor, foi sugerido um encontro/almoço, entre todos nós, contribuidores, leitores, comentadores e amigos.
Vão começando a usar o e.mail para este fim, para sabermos quantos somos, avaliando correctamente o local para sua realização e conseguir consenso na data a marcar.

Boas Festas, grande abraço,
Com a amizade, solidariedade e companheirismo (sempre), do,
Jerónimo Sardinha

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

POVO CRISE e NATAL


E SE FOSSE NATAL um estado de espírito de TODOS OS DIAS?

Aproxima -s e o Natal , o dia que nos projecta na infância!

E por estranho que pareça por uns quantos dias, há dentro de nós um eco vindo das profundezas da imaginação, que nos murmura que tudo de bom vai ser possível. Como se um sopro divino nos bafejasse e transformasse o mau em bom, a mesa vazia em dispensa cheia.

Corre pelos ares um vago som, um ténue perfume de ternura.

Uns dias! Apenas uns quantos dias num ano inteiro; o sonho então parece quase real.

E sem esforço que nos obrigue, sem luta que nos active e subitamente somos o sorriso que nunca temos para quem por nos passa.

É que o sorriso é raro porque brota de mina que poucas vezes atingimos: estamos bem connosco! iludidos?

E estamos bem com os os outros. Ou pensamos estar.

Mas que voz nos interpela que só a ouvimos nesta altura do ano, que voz é essa que negamos e recusamos diariamente no decorrer dos meses e dos anos com o breve interregno do Natal?

Que necessidade traz do nosso intimo esse sonho adiado de ano em ano?

E quem nos impede de o concretizar?

Que vontade efémera, que hesitação, que receio, ultrapassa o desejo de viver alegre e sem preocupações?

Longe de mim referir aqui a religiosidade da época

Apenas me espanto diante dessa vontade tão acesa de fraternidade que esmorece em poucos dias para se tornar de novo efémera realidade no ano seguinte?

a que necessidade interior corresponde tal comportamento?

Que contradições trazemos em nós que nos fazem esquecer no decorrer do ano que fazemos parte dum todo e que o todo é por definição solidário?

porque passamos indiferenteS diante do sofrimento alheio?

O que nos faz silenciar o nosso? Não o querer ver?

A nossa mágoa, a nossa dor de nos sentirmos, de afinal nos sabermos sós?

às vezes encontro-me a pensar com os meus botões e pergunto-me: porque não efectivar a festa, as festividades da época De Natal numa partilha com os outros? uma partilha sempre renovada.

A festa da família restrita, alargada à grande Família HUMANA, numa comunicativa e renovada alegria por sucessivas surpresas e descobertas no enriquecimento do desvendar de diferenças e costumes.


AH! A tudo isto vem juntar-se esta forjada crise dos detentores do dinheiro e fartos duma fartura que os povos desconhecem, porque quem trabalha a fartura que melhor conhece é a dos dias que sobram depois de se ir nos gastos essenciais, o magro vencimento numa vida que nos foi tornada cada vez mais cara, com preços de bens essenciais inacessíveis, de casas que nem se conseguem alugar e comprar ainda menos.
Vamos lá a mais um esforço para conseguir festejar o Natal, nesta obrigatoriedade da sociedade consumista em que ocultamos a solidão e o desespero no despejar das montras tornadas atractivas para num ultimo sopro pagarmos o que afinal fomos nós que por nossas mãos e cérebros que construímos. Levando-nos os últimos tostões. Complexidade duma época em que festejamos solitários quando deveríamos festejar solidários!
Em que festas pelas ruas e populares seriam muito mais comunicativas e enriquecedoras de experiências humanas e fraternas.
Mas enquanto nos deixarmos isolar e dividir, continuaremos servos da gleba fechados onde nos querem; um sonho irrealizável, enquanto os detentores do dinheiro vão mesmo às escondidas sendo cada vez mais ricos sobre a nossa popular pobreza!
mas apesar de tudo desejo-vos a todos um Natal Fraterno e Solidário.
E que viva a Fraternidade entre todos os Povos do Mundo
e viva o Povo de Portugal!

Marília Gonçalves

OS BURACOS NEGROS DA DEMOCRACIA: MEDO E CORRUPÇÃO


Nota: Este texto foi escrito no principio deste ano, e editado no blog avenidadaliberdade, mas infelizmente tudo está exactamente onde estava, como provadamente a entrevista de Manuel Alegre de hoje, o confirma. Como se vê da parte de alguns esta discussão já está aberta há muito.

I - ONTEM
A Democracia e a República estão a afundarem-se em escândalos, cumplicidades e omissões, sobretudo, por muito e excessivo medo, como neste blog ( avenidadaliberdade, da A25A morto pelo vírus da liberdade em 13 Junho 08) o tenho, insistentemente evocado, dirigindo memes ao Sr. Dr. Mário Soares e ao Deputado Manuel Alegre, apelando para que façam, o que é preciso, para no PS alterar-se o actual pendor neo-liberal.

Sem uma decisiva acção, do que se tem chamado a ala esquerda do PS, no redireccionamento da acção politica para a justiça social e o desenvolvimento do país, em favor portugueses, na próxima legislatura, Portugal vai ser mais governado, segundo a receita neo-liberal.

Na próxima legislatura - se Manuel Alegre não tiver a possibilidade e a coragem de fazer com José Seguro, Ana Benavente, Ferro Rodrigues e outros, o que deve ser feito no PS, para que a Governança deste país regresse à matriz socialista e social-democrata - as próximas politicas, com o proximamente repetente 1º Ministro, serão mais do mesmo, porque aos órfãos do PSD, e do grande capital só resta apoiar o actual 1º Ministro.

Os apoiantes da direita reforçarão o “centrão”, exigindo ao governo mais benesses e privilégios, isto é, mais equitativa divisão dos cargos públicos bem remunerados entre o PS e os apoiantes do governo do PSD, mais isenções fiscais, mais taxas para os bancos, mais privatizações, ou dito de outro modo, reforço do Estado neo-liberal, em oposição ao optimismo do Sr. Dr. Mário Soares.

Analistas, como André Freire e Medeiros Ferreira, falam que com a actual remodelação, ( demissão do Ministro da Saúde) o 1º Ministro, estará a procurar satisfazer algumas reivindicações de Manuel Alegre, acenando-lhe com o apoio a uma próxima candidatura presidencial, mas isto não passará de um cântico de Sereia, sem qualquer consequência para o país, porque o próximo PR, será o Prof. Cavaco da Silva, se for candidato. ( bem, hoje há que ver a questão Dias Loureiro)

É preciso que Manuel Alegre e todos os portugueses de esquerda e do 25 de Abril, vençam os buracos Negros da Democracia, o Medo, o silêncio, a omissão e a cumplicidade, para que a Governança saia da rota fatal do neo-liberalismo selvagem, com a corrupção e o pavor, como pilares do regime.

Uma vez mais o país está numa encruzilhada, e o seu Futuro passa, necessariamente, pela luta de todos os portugueses, nomeadamente dos servidores do Estado e da generalidade do salariato, para ganharem mais e melhores competências e condições de vida, mas também pela justiça social e contra todas a formas de corrupção.

Todavia esta luta poderá ter um sucesso mais garantido, se os que mais se identificam com as causas do Socialismo no PS, fizerem o que, a moralidade republicana e democrática imperativamente, exigem, e de que José Seguro deu testemunho inequívoco, ao votar contra a aprovação do tratado de Lisboa no parlamento.

O DEPUTADO só pode ser fiel ao seu contrato com o eleitor. É um DEVER DE CONSCIÊNCIA E DEMOCRÁTICO, e nunca, por isso, pode ser votado ao ostracismo, mas sim, tem e deve ser exaltado no cenáculo dos HERÓIS DA PÁTRIA, como um cidadão nobre e um servidor da República respeitável e coberto de HONRA.
É esta a divida que o País, a Assembleia da República e o PS têm para com o deputado José Seguro.

Deputado José Seguro, o seu comportamento honrou a Politica, a República, o Parlamento e a Cidadania. Como cidadão e militar de Abril cumprimento-o, e desejo que o seu exemplo se fortaleça, entre os deputados da Nação.
II - E NO DIA DE HOJE?

Infelizmente nada se alterou e perante a impossibilidade da refundação do PS e as hesitações de Manuel Alegre, como hoje notoriamente revelou na sua entrevista, face à URGÊNCIA NACIONAL QUE SE VIVE, E SE VAI TORNAR NUMA EMERGÊNCIA NACIONAL, com uma vitória NEO- LIBERAL, na próxima legislatura, do SR. Eng. Sócrates, o que redundará numa manifesta incapacidade da resolução, pela via Institucional e do Governo neo-liberal, mesmo que se chame o Sr. Eng. Cravinho e a rebelde Ana Gomes para dar outra coloração a estes governos, da questão social e politica, da injustiça fiscal, económica, social e cultural; da corrupção, e com o quase inevitável agravamento da protecção escandalosa ao capital financeiro das grandes famílias tradicionais, como é mais comum nos países terceiro mundistas das pseudo-democracias da América Latina e de África, a democracia portuguesa, com grande probabilidade entrará em colapso.

Atingido este estado, a questão politica vai ser dirimida na revolta e nas lutas de rua, enquadradas ou não por partidos e, ou sindicatos. Se a vergonhosa impunidade dos que hoje ,como no 25 de Abril derrubavam a Nação, os banqueiros ( que tão bem Abril, os identificou, lembram-se?), se mantiver e a crise se agravar, quase de certeza que o “bom povo” vai revoltar-se, e para liderar as revoltas jamais vão convocar o Sr. Manuel Alegre e também não é crível que mesmo que o Sr. Eng. Sócrates obtenha a maioria a consiga manter incólume e coesa, perante a instabilidade social que se atingir determinados níveis obrigará a contra-respostas violentas no domínio da manutenção da ordem publica

Em vários momentos, e de um modo localizado, o governo perante sublevações da ordem pública, como aconteceu no recente caso dos camionistas tem recuado, perdendo autoridade e prestigio.

Todavia se estes recuos puserem em causa a autoridade do Estado, se se generalizarem e for percebido que o povo tem razão, perante as omissões do governo no combate à corrupção, será um acto de bom senso, pensar que as Forças Armadas num contexto de generalizado terceiro Mundismo, sentir-se-ão pressionadas a intervirem, de um modo anti-democrático e conservador.

Não é mais possível isto em Portugal, dizem os que sabem tudo, mas quem é que o garante e com base em quê?


andrade da silva
PS: VIVA,VIVA. A nossa companheira Marilia não tem nada de grande cuidado. Ficamos muito contentes.




quarta-feira, 17 de dezembro de 2008


Esperança


Amor para além do amor,
Vida para além da vida,
Tempo para além do tempo,
Olhar que se abre ao infinito,
Suavidade,
Perscrutar da Eternidade.




Filipe Papança


PS: Através deste poema do Filipe, no seu nome e de todos nós, dirigimos uma palavra de Esperança e Amor a todos, muito especialmente à nossa muito querida companheira e cooperadora Marília, para que a saúde a volte a acompanhar. Temos esperanças que vencerás. Abraço de todos.




Ser livre amigo meu
Ser livre apenas
Ter voz saber dizer
O que anda a volitar em nós
E nos ensina a ser
Ser livre amigo meu
Escrever poemas
Ir longe além do dia
E desfraldar as penas
Em mares de poesia.



Ser livre amigo meu
Mas ser deveras
não calar o todo que nós somos
Inventar primaveras
Erguidas dos escombros
Ser livre amigo meu
Ser de verdade
Aquela luz que fomos na infância
Ser livre sem fronteiras e sem peias
Ser livre e vencer nossos assombros
No dardo das colmeias
Ser livre amigo meu
Com tanta força
Que o tempo se esgarce na vontade
Da doçura da corça sorvendo Liberdade




Marília Gonçalves

PS: Querida companheira muito desejamos que a tua saúde te permita continuar a ser a grande e querida mulher livre, mulher de Abril, que a todos nos transmite uma palavra de muita força e esperança.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

URGE CORRER A CORJA DO PODER!


O presente artigo, por gentileza do blog "O CACIMBO" e da autoria do Capitão de Abril, Álvaro Fernandes, é transcrito na íntegra e na sua versão original.
Não é meu hábito usar de transcrições ou cópias de trabalhos de colegas (não consigo entender o termo concorrência, quande se trata de defender a DEMOCRACIA, A CIDADANIA, A LIBERDADE E A JUSTIÇA), mas, até pelas forma e intenção, muito próximas das nossas, não resisti a mostrar aos mais incautos ou descuidados, que todo o nosso envolvimento, esforço e princípios, vão no caminho correcto. E mais, não estamos sós!
Isto reforça e muito, tudo quanto tem sido escrito pelo Andrade da Silva (também um valoroso Capitão de Abril), pelo José-Augusto de Carvalho (também Gabriel de Fochem) e pela dedicada Companheira Marília.
Deixo, pois, há vossa apreciação, o texto que se segue.
Jerónimo Sardinha


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Nos idos de 1974/75, (após meio século de ditadura) dizia frequentemente que havia tantos partidos de esquerda em Portugal quanto o número de faculdades das universidades portuguesas – que eram bem poucas – mas chegavam para elevar à potência “n” os preciosismos e divergências entre a interpretação mais correcta dos textos de Engels, Hegel, Marx, Lenine + Mao, Estaline, Che, e uns quantos aprendizes de feiticeiro herdados do Maio 68 francês.

Entre eles, encontramos hoje os mais ilustres dirigentes europeus, a começar pelo presidente da respectiva comissão de burocratas bruxelenses e o respectivo séquito … citar nomes, para quê? Basta verem quem são e lerem o respectivo curriculum.

Nessa (já longínqua época do Século passado) fazia-o por dever de ofício – em que era obrigado a interpretar no briefing militar da manhã – as opiniões e posições dos mais genuínos, legítimos, válidos, revolucionários, capazes, prometedores e consequentes salvadores da pátria orfã de El-Rei Sebastião.
Incluindo, evidentemente, fascistas refugiados e apoiados no e pelo Franco (ainda vivo) e a restante cambada alemã que o jornalista Gunter Wallraff tão bem descreveu (e provou) no livro “A descoberta de uma conspiração - A acção Spínola”, Livraria Bertrand, 1976.

Para quem nunca o leu, vale a pena procurarem no alfarrabista mais próximo de…a Assembleia da República, o Palácio de São Bento, a Biblioteca Nacional, etc.
Permitam ver-me obrigado a recordar estes episódios recentes da nossa História contemporânea; pela simples mas suficiente e necessária razão de explicar como chegámos aqui:

Após o período de transição em que o Movimento das Forças Armadas cumpriu o programa que o levou ao golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, restaurou a Democracia e entregou o Poder aos partidos políticos, a mais não temos assistido do que:

- A transformação dos partidos em clientelas corruptas, ávidas do poder a qualquer preço:

- Incluindo a alteração de leis que lhes permitam roubar à ganância e safarem-se sempre; com os tais “parafusos” que foram introduzindo no código penal e do processo penal, e lhes permitem sempre anular factos provados, ou protelar o trânsito em julgado até o processo criminal prescrever;

- A terem sacado e metido ao bolso os fundos europeus que era suposto ajudarem ao desenvolvimento e modernização de Portugal;

-A criarem uma rede mafiosa entre os titulares de cargos políticos e os administradores das holdings que controlam as empresas do betão a os bancos da D. Branca, que saltitam de ministro, secretário de Estado, e administradores com salários, indemnizações e reformas milionárias – mesmo que nada tenham feito a não ser abrir falência em pouco tempo – mas tudo, tudo, tudo, à custa de quem trabalha e paga impostos que lhe levam um terço do que ganham.

Em resumo a realidade indesmentível é a que descrevi.

Perante isso, o que tem feito o eleitorado? Votar sistematicamente nos partidos que são responsáveis pela realidade em que vivemos. Os portugueses gostam de ser roubados e explorados indecentemente. Gostam de continuar a votar sempre no mesmo PS e PSD + CDS que mantêm o Poder desde que a Democracia existe em Portugal. E os rouba escandalosamente, conseguindo atirar o país para a cauda da Europa e bater os recordes do fosso entre ricos e pobres, sendo estes 20% da população.

Não têm vergonha das vossas opções enquanto (ainda) vos permitem votar?

E, para terminar, voltando ao primeiro parágrafo:

Quando é que “as esquerdas” – como agora se intitulam – resolvem de uma vez por todas unir-se, criarem um partido capaz de vencer as eleições e dar o devido tratamento à cambada que nos (des)governa) há mais de 34 anos?

Espero a vossa resposta em tempo útil.

De outra forma… ainda sabem o que significa ir ver Braga por um canudo? Espero que não seja necessário lá chegar…

Álvaro Fernandes
15 de Dezembro de 2008

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

GOVERNANÇA DE ESQUERDA E BORDA FORA COM O NEO-LIBERALISMO




A alternativa de esquerda ao neo-liberalismo é, de um ponto de vista IDEOLÓGICO E POLÍTICO, MUITO CLARA. O PS tém-se colocado sempre à defesa do capitalismo internacional e dos interesses dos poderosos em Portugal, pelo que, deixou de poder representar, nas actuais circunstâncias, a garantia da estabilidade social.

É certo que um neo-liberalismo de natureza tão aviltante como o do PS ou do PSD, é suportável na Inglaterra, Alemanha, França não o é, todavia, entre nós, pela exiguidade da economia portuguesa e pelas semelhanças do nosso estado de coisas com essas tristes democracias africanas.

Antes que as grandes massas se apercebam da dimensão da crise de valores e da sistemática mentira que lhes é transmitida, é preciso a refundação do partido socialista, ou a constituição de um novo partido socialista/ social-democrata que caracterize com toda a evidência, os actuais secretários gerais do PS e PSD, como neo-liberais responsáveis com todos os demais neo-liberais, nomeadamente o Sr. Barroso, pelo descalabro da economia Nacional e, no caso, do Sr. Barroso pelo internacional, face ao manifesto e incondicional apoio que deu às politicas escabrosas do sr. Bush , o que apressadamente procura, agora, esconder.

Neste contexto de elevado risco para a democracia portuguesa muitos, imensos democratas, com redobrada energia, espírito de liderança, convicções fortes e motivação transcendente têm de avançar para uma alternativa de governo que quebre o rotativismo neo-liberal , apresentando um programa alternativo às politicas contra os trabalhadores e a classe média-média que os sucessivos governos do PS e PSD têm praticado sistematicamente.

O tempo é muito urgente, pelo que a determinação, a energia e as decisões não podem ser adiadas, nem jamais uma alternativa de Esquerda pode nascer de ambiguidades ou jogos de magia que queiram fazer a partir de partidos existentes um novo, mas igual, ou mesmo, ainda, mais igual ao seu progenitor, com base em mais valias pessoais de dadas individualidades históricas, sejam elas: Manuel Alegre ou Carvalho da Silva, ou outros.

Asilva

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

NÃO CALES


não cales tuas palavras

não cales fala

não te cales pelos outros

por ti fala

por mim fala

por outro fala

não somos donos das palavras

atira-as ao largo e olha bem

quantas flores brancas surgem delas

tantas

tantas palavras belas

e mesmo assim



quem quer ver

as vê brancas


Inez Andrade Paes

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

ESPUMA E NEVOEIRO, O SOBREMANTO DO INTERESSE PRIVADO.




O Sr. Miguel Sousa Tavares na sua última crónica no Expresso fala de que o problema deste governo é com os ricos - espuma; elege a questão de Alcântara, como a grande questão da zona ribeirinha – nevoeiro, fala ainda da trapalhada da avaliação dos professores, concluindo faz muito ruído para deixar tudo na mesma ou pior:

1- ESPUMA

O problema deste governo não é com os ricos, é com 80% do país que trabalha por conta de outrem, é pobre e paga IRS, ganha mal e não tem acesso a cuidados de saúde decentes, nem uma justiça justa, nem a possibilidade de educar numa escola decente os seus filhos. O problema deste governo é que trata muito mal e com superior indignidade esta grande maioria, que até vota em quem tanto mal lhe faz. Verdadeiro paradoxo, que só encontra paralelo entre os torturados da inquisição e da pide.

Este governo e todos os governos pós 25 de Novembro são os testas de Ferro do capitalismo internacional e os defensores das famílias financeiras portuguesas, que nem sequer têm desenvolvido o capitalismo português, mas que através da protecção do Estado, da inoperância da Justiça e da investigação policial conseguem grandes fortunas, não se esquecendo de recompensar os partidos e os seus benfeitores políticos, quando saem da Governança, como todos sabem e a Imprensa tem revelado.

Este governo e os do Centrão são de facto um problema do País e dos democratas, porque, neste caso, as vitímas não se querem libertar do pesadelo.

Como o PSD se pulveriza, e uma robusta alternativa social-democrata não surge, vamos continuar a penar, porque este governo é um governo bom para os burgueses encartados, marialvas e os financeiros, como demonstram as escandalosas histórias do BCP, BPN e BPP,( mas este último é mesmo um banco?) .
E tudo será pior com uma segunda maioria absoluta ou relativa que permita continuar a actual política neo-liberal e de escandaleira, atrás de escandaleira.

2 – NEVOEIRO

O problema da zona ribeirinha não se reduz a Alcântara, pelo contrário, esta é uma questão que parece afectar interesses privados do Sr. MST, obviamente que a actividade portuária de Lisboa deve ser integrada de um modo harmonioso na vida da cidade. Mas o problema essencial da zona ribeirinha não é só os tais 1,5 km que parece que roubam vistas a MST, mas os demais e muitos mais quilómetros.

Sou Madeirense, sei bem quanto um porto bem projectado e organizado pode ser uma mais valia para a cidade. Ver navios de grande porte ancorados é um belo espectáculo, maior será se eles abrirem as portas ao público, para se ir a uma festa a uma refeição a bordo, etc..Os madeirenses conhecem o sabor disto, de outros tempos.

3 - HÁ TRAPALHADA, IGNORÂNCIA E COMPORTAMENTO TOTALITÁRIO NA AVALIAÇÃO dos PROFESSORES.

De que já falei o suficiente, ponto. Mais uma vez, após as reunião de hoje da Sra. ministra com os sindicatos chegou-se aonde se estava, no beco. O governo com as quotas anula a validade da avaliação e os sindicatos reduzem a avaliação à auto-avaliação, o que não é uma avaliação.


andrade da silva 08-12-11

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008


TO BE OR NOT TO BE”

NUM BILIÃO DE MOMENTOS (1.892.160.000 de segundos)


“ Aos que caem, meus Irmãos”


No Vil e Sombrio Turbilhão
Da Selva Social
Perdi-me….
No Recôndito Lugar Vazio de Liberdade
Morri…
Quem Quer Ser,
Morre!....
Quem Não O Quer Ser,
Vive!...
Quis e Quero Ser
Um EU,
Livre, Fraterno, Idiossincrático.
Só Posso Sê-lo,
Morrendo.
Morro, a Cada Momento.
Já Morri um Bilião de Vezes.
(1.892.160.000 + umas quantas)


andrade da silva 10 de Dezembro de 2008

PS: Eis o meu grito, do vazio e do Deserto, contra a Violação Sistemática dos Direitos Humanos em Portugal e mil vezes mais em todos os regimes CRIMINOSOS E DITATORIAIS.

Hipócritas são todos os governos e parlamentos do mundo que celebram o aniversário da sua Proclamação. Acto gratuito, só " para inglês ver". Hipócritas, Malditos!




terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A ESTRATÉGIA, SIMPLES, PARA A CONQUISTA DE NOVA MAIORIA ABSOLUTA, OU A SUFOCAÇÃO DOS POBRES E DAS CLASSES MÉDIA- MÉDIA E MÉDIA- BAIXA




Nota: este texto foi escrito em 4 de Dezembro, antes, portanto, do almoço do Sr. 1º ministro com Manuel Alegre.



Todos os governos em Portugal, depois do 25 Novembro de 75 foram e são de direita, de um modo muito claro e preciso, no sentido de que todos estão para servir os interesses do grande capital financeiro e dos empresários.

Todos os governos até hoje tudo fizeram para diminuir os direitos dos trabalhadores e das classes médias, e quanto maior for a maioria, pior será o dano dos portugueses em geral. Maioria absoluta significa dano, prejuízo absoluto, para 70 a 80% dos portugueses.

Nestes termos, porque não há qualquer hipótese de em eleições haver uma solução de governo à esquerda, é importante trabalhar para retirar a maioria absoluta a qualquer governo do PS ou do PSD, porque ambos são partidos neo-liberais, ao serviço do capitalismo financeiro e das grandes fortunas, e, bem assim, das grandes aldrabices, como sejam as do BPN, do BCP e do BPP.

Neste contexto o Sr. 1º Ministro tem,na minha oipinião, uma estratégia, muito simples e inteligente, para manter a maioria, com três linhas fundamentais, a saber:

1- jogar na total pulverização do PSD, seu partido irmão, o que pode conseguir com a fraca liderança de Ferreira Leite ( Isaltino de Morais considerou, em entrevista ao RCP que o Sr. Eng. Sócrates tem o perfil ideal de um líder do PSD, o que levou o entrevistador a perguntar-lhe se lamentava a saída daquele Sr. da JSD);

2- procurar manter Manuel Alegre no PS, com algumas promessas vãs, como seja apoiá-lo nas próximas eleições Presidenciais que serão ganhas novamente por Cavaco da Silva, personagem que corresponde muito mais ao ícone de um PR do que Manuel Alegre. Poderão, ainda, ser negociadas quotas na formação de novo governo, ou na composição da Assembleia da República com alguns daqueles que se identificam com o seu pensamento, mas que depois de lá estarem, cumprirão com elevada probabilidade, exclusivamente, as directivas do Primeiro-ministro, passando Manuel Alegre a um D. Quixote da, actualmente, doente democracia.

3- dar chorudos dividendos aos magnatas da banca e da indústria e algumas migalhas ao
povo, e prometer, em ano de eleições, coisas míseras, mas que só serão feitas se o Sr. Primeiro-ministro for reeleito, como já está a acontecer
com o ridículo aumento de 6 % no suplemento da condição militar, a ter lugar lá para o ano 2010, só que, nos cinco anos da próxima legislatura todos os trabalhadores, as classes médias e os pobres serão “esmifrados” até ao tutano, para que os ricos fiquem mais ricos e os pobres mais pobres.

Um governo de maioria do actual PS ou PSD, será sempre de defesa dos interesses dos banqueiros, dos ricos e dos poderosos, pelo que, seria muito importante que Manuel Alegre definisse a sua posição e, na minha opinião, o melhor contributo que pode dar é ser realista, realismo que, desde logo, deve levar a considerar que o próximo PR será Cavaco da Silva, se concorrer contra si, pelo que o apoio do partido socialista à sua candidatura não resultará no efeito desejado.

Livre desta fixação, então, poderá compreender que pode ser da sua responsabilidade reconstruir o verdadeiro partido socialista, porque o do Sr. 1º Ministro é neo-liberal, e está interessado no poder pelo poder, e para servir a gula e a ganância dos grandes capitalistas, fazendo de Portugal, o país mais desigual da Europa.

Se Manuel Alegre continuar a deixar-se enredar na rede de sedução e encantamento do Bloco de Esquerda estará a praticar o seu haraquiri político, e só poderá estar a prestar um serviço ao Bloco de Esquerda, capitalizando votos para aquela formação, sem pôr em causa a maioria do actual PS.

Um número razoável de analistas consideram que Manuel Alegre, por causa do apoio à sua candidatura à Presidência da República, por parte do PS, e ainda pelas razões afectivas que o ligam ao partido, não sairá do PS, e esquece, como esqueceu, o milhão de votos da eleição presidencial, e, entretanto, vai credibilizando a politica do Bloco de Esquerda, e, assim. sustém a votação do PCP, isto é, se o seu comportamento for este, reforça a maioria do PS e quebra à esquerda a força do partido que mais mobiliza cidadãos, para a luta que consegue suster os avanços neo-liberais.

Nesta conjuntura, alguma mudança na política, depende de Manuel Alegre ( é um facto) se resolver criar uma alternativa fora do PS, mas não dentro do Bloco de Esquerda. Dentro do PS ou do bloco de esquerda, Manuel Alegre não passará de um nado morto em termos da mudança que os tempos requerem.

Seja como for, o tempo urge, e se Manuel Alegre quiser desempenhar um papel de estadista do POVO, da Democracia e da social-democracia humanista será agora, se não o fizer não deverá alimentar mais falsas esperanças.

É um imperativo MORAL que Manuel Alegre com coragem diga por onde e para onde vai, e deverá fazê-lo já em Janeiro do ano bom de 2009, depois será demasiadamente tarde. Que a determinação e a coragem de Obama e de Salgueiro Maia o inspirem.

andrade da silva 4 Dezembro 2008-12-04

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008


UM VIVA ÀS EMOÇÕES E À ACÇÃO. VIVAM!

“ O Nelson foi a circunstância elicitadora, mas a mensagem é Universal, e também se dirige ao seu fazedor….”


Vivam as emoções. Viva a acção,
Mas também há coração,
o tal aparelho, que faz circular o sangue.



Vivam as emoções. Viva a acção,
Mas também há uma idade,
um ciclo de vida.
Também há a paz e a introspecção.



Vivam as emoções. Viva a acção.
Mas também há o cérebro,
forte e hiperactivo,
que quiçá precisa
de um canto silencioso,
para se reclinar,
senão pode perder o norte !?...



Vivam as emoções. Viva a acção,
ontem, hoje, amanhã,
e, então, para quando o
"after day" para a reflexão,
a análise, a avaliação?



O tempo corre, corre e corre,
num só sentido, nunca passa duas vezes pelo mesmo eu,
e depois, depressa, muito depressa,
chega a noite, o fim, o "tá" tudo acabado.



Fechou-se um capítulo,
terminou uma vida
que não teve tempo para parar,
e olhar-se ao espelho do seu self.



Foi um vento que nunca chegou ao seu destino.
Errante, cumpriu-se.
Não como quinto, nem noutro qualquer império,
porque o vento passa,
mas não ocupa nenhum território, e sem este e armas
não há impérios.

TALVEZ!?...

Abraço


asilva 4 Dezembro 08
PS: Bom feriado, há muito para dizer, amanhã falaremos. Bom feriado.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008


Avenida



Fui ainda há pouco a Lisboa
pensando matar saudades
a vida não se fez boa
a quem fugiu prás cidades
As saudades não se matam
porque logo nascem mais
mas as vozes nos desatam
e fazem de nós pardais
Estou na Baixa, e os meus olhos
não vêem prédios nem chão
só vêm dor, mar d'escolhos
a esbarrar na multidão
Lá anda gente a correr
pela vida aos tropeções
lá estão outros a vender
miséria em sonho aos milhões
O pobre pé, descalçado
não incomoda ninguém
tão visto já, resfriado
e nascido de uma mãe !!!
Não me quero ir já embora
tenho ainda muito que ver
mesmo que me doa agora
eu não me quero esquecer
Que se nascemos com olhos
é para ver as montanhas
de injustiças e de abrolhos
que ao homem rasga as entranhas
Lá vai o miúdo roto
leva as mãos nas algibeiras
com ar gaiato e maroto
dizendo duas asneiras
Mas dentro, lá bem no fundo
andam versos a nascer
e é por ser filho do mundo
que anda por aí a sofrer
Que essas palavras que larga
a desafiar a populaça
são feitas da dor amarga
que mesmo pequeno passa
E agora aqui ao lado
esta um ceguinho a tocar
a pensar também que é fado
andar com fome a cantar
agora... aqui vou eu....
aqui está Martim Moniz
quanta gente a quem mordeu
outra rica, má feliz!
e os meus passos no dia
feito da noite brutal
vão comendo poesia
no homem que vive mal
Enquanto sigo dorida
a olhar o temporal
vou subindo a Avenida
mas firme, no vendaval!!
Já cheguei ao Intendente
e por entre a gente séria
quanta infeliz que mal sente
que não tem mais que miséria
Ai ó senhoras honradas
que me apetece insultar
as vidas despedaçadas
nascem do vosso luxar
Ás que vivem sem sentir
as que choram como nós!
se passarem a sorrir
as mais perdidas sois vós!!
Porque quem vive diferente
se a porta não viu fechada
prá vida passar decente
não lhe custou mesmo nada!
São filhas da noite escura
dum estado podre de velho
e esta ferida que ainda dura
é o seu mais fiel espelho
Mais uns passos, finalmente
eis chego à Praça do Chile
ó povo depressa ó gente
façamos mais um Abril!!!

Marília Gonçalves