sábado, 30 de agosto de 2008

DA BONDADE HUMANA, DO SOL, DO MAR, DAS SERRAS E DA COR




(Queridas amigas e amigos é fim-de-semana, recebei este humilde tributo, como pétalas do meu jardim da afectividade, que também pode ser um pouco louco, desculpem-me, como na canção, “qualquer coisinha”…)


Sou um nativo da Madeira, sou um individuo sexuado com um cromossoma X e Y, felizmente não tenho dois cromossomas YY , e, por maioria de razão, nenhuma trissomia Y.

Por todas estas circunstâncias adoro o SOL, o MAR, as ESTRELAS, AS SERRAS, O ACO-IRIS, O SEXO, AS MULHERES. SOU UM COMPLETO SELVAGEM.

Selvagem sou, talvez aquele bom selvagem de Rousseau, talvez um selvagem made in Madeira, sem de longe, nem de perto, penso, seguir o modelo mais conhecido do soba lá da terrinha, com o pensamento esquizofrénico de que é rei. Seja como for , sou um selvagem que adora tudo o que à vida diz respeito, e fica fascinado com uma noite estrelada, mas sobretudo com a natureza humana.

Adoro o Mundo, mas sobretudo a bondade humana e os humanos bondosos, particularmente, quando este humano toma a sua forma mais diáfana de uma linda mulher, perdoem-me se desiludo alguém, mas num primeiro momento o que me fascina são as linhas físicas. Nisto sou tão Sarkozy, como Sarkozy, só que quando ele tem todo o êxito, o meu pólo é o dos sonhos. Confesso que, deste ponto vista, se criticar os Sarkosys é por pura dor de cotovelo.

Mas para este selvagem perdido na cidade, deslumbra-o os pequenos actos belos de que vos vou falar.

Um dia destes subia o Chiado, em dado ponto, um jovem com uma enorme ninhada de cães recém-nascidos pedia esmola para ele e para os seu amiguinhos – muito enternecedor – entretanto, aproxima-se do local das oferendas um homem idoso, vestido com um fato gasto, e trazendo dobrado um jornal dos gratuitos. O idoso fez uns gestos que me pareceram de quem ponha uma moeda, mas fazia troco. Pura ilusão de óptica.

Quando vi a mão do jovem, sobre a do idoso, forçando-o a colocar uma moeda de um euro que retirara do tapete, percebi o que se passou. Aquele idoso queria apropriar-se de um euro. Fiquei fascinado com a atitude do rapaz que não disse uma palavra. Conclui que há almas pobres que conhecem e reconhecem as necessidades de outros desesperados.

O velhote subiu o Chiado, e eu seguiu-o. Já na Brasileira circundou nervosamente entre as mesas, apalpando-as com os dedos. Vi que os empregados o seguiam a alguma distância, já o deviam conhecer. Observei por mais algum tempo toda esta hiperactividade até que conclui que o homem precisava mesmo de uma moeda. Discretamente aproximei-me dele, dei-lhe um euro, não trocamos nenhuma palavra, e ele desapareceu num ápice. Amei este jovem e este velho, a este dei o que dei, e, enfim, não sei pronunciar-me sobre este acto.

Neste mesmo dia, há dias em que o Sol brilha e as noites são de luar com céu estrelado, entrei no Metro e sentei-me à frente de uma rapariga com uma cara cheia de felicidade, e que me pareceu ser um pouco raquítica. Logo a amei, coisa a que sou muito dado, mas… ponto final… nisto sou tão parvalhão, como todos os selvagens genuínos que são diferentes dos boçais que se julgam uns Casanovas.

Enquanto naquele sonhar acordado a amava, e não verbalmente ia comunicando o que podia, sem ser entendido, nem sei se sequer se visto, aqueles olhos olhavam, mas podiam estar a ver o infinito e não este ser finito, já gasto, entrou um jovem que por ali anda a cantar julgo que RAP e a pedir esmolas, também parece raquítico. Como uma mola aquela rapariga se levantou e com aquela cara, lua de felicidade, lhe deu uma esmola.

Li neste seu acto uma certa identificação quanto a um eventual abandono da Natureza. Depois a rapariga pareceu-me ainda mais feliz. Amei-a ainda mais. Umas estações à frente saiu, e eu fiquei com a sua imagem de estrelinha humana bondosa. Que a bondade cósmica nunca a deserde!

Num outro dia, também no Metro, um rapaz com 18, 19 anos passeava o seu lagarto entre a T-shirt e o peito. Esta e outras tão bondosas e magníficas imagens retiram-me ao pesadelo das maldades humanas, e fazem-me acreditar que no “after-day” da desumanidade, há sempre um humano jovem ou idoso, mulher ou homem a dizerem que os HUMANOS continuam a existir.

Na Madeira, no promenade da praia do Lido, todos os dias pelas 9 e 30 cruzava-me com um casal que ia alimentar uma carrada de gatos domesticados e mansos que por ali, preguiçosamente, vivem no jardim ao Sol. Como reconhecimento por este acto cumprimentava-os com um alegre bons dias. Acto meramente simbólico que nem sequer sei se como tal foi entendido, espero que sim, porque no Funchal, como em Lisboa, não se cumprimenta quem não se conhece.

Estas são coisa do quotidiano que apesar de as viver sempre condicionado pelas regras que me são impostas e que cumpro automaticamente, me dão algum alento. Espero que também sejam balsâmicas para quem as ler, e, já agora, não levem muito a sério a confissão do pinga amor, que, com certeza, é mais uma das minhas tonteiras.

Abraços e flores para quem as quiser receber.

andrade da silva

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

OS JOGOS OLÍMPICOS DE PEQUIM


PEQUIM AO PÓDIO

DIREITOS HUMANOS FACHA NEGRA

PORTUGAL (?)


Pretendem alguns que a análise dos jogos olímpicos são na actualidade um dos temas centrais de discussão em Portugal, porque permitem fazer uma radiografia do que somos como país, com o que não discordo.

Parece, no entanto, estranho que só o tenham descoberto após algum fracasso, para outros até mesmo algo mais grave, quase desastre, e nada tenham feito durante a olimpíada, ou seja, durante os últimos 4 anos, para evitar o que veio a acontecer, quanto à suposta desmotivação e falta de perfil de alguns atletas e do Comité Olímpico

Sem esquecer a dimensão interna, estes jogos Olímpicos preocuparam-me e preocupam-me, quanto ao que valeram como referendo internacional do regime ditatorial chinês.

O modelo social e económico chinês não mereceu nenhum destaque critico, até numa revista importante de cariz supostamente democrático, como é a “National Geographic”, no seu número de Agosto, só se fazem elogios rasgados à China, no que é acompanhada, com grande exaltação, pelo “Alentejo Popular”.

Considera-se mesmo no “Alentejo Popular” que o êxito chinês se deve à boa e justa Governança do partido comunista chinês, facto que merece a minha total discordância, pelas sucessivas denúncias que a Amnistia Internacional tem feito da violação dos direitos humanos, particularmente de execuções extra-judiciais, o que, pela credibilidade desta Instituição, não pode ser considerado como uma campanha orquestrada pelo Ocidente, ou seja, o mundo capitalista, contra o regime chinês

De facto quando me debruçava sobre estas preocupações, e analisava estes jogos olímpicos como a legitimação de um regime ditatorial que para fazer a cidade Olímpica deslocou forçadamente mais de um milhão de pessoas e que tudo foi construído com um trabalho sem direitos, fui surpreendido por declarações inaceitáveis de atletas portugueses, e por resultados que pareciam revelar pouco empenho, de tal sorte que, para quem não é especialista nestas áreas, parecia pouco explicável este situação, conquanto no meu caso e no das pessoas de algum senso não fosse expectável nenhuma chuva de medalhas. Não somos um país muito diferente do que éramos há 4, 8 ou 12 anos, com excepção do futebol.

Hoje, já há mais alguns dados, sobretudo a entrevista de Rosa Mota à revista Visão (28 de Agosto) que apesar de bastante gaga permite perceber algumas coisas, desde logo, que a respeitável Rosa Mota quando lhe acenam com um lugar no Comité Olímpico fica gaga.

Para esta iminente atleta estes jogos não foram nem os piores, nem os melhores, o que muito pouco diz. Todavia quando faz a comparação global destes com os de 84, em Los Angeles, nas mesmas modalidades, a vantagem vai para Los Angeles, por uma diferença de 8 pontos ( 26-18).

Aponta como erros mais prováveis o facto de alguns atletas trabalharem mais para a foto do que para o treino, e de que os investimentos nesta representação, como nunca antes foram feitos, podem ter sido mais utilizados na promoção dos dirigentes do que na preparação dos atletas.

Não deixa de ser estranho que esta e outras personagens ao longo de 4 anos não tenham denunciado nada, e agora que o Presidente do comité deve ir embora e com urgência, comecem a falar e a dizerem que é preciso mudar.

Quem conhece alguma coisa da vida destas gentes percebe o oportunismo destas intervenções. As nossas personagens políticas, sociais e desportivas só sabem bater nas pessoas depois de as cegarem, como, aliás, está a acontecer com o ex-poderoso Pinto da Costa, acrescento, no entanto, que não me simpatizo com o actual comité há muitos, muitos anos.

Nestes jogos também não me passou despercebido o facto de Vanessa Fernandes e o próprio Nelson Évora serem pessoas humildes em termos económicos, mas, logo após, a vitória de Nelson, o DN anunciava na sua primeira página que a marca Nelson Évora passava a valer 14 milhões de euros, o que francamente me entristeceu, porque comecei a ver a alma olímpica manchada pela venalidade. Será?

Partilho das preocupações dos que consideram que se deve discutir a natureza do que somos. Todavia é preciso ter a dimensão de quanto é difícil sair do redil da mediocridade.

Se num primeiro momento, por exemplo, a Vanessa Fernandes teve a coragem de dirigir algumas criticas aos que tiveram excesso de exposição na CS, acto de coragem que muitos exaltaram, e bem, depois, só e abandonada, recusada pelo grupo, a atleta, teve de fazer o indecoroso exercício de expiação pública, engolindo, letra a letra, tudo o que tinha dito, para afirmar, finalmente, que todos os atletas fizeram o seu melhor, o que poderá não ser a verdade total, mas também não será a mais acabada mentira (?).

Para além disto há uma questão que me intriga, porque será que os nossos resultados olímpicos na classe dos atletas com alguma deficiência são muito superiores aos dos olímpicos e nos colocam ao nível de outros países de que estamos muito distantes na competição olímpica. Qual o significado humano, social, politico, sanitário e demográfico, ou outro desta situação?

Aos atletas que ganharam e a todos os que fizeram o seu melhor um grande reconhecimento e continuem na senda do amadorismo, a serem grandes nas modalidades desportivas.

Todavia os grandes atletas não podem perder a consciência critica de que o seu esforço poderá ser politicamente usado para defesa de valores contrários à humanidade, como julgo que foi o caso destes jogos em Pequim que apesar do seu fascínio, grandeza e beleza, não podem fazer esquecer que a grandiosidade chinesa, a do seu grande povo, está manchada por sangue, por trabalho sem direitos no contexto de uma sociedade injusta, dicotómica, cidade-campo, com centenas de milhar de magnatas e milhões de miseráveis que pelo valor do patriotismo, ensinado por Confúcio, põem o país acima de tudo: TUDO PELA GRANDE CHINA, NADA CONTRA A CHINA.

Nós, os portugueses, temos uma longa e dolorosa experiência de décadas, sob uma idêntica filosofia, com os resultados que conhecemos, conquanto na China a mesma filosofia seja a base de um elevado crescimento económico. Todavia nenhum crescimento pode ser aceitável, se for feito com desrespeito pela dignidade humana de cada e de todos os homens.

andrade da silva 27 agosto 08

A ONU e Portugal !!!


A ONU resolveu fazer uma grande pesquisa mundial.

A pergunta era:


"Por favor, diga honestamente, qual a sua opinião sobre a escassez de alimentos no resto do mundo."

O resultado foi desastroso.

Foi um total fracasso.

Os europeus do norte não entenderam o que é "escassez".

Os africanos não sabiam o que era "alimentos".

Os espanhóis não sabiam o significado de "por favor".

Os norte-americanos perguntaram o significado de "o resto do mundo".

Os cubanos estranharam e pediram maiores explicações sobre "opinião".


E o parlamento português ainda está a debater o que significa "diga honestamente".


Jerónimo Sardinha

29Agosto08


Por gentileza de H.SottoMayor

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O DEUS-MOTOR DA MODERNIDADE É CRUEL E SANGUINÁRIO


Generalizou-se a ideia que morrer, ou ficar ferido nas estradas são o justo tributo que temos de pagar à modernidade, e que os acidentes são aceitáveis, porque onde está o homem, está o perigo, ou que estar morto é contrário de estar vivo, mudança de estado que pode acontecer a qualquer um, em qualquer sítio e por uma coisa qualquer.

Nada mais errado e desculpabilizador para os governos e os assassinos da estrada. Para os governos, porque não legislam com a severidade devida para reprimir os homicídios por negligência, e, alguns mesmo com mais significativo grau de dolo; porque não inspeccionam correctamente as escolas de condução; não fiscalizam convenientemente; não constroem os melhores troços de vias; e ainda porque permitem a produção de carros de alta cilindrada com capacidade de excederem, por vezes, em mais do dobro as velocidades máximas permitidas. Para quê, se não deveriam ser usadas?

Todavia porque estão à mão de ser disponibilizadas, são accionadas. Não seria mais adequado aos governos exigirem mais investimentos na área da segurança dos próprios automóveis?

Um raciocínio idêntico se formula em relação aos acidentes aéreos e no caso destes compara-se ainda o número de mortos com os das estradas, para se dizer que o transporte aéreo é o mais seguro do mundo. As estatísticas (sempre estas malditas) dirão que por cada y de mortos nas estradas, o número em desastres aéreos será de 0, seguido de bastantes zeros, donde se conclui que tudo está bem. Mas será assim?

O que importa, para as mais de cem pessoas que normalmente morrem em cada acidente aéreo, que as estatísticas considerem como pouco provável a sua morte num desastre aéreo, mas que morreram? Para as vítimas e as suas famílias a estatística do drama é outra. Para quem morre a perda é de 100%, e é o que interessa às vítimas e às suas famílias.

Também aqui as mortes parecem não poder, ou dever-se, somente imputar ao desenvolvimento das sociedades, mas também a outros factores que podem ser bem mais responsáveis, e para isso basta ouvir os especialistas após cada desastre, que se repetem nos seus argumentos: um acidente deve-se a um conjunto de causas que ou não foi possível detectar, ou que quando detectadas nem sempre foi possível interromper o circuito que leva ao desastre. Porquê?

Porque ainda não temos, ou alguns aviões não têm, a tecnologia que permita uma melhor intervenção, ou porque para ter a percepção desta cadeia é preciso uma experiência não compatível com os anos de voo dos pilotos para responderem às necessidades de transporte?

Também sempre que há um acidente aparece, por algum tempo, na imprensa que já não sei quantos técnicos tinham alertado para o perigo daquele aeroporto, para as suas deficientes condições de segurança e operacionalidade.

Tudo ou quase tudo se diz por um tempo que pouco vai para além do dia do funeral das vítimas. Depois as caixas negras recolhem aos laboratórios que levam meses a reconstituir o acidente. Quando chegam ao fim das peritagens para além dos parentes das vítimas mais ninguém se lembra do que se passou, pelo que as conclusões pouco interessam.

No acidente havido no Brasil vimos caírem centenas de vidas, caiu um ministro, o Sr. Presidente Lula da Silva apareceu triste e com cara de caso perante as TV. Todavia passado estes meses o Sr. Presidente e o Sr. Ministro demitido estão muito bem, riem-se, bebem e comem, numa palavra, vivem, enquanto, os mortos se tornam em pó e os seus familiares choram, impotentemente choram, somente choram. Ficaram sós e abandonados com o seu luto e a sua dor. Tudo regressou à rotina até ao próximo acidente aéreo.

Isto é o que tem sido, e nós temos consentido, mas não deveria ser assim. Para além das estatísticas teríamos de saber qual segurança de cada voo, e o que se faz para garantir o maior grau de fiabilidade ao nível dos pilotos, das aeronaves, dos aeroportos, da assistência técnica e inspecção dos aviões, e, nomeadamente, como é que tudo isto está garantido nos voos de baixo custo.

Devemos de ser informados em cada voo concreto dos riscos que estão controlados e que com grau de segurança. Com esta informação podemos tomar a decisão mais consciente de escolher outro meio de transporte, ou mesmo de não partir.

Não me parece que tudo deva ser aceite como o preço que temos de pagar pela modernidade, quando é certo que pode " Haver muitos erros e Má fortuna", mas também incúria e desinvestimento na segurança, o que seria imperdoável, para além de muita incompetência na gestão destas pastas na área governamental.

Julgo que deveríamos ser muito mais atentos e exigentes nestas matérias que são também de segurança dos cidadãos, e do nosso bem-estar pessoal e colectivo.

Quantos milhares de mortos, estropiados e doentes nos últimos 5, 10 anos, tempo médio das guerras em que a Europa já se envolveu, se devem a acidentes aéreos e de viação?

Talvez esta cifra negra nos desperte para o pesado preço que estamos a pagar, por de um modo acrítico adorarmos todos os Deuses da Modernidade.

28 Agosto 08

andrade da silva

01 - LIBERDADE E CIDADANIA - Entendamo-nos!


A permissividade é outra maleita séria que grassa na cidade. E mais séria ainda se consente na violação de deveres de honra e de dignidade.
Sabemos, todos sabemos, o desaforo que vai por aí!
No tempo da velha senhora, eram as nomeações, porque o povo – coitado do povo! – não estava preparado para a democracia; agora são os votos e as mordomias que eles proporcionam aos eleitos, independentemente de bem ou mal se haverem no desempenho dos cargos.
Há inclusivamente quem afronte a bandeira por que foi eleito, num desprezo claro pelo compromisso assumido perante a força política e pelos eleitores desta. E quando assim é, a desfaçatez passa pela passagem a «independente» ou pela negociação em que a força política tem de optar pela cedência ou pela perda de representatividade.
O povo eleitor não entende nem uma situação nem outra. Sustento que a figura de independente só poderá existir quando o eleito se apresentar ao eleitorado como tal, logo sem cobertura partidária. A negociação aceite pela força política é uma afronta aos seus princípios e ao seu eleitorado.
Situemos a questão: o candidato por uma força política assume o compromisso óbvio de o ser; e se for eleito, também obviamente o é ao serviço dessa mesma força política. Daqui se infere que se esse compromisso for quebrado, ao candidato ou ao eleito apenas restará o caminho da resignação.
Situando a questão de outro modo: se se entende a legitimidade do eleito, por oposição se determina a ilegitimidade da bandeira partidária.
Considerando que esta questão não é de somenos, aqui apelo à sua discussão.
Até sempre.

José-Augusto de Carvalho
28/8/2008.

05 - POEMÁRIO * Oração






Pão nosso que estás na mesa,


saciando a nossa fome...

Bendito seja o teu nome

de promessa e de certeza!



Pão nosso sempre amassado

com o suor que te damos,

que nunca mais pelos amos

sejas pão amargurado.



Vem até nós, por direito,

e que, como um mandamento,

sejas o sagrado alento

que brota da terra-leito!



Vem até nós, pão liberto,

que a Terra comum nos dá!

Que sejas como o maná

que já foi pão no deserto!...



José-Augusto de Carvalho
7 de Julho de 2007.
Viana do Alentejo * Évora * Portugal
In «Da humana condição», livro editado em Março de 2008.

13 - REFLEXÕES DE G.F. * A minha leitura possível da História de Abril



Do Portugal de Abril ao Portugal de Novembro



Aquela madrugada, que tanto prometia, trouxe um alento indescritível aos humilhados e ofendidos.
Era o fim do pesadelo!
Era o acordar ao sol de um dia lindo de primavera!
E o Povo saiu à rua, reencontrando-se; e abraçou-se, sem hesitação nem timidez.
O Bastião do Carmo caíra!
Mas essa queda trouxe o primeiro espinho da rosa anunciada na cedência do Movimento Militar ao então General António de Spínola.
Acontecimentos ulteriores demonstrariam que não houvera qualquer alteração na personalidade do Presidente da Junta de Salvação Nacional.
O general não pôde ou não soube redimir-se do seu passado de «observador», na impropriamente chamada Guerra Civil de Espanha, junto das tropas fascistas, nem em Estalinegrado, junto das tropas sitiantes do III Reich.
O Povo, crédulo e ignorante, reconheceu-o como primeiro Presidente da República de Abril.
Em 28 Setembro de 1974, o mesmo Povo ficou a saber que havia uma «maioria silenciosa». Era a minoria daqueles que estiveram sempre com a ditadura fascista, há meses expulsa do Poder. E, como seu «inspirador», lá estava o general António de Spínola.
Com esta «jogada democrática», o general ficou sem condições de exercer o cargo de Presidente da República de Abril... e renunciou.
Entretanto, os partidos políticos representados no Governo de Vasco Gonçalves não se entendiam na clarificação dos caminhos apontados pela madrugada de Abril.
Em 11 de Março de 1975, o general «inspirador» de nova «jogada democrática», é obrigado a refugiar-se em Espanha, ainda a Espanha fascista de Franco. E o Movimento Militar determinou a tomada de medidas enérgicas, designadamente junto do poder económico capitalista.
Todavia, agudizavam-se as querelas entre os partidos. E entre os militares, também. O chamado Grupo dos Nove foi o segundo espinho da rosa.
E Vasco Gonçalves é substituído.
Com Pinheiro de Azevedo, Abril caminha inexoravelmente para o ocaso.
Em 25 de Novembro de 1975, o ajuste de contas é implacável.
O General Ramalho Eanes será eleito o primeiro Presidente da República de Novembro. E depois, até hoje, cresceram na rosa vários espinhos. O Povo, desiludido, resignou-se. E vai votando, de 4 em 4 anos, maquinalmente, a perpetuação do Portugal de Novembro, que se não cansa de anunciar o frio e o desconforto do inverno de Dezembro, democraticamente...


Gabriel de Fochem
19/9/2207

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

13 - REFLEXÕES DE G.F. * Ser ou não-ser?


LIBERDADE E CIDADANIA!
Aqui debate-se Política, Sociedade, Cultura, Ciência e Conhecimento, no respeito de todos por todos. Democrática e Livremente. É CIDADANIA.


É esta a proposta! É este e desafio! É este o compromisso!

Ensina-nos a dignidade humana que a prática quotidiana mede-se pela exigência que cada um de nós se impõe de ser livre numa cidade livre; e desta decorre estoutra exigência -- a de ser cidadão entre cidadãos.

Ser livre é o objectivo maior do Homem.

Uma sociedade livre constrói-se.

Desde as penumbras dos Tempos até Hoje, a luta do Homem pela Liberdade é uma caminhada dolorosa e uma luta fratricida. Aprendi, há muitos anos, esta sentença lapidar: nenhum homem é livre enquanto oprimir outro homem.

Na noite fascista, os mais ousados e despojados entregaram-se à perigosa e árdua tarefa de desmascarar a mentira e a hipocrisia. Lutaram e sofreram por um povo algemado, amordaçado e vilipendiado. E despertaram consciências.
A Revolução dos Cravos foi o florir das consciências até nos canos das espingardas. O povo armado, expressão feliz com que se designava, à época, o Portugal-Militar, abriu ao Portugal-Civil um horizonte de esperança e de libertação.
As correntes de opinião cívica surgiram, num verbo inflamado, ao sol da libertação. Apeados do palanque da infâmia, o medo e a censura transformaram-se num pesadelo do passado. Agora, o futuro estava à nossa espera!

Falando dos nossos dias, abstenho-me de transcrever aqui as tais palavras inflamadas que ouvimos e lemos e que despertaram no povo-país um sentimento de fraternidade singular.
Muitos dos que as proferiram e muitos dos que as escreveram ainda vivem; uns amargurados com o que vêem; outros convertidos à realidade que vivemos, ágeis e hábeis nas acrobacias «democráticas» do momento.

Não pertenci nem pertenço a vanguardas bem-pensantes, das muitas que, como a História regista, tentaram e tentam resolver, entre os copos de uísque, os problemas dos pobrezinhos. E tentarão, é claro, se os «seus» pobrezinhos lho permitirem…

A nostalgia do passado fascista, que se ouve por aí, revela não só o desencanto, mas, pior ainda, a ausência de perspectivas. E deste desencanto será ou não legítimo concluir que esta «democracia» está esgotada e que com estes «democratas» o povo-país está condenado à tal «apagada e vil tristeza» de que falava, no distante século XVI, o nosso Poeta Maior?

Até sempre!
Gabriel de Fochem

" O PODER ABSOLUTO CORROMPE ABSOLUTAMENTE"


António José Seguro insurge-se com garbo, coragem e valentia num artigo de opinião no Expresso, contra a exiguidade da democracia na Madeira, e tem toda a razão.

Caro concidadão José Seguro, caro Deputado da Nação.

Como já o tenho dito, se não se corromper, seria um cidadão a quem a República deveria confiar responsabilidades maiores para a salvaguarda da democracia.

Democracia que só de um ponto de vista formal existe na Madeira, como na Colômbia, de resto todas as vezes que qualquer dirigente do PSD/Madeira pronuncia a palavra democracia, como tão profusamente fizeram nas comemorações dos 500 anos da cidade do Funchal, vomitam um insulto inaceitável sobre tão honrado conceito.

É verdade que como muitos leitores do DN Funchal dizem tudo João Jardim faz, esbanja dinheiro em elefantes brancos, como é o caso da marina do Lugar de Baixo, o promenade da praia Formosa, da Madalena do Mar etc e todos se calam.

De acordo com a socialização jardinista referida por outros madeirenses que vivem na China que dizem que por lá há uma liberdade razoável, desde que se cumpram as leis, não se diga mal do governo, não se faça greves, nem manifestações, porque são coisas proibidas, também é quase assim na Madeira, e é uma realidade razoável e comumente aceite.

Falou o Sr. Presidente da República e o Sr. Presidente da Assembleia da República em desenvolvimento excepcional na Madeira, deviam de acrescentar que todo o investimento público é quase todo em Betão, com uma pressão inaceitável sobre a zona costeira, por exemplo numa área de poucos quilómetros ( 1ou 2Km x 1ou 2Km ) entre o Lido e a Ponta Gorda encontram-se mais de uma dúzia de grandes hotéis.

Para além disto seria bom àqueles senhores tomarem conhecimento de quem são as empresas e de como são feitos os contratos. Ao que parece os destacados dirigentes do PSD Madeira detêm muitos interesses nas empresas que privilegiadamente trabalham ou para o governo regional, ou para as autarquias.

Obviamente que a total e absoluta falta de respeito pelas Instituições democráticas Nacionais e Regionais por parte do Sr. Alberto João e de toda a gente do PSD/ Madeira, reduz a democracia na Madeira a um mero exercício de concordância, absoluta, total e indiscutível com o líder.

Quem discordar do líder, se for do PSD é banido, caso do Prof. Virgílio Pereira que também a outros chamou de comunas, hoje, também merece esse cognome, enfim..., se não for do PSD é cognomizado de tonto, comuna, gay etc. tudo denominações que no contexto sócio-cultural da Madeira são as mais graves agressões verbais que se podem dirigir a alguém.

Os louvores do Sr. Presidente da República e da Assembleia da República ao Sr. Alberto João são, de um ponto de vista da ética democrática, inaceitáveis, mas a demo ditadura está referendada na Madeira, e em boa verdade também o governo maioritário do PS, apresenta preocupantes sinais autoritários que esperemos que não esmaguem os Josés Seguros que tão poucos são no PS de agora.

Todavia quando o actual primeiro-ministro cair, então, os apoiantes das críticas de José Seguro, Manuel Alegre, Cravinho e outros serão às centenas.

Miseravelmente não nos distinguimos pela coragem e pela moral, mas mais pelas conveniências. Kennedy dizia que a “moralidade é fazer o que deve ser feito, independentemente das conveniências”.

José Seguro siga em frente, serão poucos, mas serão dos melhores os que o acompanham e muitos mais virão.

O TSUNAMI da LIBERDADE TERÁ DE FORMAR-SE, embora possa tardar um pouco.

andrade da silva

terça-feira, 26 de agosto de 2008

A (IN)SEGURANÇA INTERNA


Regresso ao local do crime, a propósito da promulgação pelo Sr. Presidente da República das novas leis de segurança interna, propostas e aprovadas pelo PS sozinho na Assembleia da República.

Que tanto mal as maiorias absolutas fazem!... Será mesmo que “ o poder absoluto, corrompe absolutamente”?...

O cargo de secretário-geral nos termos em que está definido e com os poderes que detém e tipo de nomeação não seria necessário à segurança interna.

É um cargo de mera segurança politica-polocial para os governos em sobreposição com o SIS, sabe-se lá para quê. Mas a questão da segurança política, em termos policiais, dos Governos não é uma característica dos estados democráticos.

Todavia o mais grave é que as actuais oposições louvarão este cargo, quando estiverem no poder e o usarem contra quem tanto o aplaude, ou seja, o pai deste monstro, o PS, os dirigentes do PS.

O PS nunca aprende nada, ou seja, não aprendeu nada com os casos de Paulo Pedroso, Ferro Rodrigues etc.

O que interessaria era resolver a insegurança interna que tem a haver com a ineficácia da prevenção do crime, com mais policias em gratificados do que em serviço de rua. Ineficácia na investigação, grande número de crimes não são resolvidos. Ineficácia no julgamento e punição dos crimes.

Neste triângulo há falta de uma politica eficaz e eficiente em termos penais para o julgamento e a dissuasão dos crimes. Há uma elevada protecção aos criminosos, e falta de atribuição de meios, sobretudo legais e tecnológicos às polícias, bem como, não há a supervisão da qualidade da prestação dos serviços de polícias e juízes.

Há crimes de extrema violência que em tudo fazem lembrar comportamentos satânicos, com mortes com tortura grave, do tipo do filme "Os sete pecados mortais", que parece que nem à imprensa chegam, e que, aparentemente, apesar dos muitos indícios à vista, não tem sido possível chegar aos criminosos.

O que é preciso fazer de um modo essencial para a segurança dos cidadãos fica de fora, ou como dizem os magistrados e nós, enquanto não houver policias que previnam, investiguem com eficiência e leis e juízes e regimes prisionais adequados ao perfil dos crimes, somos todos candidatos a vítimas da onda de bandidagem.


andrade da silva

05 -POEMÁRIO * Sentença




Sob este céu de assombros de infinito,



efémera é a flor que não perfuma


a Vida de perene primavera!



José-Augusto de Carvalho
26 de Agosto de 2008.
Do livro em construção:
«A minha aventura poetrix»

13 - REFLEXÕES DE G.F. * O mocho

Naquela noite, o mocho não piou no meu quintal, como era de costume, à hora certa do meu adormecer.

Nada entendo do código das aves nem soube ainda por que diz o povo que o mocho em seu piar nos traz agoiro.


Apenas sei que aquela noite antiga era uma noite igual a todas as demais de primavera.


Cansado, adormeci, sem me ocorrer sequer conjecturar sobre o porquê da ausência do mensageiro alado de desgraças e meu nocturno e velho companheiro das minhas noites fartas de cansaço.


Acordei ao som do meu despertador. Um pouco quase nada antes da sete. O rádio, à cabeceira, dava a notícia:

«Aqui, Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas...»



Do meu quintal chegava o pipilar vestido de ternura das aves que saudavam a manhã.


E, nesse instante, dei comigo a perguntar-me:

«Por que motivo não teria vindo o mocho, ontem, à hora do meu adormecer?»

25 de Agosto de 2008.
Gabriel de Fochem

domingo, 24 de agosto de 2008

05 - POEMÁRIO * Discórdia






Quando tu disseste «isto é meu»,

logo a discórdia corrompeu


o «nosso» da fraternidade.




José-Augusto de Carvalho

22.4.2004
Do livro em construção: «Caleidoscópio»

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

GRANDES, ELOQUENTES E QUERIDÍSSIMOS PORTUGUESES




O Sr. Paulo Neves, de certeza um Madeirense ilustre com direito a exprimir a sua opinião no DN/ Funchal, o que, como se sabe, é um raro privilégio, diz no DN de 22 Agosto de 08, que Portugal é um país de loucos, mas a Governança da Madeira não o é, e que à Madeira deve ser permitido seguir o seu caminho de ampla liberdade, ou razoável liberdade.

Razoável liberdade esta também definida por outro madeirense, socializado pelo jardinismo que declara que na China tudo vai bem, se não se disser mal do governo, o que é proibido, não se fizerem greves, nem manifestações, o que também é proibido, mas também não fazem falta nenhuma, isto é, no caso da Madeira, apelidada da mamadeira, para 60% dos Madeirenses, votantes em D. Alberto João.

Considera, propõe aquele madeirense, o Sr. Paulo, que agora é que se devia fazer o 25 de Abril 74, todavia o que ele quer dizer é tão somente, esticar mais um pouco o 25 de Novembro de 75, até ao 24 de Abril de 74. Julgo que deveria endereçar o apelo aos heróis do 25 de Novembro.

Também pela Madeira no aniversário dos 500 anos da cidade do Funchal, uma grande âncora, da Pátria Portuguesa e da epopeia dos descobrimentos, glorificou-se com uma massiva participação popular o Ditador, desta feita sob a coordenação do antigo capitão Paulino, também um dos grandes coordenadores das campanhas de Dinamização do MFA ( gande Faria Paulino!).

Nisto também tem razão outra grande figura, ao que parece, do MFA, o sr. Cor. Matos Gomes que diz que o povo segue os vencedores , e assim é por toda a parte, sobretudo quando os ditadores dão migalhas à populaça, exactamente o mesmo que justificou a vitória do Hamas e que Maslow explicou tão bem, através da pirâmide das necessidades, em que as primeiras e fundamentais se referem à sobrevivência física.

Mas há mais belas páginas do nosso quotidiano, na Visão de 21 de Agosto 08, nesta o Sr. Dr. Mário Soares honra a visão e coragem de Soljenitsine por ter denunciado os gulag’s Soviéticos, o que merece ser honrado, como mereceria ser criticado por ter apoiado a invasão do Vietname, pelos Estados Unidos.

Todavia seria também importante que o Sr. Dr. Mário Soares se pronunciasse sobre a sua grande visão ao congelar, se não mesmo matar o socialismo de rosto humano, como costumava dizer, e de qual a sua coragem quando diz ou recomenda ao actual governo que governe um pouco mais à esquerda, e , então não diz nada quanto à corrupção e à pauperização da classe média e à miséria extrema dos mais pobres, quando surgem cada vez mais magnatas em Portugal?

No mesmo número da Visão fica-se a saber que o Sr. Dr. Bagão Félix se emocionou ao ver o etíope Bikila ganhar uma medalha de ouro olímpica, correndo descalço, só não percebo porquê. Se este senhor pudesse poria maioria dos portugueses a irem de “pata rapada” para os empregos, e a comerem, como o seu São Francisco recomendava, uma tacinha de arroz diária, aliás, a dieta chinesa que explica o milagre do seu crescimento económico.

Finalmente para morrer de alegria fica o retrato robot de um empresário que tem um império dos média às águas naturais, com muito densas relações com poder autárquico, incluindo o da região Autónoma da Madeira, de seu nome Eduardo Costa que tem um rasto de ilegalidades e condenações, como refere a Visão e continua a sacar milhões ao Estado, como se fosse o mais honrado dos cidadãos, o que parece não ser o caso, e só agora se sabe, porque tratou abaixo de cães os jornalistas do 1º de Janeiro.

Para este grande e querido Português, benemérito em Oliveira de Azeméis, proponho e espero ser acompanhado pelo poder autárquico a condecoração do mérito empresarial e de elevado Quociente de Inteligência.

Esta gente, os vendidos, os vira- casacas é que são os maiores. Parafraseando Camões Ditoso o País que tais cidadãos tem.

Calem-se os estúpidos e invejosos. Calo-me.

Das Terras de D. Alberto João, aos 22 Agosto 08 ( fim de estadia, até Lisboa)
andrade da silva,

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

QUANDO O ESTADO E,OU A IGREJA INFERNIZAM O DIVÓRCIO


Quanto à lei do Divórcio aprovada pela Assembleia da República e vetada politicamente pelo Sr. Presidente da República, algumas reflexões:

O Estado e a Igreja têm tornado muitos casamentos num verdadeiro inferno, no caso dos divórcios litigiosos. Nestes casos muitos cidadãos não conseguem resolver as suas vidas durante mais ou menos uma década. Não podem contrair novas relações, nem sequer pedirem novo empréstimo para nova habitação.

O resultado de tudo isto são graves dramas pessoais e familiares que, por vezes, acabam mal, terminam com a morte de um, e quase sempre com muita pancadaria pelo meio.

É evidente que o interesse dos filhos tem de ser salvaguardado, e que, no caso da mulher, ou do homem, ou seja, de um cônjuge ter sacrificado a sua carreira profissional ou outra, por causa da família , este sacrifício tem de ter a sua expressão material, no acto de dissolução do casamento, circunstância que deve estar contemplado na lei.

Todavia não defender estes direitos ou empatar a solução desta questão por conservadorismo ou por obediência aos critérios quase-lei da Igreja Católica é agravar uma situação dramática, como o foi, durante muitos anos, a falta da promulgação de uma lei quanto à interrupção voluntária da gravidez.

Obviamente que do meu ponto de vista a melhor relação entre pares é a que se baseia no amor e no contrato entre as partes que mandam às urtigas esta lastimosa interferência das Igrejas e dos Estados nas vidas dos cidadãos, através do instrumento jurídico do casamento.

Todavia como existe o casamento com personalidade juridica, logo que salvaguardados os direitos de todos e sobretudo dos filhos deveria ser objecto de dissolução na hora, como acontece com muitos outros contratos de sociedades. Pelo menos juridicamente a coisa não parece ser outra, e assim, seria creio se não fossem os atavismos religiosos e ou culturais.

Seja como for esta questão exige uma resposta rápida que ponha termo a tanta vida encalhada, e também é isto que serve aos filhos e à parte mais frágil da relação que, por vezes, por medo não sai da situação pantanosa em que vive, quando se procurasse encontraria melhores alternativas. Na sociedade há muitos homens e muitas mulheres diferentes e disponíveis para iniciarem novas e, até, diferentes tipos de relações.

Terras de D. Alberto João,
20 de agosto 2008


andrade da silva

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

CRIME E CASTIGO




A pena de morte judicial não existe em Portugal, há séculos, por isso, seria impensável regressar à sua prática pela via policial e extra-judicial, e, isto, tem de ser um dado definitivo, sobretudo quando a sociedade caminha para uma grave encruzilhada, em que a pena de morte e a lei da bala podem tornar-se muito apetecíveis.

Todavia o humanismo e a civilização exigem outros caminhos, por mais que rosnem dizendo que isto é complexo de esquerda,( disparate tonto) a verdade é que só bárbaros podem reclamar a morte dos bandidos( há bandidos, mesmo bandidos, ponto) por via judicial ou policial, sendo esta bem pior que a execução por ordem judicial, o que nem precisa de grandes demonstrações.

Creio que o combate ao banditismo se faz por vias mais eficazes, como sejam:

a- o considerável aumento da eficiência e eficácia das policias na prevenção, com agentes fardados nas ruas, com patrulhamentos automóveis com velocidades adequadas e não a 50/60 hora, porque, nestes casos, quando há incidentes a viatura já passou, ninguém deu pela sua passagem e muito menos os policias viram algo de estranho,( pudera!...), mais treino e formação aos agentes das policias;

b- regimes prisionais diferenciados conforme os crimes, pôr cobro às colónias de semi-férias, sobretudo nos crimes de sangue e na reincidência;

c- nenhum perdão de pena nos crimes de sangue;

d- tribunais e juízes a julgarem com eficiência e eficácia os processos crimes;

e- acção eficaz do governo na atribuição dos meios adequados e na exigência do mérito no exercício das funções.

Sem complexos de nenhuma ordem agindo simultaneamente nesta patologia social, através da prevenção e da repressão do crime e nas causas sociais do aumento da marginalidade, o que é, uma quase impossibilidade, nestes tempos, poderíamos melhorar muito a segurança e baixar a conflituosidade violenta.

Em qualquer caso o cidadão anónimo tem de defender-se, e os polícias não podem deixar-se matar ou matar outro cidadão, nesta caso, já, D. João II deu a lição histórica (ponto).

Todavia todos, absolutamente todos os disparos mortais das polícias deviam ser objecto de uma investigação por uma autoridade independente que não pode ser alvo da quase insurreição policial, como aconteceu com a meritória acção do Sr. Inspector-geral da Administração Interna, sem que os insurrectos fossem exemplarmente punidos, ou o Sr. Inspector demitido por….(o diabo que adivinhe! …)

Assim não, porque é varrer para debaixo do tapete com consequências muito mais dramáticas à frente.

Terras de D. Alberto João, 18 Agosto 08

andrade da silva

sábado, 16 de agosto de 2008

13 - REFLEXÕES DE G.F. * Que difícil é governar!...


Parece ser exacto que desde que o Homem se assumiu como um animal gregário, se lhe apresentou como uma inevitabilidade encontrar quem orientasse o grupo, quem decidisse, enfim, quem governasse…

Também não será despicienda estoutra hipótese de sempre alguns homens pretenderem orientar, decidir pelos outros homens, como mestres, como chefes, como governantes.

Com o rodar dos tempos, dos grupos às tribos, das tribos às nações, das nações aos países, dos países às alianças e aos impérios, houve de tudo e para todos os gostos. E sempre os vencidos e escravizados ou não, os dominados ainda que se supondo livres, tiveram de ceder o direito aos vencedores de escreverem a História.

Ainda hoje, o poder dos vencedores e os meios de informação que dominam, pretendem deter a verdade do real e impô-la aos povos. E quem resiste e tenta desmascarar o embuste está sujeito às malhas da Lei promulgada pelos vencedores.

Com a tão decantada Liberdade, Igualdade e Fraternidade, os detentores do Poder Económico apearam a aristocracia e serviram-se da força dos povos para conquistar o Poder Político. E os povos lá foram nessa aventura, sempre esperando que os novos Senhores fossem melhores do que os anteriores. E até criaram o aforismo «a esperança é a última a morrer».

Chegados aqui, é fatal perguntarmos o que se passa de novo sob o céu que nos serve de tecto. Os povos estão melhor do que estavam? Seguramente. Já não vivem em cavernas nem em choças, já têm serviços sociais, etc.

O que se pergunta é se o poder dito democrático promove com justeza a divisão da riqueza, se garante, sem excepção, a dignidade da existência a todos, se erradicou a vergonha do nepotismo, se se comporta de acordo com o significado da palavra democracia --- que quer dizer, sem evasivas, poder do povo ou poder popular.

O que queremos saber é se o Poder Democrático se compagina com as desigualdades, com a fome de muitos e a abastança de uns poucos, com a irresponsabilidade sempre impune de quem promete servir o povo e depois o não serve, etc., etc.

Inversamente, o governado vai pagando as crises que não provocou, vai morrendo nas guerras que não desencadeou, vai correndo atrás de uma esperança que, tal como o horizonte, estará sempre à vista, mas jamais ao seu alcance, vai elegendo quem depois lhe recusa o direito de decidir, etc., etc.

Situada a questão, uma pergunta se coloca:

Quando será que os povos aprendem que só eles são os senhores dos seus destinos?



16 de Agosto de 2008.
Gabriel de Fochem

" OBVIAMENTE ESTE NÃO É O MEU GOVERNO"



Quase toda a gente só esperava e, só espera, esta comunicação, do Sr. Presidente da República, as demais são manobras de diversão que ninguém entende, nem o Sr. Presidente, mas que os Estados Maiores ditam, isto é, segundo estes, primeiro é preciso fragilizar, desgastar, e só depois usar a artilharia pesada e passar decisivamente ao ataque.

Também, aquando da última comunicação Presidencial, previa que fosse forte e clara, mas saiu algo de frouxo, não porque o rapaz corajoso, mesmo heróico, de Boliqueime não morreu no Sr. Presidente, como, de um modo snobe, apesar de muito bem escrito, o diz, numa das últimas “Única”, Clara Ferreira Alves, mas exactamente pelo contrário, ou seja, desde há muito que o Sr. Prof. Cavaco da Silva afastou si não só o rapaz de Boliqueime, mas tudo o que essa terra pode significar.

Tudo isto: um Presidente da República que não diz o que quer, e que o que quer é pior para a maioria dos portugueses do que está (que não é nada bom), ou seja, a Sra. Ferreira Leite seria pior Primeira–Ministra para o Boliqueime-Portugal que o Sr. Sócrates, rendido que está, este, aos encantos do neo-liberalismo, ou seja, à chinesização do mundo e de Portugal; e com um português na União Europeia simpatizante da guerra preventiva e da invasão ao Iraque, seria matéria para trazer os portugueses preocupados e para considerarmos que é chegada a altura de dizermos - que mais nos pode acontecer? E para pior já basta assim!....

Porém, Boliqueime-Portugal é isto mesmo, uma terra pacata, sossegada e perdida, como Boliqueime, e segue o seu curso rançoso, muito diferente de bonançoso.

Só que Boliqueime pode ser uma terra nostálgica e romântica, Portugal já não tanto, porque se o for os vampiros internos e externos comem tudo, como o denunciou Zeca Afonso.

MAS…

OS DEMOCRATAS, ONDE ESTÃO? SOIS VENCIDOS, RENDIDOS OU VENDIDOS, OU SOIS CEGOS, SURDOS E MUDOS?

SERÁ QUE O FIM DA HISTÓRIA NÃO É O MARXISTA, MAS O DA CORRUPÇÃO E DA DITADURA DO CAPITAL-FINANCEIRO? E DA CAPITULAÇÃO DE QUASE TODOS PERANTE TAMANHO E GLOBAL MONSTRO?

Funchal, Terras de D. Alberto João, 16 Agosto de 08

andrade da silva

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

05 - POEMÁRIO * O grande logro





Defines o teu perfil

com as pétalas da flor

duma alvorada de Abril,

vestida de amor e cor.



E falas da primavera

como do sagrado trilho

onde a liberdade gera

a verdade em cada filho.



E, faminto, o povo crê

na palavra armadilhada,

crendo ver o que antevê

na espera desesperada.



E, de logro em logro, vais

arengando que te cabe

o fazer melhor e mais

o que só o povo sabe...



José-Augusto de Carvalho
11 de Março de 2007.
Viana  * Évora * Portugal

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Pequena Homenagem de Boas Vindas







A Ana Daya, por nos ter relembrado tão extraordinário Pensador/Autor !






Arqueiro, de Kahlil Gibran

Vossos filhos não são vossos filhos.

São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.

Vêm através de vós, mas não de vós.

E embora vivam convosco, não vos pertencem.

Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,

Porque eles têm seus próprios pensamentos.

Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;

Pois suas almas moram na mansão do amanhã,

Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.

Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,

Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.

Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.

O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força

Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.

Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:

Pois assim como ele ama a flecha que voa,

Ama também o arco que permanece estável.

Kahlil Gibran
12Agosto2008.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

GUERRA DE MUITA ELEVADA INTENSIDADE: AS ROLETAS


A ROLETA RUSSA E A IRANIANA


Desde há muito que as cartas da Guerra cruzam os oceanos e os tambores rufam.

CENÁRIO 1 – A ROLETA IRANIANA

A guerra preventiva de Israel e EUA contra o Irão já esteve praticamente dada como certa, e foi sendo sucessivamente adiada, porque as campanhas do Iraque e do Afeganistão levaram ao limite as possibilidades guerreiras dos EUA e da Nato, o que aliado ao relativo insucesso das duas campanhas militares, tornaria a invasão do Irão numa ousadia militar e politica muito grave e excepcionalmente imprevidente, mesmo desastrosa, factos que têm levado Bush a conter-se, mas em fim de mandato e se o candidato republicano não tiver hipóteses de vencer, Bush, poderá oferecer um presente de morte a Obama.

Seja como for a questão do Médio Oriente não está encerrada, está pura e simplesmente adiada, segundo os especialistas desta área geo-estratégica, ou a negociação do programa nuclear iraniano chega a bom porto, isto é, ou o Irão desiste das suas pretensões, ou Israel atacará o Irão para destruir a suas infra-estruturas nucleares (resta saber o que faria os Estados Unidos, que não podem abandonar o seu aliado, mas…)ou o programa nuclear do Irão prossegue e a hipótese deste país absolutamente fanático usar a arma nuclear contra Israel é uma forte probabilidade, que naturalmente os Israelitas, independentemente da atitude do seu aliado americano não deixarão de equacionar.

Assim a roleta Iraniana para a guerra continua a rolar, e face às novas dificuldades dos EUA e da Europa no Cáucaso, é natural que a arrogância e irresponsabilidade Iraniana cresça, o que pode levar Israel ao desespero, arrastando os EUA e O Mundo para uma guerra de ELEVADISSIMA INTENSIDADE, COM RISCOS IMPREVISÍVEIS PARA A PAZ
MUNDIAL.

CENÁRIO 2 - A GUERRA NA EUROPA

Segundo vários especialistas independentemente dos cessares de fogos das guerras no Geórgia as escaramuças de baixa intensidade vão continuar, porque isso num cenário bondoso para ambos os contendores é o que interessa a Geórgia, porque quer entrar na Nato e qualquer escalada na guerra seria um obstáculo à realização dessa pretensão, à Rússia interessará para não perder a sua influência naquelas áreas, depois da independência do Kosovo.

De qualquer modo aqui também a roleta Russa para a guerra continuará a correr naquela zona, e aqui também se a Geórgia entrar para a NATO, a guerra continuará proximamente, porque a Rússia encontrará sempre os pretextos adequados para atacar a Geórgia que se entrar na NATO invocará a clausula da solidariedade que prevê que sendo um país da aliança atacado ou estando em guerra todos estão com ele nessa guerra, pelo que a adesão da Geórgia à NATO e à União Europeia é algo de muito complexo.

Resta também saber se os EUA não vão abandonar o seu aliado georgiano para que a Rússia não corte o gás natural aos seus outros aliados europeus, nomeadamente a Alemanha, mas também os EUA, a NATO e a ONU não podem deixar a Rússia com as mãos livres para realizar na GRANDE RÚSSIA A POLÍTICA IMPERIALISTA DO NOVO CZAR – PUTIN.


Em conclusão podemos estar às portas do inferno, mas nada disto parece interessar à generalidade das pessoas que nos santuários do consumo, ou nas casas de alterne, ou nas tascas, ou visualizando jogos de futebol e telenovelas já há muito que deixaram de viver o mundo real. Todavia para estes desgraçados, escravos e cangados, como para todos os demais intelectualizoides ou não, a ameaça está aí, e se a guerra for contra um país da NATO, PORTUGAL ESTARÁ EM GUERRA E, AGORA, JÁ NÃO VALERÁ A ESPERTEZA SALOIA DE SALAZAR. NÓS IREMOS PARA A GUERRA NEM QUE SEJA PARA SERVIR “BEER” FRESCA AOS SUPER-SOLDADOS DOS CORPOS DE EXÉRCITO EURO-AMERICANO. (Para quem não sabe, morre-se nestas tarefas, sem dignidade).

A GUERRA AÍ ESTÁ. QUAL A SUA DIMENSÃO?

andrade da silva
11 Agosto 2008.

sábado, 9 de agosto de 2008

RUGEM OS TAMBORES DA GUERRA


A guerra rebentará em qualquer lugar e tempo, porque os senhores da guerra tomaram conta do COSMOS.

A guerra será no Irão, será nos Balcãs, será na Geórgia, será na Rússia, será em África, será em qualquer parte, a qualquer momento. O que importa é que aconteça A GUERRA, SE MATEM INOCENTES, SE VENDAM ARMAS, ponto.

A Guerra é a arma destas gentes, por isto, do Tibete, a Moscovo todo o Mundo, todo o Cosmos, é tão-somente um único teatro de operações, onde, ao sinal dos donos do mundo, a China, a Rússia, o Irão, os EUA lançarão as suas legiões fortemente armadas para iniciarem as carnificinas.

Aos donos do Mundo cabe desencadear as grandes guerras de que se fala, ou não houvesse por todos os domínios dos senhores, as parabólicas dos grandes magnatas da Terra.

Noutras paragens os ditadores africanos farão as suas guerras mais míseras, mas mais mortíferas Ruanda, Uganda, Somália, Etiópia, Sudão, Nigéria, Angola, Congo etc. com milhões de mortos, negros, mas para a Europa, mais pretos do que negros, e como por aquelas paragens não há parabólicas, logo não há guerra, do que também não dão testemunho as forças de paz da ONU que apesar de armadas não defendem uma vida, porque não podem abrir fogo contra os genocidas, não é da sua Missão, mas disto ninguém quer saber, porquê?

Porque a humanidade já foi toda vendida, e arde na fogueira do máximo embuste em PEQUIM, agora, neste exacto momento.

Esta é a nossa desumanidade.

andrade da silva
09Agosto2008.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

MENTIRA XENÓFOBA MILENÁRIA


Diz-se, e teima-se em dizer, que os portugueses nunca forma racistas, que a nossa colonização no Brasil foi mais suave que a dos espanhóis, conquanto o Padre António Vieira visse grandes crimes nesse processo, mas os historiadores de serviço e os colonialistas sempre acharam que nós éramos diferentes, o que, obviamente não contesto, tudo é diferente de tudo, só digo que entre dois infernos venha uma alma penada, ou um maldito e que escolha o melhor.

Penso que só almas penadas ou a caminho de o serem, podem defender a bondade de um inferno, em detrimento de outro. Para mim inferno é inferno, ponto. Como vida de escravo é vida de escravo, ponto. Como vida de rei, lorde, explorador do suor alheio, é uma vida de acordo com esse status social de poder, dominância e opressão, ponto.

Apesar de todas as balelas e tretas sempre que se faz um estudo com alguma cientificidade, os dados dizem outra coisa. Diz o Expresso numa das suas últimas edições que os portugueses têm como mal-amados os africanos, os árabes e os ciganos, também não amarão lá muito os brasileiros.

Parece que todo o mundo já esqueceu o caso das mulheres de Bragança gordas, sem apetite sexual, sem libido, contra as brasileiras, porque o padre lá da aldeia, ordenado pelo cardeal Cerejeira, sempre explicou que esta coisa do sexo é muito séria, e que Deus lá disse, (e consente), que sexo é só para a procriação, com o homem em dada posição e a mulher numa outra pré-definida. Uma grande chatice.

Ora as lindas brasileiras por 50 € revolucionaram toda esta trampa, só que a sua revolução era também de trampa, baseava-se no tráfego de mulheres. Todavia só descoberto, após o protesto das matronas sem sexo e só com gordura nas mamas e sobretudo nos neurónios. Esta gordura, sim, pecaminosa, porque imposta por um padre que mente invocando um DEUS bondoso.

Muitos continuam a dizer que não somos racistas, porque quando andamos pelas africas tivemos amplas relações sexuais com as africanas, outros não o fizeram, por exemplo, os soldados de suas majestades da Inglaterra. Mas será que um soldado inglês numa cubata sem condições nenhumas e pagando pelos serviços vigarices, como comprimidos para desinfectar a água etc. teria tido relações mesmo com a mais diáfana caucasiana?
Ou que os portugueses sempre trataram muito bem os criados negros?

Mas os que mais importava, era sabermos outras coisas, como:
Em 400 anos de presença em África quantos milhares ou milhões de pessoas libertamos da idade média, da fome, da escravatura e da ignorância?

Ou ainda o que fizemos com as crianças negras que na década de 80 vagueavam em bandos pela ruas de Lisboa à procura de comer e vida nos caixotes do lixo?

Ninguém as viu? Eu vi, e disse que isso iria acabar mal, como me parece que acabou, e vai continuar a acabar. Mas também ninguém me ouviu, e porque havia de ouvir a voz de um plebeu não alinhado?

Penso que muitas daquelas crianças, hoje, com 20 e poucos anos, as que estão vivas, bastantes, naturalmente, morreram, ou algumas mesmo foram esfaqueada por outros negros –“coisas de pretos entre pretos, eles que se amanhem” (ninguém ouviu isto, claro. Eu, para que conste, oiço muitas vezes) - agora, devem ter mudado de estilo de vida, poderão ter enveredado pelos assaltos às gasolineiras, pela droga e estarão nas nossas prisões.

Mas o que dizem sobre isto os bons portugueses?

Por exemplo Miguel de Sousa Tavares diz nas suas crónicas no Expresso que os emigrantes devem cumprir as leis da nossa sociedade, com o que concordo, contudo muitos dos africanos de que falo já não são emigrantes, são portugueses, a quem tem de se exigir o cumprimento dos deveres cívicos, mas a Constituição de República não garante a estes cidadãos, descendentes de africanos, os mesmos direitos que aos portugueses?

Claro que sim. Então, se não há xenofobia, como se explica que um número enorme de africanos e muitos outros emigrantes trabalhem ilegalmente, com salários diferenciados dos portugueses e nos sectores da economia de mais baixos salários, como o da construção e das obras (o que também não se compreende face à especulação que há neste sector, ou melhor compreende-se, porque as águas correm sempre para o mesmo sitio, o pântano oceânico da corrupção, da desumanidade, em que Portugal seguindo a moda medieval do Mundo e da GRANDE CHINA se tornou?

Embora nada se vá alterar, ficam estas palavras, estes gritos incompetentes, e sobretudo impotentes contra estas mentiras xenófobas milenárias.
O tratar mal a carne para canhão não é uma questão de cor ou nacionalidade, é sim A MARCA DE ÁGUA DESTE MISERÁVEL E PODRE SISTEMA EM QUE VIVEMOS QUE PARA QUE UNS POUCOS VIVAM PRINCIPESCAMENTE, MILHÕES DE DESGRAÇADOS TÊM DE VIVER NA MAIS MISERÁVEL MISÉRIA.

Esta é uma verdade tão elementar que parecia não carecer de demonstração – esta tem a ver com a finitude dos recursos – nem de referência, está aí aos olhos de todos, com as tais assimetrias que a douta DRA. ISABEL LEAL vislumbra. Todavia, parece, assim não ser, porque até aquela insigne doutora fica-se na revista Caras pela doce constatação que sempre foi assim.

Digo mais, foi assim, e assim será, e porque não haveria de ser assim, quando professores de psicologia, como é o caso desta psicóloga, fez selecções contra os direitos protegidos das pessoas, pelo menos pela deontologia dos psicólogos, como foi o caso do programa de TV Big-Brother ?

Com boa disposição e saúde

Do reino de D. Alberto João, aos 7de Agosto de 08

andrade da silva

terça-feira, 5 de agosto de 2008

05 - POEMÁRIO * Ibéria






Os Pirenéus são a fronteira natural.


Aquém se estende a Ibéria...

...deslumbrando-se nos poentes incendiados
donde lhe acena o Novo Mundo!

...encantando-se nos mistérios do Meio-dia,
onde adivinha maravilhas de ébano
e rotas salgadas de pimenta e canela!

Lê nas estrelas o destino da largada!
O pátrio solo ibérico apenas é o cais,
o cais determinando a partida inevitável
para o mundo ignoto que chama, chama, chama!...

É a predestinação!

E vai, sobre as ondas lavadas de aventura e liberdade,
abraçar o longe, que mora além do medo e da renúncia!

E deixa para trás as terras de Espanha
e as areias de Portugal!

No cais da largada, ficam as viúvas do medo
acenando o adeus soluçante,
que será ou não
o adeus de nunca mais!

Os lenhos singram ligeiros nas rotas da tontura!
Os mastros gemem, gemem... mas não quebram!
As velas, prenhes de longe e de evasão,
voam na distância, mais e mais!

E os lenhos enfrentam o Cabo Não!
E dobram o Cabo Não!

E vão até ao Fim do Mundo!



Além dos Pirenéus, expectante,
um mundo outro que escolhera ficar,
assumindo a separação definitiva.




José-Augusto de Carvalho

5 de Agosto de 2008.
Viana  *Évora * Portugal

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

05 - POEMÁRIO * Os sinais...

Das cinzas do tempo, evadem-se os sinais...

Será Nero declamando os seus poemas medíocres
às chamas que devastam Apolo e Roma?Será Petrónio burilando a elegância do verbo,
enquanto acaricia as veias que irá cortar?

Serão as sombras ignaras do pão e circo

expulsas pelo remorso dos tempos
do sossego do nada onde apodreceram?

Ou serei eu, aqui, a reinventar o pesadelo

do martírio intemporal dos impérios?



José-Augusto de Carvalho
4 de Agosto de 2008.
Viana  * Évora * Portugal

domingo, 3 de agosto de 2008

05 - POEMÁRIO * A barca da esperança





Cidadão vulgar deste país,

tenho sonhos de Abril e pesadelos de Novembro.

Da noite sem estrelas nem luar,
guardo a tristeza da escuridão
e os sobressaltos do medo
de ser aqui a renúncia de mim.

Por caminhos de malandar,
gastei metade da vida...
De outros caminhos eu soube,
mas nunca os quis para mim.

Panteísta por desígnio da esperança,
sempre entrevi as flores silvestres
atapetando as estradas da vida...

Na madrugada de um Abril já distante,
soube da cidade a despertar
e do milagre das flores encravando os canos das espingardas
com aromas de fraternidade.
Maldesperto, vi o clarear do dia
e acreditei...
Acreditei na primavera.

E, na barca da esperança, lá fui, sobre as ondas da liberdade!
E quando ventava rijo, a barca estremecia, mas ia...
Mas, uma noite, os vigias de quarto não souberam ler o mar...
E o homem do leme, porque não quis ser mais do que ele,
temeu o mar e rendeu-se aos escolhos de Novembro.

Na noite do pesadelo, quando o vento sopra rijo,
ainda se ouvem os gritos dos náufragos da barca da esperança...




José-Augusto de Carvalho
3 de Agosto de 2008.
Viana * Évora * Portugal

DICAS PARA UM PROGRAMA POLÍTICO PARA OS PRÓXIMOS DEZ ANOS EM PORTUGAL

O mau ... e o bom em Portugal !


A maioria dos países muda, e muda depressa.

ASPECTOS GERAIS: defendo a liberdade, a livre iniciativa e a propriedade privada e, só neste sentido, estou mais próximo da prática do PS e do PSD do que da ideologia socializante do PS. Por outro lado, a nível de defesa de direitos humanos e justiça social, defesa dos Palestinianos, sinto-me à esquerda do PS.

Sou humanista. Nunca poderia pertencer ao PCP ou ao BE, nomeadamente na sua recusa de condenar as FARC.

Sou completamente contra a legalização das drogas. As ditas leves estão entre as piores.

ACÇÕES: temas de mobilização nacional: Primeiros 3 anos

Promover nacionalmente a actividade local: por exemplo a limpeza de lixo em Portugal. Destruição de mamarrachos e edifícios em ruínas.
Recuperação de etares e de gestão de resíduos.
Recuperação de monumentos degradados.
Promover nacionalmente acções locais de segurança: por exemplo tolerância zero a mortes na estrada (Construção urgente de mais sinalização e de bandas sonoras a cargo de Juntas de Freguesia e de comissões de moradores e – supervisionada por técnicos a nível nacional. Eliminar zonas perigosas). Construção de mais caminhos e de mais segurança e conforto para pedestres.
Promover a despoluição nacional e o recurso a energias alternativas.
Muitas destas obras estarão a cargo de Juntas de Freguesia e de Comissões de Moradores. Mas não se trata de capitalismo popular. É antes uma acção de limpeza geral, de actos de civismo e de educação, generalizados a nível económico, muito subsídiados por pequenos empréstimos, a actuar ao lado de sectores mais tradicionais de produção.

Tudo isto são actividades pagas, descentralizadas,que injectam mais dinheiro e poder de compra nas populações locais, e recriam a classe trabalhadora e média. São genuinamente nacionais provem a imagem do país, a sua auto-estima e o turismo, que é a principal indústria nacional. Esta operação de reparação não é, portanto, inocente, e duraria à volta de 3 anos. Não seria definitiva. E daria uma nova consciência cívica aos portugueses, contribuiria para a descentralização de decisões, a fixação de pessoas e de riquezas nas zonas de origem e para a formação de uma nova classe média.

Não sendo contra as grandes empresas e as multinacionais dar-se-ia uma especial atenção a promover a pequena e média iniciativa individual a nível local, recorrendo ao crédito e ao micro-crédito, e restabelecendo a descentralização e a nova classe média de que o país tanto necessita.

Coexistiria com uma operação de boa educação e hospitalidade nas pessoas: não cuspirem nem atirarem lixo para o chão, limparem os dejectos que os seus cães fazem, atravessarem as ruas nos locais próprios, não maltratarem as crianças nem os animais, à semelhança do que fez há pouco tempo em Barcelona.
Activa também a principal indústria do País: o turismo.

Administração: responsabilizar cada dirigente.
Atribuir tarefas a pessoas em vez de ser a órgãos colegiais, um pouco como se faz na iniciativa privada com os CEOS (Chief Executive Officer) e nos EUA. Só quando isso fôr impossível se deve recorrer a órgãos colegiais ou à eleição de dirigentes.
Colocar pessoas em postos de chefia por concurso em vez de ser por nomeação ou por eleição.
Preferir sempre o consenso à votação. Criar organismos de consenso ao lado dos partidos, e só se elege se não for possível atingir o consenso.

A eleição deve ganhar dignidade e não se opor à autoridade do Estado. Só devem ser eleitos os autarcas, os deputados (em menor número e em círculos uninominais) e o Presidente da República, que nomeia o Chefe do Governo.

4º, 5º e 6º anos

Depois destas acções iniciais, que se continuariam, o país ganharia fôlego para uma reforma administrativa de fundo, como por exemplo, reduzir a 1/3 o número de Deputados e administradores na Função Pública.

Últimos 4 anos: Continuar e consolidar as acções anteriores.

Política Internacional

Permanecer basicamente no mesmo sistema de alianças:
Desmontar, e promover a desmontagem colectiva, de 400 anos de Eurocentrismo e de imperialismo.
Reparar, quando possível, e pedir desculpas (quando não for) pelos males que se fizeram. Reescrever a história, e propor o mesmo aos nossos principais aliados e parceiros.

Aderir aos Objectivos da ONU (para cumprir até 2015):

1: Reduzir em metade a miséria extrema e a fome;
2: Alcançar a educação primária universal;
3: Promover a igualdade de género e capacitar as mulheres;
4: Reduzir a mortalidade infantil;
5: Melhorar a saúde materna;
6: Combater o HIV-SIDA, a Malária e outras doenças;
7: Assegurar a sustentabilidade ambiental;
8: Desenvolver uma parceria global para o desenvolvimento.

Domingos Neto
3 Agosto 2008

Por gentileza de:
www.mudaropais.blogspot.com