sábado, 20 de dezembro de 2008

A BONDADE É UMA QUALIDADE INTRÍNSECA DA PESSOA,


CARA MARÍLIA

O seu belo Post demonstra, com toda a luminosidade do Mundo que se conseguimos ser atenciosos no Natal, é porque em 1ºlugar o homem, quando tocado pelo espírito se torna uma pessoa, e, então, conhece e possui nem que seja um átomo de bondade.

O 2ºfacto é que para estarmos bem com os outros, temos de estar em harmonia connosco, e nesta quadra isso explica-se melhor na Madeira e nas aldeias do que nas grandes cidades.


Na minha querida ilha da Madeira as decorações de natal, os presépios ( as nossas belas e inesquecíveis lapinhas) e a música suave, isto é, a beleza, muito concorrem para este ambiente de plenitude, e, por este efeito global nas pessoas sempre achei que aquelas decorações são um investimento e não uma despesa. Na Madeira as decorações e o fogo de artifício são os artefactos da maior festa popular dos madeirenses. O povo merece essa despesa.

Finalmente fica ainda demonstrado que se na sociedade se operasse uma mudança duradoira no sentido da solidariedade, da bondade, da fraternidade, da igualdade, as pessoas seriam mais bondosas e alegres, como, aliás, tive a oportunidade de o verificar no Alentejo, entre o 25 de Abril e esse negro, vil e traidor 25 de Novembro 75. No Alentejo, e naquele entretanto da Revolução, todos os dias, entre o povo explorado, foram Natal.

Todavia e para desgraça de toda a humanidade as bestas existem, habitando homens que nunca foram tocados pelo espírito nem pela beleza, e, consequentemente, nunca alcançaram o Thelos do estatuto de pessoa humana, e põem os instintos mais ferozes e egoístas à frente de tudo, e tudo esmagam e reduzem à condição de escravos.

As bestas não podem conviver com a alegria geral, pelo que terminaram com os dias de sol no Alentejo e as noite de permanente Natal, em que noite, após noite, à meia noite em ponto, renascia sempre vigorosa a liberdade, a fraternidade e uma sentida e vivida aspiração à igualdade de direitos. Esta veleidade terminou, através da ocupação militar do Alentejo, pelas forças da GNR e com a morte de um jovem de 17 anos e um homem mais velho. Uma vez mais a terra ensanguentada do Alentejo foi regada com o sangue mártir destes capitães de Abril: o Caravela e o Casquinha. Que Natal para os seus pais e familiares?

Estas famílias choram, mas os carrascos compram prendas e mais prendas para os seus filhos, mulheres e parentes. Nenhuma bala assassina os ceifou, e ainda bem, mas deveriam pensar naquelas mortes, para que se evitassem outras, tantas outras, que se desenham no horizonte, se este espírito de natal morrer no dia 6 de Janeiro 2009, como será o mais provável.

Seja como for contigo e com todos os que sabem que o “ NATAL É QUANDO UM HOMEM QUISER” tudo faremos para que assim se realize, e a paz, a bondade, a fraternidade e a liberdade reinem entre todos os Homens, tocados pelo Espírito Cósmico do AMOR E DA BELEZA.

Concluindo com Dostoievski- SÓ BELEZA SALVARÁ OS HOMENS.

Bom Fim-de-Semana.

andrade da silva

10 comentários:

kadafi disse...

Caro Andrade da Silva; concordo com tudo o que disse e só nos resta continuar a lutar para conseguir mudar este estado de coisas. Belo post !

Feliz Natal e um Ano Novo cheio de felicidades.

Jerónimo Sardinha disse...

Caro Andrade da Silva,

A Beleza, no seu todo, tudo poderia salvar!
O problema é o espaço e a oportunidade que nós lhes damos. Cada vez menor.

Natal!
Que vou eu dizer sobre o Natal. É uma festa/reunião de família.
Este ano sou surpreendido com a bruta e absurda ideia de jantares de natal em hotéis.

O comércio a imperializar tudo.
Que manifestação de amor, carinho, gentileza e familiaridade se poderá ter, entre estranhos, num ambiente frio e estéril de sala de hotel?
Qual Natal?
O da realização do capital a "x"/cabeça?
O ouvir as conversas e discussões de estranhos, que estando na mesma sala não estão connosco, nem por nós?
O pagamento de centenas de euros, por uma comida mal amanhada e sem tradição, quando ao lado da porta do tal hotel, um sem abrigo geme de fome e frio e nós, ao passar, virámos a cara para o lado com um esgar de nojo e repugnância?

Ou falar de um Natal que há muitas décadas existiu e juntava toda a família (chegávamos a andar centenas de quilómetros) numa noite, única, de portas abertas, calor humano, mesa posta e boa disposição e solidariedade nos rostos?

Não sei falar deste natal.
Não consigo, culpa minha, por certo, falar dos natais que temos e vamos ter!

Resta-me, juntar o meu ao teu vaticínio e desejar, que para meu engano, a solidariedade, o amor, a esperança, a fé e a caridade, se unam, nos deiam as mãos e nos ajudem a ver o próximo e porque não, a nós mesmos.

BOM NATAL, para ti e para todos os que têm tido a paciência de nos ler e ir aturando.

Grande Abraço,
Jerónimo Sardinha

Marília Gonçalves disse...

COMPANHEIRO AMIGO

Há anos, muitos, tinha então apenas os meus 29, na Ilha de Faro via cada tardinha os pescadores que partiam
numa reminiscência de velas e brim, quando afinal era um motor que os levava no bote mar adentro.
Por lá passavam a noite e de manhã eles aí vinham, com ou sem peixe, se trazendo os prateados filhos do oceano, dirigiam-se proa para a lota, caso contrário vinham rumo a casa com magra refeição para uma família que disso vivia.
De tanto os ver partir e chegar, inevitavelmente imaginava-lhes a solitária noite,largando aparelhos, e recolhendo-os pesados, à força dos braços, quando a Aurora de róseos dedos lhes iluminava a labuta e o esforço.
Quantas vezes vendo os poentes desfazendo-se nas águas em fios de prata e oiro, ou quando o amanhecer clareava o mar tornando-o do chumbo escuro, em tonalidades diurnas e luminosas,
Nessa altura escrevi um poema que vou citar parcialmente
homens do mar
gentes que vejo
partir quase à noitinha
o mar embala
vossas noites
sem desejo
sem voos de andorinha....
e isto porque por maior que seja a Beleza, se a preocupação e o esforço se conjugam parece-me difícil poder apreciar o que nos rodeia.
Também eu penso e persisto em pensar que a Arte é o melhor meio de educar e sensibilizar para uma eficaz transformação das mentalidades.
Mas a miséria, o desemprego os problemas materiais são sem duvida um filtro entre a realidade e o Belo.
Por isso vamos à Luta que como se disse entre nós anos atrás: A VITÓRIA é DIFÍCIL MAS é NOSSA!
e com Isto FELIZ NATAL apara todo o Povo de Portugal e com toda a amizade para todos os Companheiros e para os amigo que ao passar pelo blogue nos lêem.
grande abraço

Marília

Marília Gonçalves disse...

dizia o POETA:
pelo sonho é que vamos,
eu teria vontade de dizer: pela saudade ficamos...
UM POEMA DE JAG amigo e também madeirense, quando partiu recebi em email em que sua foto se despedaçava e que dizia: o pássaro morreu
Companheiro Andrade e Silva aqui fica pois para si o poema dum homem bom que foi um bom e leal amigo

Marília

PARA FALAR DE MIM

1

vieram de mim os longos sóis e os longos dias.

vieram de mim o arrastar dos bancos, os cânticos das igrejas,

e vim eu, senhor do meu nariz, nobre sem títulos nem castelos

nem divisas,

duma ilha pequena, perdida numa concha

de mar, onde nasci. era a primeira vez

que eu abria os olhos, e senti-me rei e marinheiro. estava

embrulhado numa alga, e adormecia numa gruta, adornada

por búzios quietos. os peixes visitavam-me e afastavam

os murmúrios, os gritos, os monstros pelados,

e o eco da minha voz, que habitavam os meus sonhos. é por

isso que me revesti da luz cintilante das suas escamas

e tenho, dizem-no as mulheres que desconheço, um suor

sem perfume, um suor sem matéria, enquanto que o meu corpo

tem o encanto do cheiro a maresia.

José António Gonçalves

andrade da silva disse...

Cara Amiga E Amigos

Eu só conheço o Natal das Lapinhas, o natal madeirense. Na minha casa há vários presépios, reproduzo as lapinhas da madeira,o meu maior sonho de natal em criança era ir ver as lapinhas ( os presépios) às igrejas, tenho 3 pequenas àrvores de natal, 3 gambiarras a acenderem e a apagarem, jantarei com a familia.

Não conheço, não quero conhecer outro modo de celebrar o natal, para a comemoração completa do natal faltam-me 3 coisas: estar na Madeira junto da minha idosa mãe ( talvez a passar o seu último Natal); que todos pudessem ter um natal no minimo igual ao meu, sem excessos, mas com alguma abundãncia no que a tradição recomenda, e que todos os homens e os meus amigos estivessem à mesa planetária da fraternidade e da liberdade.

Boas FESTAS

Mas falarei disto em post.

um grande abraço
asilva

Anónimo disse...

Companheiro Jerónimo Sardinha , Amigo

é evidente que um frio festejar entre gentes hostis e desconhecidas é tudo menos uma Festa que se quer familiar terna e repleta de calor humano recordaàões e saudades passadas e futuras....
o Importante é aque um dia abolidas as distância que separam o ser humanoãrno seja possivel, com olhar puro e enternecido, que as mãos se toquem como se o ssangue lhe a doira trouxesse no fundo da sua memoria a certeza de que afinal somps irmãos e uma so familia.
Mas gréande é o caminho a percorrer
até à profundidade de sentimentos sãos!
a minha amizade para si e para os seus
A vossa
Marília

Marília Gonçalves disse...

Companheiro Jerónimo Sardinha , Amigo

é evidente que um frio festejar entre gentes hostis e desconhecidas é tudo menos uma festa que se quer familiar terna e repleta de calor humano recordações e saudades passadas e futuras....

o Importante é que um dia abolidas as distâncias que separam o ser humano isso seja possível, o olhar puro, enternecido, que as mãos se toquem como se o sangue que as doira trouxesse no fundo da sua memória certeza de que afinal somos irmãos e uma só família.

Mas grande é o caminho a percorrer

até à profundidade de sentimentos sãos!

a minha amizade para si e para os seus

para todos os nossos Companheiros

A vossa

Marília

Ana Daya disse...

Um pouco fora de prazo, mas nao podia deixar de comentar este texto. Eh um assunto de muito bom gosto!

O Natal tem a magia de conseguir fazer com que ate os mais duros e nao religiosos nao fiquem indiferentes e, por pelo menos uns dias tenham mais atencao, tolerancia e paciencia com os outros (nem que seja a fingir).

Nota-se saudade nas palavras dos que sabem o que eh celebrar o verdadeiro Natal…

No que me toca, e se nao se repete, eh porque nao foi verdadeiro!

Tambem se ouve com muita frequencia dizer: pronto, para o ano ha mais!
E aqui acaba a tolerancia, comeca o “eu primeiro” e tudo o resto que ja sabemos.

Bom, o Natal eh persistente e todos os anos, quer queiramos quer nao, vem para relembrar que o seu primeiro significado eh o do nascimento de Alguem religioso que ficou na historia tentando mudar o mundo fazendo o bem.

Por aqui, e com alguma surpresa, encontrei em casa de muculmanos, gigantescas arvores de Natal (que foram trazidas de fora com toda a certeza), so porque gostam da imagem da arvore e do espirito que os ocidentais criaram. Nao tem a minima nocao do que eh o Natal, mas gostei de ver! Para mim demonstra tolerancia em viver com religioes diferentes - coisa impossivel fora da casa de cada um.

Claro que so tem a ver com as boas vivencias da meninice, mas ainda hoje fico deliciada a olhar para qualquer decoracao de Natal! Este ano, e pela sua ausencia onde vivo, ainda as apreciei mais por onde passei!

Meu Amigo, sabes melhor que eu que o que se passa nas aldeias eh sempre bem mais genuino! Os lacos entre as pessoas sao indescritiveis – isso nao se encontra em grandes cidades, obviamente. E uma das razoes eh porque as pessoas se conhecem e nutrem sentimentos uns pelos outros.

Tens razao, as bestas existem e nao gostam da alegria pura do Natal! Pelo menos nesta quadra, as bestas devem andar desmotivadas, ou entao a descansar e a magicar… ou entao, e sem me acreditar muito em mudancas, estao a ser amaciadas pela bondade e boa vontade e a tentar deixarem de ser bestas…

O que se passou nesse Natal foi muito marcante e inesquecivel!

Por aqui e por outras razoes, tambem fomos recebidos no dia 24 com a noticia chocante de que um colega tinha falecido com ataque cardiaco enquanto conduzia… vespera de natal e seu aniversario tambem. O funeral foi hoje no Libano e o nosso Natal por aqui foi estranho e interrompido para alguns assistirem ao funeral.
Que raio de natal teve a sua familia… Foi impossivel ter um Natal “normal” lembrando-nos deles…

Desejo tanto que a bondade predomine, mas como sou meia pirronica, tenho as minhas duvidas. Mesmo assim acredito que com pequenos actos simples de simpatia e de bondade se consiga alegrar o dias de algumas pessoas.

Dostoievski tinha razao, o problema sao as definicoes de beleza que divergem de uns pra outros, e o pouco tempo que lhe dedicamos.

Continuacao de Boas Festas!

Ana Rute

andrade da silva disse...

cara Ana

É bom ouvir alguém da nossa diáspora falar de outros hábitos.

O natal será muito mais o presépio do que a àrvore de natal, mas se esta surgir como uma ponte de diálogo entre religiões e pessoas diferentes, bem aventurada seja essa árvore.

A morte é sempre uma perda, uma dor, mas...
bjnhos
asilva

Anónimo disse...

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