sábado, 28 de fevereiro de 2009

IMPERATIVO NACIONAL: SOBRESSALTO CÍVICO.


O Sr. Eng. Sócrates tem razão é absolutamente necessário um sobressalto cívico do país, como ando a dizer há meses, para salvar Portugal e a democracia, e para pôr cobro à deriva totalitária que se pode ter iniciado com os discursos do Sr. Ministro Santos Silvado, e, agora, culminaram com um forte discurso do terror do próprio Eng. Sócrates.

É preciso um sobressalto cívico para varrer do país:
. a corrupção generalizada;
. a imoralidade grave na vida pública;
. a injustiça fiscal com toda a protecção e isenção para os bancos e para as grandes fortunas e um torniquete para os que trabalham por conta de outrem e ganham por mês entre 1500€ e 2500€;
. a insegurança com uma lei penal errada quanto à prisão preventiva;
. a total ineficácia da justiça com completa impunidade para os poderosos;
. a que o controle do défice com base na vitimação dos funcionários públicos, dos militares e dos pensionistas , sirva para depois salvar o BPN e coisas tais;
. os sistemas de avaliação incompetentes que servem par promover o amiguismo ou a conveniência partidária;
. a instrumentalização do medo, o que é um facto, em todos os partidos e organizações portuguesas quem discorda dos grandes líderes é banido, é a vitória do totalitarismo;
. o completo e total desprezo pela opinião dos cidadãos que sempre que se dirigem aos governantes na melhor das hipóteses recebem a resposta do robot informático que a sua exposição mereceu a melhor atenção.

Por todos estes pecados mortais antidemocráticos graves temos a pior democracia da Europa ocidental e os contributos dos governos do Sr. gen Ramalho Eanes, Prof. Cavaco da Silva e Eng Sócrates foram significativos e primos dos de Salazar.

Todavia o PS quer Governar com maioria absoluta, e se isso acontecer com o unaninismo cego e de conveniência do partido, o risco da deriva totalitária é de uma grande e grave probabilidade, que é tanto maior se Manuel Alegre não tirar todas as conclusões e consequências do que está acontecer de excepcionalmente grave neste congresso, de quase culto da personalidade do líder que, doravante passa a ser um quase grande-lider, que o será já quando ninguém a si se puder opor, o que acontecerá , quando daqui a 2 anos tiver de fazer face aos impactos sociais mais negativos da actual deriva da chinização das economias europeias, o que, acontecerá, com o fim da bóia de salvação do subsidio de desemprego, sobretudo para muitos dos que não vão encontrar emprego.

Seria importante analisar se os graves ataques ao Bloco Esquerda não têm um outro destinatário Manuel Alegre.

andrade da silva

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

OS 4 ANOS DO GOVERNO DO SR. ENG. SÓCRATES.


O presidente da Câmara de Lisboa, o Sr. António Costa, quanto à governação do PS só vê medidas positivas, como o simplex, a inovação tecnológica, o ensino profissional, a diminuição do abandono escolar, as novas oportunidades, o que considera fundamental face às baixas qualificações dos portugueses etc.

Para si o cumprimento de programa de estabilidade e crescimento económico que levou ao controle do défice é a marca de água deste governo.

Ora tudo isto foi positivo, mas não foi a isto que a governação do Sr. Sócrates se reduziu, como todos sabem o controle do Défice foi feito tornando muito mais difícil a vida dos que já a tinham mais complicada, e foi, sobretudo conseguido com base na diminuição das pensões e das prestações sociais dirigidas para a classe média, enquanto os ricos ficaram de fora de todo o esforço e sacrifício para atenuação das dificuldades estruturais do país.

Nos últimos 4 anos o que de pior aconteceu, foi o aprofundamento da imoralidade, ou seja, cada vez mais os ricos ficaram mais ricos, e, enquanto, se diminuíam os salários mais pobres, os vencimentos dos administradores aumentavam exponencialmente, quando conduziam as empresas e os bancos para as falências, e, apesar da crise nada ainda nesta área se corrigiu.

Paralelamente nas demais áreas onde o governo pôde legislar para diminuir as liberdades e as garantias dos cidadãos agiu, tomando medidas mais autoritárias do que o regime anterior ao 25 de Abril, como acontece com a proposta do regulamento de disciplina militar, ao que se juntar alguns artigos do código de trabalho e a avaliação autoritária e incompetente dos funcionários públicos, constituirá, este acervo autoritário, para todo o sempre, uma mancha de vergonha para qualquer partido socialista ou social democrata.

E não é possível esquecer a generalizada corrupção nas relações do estado com as empresas, os bancos, os clubes de futebol e as empresas de obras públicas, em que a investigação do Ministério Público é muita, mas os resultados são nulos. Todas os mega processos ou não chegam ao fim, ou os arguidos são sempre inocentes: operação furacão, apito dourado, câmara de Felgueiras etc.

Como comportamento distintivo da politica neo-liberal deste governo está, com a sua máxima força, a injusta politica fiscal que penaliza de um modo severo a classe média que trabalha por conta de outrem, e isenta as grandes fortunas, os bancos e os vencimentos milionários.

Na próxima legislatura com um partido socialista completamente acrítico em relação a todas as medidas deste governo, se nada se alterar na matriz politica da governação em termos quantitativos e qualitativos, a próxima legislatura será de uma severa tirania contra amplos sectores da sociedade portuguesa que dificilmente não porá em causa a democracia.

Sem uma política equitativa nos sacrifícios que todos têm de fazer para evitar a insolvência de Portugal, e sem a moralização da vida pública, os sobressaltos sociais serão mais que muitos, e a tentação para os reprimir pelo autoritarismo é de uma evidência incontornável.

Será na próxima legislatura que, se fará sentir a crise com toda a força. Por mera distracção muitos não andam a considerar que nessa altura os subsídios de desemprego chegaram ao fim, e a maioria dos desempregados não poderão arranjar trabalho nos sectores produtivos emergentes, porque não têm perfil de competências, ora se, então, a União Europeia não quiser pagar a estabilidade social, terão de ser os impostos dos que ainda podem ser um pouco mais apertados, isto é, a classe média, a socorrer os náufragos. Suportarão mais esta cruz?

Se nada neste paradigma se alterar quer em termos políticos, quer económicos, com uma divida externa que cresce milhares e milhares de euros por hora, o Futuro de Portugal pode ser de facto catastrófico. Embora isto possa não acontecer, com nova maioria absoluta do actual governo ( porque de facto o que estará em jogo nas próximas eleições é referendar a política deste governo) o risco existe, e tal RISCO DEVE SER EVITADO A TODO O CUSTO, sem ansiedade, porque mesmo sem maiorias absolutas o país será sempre governável, sobretudo se surgir uma força política emergente que corrija as politicas neo-liberais do PS e PSD.

Em conclusão este governo, perante o total esmagamento do PS por medo, por falta de democracia interna e por conveniência activa de muitos militantes produziu o caldo sulfúrico: imoralidade pública, corrupção grave, injustiça fiscal, impunidade e bloqueamento da justiça que deixe impunes os poderosos e ainda por uma instrumentalização operante ( condicionamento operante) do medo, que no caso de um forte agravamento da crise dissolverá a democracia, em favor da consolidação e aprofundamento do fascismo social, como o define Boaventura Santos, ou numa hipótese mais moderada da semi-democracia na concepção de António Costa Pinto de que O governo regional da Madeira é um caso paradigmático.

andrade da silva 26 Fevereiro 09


PS: que alguém no PS durante este fim-de-semana reflicta nisto, e faça ouvir este grito que será de muitos.
Paulo Portas acaba de declarar que através de qualquer acordo tipo queijo liminiano para segurança está disponível para apoiar o futuro governo da PS, o que acontecer, segundo Edmundo Pedro, provocaria uma grande cisão no PS, provocará?

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O CASAMENTO HOMOSSEXUAL E A PAZ À ALMA DE TODAS AS CANGAS


Como abolicionista sou contra todas as cangas à expressão livre, sem tabus, do amor ardente, logo clara e inequivocamente desaprovo todos as formas de regulação do amor e da libido, porque acho que nem a Igreja, nem o Estado têm de meter o bedelho em assuntos tais.


Todavia todos têm o direito, na minha opinião, de acederem, a este patamar superior da tonteira humana, de sujeitarem o seu amor e as suas relações inter-pessoais a uma supervisão externa, e, deste modo, também se mata o primado das relações poligâmicas da homossexualidade, e tudo se rende a essa coisa limitada, e sobretudo monótona, da monogamia.


O mundo está mesmo um espanto, mas, de qualquer modo, os defensores da monogamia deviam aplaudir esta aspiração que só revela que afinal até os que eram poligâmicos acabam por se render ao sortilégio da monogamia, facto que os devia confortar e não irritar, por terem feito a escolha acertada (?).


Como não concordo com a instituição casamento, não defendo com muito entusiasmo o casamento homossexual, mas já que esta instituição social existe que seja como o sol que, quando nasce, é para todos, e que todos sejam muitos felizes, e para todos os que forem muito felizes, porque o casamento lhes deu essa oportunidade, bem -aventurados sejam esses casamentos que deram a máxima felicidade a tão queridos e excepcionais cônjuges.


Se não fora a minha idade e a falta de cobres para comprar gado, iria para África, e juntaria umas quantas cabeças de gado que perfizessem alguns dotes, teria várias felicidades, e tudo seria tão diferente, porque, entre muitas outras coisas, já ando aborrecido de aturar e, de ouvir um coro a dizer que há, entre nós, O GRANDE LIDER, cognome que receio, porque na Coreia também existe um , e, normalmente, está mal disposto, mandando ao pequeno almoço cortar cabeças, para não pensarem mais durante o dia , e ao jantar manda dar cacetada nas cabeças para arrumarem as ideias , ora, de tanta cacetada algumas rebentam, coisa sem interesse, mas que temo, temo mesmo, sobretudo pela cabeça do meu gato que, como gato, revela dotes especiais, segundo os testes que estimam, a estimada, inteligência da gataria, além de que o patusco, nome deste meu felino, é tramado, até morde a mão que o alimenta. É rebelde. O tipo na outra incarnação deve ter sido um vermelhaço, mesmo vermelhaço, do que desconfio, porque o gajo mia em russo. ( Ah que saudades da guidinha do Stau Monteiro!)


VIVA AO CASAMENTO HOMOSSEXUAL. QUE SEJAM MUITOS FELIZES, E QUE NUNCA HAJA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA QUE MUITOS CASADOS CELEBRAM DEVOTADAMENTE!?....

PAZ À ALMA DE TODOS OS CASAMENTOS. Como seria interessante ouvir dizer sou viúvo (a) do casamento, mas a minha ( o meu) ex- cônjuge está disponível para a continuação da mesma aventura numa situação de facto, mas livre da intromissão do Estado e, ou da Igreja, e, ou para iniciar e viver outras e diferentes aventuras da e de vida.

Para mim, a isto chama-se, simplesmente, liberdade. SIMPLESMENTE LIBERDADE.


A Liberdade é paz, harmonia, amor, libido, respeito pelo outro. Entre gentes inteligentes e cidadãos não deveriam ser precisas peias nas relações amorosas, para que todos os interesses e direitos fossem defendidos. O direito normal e comum às outras relações interpessoais deveria ser suficiente, com a salvaguarda absoluta que os pais são responsáveis pela educação, alimentação, desenvolvimento, crescimento, formação dos seus filhos a quem para além do afecto têm o dever de promover as melhores condições, para que eles atinjam a sua plenitude, enquanto pessoas e cidadãos.

Julgo que o estatuto da relação de facto, é o que frequentemente melhor servirá a felicidade, pelo que não sendo um entusiasta do casamento, reconheço que o casamento homossexual é um direito jurídico, em igualdade de circunstâncias com os demais, e é um passo necessário para no futuro se reconhecer que o direito à felicidade que todos têm, no caso da bissexualidade, levará a considerar que em termos da constituição de um núcleo familiar harmonioso, a tríade, como é óbvio, será a solução, adoptada em várias espécies animais com significativo sucesso.

Viveremos ainda o tempo suficiente para contemplarmos as grandes mudanças do mundo?

Talvez sim, talvez não, mas algo muda. Alguns preconceitos caem. Em 1985 alguém que hoje coraria de vergonha perante os seus netos e quiçá filhos, recusou que o meu filho nascesse na maternidade do Hospital Militar pelo simples facto da sua mãe, não ser casada comigo. Porque não cumpri uma norma arbitrária, o meu filho foi preterido de um direito. Isto terá sido justo, legitimo, ou foi a mera manifestação de um acintoso e ilegítimo preconceito?

Espero que quando se discute o casamento homossexual o preconceito que impediu o meu filho de nascer na Estrela tenha caído, para poder pensar que quando se estiver a falar da tríade sexual e das novas formas do casamento de bissexuais, o preconceito contra o casamento homossexual já tenha caído, porque a questão da tríade ainda levanta muitas mais e complexas questões.


andrade da silva

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A QUESTÃO POLÍTICA DA SOBREVIVÊNCIA DA DEMOCRACIA.


Louvam o capitalismo, sem nenhuma "mea culpa", os 20% que cada vez mais enriquecem, enquanto os demais 80% vão perdendo vantagem e, dentro destes, 20% são miseráveis.
Dizem que há um capitalismo selvagem e um capitalismo inventivo, mas não dizem qual o predominante e em qual deles vivemos, nomeadamente em Portugal, percebe-se!

Dizem que vivemos uma crise de valores que, com dor e suor, vai ser superada, mas como e a que preço?

Dizem que os batoteiros vão ser afastados, e os criminosos presos, sabem que mentem, mas dizem estas coisas. Sabem que quem quer recuperar o mundo da crise, são os mesmos políticos, banqueiros e empresários que a provocaram. A excepção, entre nós, será o Sr. Oliveira e Costa que é o pobre de Cristo do capitalismo selvagem, que será sacrificado, todos os outros passarão incólumes, e, assim, teremos, por má sorte, na próxima legislatura o Sr. Eng. Sócrates como 1ºministro , e espante-se que por causa desta crise, cuja base é a imoralidade política que este governo, de modo algum, quis, quer ou quererá combater, e o mesmo se passaria com o partido neo-liberal, seu irmão, o PSD.

Apontam alguns como sinal das virtudes do capitalismo inventivo e ético o que alguns empresários fazem, através das fundações para apoiarem os mais necessitados e a investigação. Todavia estes são as honrosas excepções, porque a regra será fazerem circular o dinheiro nos offshores, cancro e marca de água do capitalismo dominante que os alimenta e vai manter para além da crise, como centros da prática de crimes, de acordo com a denúncia do próprio Presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

Seja como for, na minha opinião, a questão política, para a sobrevivência da democracia é a defesa da liberdade, da justiça social, da fraternidade, do mérito com novas lideranças políticas e novos políticos, com valores e cultura, que conheçam a história, a ética, pratiquem a moral e tenham lido algumas biografias e, nomeadamente, os autores clássicos e modernos da sociologia Marx, Weber, Tocqueville, Giddens etc.

É preciso também que nasça um nova era de cronistas e de Comunicação Social, independente isenta e com gente não dissimulada.

andrade da silva

sábado, 21 de fevereiro de 2009


CARNAVAL

Transgressão, disfarce
Façamos de conta que somos livres
Imaginemos que temos a melhor elite e governantes
Vamos deitar fora as rotinas
A começar pela instituição monogâmica.
Vamos ser loucos, loucos….
Sem nenhum encontro marcado com a AIDS
Falemos a bela linguagem vernácula, alguns dizem de caserna,
Chamemos os bois pelos nomes
Ah que tanto filho da Puta, de senhor chamado,
Para aí anda, no corso da vida, mas como?
Derrubemos a hipocrisia e o cinismo
Sem canga amemos o dia, a noite
O sol, a lua, o homem e a mulher
Sejamos neste tempo do género sexual
Incendiário, sem género.
Loucos, loucos, simplesmente loucos,
Porque depois estamos condenados a viver
Sem nós, mas com as regras dos outros,
Avassaladoramente impostas de fora para dentro,
Como Durkheim sábio e génio,
Dizia ao definir facto social.
Façam de conta também que nunca escrevi isto,
Foi um surto esquizofrénico, ridículo.
E se não escrevi, também não o leram.
Façam de conta depois de passar o Carnaval
Que nunca quiseram ser loucos e livres,
Mas Agora, sejam loucamente, loucos,
Mas nunca beijem a AIDS.


Com uma louca amizade


BOM CARNAVAL!




andrade da silva

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

CARTA A UMA ALENTEJANA


Cara companheira ontem, como hoje, no nazismo, no salazarismo, no 25 de Abril e, ainda, hoje há tantas mulheres e tantos homens que foram esquecidos e deram o seu melhor pelo seu povo, e, por isso, pagaram um preço alto, e felizmente nunca se consideraram heróis.

A história repete-se, os que se servem do povo para o triturar e enganar, aparecem sempre como grandes heróis, são lobos disfarçados de cordeiros.

Conheci-os no Portugal de Abril, sempre aliados do capitalismo selvagem, a quem generosamente servem no seu interesse, e sempre, em cada 25 de Abril, são os primeiros a porem o cravo vermelho ao peito, e, para meu espanto, o Povo que perdeu algum dos seus filhos beija-lhes as mãos.

Mas quando mataram o Casquinha e o Parreirinha no Escoural não haveria o Conselho da Revolução? Não estava lá toda a gente do 25 de Novembro? Mas não seria 1ª ministra Lurdes de Pintassilgo e ministro do interior o Cor. Costa Brás? Então, como e porque os alentejanos enganados ou esquecidos abraçam os que não condenaram os assassinos de um jovem de 17 anos, o Casquinha.

Miseravelmente muitos já o esqueceram, consta na foto que ainda olho que era membro da JCP, na do Parreirinha, diz-se que era membro do PCP. Sou um independente, conheci-os, quis que fossem felizes, nunca os esqueci, mas porque os esquecem, será porque a Reforma Agrária foi completamente destruída?


Mas eles morreram por causa da Reforma Agrária, ora, se ninguém andou a enganar ninguém, eles são heróis, e, em qualquer caso, morreram, porque foram executados, por andarem a ocupar terras, e não por uma questão de legitima defesa. Eles nunca ameaçaram as forças da GNR, quer pelo número de militares desta força, quer pelo seu armamento.

Da minha parte não andei a enganar ninguém. Acreditava não no desvario, embora temporariamente justificável, por falta do adequado funcionamento do estado, da ocupação de terras, mas sim na reforma agrária a sul e a norte sobre o que escrevi em 76, em que defendia as cooperativas, mas propunha muitas mais medidas a nível do apoio técnico, da produção e da comercialização. Não são justificações, não reescrevo a história, são sonhos e utopias de então que mantêm-se actuais, como necessidades ao nível da Balança Alimentar,

Enfim, não entendo os comportamentos traidores, e isso trama-me duplamente. Os poderosos não me perdoam, e há outra gente que tem medo de outras verdades, para além das suas, ou pior, da sua e única verdade, mas sei que muitos alentejanos me estimam, e apesar de afastados continuamos no mesmo caminho, e, isto, é o quanto basta, é o tudo a que sempre aspirei.


Um grande abraço
andrade da silva

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

REFLEXÃO QUASE UTÓPICA


Ao contemplar o Tejo, dei comigo, a reflectir acerca de ministérios, polícias, governantes, tudo instrumentos para produzirem submissão, trituração das pessoas. Tudo para produzir infelicidade e sujeição.

Todavia, foi o homem que criou este sistema para ser infeliz, porque, segundo a história, a barbárie seria pior. Seria?!...

Admitamos que sim. Mas, mesmo assim, não poderia ter sido possível criar uma estrutura social e política com os mesmos ministérios, governantes, etc, mas com o objectivo de produzirem bem-estar, mérito, paz, desenvolvimento, e evitarem os comportamentos anómicos e violentos?

Creio que teria sido e é possível, então, porque não aconteceu, nem acontece?

Julgo que em primeiro lugar por causa dos “escravos” que em vez de se rebelarem contra a escravidão, a alimentam, julgam aprioristicamente que ela lhes traz a segurança, e nunca o sofrimento e a morte, e também por estarem intoxicados e anestesiados pela furiosa propaganda dos que detêm as alavancas da dominação, e em 2º lugar porque os lideres geralmente são escolhidos entre os mais violentos, os mais corruptos e os menos competentes. São empregados pagos a peso de oiro, pelos progenitores e donos do capitalismo selvagem.

Este é o Mundo em que vivemos e que milhões de pessoas aceitam: uns por uma questão de cobardia; outros de oportunismo e muitos , muitos, por desinformação, ignorância e alienação.
Neste quadro dramático cabe às mulheres e aos homens livres, enquanto há tempo, denunciarem este estado de coisas, e proporem alternativas, desejando que por imperativo moral e de cidadania, os melhores, entre os melhores, tomem a bandeira do humanismo e do desenvolvimento e motivem os milhões de gentes perdidas que se não se encontrarem depressa, serão ceifadas pelos temporais que aí vêm, ou por algum vírus que de um qualquer laboratório da morte, se escapará por fortuito e trágico acaso planeado. (Não durmam muito descansados, sem que antes a democracia conquiste as semi-democracias proto-totalitárias reinantes. Não descansem, vêm aí grandes temporais).

É possível viver numa sociedade mais justa, fraterna, sábia e em harmonia com a natureza, se os povos euro-americanos não deixarem que em todo este espaço geográfico se regresse à Idade Média, se efectue a “chinização” da Europa, e, finalmente, compreendam que a fragilidade das sociedades africanas e asiáticas são nossas também.

É a hora. PORTUGAL !


andrade da silva 18 Fev. 09


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009


magia
é ganhar que queremos não é passar o tempo
isola o momento torna-o concreto
assiste vive
a intensidade é que conta
eu sei
ainda não aprendeste eu também não
esquece a herança cultural rápido
cresce com o que a terra te dá
sem mais
vive no estado bruto ou na arte bruta como lhe chamam
o rio nunca é o mesmo
nada é ponderado
cada linha sai
depois
unem-se em uniões de facto é o princípio da tolerância
na prática
acreditamos que não acreditamos
mas a arte aparece
vamos inventando e agora
sai da herança antropológica
e a pergunta vem sou o que sou ou sou o que faço
dá no mesmo
tudo é reciclável
agora
em minha casa foi o limoeiro que se foi
nc – 2009

Nelson Correia


sábado, 14 de fevereiro de 2009

O MAR E O MEU BÚZIO DE RAPAZ.


Nasci numa ilha abençoada, nasci no Hospital do Monte, na zona alta da cidade do Funchal, entre árvores cheias de verde e flores repletas de cor. Vivi muitos anos na rua da Queimada de Baixo, à frente do nº 25 da rua de João Tavira, onde, habitavam as Sousa Teles, familiares do imponente General Sousa Teles. Fui visita desta casa, aquando das férias da Academia Militar apresentava-me fardado às duas irmãs Ana e Margarida, pela antiguidade primeiro será a segunda, mas gostávamos mais da primeira, e comia o melhor bolo de mel da ilha e bebia um vinho doce, divinal, como convinha a casa tão frequentada por padres .

Vivi, como os demais madeirenses a um passo do mar e da serra. Respirei o ar puro, bebi água do mar salgado, porque sempre nadei mal e nunca soube nem dar a braçada forte, nem sintonizar o respiração, enfim, nesta arte, como em muitas outras, fui, sou um nabo, mas honrado e esforçado, nunca me rendi.

Na minha infância, quando não ouvia o mar ao vivo, como os demais rapazes, raparigas e adultos, tínhamos sempre, na casa dos madeirenses de antanho havia sempre, sempre, uma ligação ao mar, nós tínhamos de ouvir o bom dia do mar para o dia ser dia, e, assim, quando fui viver para S. Martinho, deixei de ver o mar, depois para a Montanha, aqui, via-o muito bem , mas já não o ouvia, mas era preciso ouvi-lo, por isso nestas andanças de casa ás costas, ( havia muitas casas para arrendar, e a minha mãe andava sempre à procura de melhores ares) nunca ficou para trás o búzio, a grande herança de quem era pequeno, simples e amava o oceano.

Todos os dias, todos nós, a minha mãe, irmã e eu, segundo o saber da minha mãe, colocávamos o búzio no ouvido e ouvíamos o mar, longínquo mar, mas forte e soberano, mesmo quando não o víamos a sua voz era troante e de uma multidão de gotas e toneladas de sal. Sonhávamos com sereias e que de gota a gota se tinha formado o mar imenso, que julgávamos nosso, de todos, sim, nós éramos simples e bondosos.

Desses tempos guardei sempre a ideia elementar e essencial que o mar era infinito, formado de gotinhas, tinha nascido de uma que se juntou a outra, mais outra, depois a outra e no fim foram milhões. Sonhava, então, ou dizia a minha mãe, já não sei ao certo, que Deus tinha sido muito paciente, persistente para fazer a sua obra, e que todas as grandes obras exigem muito trabalho e humildade.

Quanto me recordo o búzio que nós escutávamos! Dizia que só os burgueses, que, então, se chamavam, na casa de minha mãe, de patacas, “brezuelanos”, ou simplesmente pançudos, ( desta não gosto muito, porque também a minha barriguinha cresceu) ou, ainda, de ricaços mandriões, é que sem fazerem nada tinham o mundo a seus pés, e que tinham uma inclinação especial para fazerem o papel de cavalos de Tróia, isto é, cavavam sempre, quando era preciso lutar, julgavam-se uns predestinados.

Hoje penso que o meu búzio tinha razão, os vaidosos pensam que só vale a pena fazer alguma coisa, quando o mundo dobra-se perante a sua omnipotência e os venera, não toleram a solidão do deserto, e muito menos o trabalho anónimo de quem crê ter algo para dizer, apesar de não ter a audiência dos Deuses. Mas também aqui o meu búzio dizia e diz-me parte, parte sempre e faz-te ao mar ignoto, chegarás ao porto das gentes, e é o que tenho feito….

O porto das gentes está sempre longe, mas demando-o, enquanto vejo muito vaidoso, petulante, burguês disfarçado, soçobrar, mas sempre dando um quê de grande solenidade a uma acto nem mais rico, nem mais pobre, do que defecar, mas para eles, numa alucinação do self, é preciso de tudo fazer uma tragédia, porque caso contrário sentir-se-iam pigmeus, o que não aceitam. Mas nada disto tem qualquer significado para o búzio, meu conselheiro, que me chama para o mar e para a aventura da vida, da luta, do sol e da liberdade, luz forte que muitos queriam lamparina e, assim, eis-me aqui, partilhando a voz do meu búzio de rapaz.

Obrigado Marília, por me ter recordado do meu búzio que fisicamente perdi em Lisboa, mas nunca no coração e na alma. De qualquer modo quando à Madeira regressar vou de lá trazer o búzio da minha infância, é um grande património para quem sabe que a seus pés só tem a honra, o amor, a humildade e a ideia de que a dignidade está mais em prosseguir pelos caminhos difíceis do que nos actos vaidosos do fugir, mesmo que sob o disfarce alucinado da pseuda pompa e circunstância.


andrade da silva

PS: Um búzio para todos os amantes, para ouvirem os gemidos do mar a fazer amor com as areias, na Madeira com os calhaus de basalto.

















Carta que lhe Escrevi faz tempo, mas que não faz mal relembrar... A memória é pertença colectiva
e a sua maior utilidade é evitar a repetição de males futuros, porque do cofre das lebranças sacamos a aprendizagem
colhida no que vivemos
anteriormente e de que nunca mais
queremos a repetição.

Marília




Caríssimo Companheiro de Abril Andrade e Silva

Dirijo-me em especial a si, porque foi magoado após o 25 de Abril

Que isso possa ter acontecido a um dos Homens da Liberdade dos que nos ofertaram a Luz há tanto negada, que nos deram a possibilidade de beber Ar de o sorver, como nunca dantes havíamos feito, parece-me de tal modo absurdo e ridículo, tão ingrato como falto do mais elementar sentido humano para quem tal fez

Mas como no outro dia referi numa resposta a si também

O 25 de Abril foi decerto a mais bela página de História que se escreveu em Portugal e até no Mundo
Uma Revolução em que quem detinha as armas tudo fez para nunca ter que servir-se delas!
Mas nem a melhor revolução pode operar milagres, as mentalidades foram parte da herança desse quarenta e oito anos de sofrimento do nosso País.
Por isso pelo vosso humanismo exemplar é o meu coração de menina que foi magoado também e prematuramente que vos diz Obrigada!

Por isso que mais uma vez vou escrever aqui mais um pedacinho de acontecimentos da minha vida de menina filha de antifascista ;
O meu pai pertencia ao MUD. Se é certo que as simpatias políticas eram vermelho vivo
era esse o Movimento a que estava ligado.
Meu pai foi preso a 22 de Maio de 1958. Lembro-me de tudo como se fosse hoje e se não esqueci a data, é que na véspera 21 por conseguinte , tinha sido o aniversário de meu pai.
De manhã nesse dia 22 fui para o Externato que frequentava . Vivíamos na Amadora
Do que na classe se passou nessa manha não me lembro de nada de especial porque não havia razão para isso. Uma manhã em que a vida decorria como em todas as outras manhãs e tardes escolares.
À hora de almoço fui a casa para cerca das 14 horas entrar nas aulas outra vez.
Quando cheguei a casa , eu tinha então dez anos, minha mãe veio abrir-me a porta.
Nada havia na expressão de minha mãe que me alertasse para o que quer que fosse.
Foi por isso com espanto que ao ir entrando corredor adiante, comecei a ver a casa virada dos pés para a cabeça, tudo entornado no chão! Tudo fora do sítio habitual. Gavetas fora dos móveis roupas por todo o lado Dirigi-me à cozinha. O mesmo espanto! Tudo revirado e até a despensa tinha as prateleiras esvaziadas. Tudo, tudo espalhado por todo o lado
Enquanto fui observando aquele estado de coisas não me lembro de mais uma vez ter notado algo de estranho no rosto de minha mãe. Mas as palavras que o espanto havia retido, acabaram por sair em forma de pergunta. O que é que aconteceu? E minha mãe o mais naturalmente do mundo respondeu-me:
- Nada! Foi o papá que teve que teve que ir para o Porto de repente e não sabia de umas coisas importantes que tinha que levar e com a pressa foi isto que deu.
- Lembro-me de um mutismo que me tomou, crédula mas estranha. Eu era uma criança sensível que já dizia poesia há alguns anos e em vários sítios. A própria directora do externato que era uma pessoa extraordinária de rectidão e justiça que fazia desabelhar as crianças assim que aparecia pela sua expressão que podia à primeira vista parecer dura, me chamava quando havia algum momento livre para ir declamar para ela. E quanto mais o poema apelasse para sentimentos humanos mais ela exultava. Pois mesmo essa sensibilidade não conseguiu captar senão aquela sensação de espanto que me invadiu.
- É verdade que não muito antes, uma tarde, meu pai chegara a casa com o fato manchado de azul e algo ofegante. Ouvi-o a dizer a minha mãe que na manifestação em Lisboa a guarda republicana lançara os cavalos sobre a multidão e que lhe parecia que umas crianças que iam a passar não teriam ficado bem.
- Mas a conversa não era comigo e nada mais fiquei a saber.
Não percebia patavina de política nessa idade. O que me ensinavam era a proteger os mais fracos, os pobres a gostar das pessoas Mas política, daquilo que pensavam ou faziam até aí nada soube.
Minha avó materna apareceu (para mim inopinadamente e levou-me para casa de familiares onde vivia a sua irmã Josefa, ( a viuva do Alfredo Dinis, mas isso na altura ainda sabia menos, nem que tal pessoa tinha existido. Nessa casa que era a da irmã do Alex, fui recebida com carinho muito mais intenso que o habitual. É possível que bem no fundo de mim começasse a germinar alguma sementinha de ideia, mas sem mais. Uma impressão, uma estranha impressão.
Não voltei à escola até ao fim de semana. No Domingo seguinte minha mãe que estava grávida, tinha mandado fazer um vestido e um casaco comprido rosa velho, parece que o estou a ver...
Disse-me:
- vais ao casamento da prima mas assim que chegares dizes que o papá foi para o Porto e que por conseguinte nem sei se tenho que ir ter com ele, portanto não vou ao casamento, embora tenha muita pena.
É claro que essa minha frase à chegada perto da família tinha a finalidade de os prevenir da minha ignorância dos factos. Assim aconteceu. Acabado o recado fizeram-me um sorriso meigo e nada mais.
Na segunda-feira de manhã, minha mãe completamente tranquila quanto ao meu estado de desconhecimento preparou-me e lá fui para a escola. Externato ou não externato nunca me lembro de dizer senão vou para a escola.
Acabada de sentar na minha carteira, entra a Isabelinha, neta dum amigo de meu pai, e rápida
Lança-me;
Então o teu pai foi preso? De repente num salto estava em pé, e sem hesitar, numa verdade luminosa que não sabia donde me surgia retorqui enérgica:
- Está ! Mas não foi por matar nem roubar! Mas porque é bom!
- Companheiro, nesse momento ergui alto a cabeça e os olhos num jeito que me ficou até hoje e nunca mais em nenhuma circunstância, alguém conseguiu vergar-me a cabeça nem fazer-me baixar os olhos.
E era apenas o início de uma época de provações e de privações que mesmo nesse momento não podia prever. A prisão embora curta, a tortura a perda do emprego que adveio e as suas consequências agravaram a saúde frágil de meu pai!
E tudo a dado momento se fechou à minha frente.
Até que com catorze anos depois de passarmos por muita falta, vim com minha mãe abrir caminho para a vinda de meu pai que começara com vómitos de sangue pouco tempo depois de ser libertado.
À chegada a França em 62 não era já a menina ingénua que chegava
Era uma mulher que a dor es privações haviam amadurecido prematuramente
E deitei-me ao trabalho! Sempre com o mesmo olhar bem erguido!
Mas o que recordo mesmo de casa de mais familiares de casa de meu avô, o tal que era enfermeiro, avô emprestado de segundas “núpcias” de minha avó mas avô de coração era aquela frase que voltava sempre: isto já está por pouco Não tarda cai!
Pois mas os anos foram passando e o fascismo não caía, armado de pedra e cal parecia ser!
Até que foi Abril. (1)
Como duvidar de Abril? Como duvidar do futuro ridente de Portugal! Abril é uma conquista que nunca se perderá! poderá passar e atravessar trilhos tortuosos, mas há-de erguer –se sempre à luz do dia
Porque Abril foi a palavra justa que restituiu a voz a todos os que a dor tinha silenciado
Eu fui apenas uma entre casos e casos sem fim de crianças de quem conheço historias que só muita maldade podiam provocar.
Essa maldade que fechava os olhos ao povo de Portugal era o salazarismo o fascismo de uma hipocrisia ímpar, de falsos sorrisos, de palavras que se fingiam mansas para enganar incautos.
Os outros os que sabiam, e calaram e participaram, mesmo para a consciência própria que durante anos não tiveram, no momento da morte às vezes ela acorda de dedo acusador e não queria estar no lugar deles.
E isso amigos e Companheiros o povo de Portugal há-de sempre, porque é bom generoso e fraterno, vir lembrar a quem tente ofender ou ferir Abril, que Abril é para sempre a Voz da Liberdade a Voz de Portugal!
Até hoje nunca tinha querido escrever estes factos, (salvo em poema que escrevi para crianças da minha rua quando meus filhos eram pequenos).
pensei que a dor que mora nestes acontecimentos me faria estoirar de aflição.
Como vê resisti a esta primeira prova do fogo! Quem sabe talvez um dia venha contar mais alguma página da minha vida infantil
Até sempre Capitães!!!!

Marília Gonçalves









Menino da Beira-Mar






Menino da beira-mar
De búzio na mao estendida
Que mundos no teu olhar
Que luz, que sombra, que vida.

Chegas o búzio ao ouvido
Atento escutas o mar
Menino de olhar perdido
estás vivo, sabes sonhar

Caminhando pela praia
ágil em total nudez
Levas a cabeça cheia
De contos. Era uma vez...

Menino da beira d'água
Partilha o búzio comigo
Vamos lutar contra a mágoa
Meu menino meu amigo.




Marília Gonçalves

Este poema faz parte do meu livro de poemas " À Procura do Traço"
das Edições ACAP 77- França

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

01 - LIBERDADE E CIDADANIA * Carta aberta aos meus eventuais leitores

Neste momento de despedida, agradeço aos meus eventuais leitores terem aceitado ponderar o quanto me foi possível publicar em «Liberdade e Cidadania».
Apesar de alguns acidentes de percurso, foi muito gratificante, para mim, a passagem por este espaço do meu querido Amigo Jerónimo Sardinha.
Presumo que os meus textos terão merecido concordância ou discordância ou indiferença, como é natural. Se tal sucede com os melhores, por maioria de razão terá sucedido comigo, um vulgar escriba desta nossa terra.
A todos deixo as minhas saudações.
Até sempre!

José-Augusto de Carvalho

LOUÇÃ + MANUEL ALEGRE < QUE A GRANDE ESQUERDA ,OU A EQUAÇÃO ERRADA.


Louçã foi à RPT1 falar de sua justiça, dizer que o bloco de esquerda não é um partido em namoro com o PS, porque é contra as politicas do 1ºMinistro, nomeadamente o código de trabalho que procura tirar a quase totalidade dos direitos aos trabalhadores, e que o voto contra de Manuel Alegre a esta lei, é o gene da quase total identificação entre o seu partido e o deputado.

Louçã refere ainda as vantagens da intervenção do estado em vários sectores nomeadamente o da banca, embora reconheça que o sector público está a ser mal gerido, contudo salienta que a CGD tem sido melhor governada, que a banca privada, em geral, mas que poderia e deveria praticar politicas de crédito mais baratas às empresas, o que permitiria uma melhor capacidade àquelas, para enfrentarem os problemas que aí vêm.

A CGD, digo eu, deveria também ter evitado as indemnizações de centenas de milhares de euros, os vencimentos multimilionários, as promoções a funcionários que já não são seus, tudo coisas pequenas que Louçã se esqueceu, sem que haja qualquer namoro com o PS, compreende-se, o tempo a entrevista é curto não dá para tudo, e a jornalista não está ali para fazer perguntas embaraçosas

Também na sua opinião é uma acto imoral e ilegal os empresários aproveitarem-se desta situação para despedirem , condicionarem e intimidarem os trabalhadores. Todavia a verdade é que neste capítulo também o bloco de esquerda e os demais partidos e sindicatos foram surpreendidos pelo comportamento ilegal dos empresários, sem terem nenhuma resposta no terreno, ou mesmo a nível institucional e sindical para susterem tais abusos. Estão a deixar todo ao caminho livre a lideres emergentes que fora do sistema podem mobilizar vastas camadas de cidadãos em desespero de causa.

Toda esta falta de resposta que não é de completa ausência, porque quer os dirigentes partidários, quer os sindicalistas falam, falam, mas a verdade, verdade, é que não elaboraram nenhum plano de contingência para qualquer situação de crise esta ou outra que viesse ou venha a acontecer.

Na navegação em crise são tão velhos e pesados como o governo. São medíocres, vivem do presente e para o presente, são reactivos e não criativos, demonstraram que estão velhos, cansados e ultrapassados pelas novas realidades. Demonstraram que só são capazes de fazer mais do mesmo.

Por tudo isto também a equação BE+ MA além de ser menor que a grande esquerda, é uma equação errada e que releva de uma metodologia do BE já muito conhecida e enegrecida, fazer logo uma ponte com qualquer individualidade que em dado momento parece estar em a ruptura com algum grande partido, e que poderá servir de caçador de votos ao BE, e, sobretudo duvido que a intenção e muito menos o desígnio seja mudar realmente o país. O sintoma é de um comportamento velho, rotineiro, poeirento e de um escuso caminho.

Não é de nada disto que o País precisa. O que seria importante seria o surgimento de uma grande corrente de opinião, de um líder emergente que de um modo credível pudesse formar a Grande Esquerda sim, mas com base numa estrutura democrática de poder e não dogmática, crispada , totalitária que não aceita a divergência, mesmo a que não põe em causa os valores constitutivos da esquerda ( claro que um ultra liberal não pode ser incluído na grande esquerda, porque o seu espaço, neste momento, encontra-se no PS que se auto negou como do socialismo democrático, o que não e novo, e do PSD tão neo-liberal como o PS) e exclui dirigentes e militantes por divergências tácticas com os timoneiros, o que só pode resultar de um tique salazarento.

O que o País precisava é que alguém da área da social-democracia mobilizasse os independentes, os abstencionistas, os sociais-democratas cilindrados por direcções autoritárias, para implantarem uma verdadeira democracia em Portugal, através da criação de uma grande força, de um partido realmente democrático que tirasse a maioria ao PS ou PSD, porque ambos enfermam da cegueira do poder e da vertigem semi-democrática, ante câmara do totalitarismo, e pudesse sim, obrigar o governo a ouvir os que estão a ser espoliados, há muitos anos.

Esta seria a equação certa multiplicativa, criativa, produtora de nova realidade, que Louçã propõe servindo-se de Manuel Alegre como um caçador ou arranjador de votos, mas que não serve ao País.

Se algo poderia interessar a Portugal seria a emergência de uma alternativa que bloco de esquerda ou outros pudessem apoiar, agora, querer ser o BE o protagonista da Grande Esquerda, parece-me mera fraseologia, porque em relação à grande esquerda a equação que quer escrever Louçã BE+ MA está errada. Se algo faz algum sentido neste momento é Manuel Alegre e….., e ……, e….., Teria um efeito de tsunami politico e poderia ser igual sim à GRANDE ESQUERDA.

PORTUGAL, nas pessoas dos que me lerão.

andrade da silva

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

SALAZAR “O BEATO- SANTO” COM VIDA SEXUAL?


Quis a SIC brindar os portugueses com dois programas sobre a vida privada de Salazar, para além das interferências no seu quotidiano e no da vida da Nação, do cardeal Cerejeira, do chefe da PIDE e da D. Maria que mais se viu?

Foi revelado que o misógino, anguloso, cinzento Salazar tinha também uma vida privada e sentimental baseada na falsidade, numa moral com dois pesos, severa e castradora para todo o povo e licenciosa para o misógino ditador.

A frustração sentimental e a obstrução da libido por uma questão de Estado, só poderia provocar a sublimação de tendências, e que melhor exercer um poder sádico sobre milhões de pessoas que acham que o que nós precisamos é sempre de um pai tirano.Mas porque não deixam morrer Salazar? Mas porquê, agora e a que propósito se fala da sua vida sentimental que, enquanto tal, é de uma banalidade e de uma frustração evidentes. Mas porquê?....

Será bom sinalizar que as novas gerações, por completa falta dos quadros morais que Salazar e a Igreja impunham ao namoro e às relações antes do casamento, não podem entender as contradições do comportamento do ditador, e vê-lo-ão como um "tipo porreiro”, até adiantado àqueles a que ele obrigou a pesada castração, mesmo com actuação policial para prevenir os bons costumes.

Seria bom que a SIC acrescentasse que o ditador, enquanto de um modo banal,
cortejava as mulheres, segundo os meus critérios, ( que até sou um defensor do amor livre, isto é, louvo a libertação dos que às “leis de morte” dão um valente coice, lá ia namorando esta e aquela e, sucessivamente, as despedindo, já com menos coração e, aqui, foi igual a tantos outros que se servem das pessoas como coisas, o que é vil e repugnante ) impunha, este misógino ditador, que os rapazes e as raparigas nos liceus tivessem aulas e recreios separados, e no meu Liceu, o do Jaime Moniz, no Funchal, num raio de mais de uma centena de metros, os alunos e as alunas não podiam beijar-se ou namorar, se o fizessem ficavam sob a alçada do regime disciplinar do liceu.

Só por esta amputação afectiva da minha vida, por durante 9 anos da 1ª classe ao 9º ano do liceu, não ter convivido com as doces e belas raparigas na escola digo - Maldito ditador que o inferno te seja mais inferno que para os pobres diabo! E, ainda, mais me revolta, porque o misógino não cumpria as regras da brutal castração que impunha aos outros.

Malditos Salazares, Pinochet, Vilelas, Francos! Mas porque nunca são enterrados estes malditos, ou se conta a história inteira dos seus crimes, e através da ficção se pretende humanizá -los, quando não são humanos, mas sim bestas humanóides.

Embora os jovens nasçam hoje, e bem, em democracia é preciso falar-lhes destes tempos, porque se nada é definitivo, nada garante que se o totalitarismo não for conhecido e recusado, a democracia não faleça às mãos de um outro qualquer misógino, anguloso, frustrado que descarregue a sua libido recalcada, através do sadismo politico e social que pode ser num misógino, uma forma de obter o orgasmo sexual, através da prática imaginada do acto ou da sua prática solitária etc, etc. ( Sinto uma verdadeira pena que só meia dúzia de portugueses possam contactar com esta hipótese e com outras que a olhos cegos podem parecer estranhas, mas que para quem vê para além das máscaras estão prenhes de luz e descoberta. Que pena me faz, mas é a vida! Divulguem sff, porque pessoalmente gostaria de ler hipóteses tão estranhas de outros espíritos gémeos, talvez ridículos…. talvez!?...)


andrade da silva

PS: A igreja católica nunca teve qualquer ligação com Salazar ou com o regime, aqueles bispos que rezavam pelo Ditador, bem como o cardeal Cerejeira eram do mitraismo. Claro que foram os perigosos “comunas” e os revolucionários do MFA que caluniaram a Igreja, inventaram estas coisas, como anti-cristos que são. É óbvio, apesar das provas.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

CIDADÃO DE GUIMARÃES ADELINO QUEIROZ: UM SINAL!



Nos prós e contras de hoje, na RTP1, uma voz populista levanta uma bandeira de mobilização de luta contra o estado e os sindicatos, uns e outros estariam conluiados para derrubarem os pequenos empresários honestos, ao darem subsídios de desemprego idênticos aos salários de quem trabalha, razão porque os desempregados não querem trabalhar a tempo inteiro, dado que àquele subsídio podem juntar suplementos de vencimento com os biscates.

O Sr. Adelino Queiroz faz-me recordar umas cenas que vivi em 1975. Lembro-me que em dado momento fui chamado pelo sindicato dos mineiros de Aljustrel, para resolver questões salariais nas minas de pirite do Lousal. Depois de longas horas de negociação com a administração belga que recusou todas as propostas do sindicato, de um momento para outro, a fechadíssima administração, depois de consulta à empresa mãe, resolve subir a parada e dá muito mais do que o sindicato pedia. O sindicato denúncia a manobra, prevendo que com aquela atitude demagógica pretendiam os donos a falência das minas.

Não havendo outra solução a dar à questão as duas partes falaram aos trabalhadores. Todavia estes defenderam a posição da administração. Eles eram mais de 100 homens endurecidos por muitos anos de trabalho e luta. Era, eu, então, um jovem tenente de artilharia que só com o meu corpo exposto a todos os riscos defendi e garanti a integridade física e as boas propostas do sindicato, ali, apresentadas pelo Chico, a quem durante muitos anos acompanhei nas comemorações do 25 de Abril, em Almada. Os caminhos da vida separaram-nos e em definitivo a sua morte.

Interessa, nestes momentos, de um modo muito particular, referir este episódio para recordar a quem seja mais desatento quão volátil é o humor das pessoas, e quanto intensa e irracional pode ser a sua reacção, quando sob tensão surge uma voz demagógica, populista e que fala com alguma verdade.

Penso que a partir de hoje pode haver mais um herói em Guimarães ( diz agora a jornalista Fátima Ferreira que estão a receber muitos e-mail a apoiarem o Sr. Adelino, previa –o, no início deste texto, há cerca de uma hora atrás) que pode congregar os pequenos empresários contra o governo e os sindicatos, e também com a ameaça de que por causa dos desempregados que recebem subsídio e não querem trabalhar terão de fechar as empresas, pode, assim também, o furioso cidadão Adelino Queiroz de Guimarães tornar-se líder emergente dos honestos trabalhadores contra os outros, os malandros, que roubam o dinheiro dos portugueses e não querem produzir, manter vivas as empresas.

andrade da silva





PS: Proximamente falarei sobre o programa da SIC que aborda a mentira da vida sentimamtal do misógino, anguloso e sempre morto Salazar.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

LIBERDADE E CIDADANIA


A liberdade de pensamento e a cidadania exactamente para serem livres não são formatadas por nenhum dono da opinião ou do método, são livres como o vento, conhecem o rumo e a direcção, e como o vento, quando e onde for necessário farão os tufões. Faz parte da genética da liberdade de pensamento a capacidade de fazer as sínteses necessárias à vitória da luminosidade sobre as trevas.

Outra coisa são os directórios políticos que nem sempre perseguem a justiça, mas muitas vezes o poder, enquanto que a cidadania releva sobretudo da expressão critica sobre o quotidiano, de modo a que os agentes políticos democráticos corrigem a rota. Se o fizerem merecem o voto do seu povo, se não o fizerem, porque troçam ou minimizem a cidadania dos cidadãos devem ir de férias, mas em liberdade e na democracia quem passa as respectivas guias de marcha é o povo soberano, é, e deverá ser sempre assim.

Todavia para que se decida bem é dever de consciência de todos dizerem de sua justiça, que é o que fazemos, aos que nos lêem e aos demais com quem convivemos, e a isto se reduz um projecto de liberdade e cidadania.

andrade da silva

sábado, 7 de fevereiro de 2009

NA AMÉRICA RAIA A PRIMAVERA, EM PORTUGAL A BESTA NEO-CONSERVADORA RESISTE.


Na América, como escrevi em Novembro de 2008, com Obama, ou se descobria o caminho de nova luminosidade, ou se expandiria mais o Império, ou mesmo se descobririam caminhos satânicos e terríveis, nunca antes imaginados. Caminhos do Apocalipse, do desvairamento psicótico. Por perda do teste da realidade os americanos, o mundo, pensariam que seguiam um deus, mas ele só estaria travestido, porque na verdade era o diabo, deus dos banqueiros.

Nestes primeiros tempos Obama já iniciou uma revolução que se sabe onde começa e jamais onde acaba. A sua relação com parte do povo americano não obedece, de modo algum, aos cânones da Casa Branca. Ele está a realizar o que era suposto acontecer em Roma, segundo a ficção, com o Papa a sair pelas portas traseiras do Vaticano e ir beber um copo a um café de Roma, ora, o que acontece é que o Papa é cada vez mais reaccionário, enquanto, Obama sai e vai a uma escola e a um restaurante de negros comer uma pisa, isto, é uma revolução nos costumes. Estes actos tornam-no na bandeira total para fazer nascer na América um mundo novo, no sentido da luz, ou de uma escravatura nunca antes sonhada.

Obama tem todo o potencial para influenciar grandes massas da população americana e do Mundo que está há tanto à espera do Messias salvador, ou do Messias Luceferino, e Obama pode desempenhar qualquer destes papeis.

Se quiser aprofundar as vilezas do império enganará, seduzirá o povo para depois o chicotear e matar com a cicuta do desencanto. Todavia se optar pelos caminhos da liberdade que a sua condição e a história da sua vida sugerem poderá ser ele a vitima das balas assassinas, dos que pretendem que no Mundo reine a nazi ou a benta Governança financeira, mas também com o povo e os povos pode vencer por mais de um século os vampiros das caixas fortes dos dólares e dos euros.

Desgraçadamente enquanto o Mundo muda e depressa, em Portugal regredi-se ao conceito medievo da liberdade. O medo de perder posições de privilegio leva alguns, a incutirem nos demais uma fobia mortal contra a liberdade, cognominando-a de instrumental, para constituir democracias ou fascismos, e lá recordam que Hitler foi eleito.

Só que Hitler para se tornar nazi matou a liberdade, e fê-lo com a cumplicidade dos generais, da aristocracia alemã, só com este bando de cobardes e cúmplices Hitler se tornou totalitário, um facínora, e, deste modo, não é um produto da liberdade, mas da capitulação de gente que devendo ser livre, deixou-se escravizar, uns por medo, mas muitos por cumplicidade, porque pretendiam crescer junto dos crimes do ditador. Regra comportamental que se repete.

Para além destes capitulacionistas há outros que pouco ou nada arriscaram pela liberdade, e regressam à idade média da civilização, para considerarem a liberdade como uma concessão, quase excepcional, de quem detém o poder. Ora, porque lutei pela liberdade e, porque arrisquei a vida por ela, e me esfrangalharam a carreira militar por sempre ter levantado a mesmo bandeira da Liberdade, considero-a um direito que nós todos, os cidadãos, em uníssono exigimos, não como uma concessão, mas como um direito, um direito democrático, muito mais amplo do que somente poder gritar, sem ser ouvido pelos governos.

Em democracia os Governos têm o dever de ouvirem as vozes da critica e do protesto, e nunca têm o direito de fazer ouvidos de mercador, porque criam uma grave tensão que pode acabar em pedrada, e, ou com policias, disfarçados de marcianos, nas ruas a conterem a revolta popular que acabará por eclodir, se a corrupção e as cruciais e vergonhosas desigualdades culturais, humanas, sociais e de rendimentos entre as várias camadas da população não forem resolvidas.

Contrariamente ao que as gentes e os agentes do sistema querem fazer crer, a distância de conforto e bem estar entre os ricos e poderosos e os pobres é, hoje, muito mais abissal, injusta e intolerável que o era na Idade Média entre os senhores e os servos, é mesmo assim, porque os senhores em termos de conforto eram miseráveis, não tinham nada, só detinham um poder absoluto sobre os seus servos, o que na essência não se alterou assim tanto no capitalismo, com os donos das fábricas e as minas da morte.

Contudo nestes hojes o que interessa é que os novos comportamentos da casa Branca sirvam para que algo mude na Europa, a começar pelo Presidente da Comissão da União Europeia, porque é uma personagem sem qualquer perfil para a construção da Europa social. O seu projecto era seguir e apoiar Bush na Europa, o que milhões de americanos já, há bastante, nos EUA, deixaram de fazer. Se os Americanos se libertaram de tão grande pesadelo, porque teremos nós na Europa de continuar com as suas marionetas da morte, da mentira e da destruição?

A Europa, Portugal numa base de correcta visão da politica devem promover o comportamento democrático para se combater o silêncio cúmplice e o medo que faz com que os arautos do dia de amanhã, escolhidos a dedo pelas TV deste estado de coisas sejam o administrador do BES que nada pode dizer sobre a actividade delituosa e sistemática de outros bancos, de outras universidades, porque tudo está em segredo de justiça e não perguntando nada, a bondosa Judite de Sousa, sobre a operação furacão tudo correu bem ao ilustre convidado.

Mas como poderia a entrevistadora fazer perguntas aborrecidas a tão acérrimo defensor do Sr. primeiro ministro? Palhaçada!

Mas para se saber mais sobre o futuro é de ouvir um neo-liberal e neo-conservador muito ilustre, o Sr. economista César das Neves, com o mesmo velho discurso que os males da economia se devem à desorientação orçamental e à rigidez das leis laborais.

Mas será que este senhor, contra toda a evidência não percebeu que esta crise teve o seu epicentro no santuário do neo-conservadorismo, e que tem a ver sim, com a especulação, os ordenados fabulosos dos gestores que conduziram as empresas para a falência, o que, por ser tão evidente, já mereceu uma viva condenação do presidente Obama. Mas será que estamos condenados a viver com estes gatos pingados, disfarçados de grandes doutores?

Espantosamente Carvalho da Silva ainda não sabe se os despedimentos que estão a acontecer são ilegais, claro que se tivesse lido as doutrinas de Fridman sobre os tratamentos de choque, já teria antecipado o que fazer perante o abuso dos patrões que para resolverem a tal rigidez das leis laborais vão sanear as empresas de trabalhadores.

Se sr. Carvalho da Silva, e outros lessem este blogue, talvez percebessem que, pelo menos, claramente aqui se diz que o que está em marcha é a poderosa CONTRA-REVOLUÇÃO CAPITALISTA para Chinizar a Europa e ponto.

Na linha do Padre António Vieira defendo que Portugal pode mudar muito o cenário politico e social da Europa, e que esta possibilidade que tanto, em 1975, assustou o neo -conservador Kissinger (judeu-alemão) se mantém aberta e, hoje, com muito mais força se conseguirmos em Portugal uma liderança que seja aliada de Obama na prossecução do caminho que iniciou. Se conseguirmos este feito cairá a presidência neo-liberal e bushiana de Durão Barroso, a que se seguirá a de Sarkozy e de Berlusconi, enfim, finalmente teremos uma Europa livre.

Aqui fica um objectivo imperativo a alcançar que seria impedir que uma maioria governativa neo-liberal nos conduza no médio prazo, para uma conflituosidade social que provavelmente acabará muito mal.

A conflituosidade social da rua se for intensa, violenta e demorada que não sirva de suporte a uma liderança politica progressista acabará inevitavelmente numa DITADURA de DIREITA, e nem precisará mudar-se muito de protagonistas políticos.

PORTUGAL.

andrade da silva 07 Fev 09

Domi Chirongo




O FIM DA ÉTICA


Houve tempos
em que o corpo humano
coberto a lençol
numa maca hospitalar
era sinal
significativo
e o senhor
de palitó
tirava o chapéu
em forma de respeito
e não se conformando
ainda pelesinava,
mas hoje
tudo isso se perdeu
já ninguém sabe
o que vai na maca
coberta
pode ser cobra
pode ser droga
pode ser cadáver
ou outra coisa qualquer

Domi Chirongo
Licenciado em Psicologia e Pedagogia, é membro do Sindicato Nacional dos Jornalistas, MISA-Moçambique [Instituto de Comunicação Social da África Austral], Cine-Clube, da associação 'Esperança para Todos' e membro de direcção da Sociedade Moçambicana dos Autores.
domichirongo@yahoo.co.uk

05 - POEMÁRIO * Pátria minha!





O vento, rijo, as ondas encapela.

Aflitos, gemem mastros e velames.
À capa, marinheiros! Aos cordames!
E sobre a barca abate-se a procela.

As vagas galgam já as amuradas
e banham o convés, enraivecidas.
Há preces de temor entretecidas
e angústias de paragens assombradas!

Indómita, à deriva, a barca aguenta
as investidas múltiplas do mar.
Ah, pátria minha, urgente é navegar
até além do medo e da tormenta!

E quando forem horas de render,
oh pátria, que nos saibam merecer!...


José-Augusto de Carvalho
7 de Fevereiro de 2009.
Lisboa * Portugal

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Escreva mãe


Escreva mãe
Escreva,
Porque hoje estilo,
Verso a verso
O estalo que me acontece ao acalho
Não me cale mãe,
Se é que encalho,
Deixe-me enxuto
Deixe-me sepulto
Neste poema que se instala
Emudecido em talco

Escreva,
Escreva mae,
Escreva,
São pássaros!
pássaros!
pássaros e não andorinhas
Que bicam o arroz feito dos seus filhos mãe
Cantarolando saciados da nossa desgraça
São pássaros!
E eles, já não são mais pássaros mãe
São passaredos parasitas!
Que dos quatro cantos do mundo
Nos inundam e cantam mãe
E do espaço que nunca lá estivemos
Voam, voam e voam
Depositam grão a grão
O purificado cereal dos seus bossudos ventres
Olha para eles mãe!
São pássaros!
pássaros!
No brio adestrado das suas asas
São pássaros mãe!
Quantos grilhões lhes prende sozinhos ao espaço?
Quantos grilhões lhes prende à liberdade dos pássaros?
E a nós mãe! No vazio das nossas negras mãos?

Autor: Noé Filimão Massango
In: Diário inconsulto da minha mãe

Noé Filimão Massango Poeta e médico Moçambique
Médico Clínico Geral graduado pelo curso de Medicina na Universidade Eduardo Mondlane. É também músico tradicional com várias participações televisivas, radiofónicas e espectáculo. Colaborador /publicado em 5 jornais locais, 3 revistas nos géneros de prosa, poesia e artigos de opinião. É membro fundador da União Nacional dos Escritores [UNE], da Academia Moçambicana de Artes Letras e Ideias [AMALI]. E membro fundador da organização:Jovens Pela Dignidade Humana
nofimas@yahoo.com.br

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009



Misericórdia


Espera silenciosa;

Procura e reencontro;

Comunhão.


Realidade criadora,

Realização.


Espírito vivificante

Fusão.



Filipe Papança


EUTANÁSIA E A PAIXÃO PELA DOR ALHEIA


Sou uma das pessoas que menos compreende a morte, de facto prossigo a estupidez, ainda por cima impossível, da eternidade terrena. Mas se não compreendo a morte muito menos a degradação e o sofrimento atroz. Sendo um defensor da eternidade na terra desde que se tenha um pouco de pão, muito amor e muito sexo, não entendo o sadismo de alguns, o egoísmo de muitos e o estado psicótico de poucos, no seio da comunidade dos que querem manter viva gente morta, ou em grande sofrimento. Não posso entender tanta insensibilidade.

Penso que as Igrejas defendendo o principio que tudo acontece segundo um plano de Deus, quer a alegria, quer a dor, não podem defender outra posição que não seja o sofrimento que regenera a alma e dá o céu. Não acredito nestas “ verdades reveladas”, mas compreendo, e compreendo até que a Igreja coloque a eutanásia na lista dos pecados mortais, que Deus saberá perdoar ou não, mas tudo o que no seu comportamento vá para além disto, e queira impor a sua regra, de mera crença, aos cidadãos que pensam de outro modo e sofrem é uma acto totalitário, inaceitável.

Não compreendo que os que não têm profissões de fé tão rígidas, ou não as praticam com tanta devoção nos demais domínios da vida, queiram obrigar filhos desamados a nascerem, para depois sofrerem, ou que pessoas em grande sofrimento continuem a sofrer, só para satisfazerem a sua crença, ou mesmo o seu sadismo, isto é, o gostarem de ver as pessoas a contorcerem-se, como gostam de ver árabes ou negros a serem vitimados por guerras, quer por racismo, quer porque todas essas tragédias valorizam a sua segurança pessoal e o seu conforto, ou ainda, como não têm um cordeiro pascal humano para oferecerem aos seus deuses, servem-se destes míseros sofredores para esse efeito e, assim, acalmarem as iras dos deuses por causa da totalidade dos seus pecados mortais, a gula, a luxúria, a inveja, a avareza, a vingança, a soberba . Quando assima contece, estes comportamentos são pura e simplesmente intoleráveis.

Defendo a eutanásia, como um acto de amor e libertador, para evitar a degradação e o sofrimento máximos, porque nunca nenhum ser humano deveria passar. Nenhum Deus quer que alguém sofra tanto. Só gente desvairada e sem sentimentos pode falar em nome de um Deus tirano. Muitos homens são tiranos, mas os Deuses, não criados pelos homens, só podem ser bondosos, e saberão compreender que quem ama o seu semelhante, como a si mesmo e quer que em determinado momento o seu ente querido parta, não para dispor dessa vida como se fosse um Deus, mas sim, para o apoiar no máximo que pode no fim doloroso e triste da sua passagem, por este nosso querido e belo planeta azul. Neste acto só pode existir humanismo e amor.

Só os bárbaros defensores do sofrimento e da tortura podem considerar a eutanásia como uma execução, porque aquela é praticada com muita dor e sofrimento por quem ama aquele que vai partir. Todavia compreendo e considero um acto da maior coragem e nobreza que, de acordo com as suas convicções, os que crêem suportem a tragédia da dor até ao último átomo. Merecem o meu respeito e o meu amor, não o merecem, quando querem impor essa conduta aos outro como a moral e juridicamente correcta, quando a sua posição releva de uma respeitável crença, que como tal é uma norma da sociedade dos crentes e não dos outros.

Obviamente que defendo a eutanásia, como defendo a interrupção da gravidez em casos muito extremos, e que nunca se possam confundir com execuções. Para mim, até, a interrupção da gravidez deve ter um carácter de maior excepcionalidade que a eutanásia, porque se pode evitar muito mais facilmente uma gravidez indesejada, do que uma doença terminal.

Obviamente que a eutanásia deve ser juridicamente consagrada com todos os cuidados para que nunca se possa constituir como um instrumento de execução nas mãos de governos desrespeitadores dos direitos humanos, ou excessivamente economicistas, ou nas mãos de familiares criminosos . É evidente também que falo, do modo que o faço, no contexto de sociedades democráticas, civilizadas, do século XXI e respeitadoras dos direitos humanos, só nestas sociedades faz sentir falar dos problemas sociais e humanos, nas outras reina o crime e o arbítrio.

andrade da silva 4 Fev 09

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

01 - LIBERDADE E CIDADANIA * Anteprojecto

Aceitando o convite do nosso comum Amigo Jerónimo Sardinha para integrar o colectivo do espaço «Liberdade e Cidadania», creio bem não poder ser-me negado o direito de apresentar um anteprojecto que pondere as orientações que se me afiguram determinantes para definir o objectivo deste mesmo espaço.

Com a criação do espaço «Liberdade e Cidadania», Jerónimo Sardinha assumiu, publicamente, a recusa ao modus operandi do poder político instalado e o direito de contestá-lo sob as normas constitucionais vigentes. A este seu projecto de cidadania em liberdade aderiram os seus Amigos identificados no blog «Liberdade e Cidadania».

Considerando que contestar avulsamente não será forma adequada de intervir na res publica, sugiro um levantamento do estado da nação e um subsequente programa de acção, através do qual seja possível analisar criticamente todas as situações. Por analisar criticamente entenda-se relevar o que for considerado inadequado e sugerir alternativas.

Outrossim sugiro a criação de um corpo redactorial que se submeta à orientação deste espaço e se ocupe da gestão de «Liberdade e Cidadania» contibuindo com a sua colaboração e com qualquer outra que considere adequada aos fins propostos.

Mãos à obra, que se faz tarde!

Até sempre!

José-Augusto de Carvalho

MUNDO LOUCO.


O Mundo está louco, quando dizem que os governos estão a nacionalizar os bancos, e o que está acontecer são medidas provisórias para salvar os investimentos dos ricos, com o recurso aos dinheiros públicos. Nada disto é nacionalização, mas sim é a completa e total PRIVATIZAÇÃO DO ESTADO.

Como Fridman doutrina é nas ocasiões de crise que os governantes devem aproveitar para aplicar as mais graves medidas de choque que é o que vem aí: despedimentos em massa para tornar os salários mais baixos e privatizar o ESTADO.

Os desempregados tornam-se os párias, os excluídos sociais, e os trabalhadores são convertidos em escravos ou servos para manterem os seus postos de trabalho.

Só a cegueira das vitimas directas e indirectas, a cumplicidade, ou a total alienação podem impossibilitar alguém de ver que estamos a ser duplamente vendidos em hasta pública, por um lado, estamos a ser todos hipotecados ao estrangeiro, um dia quando tivermos de pagar o défice da balança de pagamentos, seremos convertidos em escravos do FMI e, ou do Banco Mundial e, por outro lado, estamos a contribuir, cada um de nós, com milhares de euros para manter ao fortunas fraudulentas dos especuladores.

Mas o que farão as pessoas, quando se virem totalmente espoliadas? E como vão conter os governos a contestação, mesmo, a revolta popular?

A História diz-nos que mesmo debaixo da mais severa crueldade dos imperadores chineses, desses tempos imemoriais, o povo atingido o grau máximo da imoralidade sempre se revoltou, e se nada muda, nada também faz crer que a luta desesperada dos humilhados e ofendidos tenha tombado desonrosamente no campo da luta social.

Mas o mais grave disto tudo é que o deputado ( actual ou ex) do PS Vítor Ramalho considera que as medidas actuais que o Governo tomou são provisórias, e que se não se mudar de paradigma o povo virá para a rua procurar soluções, só que ele diz que como pessoa de esquerda está cheio de esperança, parece que a sua esperança assenta na continuação da actual política que conduziu a este estado de coisas, então, como ficamos?

Bem, mas o Sr. Vítor Ramalho, entretanto, como novo Presidente do Conselho de Administração da Fundação do INATEL, pode ser que mesmo com o governo neo-liberal do Sr. Eng. Sócrates, consiga através do turismo social sénior salvar o país, o que em última instância pode explicar a nomeação providencial pelo governo daquele Sr. para aquele cargo. Como sócio do INATEL vou ver o que, por lá, se vai passar.

Asilva
PS: Grandes defensores deste sistema estiveram no programa prós e contras de hoje, dia 2fev 09, da RTP1, para dizerem que os jornais não devem denunciar os actos corruptos, que envolvam governantes, porque por este caminho iremos parar ao fascismo, com tanta suspeição só irão para a política os piores, dix o Sr.Miguel Júdice, mas será que já lá não estão esses mesmos, pelas razões que o impoluto democrata Sr.Júdice quer calar?

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

de
Il est doux, il est beau de mourir pour la patrie
Horace

























Pátria


Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro
Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exatidão
Dum longo relatório irrecusável


E pelos rostos iguais ao sol e ao vento


E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas


— Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro


Eu minha vida daria
E vivo neste tormento



Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 1 de fevereiro de 2009

DOMINGO À TARDE





Alguém disse:


Trabalha, como se não precisasses de dinheiro.
Ama, como se nunca ninguém te tivesse feito sofrer.
Dança, como se ninguém estivesse a olhar.
Canta, como se ninguém estivesse a ouvir.
Vive, como se o paraíso, fosse o teu nicho na Terra.



( tradução livre de um poema anónimo, na língua de Shakespeare)

O FASCISMO E A CARNE PARA CANHÃO


Ainda há gente que contra toda a evidência e verdade, sem vergonha e sem qualquer rebate de consciência, defende o regime fascista ( nunca julgado, hipótese que o General Fabião aventou, mas não agendou) e insiste que era possível ganhar a guerra colonial, só que nunca disseram como, ou foram capazes de o fazer em 13 anos, e pior escondem um dos piores crimes daquele regime, o completo abandono dos cidadãos feridos em combate, os com doenças mentais e as suas famílias.

Como já aqui dei noticia, em1972, num aerograma escrito da Damba/Angola para um camarada do meu curso, dava notícia da minha frustração e do meu julgamento, quanto ao facto de nos considerarem carne par canhão.

Só que naquela altura falava da factualidade da guerra, isto é, considerava que do ponto de vista da condução da guerra, da conquista das populações e da desmotivação dos militares a guerra estava perdida, mas não conhecia algo de muito grave que só agora, numa conferência realizada na Associação de Deficientes das Forças Armada ( ADFA), em que esteve presente o Sr. General Loureiro dos Santos soube, ou seja, o regime fascista na fase inicial da sua implantação revogou toda a legislação que protegia os direitos dos mutilados da I guerra, o código do inválido, retirando-lhes o estatuto simbólico de beneméritos da nação e um conjunto de protecções sociais e económicas de que gozavam, admitindo-se na própria lei que muitos daqueles ex-combatentes seriam arrastados para a indigência e pobreza, casos em que se previa a sua clausura forçada em asilos, e adiantava-se que o estado pagaria os funerais dos extremamente pobres.

De um modo idêntico o Estado Novo procedeu, apesar das condecorações aos chamados heróis da Pátria, com os mutilados da guerra de África, escondendo-os nos hospitais.

O país não podia conhecer a realidade cruel do que acontecia em África, e, assim, também se evitava que o principio dos vasos comunicantes entre militares combatentes e mutilados funcionasse. Todavia apesar de todos os estratagemas do regime fascista, alguma coisa se ia sabendo, e hoje ao saber de toda a maldade legislativa daquele regime contra os mutilados de guerra, ainda sinto, se é que isso é possível, uma maior honra e alegria por ter participado na luta revolucionária, embora traída por bastantes dos que fizeram o 25 de Abril1974.

Quanto mais sei do regime fascista e da recuperação de personagens desse regime e dos seus métodos de acção, como o do banimento cívico dos cidadãos críticos, que desde o 25 de Novembro 75 se tem vindo a operar, melhor compreendo que o regime do 24 de Abril era fascista, e que o 25 de Novembro 75 não foi e nunca quis ser a correcção de alguns erros do 25 de Abril, mas sim a iniciação de um regime formalmente democrático, mas que mantivesse os principais quistos do fascismo: a intolerância, o autoritarismo, o oportunismo, o amiguismo, a traficância de influências e, tudo isto, encontrou adequado acolhimento nos sucessivos governos e outras organizações que sob a bandeira do 25 de Abril continuaram e continuam a perseguição e o banimento dos que, de um modo genuíno e DESINTERESSADO, isto é, sem qualquer beneficio material, social ou politico, serviram as classes mais oprimidas de Portugal.


No fascismo fria, cruel e sistematicamente destruiu-se o código dos inválidos criado na 1ª República, promulgaram-se em1936 leis com efeitos retroactivos para ressarcir verbas de pensões atribuídas aos militares combatentes, esqueceu-se durante muito tempo os militares que ficaram feridos na guerra de África e dos que lá morreram, deixando por lá milhares de mortos, e só em 1973 se promulga legislação que contempla a situação dos que ficaram com deficiência, mas sem nunca se preocupar com a sua reabilitação e reintegração social, o que só vem a acontecer depois do 25 de Abril, com o DL43/76, em que o Estado consente fazer este decreto em parceria com a ADFA.

Disse o Sr. General Loureiro dos Santos, naquela palestra, que num regime Democrático seria inaceitável tratar os militares, sobretudo os feridos e as famílias dos que morreram como no regime fascista, julgo que é um principio intocável e válido para todos os cidadãos. Quando o estado tratar a totalidade ou parte dos seus cidadãos como no regime fascista, será pelo menos moralmente contraditório chamar-se de democrático.

Seja como for no regime democrático actual continua a esquecer-se muito os militares e as suas famílias, não falarei tanto no plano económico, só que aos familiares dos militares mortos, pais, mulheres e filhos e mesmo dos feridos não interessa só o cheque que, por vezes, também não chega, mas também que se cuide das suas almas, do seu mundo intra-psiquico, e, aqui, as dificuldades são imensas. Se, por exemplo, pela conjugação excepcional de boas vontades se conseguiu apoiar a família do soldado Ribeirinho morto no atentado de Bali, já em relação a outros mortos, apesar dos funerais de estado, tudo foi muito mais difícil a nível do necessário apoio psicológico e mesmo quanto às despesas dos artefactos que imortalizam a memória dos nossos heróis. Enfim mais outras tristes histórias existem, o que é muito grave face ao tão baixo número de baixas, tendencialmente zero, só que, como dizia o general Douglas Macarthur, para quem morre e os seus familiares a perda é de 100%.

Pessoalmente não faço qualquer vaticínio de quão mal se pode tratar os cidadãos em geral e os militares em particular sem que nos tempos que passam e com o autoritarismo e mediocridade que reinam pela Europa, a começar por quem é quem na Comissão Europeia, se ponha em causa se o regime é democrático ou não.

Na Europa já há muito que se abandonou as traves mestras, a marca de água, da social-democracia. Os tempos de hoje até que os povos se levantem, até um novo Maio 68, viveremos numa democracia cada vez mais apoucada, corrupta, degradada, servida por gente que não sabe ser tolerante e perceber que a democracia é o regime e o estado social e de alma que não exclui a cidadania e o pensamento critico, o que, infelizmente, é o que mais se pratica em Portugal, até quando?

Mas porque não calo a minha maldita voz, entre tantos ámen, porque não me calo, se nada tenho para além do que todos os cidadãos anónimos devem ter, auto-consciência da minha humanidade e dos direitos e deveres que essa circunstância impõe, mas se imensos dos demais e honrados cidadãos se calam e consentem, porque resistem alguns, sobretudo eu se nada tenho da força ( digo-o, com verdade e sinceridade) da Marília e de outras heroínas de Portugal, porque lhes anima uma esperança que não me habita?

Os meus olhos vêm um país de “cangados” e uma elite sem qualquer luminosidade. Estas elites são meras sombras cadavéricas do passado fascista que ainda, em muitas circunstâncias, guia Portugal. (Talvez haja algum pessimismo nesta noite de sábado. Estes Invernos cruzados não ajudam nada ao Madeirense que sou, filho de um minhoto de princípios do antes quebrar que torcer, e de uma mãe que no fulgor dos seus anos, nunca deixou que pata alguma a espezinhasse. Maldição a minha de que muito me orgulho, mas… )

PORTUGAL.


andrade da silva