domingo, 31 de maio de 2009

Notícias da Amadora e a Palavra Precisa



Notícias de Orlando Gonçalves


"Não cedi, não me resignei. Queiram ou não queiram, um D. Quixote coabita em cada um de nós" - escreveu Orlando Gonçalves no seu último livro, "Enredos da Memória", um romance de certa forma autobiográfico. Foi essa força da natureza que lhe enformou a vida, sem desfalecimentos. Arrojando as dificuldades, padecendo injustiças, mas sem nunca se resignar.

"Vencendo a treva e ignorando a insânia, amanhã, em todos os amanhãs, aquele mesmo sol que eu vira agonizante, ressuscitará em promessas, lembrando aos homens que pode sempre haver um novo dia".
Essa era a sua forma de partilhar a vida, a que não faltava uma genuína dose de sonho e uma incomensurável solidariedade.


http://www.noticiasdaamadora.com.pt/nad/texto.php?cod=orlandogoncalves






Orlando Gonçalves, dirigiu o Notícias da Amadora entre 1963 e 1994, ano da sua morte.
Esteve preso na Cadeia do Aljube e no Forte de Caxias. A segunda vez que esteve preso foi em 1974 e foi libertado após o 25 de Abril.






O Notícias da Amadora

http://www.noticiasdaamadora.com.pt/

Um dos Jornais que se destacaram e cumpriram durante o fascismo-salazarismo-caetanismo a sua função de informar honesta e integramente os portugueses

este Jornal fundado em 1958 tornou-se pela direcção de Orlando Gonçalves conhecido em todo o País como um dos Jornais da Resistência, ultrapassando as fronteiras de Portugal foi para os portugueses no exílio um belo e magnífico grito de integridade e Esperança

Pagou caro Orlando Gonçalves , a sua honesta e sincera ética de Jornalista pelo que foi preso durante o fascismo mais que uma vez, sofrendo as consequências inerentes à prisão política.

poderemos mais uma vez verificar como se calava, se reduzia ao silêncio, em Portugal a força da Verdade, pela violenta força da opressão e da repressão!

Isso era o salazarismo! Essa imundície de hipocrisia, esterco de vícios vestido de falsa mansidão!

O Notícias da Amadora,dirigido apôs o desaparecimento de Orlando Gonçalves, por Orlando César,seu filho, que começou no Notícias de Amadora sua carreira de Jornalista, tendo colaborado em inúmeros Jornais e Revistas. Orlando Gonçalves o Noticias da Amadora e seus colaboradores, os seus Jornalistas, resistiram contra ventos e marés à ditadura fascista e o Jornal prosseguiu sua missão informativa desde então até que há cerca de um ano o poder económico, esse vampiro que tudo absorve e controla pela força financeira de que dispõe, conseguiu empurrar o actual Director Orlando César, ao encerramento do Jornal em papel, para continuar a existir como Jornal em Linha através da Internet

Convido pois todos os antifascistas a visitas assíduas no Site do Notícias de Amadora num solidário gesto para com quem sempre apesar das dificuldades, cumpriu o seu dever de informar os seus compatriotas.

O meu abraço ao Jornal e a todos os que nele participam.

Marília Gonçalves








sexta-feira, 29 de maio de 2009

EU, CIDADÃO-MILITAR, ME APRESENTO (IV): UMA PÁGINA AVULSA DESTES FARRAPOS DE ESTÓRIAS DO QUOTIDIANO.



O - bolinha vermelha

Angola, 12 Janeiro 72


Levantei-me pelas 9h e até às 11h falei com o Alf Galante ( estava a fazer o estágio para capitão).Às 11 fui até ao gabinete do capitão Renato, comandante da companhia do Cavungo. Foi-me apresentado o esquema a seguir nos interrogatórios à população que se apresentava, baseado exclusivamente em perguntas e respostas, sem a menor insinuação explicita ou implícita a qualquer técnica de coacção física ou de chantagem psicológica ou outra.

Encarregou-me o capitão de interrogar a mulher do Soba de Samussenga, porém quem procedeu àquele inquérito foi o capitão. Não me deu qualquer explicação pela mudança de opinião, não o interroguei sobre isso, e até achei bem.

Assisti ao interrogatório. A mulher pareceu-me ser muito esperta e muito subtil. Pareceu-me saber muito mais do que disse, porque nada declarou ( hoje vejo o mesmo padrão nos ilustres senhores de Portugal, as excelências, que vão às comissões parlamentares dizerem que os anteriores pares na Governança do país são uns meros e reles conspiradores e mentirosos – um vómito. EU vomito no real sentido da palavra. O retrato de um país subdesenvolvido. Que gente !).

Versifiquei que os congoleses têm um controlo apertado sobre as pessoas, pois consta no seu BI se votaram, e que de acordo com as nossas relações familiares não se compreende qual a árvore genealógica daquelas pessoas, os primos não são primos etc, e sobre isto somos mandados para aqui sem qualquer formação, então, como entender o muito pouco que dizem? Enfim inovações. ( estes défices mantêm-se, embora haja algum esforço ao nível da formação, mas que à data de 2007 precisava de ser aprofundada, quanto à comunicação não verbal e aos interditos sexuais no âmbito da religião muçulmana)

Passou ainda, por aqui, o MVL ( coluna logística de abastecimento, grande acontecimento por estas paragens, quase dia de S. Cristóvão) constituído por 25 viaturas pesadas, incluindo as da escolta.

Li um pouco sobre a história da filosofia Ocidental ( na guerra alguns liam). Escrevi à minha mãe e ao Berto ( uma actividade muito, muito importante).

Depois do jantar gravei um pouco de música e ouvi umas histórias complicadas da guerra e outras de magia.

Assinei o dia e a página com o
a. da silva


PS: Todavia nem sempre as noites foram tão castas, na noite de 11 Janeiro 72 fui desafiado pelos alferes para ir a uma “guerra” qualquer com umas “pretas”( não sou, e nunca fui santo, ou pudico), mas não fui… Mas destes amores e desamores de ocasião, ou talvez não, falaremos por aí adiante, e de quanto é capaz a força da libido, é inimaginável.

Também a súbita doença de dois grandes amigos que pareciam fortes, invencíveis, e que desejo que recuperem, enquanto um pela sua idade e tipo de doença – cancro insidioso, traidor, porque, silenciosamente, minou quem fazia regulares exames, tem uma sentença já decidida, resta saber quando passará em julgado, levou-me a pensar que frequentemente nestes farrapos do quotidiano refiro problemas gastrointestinais que hoje se mantêm. Não terá sido um custo desta vida de soldado de Portugal?

quinta-feira, 28 de maio de 2009

MAS HOUVE FASCISMO EM PORTUGAL? CALEM-SE AS MALDITAS E MENTIROSAS VOZES.


Caros amigos

Jaime Cortesão, Raul Brandão e outros falam de tortura no regime salazarista, mas esses tempos de que falam, foram tempos ensombrados, mas nunca existiram, tudo mentira, como louca e psicótica alucinação, mesmo delírio esquizofrénico, digo-o, como psicólogo, é testemunhar-se que alguma vez houve um 25 de Abril de 74 em Portugal. Tudo foi uma alucinação, ou na versão poética um dia inteiro com sol e festa, mas veio a noite e o dia esfumou-se. ( Não há nostalgia. Há fome e sede de decência, será querer muito? Não falo de PREC, falo de dignidade, probidade, mesmo, desse mínimo ético, de decência)

Tempos ensombrados esses, escondidos na penumbra e pela cobardia dos democratas envergonhados do Portugal dito democrático, mas era assim que o regime tratava os opositores, mas era assim que a PIDE e a sua tropa, os flechas, matavam os "pretos turras", às postas, como se faz ao peixe, disse-me com honra um dos torcionários da PIDE, mas era assim que o ten-cor Gorgulho governador de S.Tomé tratava os "pretos" dissidentes, mas era assim que Salazar tratava a gente honesta, o Brig. Themudo Vera que foi investigar os crimes de Gorgulho, embarcou em S.Tomé, mas nunca chegou a Lisboa, os peixes do Atlântico dele se alimentaram, vivo ou morto, mistério…. mas era assim que no norte de Angola, no Negage, o guia do capitão Robles me contou que se fazia: OH Pessoal, pose para uma foto!... mas a máquina fotográfica era uma metralhadora, dizem que estes crimes nunca prescrevem, mas a TV mostra-os, mas que se saiba a Procuradoria Geral da República não instaura nenhum processo ( coisas), mas se era deste perfil o Ditador, porque agora no regime democrático, ao invés de se julgar o fascismo, louva-se o ditador, e Nogueira Pinto não se cansa de o cantar. Mas quem, vivo, o acusa?

Mas quem, vivo, é cúmplice por estes crimes que o juiz Barata, dos tribunais militares absolveu e que Novembro calou, como também calou a minha prisão, às mãos de um juiz o Sr. Rui Gonçalves Pereira, prisão de um inocente, como se provou e o próprio presidente do 3º tribunal Militar, Cor. Cruz Novo, da Força Aérea, o disse, aos doutores Xencora Camotim e Goucha Soares e a mim próprio.

Mas porque gozam, entre nós, de tanto prestígio, poder e liberdade os fascistas? Será que houve em Portugal, alguma vez o 25 de Abril de 74?

Tudo isto diz que não. Mas o que será que dizem os sucessivos escândalos dos poderosos que nunca são julgados com prisão, à excepção dos mártires Vale de Azevedo e Oliveira e Costa, os Cristos da direita, crucificados para salvar as aparências, mas porquê estes?

asilva

POESIA DA RESISTÊNCIA




POESIA DA RESISTÊNCIA – Romance do Homem da Boca Fechada

Jaime Cortesão – Romance do Homem da Boca Fechada

- Quem é esse homem sombrio
Duro rosto, claro olhar,
Que cerra os dentes e a boca
Como quem não quer falar?
– Esse é o Jaime Rebelo,
Pescador, homem do mar,
Se quisesse abrir a boca,
Tinha muito que contar.

Ora ouvireis, camaradas,
Uma história de pasmar.

Passava já de ano e dia
E outro vinha de passar,
E o Rebelo não cansava
De dar guerra ao Salazar.
De dia tinha o mar alto,
De noite, luta bravia,
Pois só ama a Liberdade,
Quem dá guerra à tirania.
Passava já de ano e dia…
Mas um dia, por traição,
Caiu nas mãos dos esbirros
E foi levado à prisão.

Algemas de aço nos pulsos,
Vá de insultos ao entrar,
Palavra puxa palavra,
Começaram de falar
- Quanto sabes, seja a bem,
Seja a mal, hás de contá-lo,
- Não sou traidor, nem perjuro;
Sou homem de fé: não falo!
- Fala: ou terás o degredo,
Ou morte a fio de espada.
- Mais vale morrer com honra,
Do que vida deshonrada!

- A ver se falas ou não,
Quando posto na tortura.
- Que importam duros tormentos,
Quando a vontade é mais dura?!

Geme o preso atado ao potro
Já tinha o corpo a sangrar,
Já tinha os membros torcidos
E os tormentos a apertar,
Então o Jaime Rebelo,
Louco de dor, a arquejar,
Juntou as últimas forças
Para não ter que falar.
- Antes que fale emudeça! -
Pôs-se a gritar com voz rouca,
E, cerce, duma dentada,
Cortou a língua na boca.

A turba vil dos esbirros
Ficou na frente, assombrada,
Já da boca não saia
Mais que espuma ensanguentada!

Salazar, cuidas que o Povo
Te suporta, quando cala?
Ninguém te condena mais
Que aquela boca sem fala!

Fantasma da sua dor,
Ainda hoje custa a vê-lo;
A angústia daquelas horas
Não deixa o Jaime Rebelo.
Pescador que se fez homem
Ao vento livre do Mar,
Traz sempre aquela visão
Na sombra dura do olhar,
Sempre de boca apertada,
Como quem não quer falar.

Este poema de Jaime Cortesão circulou clandestinamente nos anos trinta e foi publicado no Avante em 1937 . A publicação de um poema de um republicano sobre um anarquista no jornal comunista inseria-se nos esforços de Francisco Paula de Oliveira /”Pavel” para reforçar uma política de frente popular em Portugal . Sobre Jaime Rebelo veja-se a sua necrologia em Voz Anarquista 1 , 22/1/1975 e César Oliveira , “Jaime Rebelo : Um Homem Para Além do Tempo ” , História , 6 , Março 1995


Wikipédia, a enciclopédia livre.

Jaime Cortesão (c. 1910).

Jaime Zuzarte Cortesão (Ançã, Cantanhede, 29 de Abril de 1884Lisboa, 14 de Agosto de 1960), foi um médico, político, escritor e historiador português. Filho do filólogo António Augusto Cortesão, foi irmão do historiador Armando Cortesão e pai da renomada ecologista Maria Judith Zuzarte Cortesão.


terça-feira, 26 de maio de 2009

PONTES ABERTAS À BOA GOVERNANÇA E A ACTUALIZAÇÃO DA DEMOCRACIA: UM APELO AOS MEUS CONCIDADÃOS ( CONCLUSÃO)


“QUEM DA LUTA FICA FORA
NESTE JOGO (da LIBERDADE E DA DIGNIDADE) NUNCA MEDRA".


MAS COM TANTA GENTE A SE EXIMIR, A SE PROTEGER, PORQUE É SEMPRE MAIS SEGURO ESTAR DEBAIXO DE TECTO, QUANDO O GRANIZO CAI, DIFILCILMENTE, VENCEREMOS NA ALVORADA.


Claramente falo:


- Da actualização das nossas responsabilidades humanitárias, politicas, sociais, diplomáticas e militares na União Europeia e na Comunidade Internacional, onde, se deve ter uma atitude de condenação do militarismo e da cumplicidade em relação a tantas ditaduras que se estendem pelo mundo e, nomeadamente, no combate internacional, sob a Bandeira da ONU, ao recrutamento de crianças para a guerra, à proliferação de armas nucleares e ao eventual descontrolo das mesmas por estados debilitados, como o Paquistão;

- Da defesa da nossa produção agrícola e industrial e do nosso mercado, bem como, de uma adequada politica da aplicação dos fundos europeus e da formação profissional que é, entre nós, em muitos casos, um grande “bluff”;

- Da promoção da ética do consumo, de modo a evitar um excessivo consumo supérfluo com o agravamento do endividamento das famílias e do externo do estado, o que, a médio prazo, obrigará a cortes dramáticos nas nossas despesas domésticas e do estado, tornando a vida das famílias com níveis muito graves de deficiências não no supérfluo, mas no essencial. Estamos por questões eleitorais e de detenção do poder, hipotecando, de um modo irresponsável, o Futuro de Portugal e a Democracia;

-De combate eficaz e não retórico a todas as políticas de monopólio e cartel por mais sofisticadas que sejam, porque de facto existem, mas pela largueza da malha legislativa todas as megaconcentrações conseguem escapar ao crivo da lei, ou dos observadores


-De uma supervisão forte, rigorosa e inequívoca dos bancos, das seguradoras, das empresas de energia, água e telecomunicações, de modo a que, não se tornem o verdadeiro estado, como parece que já acontece em Portugal, e não possam para aumentarem os seus lucros penalizarem, a seu bel prazer, os clientes com taxas e sobre taxas, umas atrás das outras. Por exemplo se uns bancos têm menores taxas no produto x, têm mais no produto Y, o que tem como resultante que de facto o cliente acaba por pagar sempre o mesmo no final, dado a politica de concertação, implícita ou explicita, existente. E porque o estado, não quer, ou não pode esta situação mantém-se e, assim, somos tratados como escravos perante estas instituições. Seria importante que o sector bancário do estado, o cooperativo e associativo se distinguissem da lógica do sector privado, o que não acontece

-De uma rigorosa e estritamente repressiva política contra o desrespeito dos direitos dos consumidores. Os órgãos existentes são ineficazes, distantes dos cidadãos e altamente burocráticos e sem meios. Neste contexto o livro de reclamações é uma mera intenção;

-Da promoção de políticas de desenvolvimento humano nas áreas da cultura, da comunicação social, da saúde, do entretimento, do turismo histórico, do desporto no apoio à população em geral, mas dos jovens, dos idosos e das gentes do interior de Portugal em particular;

-Da promoção de uma televisão pública e de uma política de apoio a outros órgãos da comunicação social que promovam produtos com qualidade estética e não o lixo tóxico da violência, e ainda uma informação plural e com critérios editoriais que impeçam a promoção de pequenas histórias por exemplo do jet set, do futebol, das telenovelas ou do mundo da criminalidade a grandes acontecimentos noticiosos nacionais e, ou internacionais. Aceitação de que esta politica para a TV pública, não se submetendo à regra do lixo televisivo que dá lucro, terá um custo acrescido para o erário público que deverá ser suportado, como um investimento para o desenvolvimento humano.

-Da efectivação da descentralização de competências e verbas para os órgãos locais da administração pública, com um combate ao caciquismo e à corrupção, através da rigorosa fiscalização da despesa pública, com um tribunal de contas a ter uma atitude mais eficaz do que a de mero denunciador de irregularidades, isto, faz melhor a comunicação social. Aquele tribunal deveria ter funções de um verdadeiro tribunal de juizo, com adequada celeridade, das fraudes, pelo menos, ao nível administrativo, disciplinar e financeiro

- De uma politica de desenvolvimento social, da família e da natalidade que tenha como factor central a questão demográfica quer do envelhecimento, mas também da substituição de gerações, o que, ao não acontecer, pode vir a pôr em causa a civilização e os nossos modos de vida, por fenómenos de islamização da Europa ou outros.

- Da promoção de uma verdadeira politica ambiental, com ordenamento territorial adequado, combatendo todos os processos corruptos da passagem de terrenos com aptidão agrícola para urbanos, o abandono das florestas e do cultivo familiar, e ainda a valorização dos recursos hídricos do país e da sua capacidade para as energias renováveis.

Numa palavra ouvir as queixas dos cidadãos, ouvir a rua, as associações e promover a legalidade própria do Estado de Direito com o combate à corrupção, através da criação de um observatório contra corrupção e um alto comissariado para a sua repressão administrativa e extra judicial, face à situação de emergência em que está o sector da justiça que vive num estado de colapso; moralização dos rendimentos; promoção da eficiência, da eficácia e do prestigio de todas as instituições do estado e dos seus agentes; primado da politica, evitando que bancos, seguradoras e grandes empresas, sós, ou através de politicas de cartel e, ou megas fusões sejam o estado; promoção dos direitos fundamentais dos cidadãos, como o de terem emprego, habitação, família, acesso à saúde, à cultura, à educação e dos direitos humanos em todo o mundo, isto é, e em jeito de conclusão maior, actualizar a Democracia de modo que o PODER RESIDA NO POVO E SEJA EXERCIDO, NO INTEESSE DA COMUNIDADE, POR CIDADÃOS PROBOS E COMPETENTES A QUEM OS ELEITORES DELEGARAM O PODER DE OS REPREENTAR, E QUE RESPONDAM, PELOS SEUS ACTOS, INDIVIDUALMENTE, ENQUANTO DEPUTADOS, PERANTE OS SEUS ELEITORES.

Será que estando nós a caminho de uma nova IDADE MÉDIA, EM PORTUGAL, MAS NA EUROPA –A CHINISAÇÃO DO MUNDO- MAIS SEVERA QUE A DOS SÉCULOS ANTERIORES, NÃO SE PRECISARIA EM PORTUGAL DE UM NOVO SUJEITO POLÍTICO QUE SEPARE NEOLIBERALISMO DE SOCIAL- DEMOCRACIA E SOCIALISMO DEMOCRÁTICO, OU DITO DE OUTRO, MODO DEMOCRACIA E SEMI-DEMOCRACIA, OU AINDA, ESTADO DE LIBERDADE, DE ESTADO TENDENCIALMENTE CONCENTRACIÓNARIO?

Sou agnóstico, mas digo “MY GOD!”. De que mais sinais precisais. Só nos falta o do fim dos tempos, embora não me assemelhe ao Bandarra, ou ao Nostradamus, não posso deixar de reclamar alguma luz e premonição para estas coisa tão trágicas!

“MY GOD!” Estaremos quase perdidos.!?...

PORTUGAL!

asilva

PS: Este será sempre um documento aberto, mas operacionalizável pela inteligência justa e bondosa em programas políticos promotores de desenvolvimento, justiça, paz e da distribuição equitativa da riqueza, mas, naturalmente tem como grande inimigo a perversidade, os interesses estabelecidos e sucessivamente restabelecidos, e a estupidez que serve de pilar aos comportamentos socialmente anómicos.

PONTES ABERTAS PARA A BOA GOVERNANÇA E A ACTUALIZAÇÃO DA DEMOCRACIA: UM APELO AOS MEUS CONCIDADÃOS (I)


Diz a arquitecta Helena Roseta que a decisão do cidadão Manuel Alegre de ficar no PS, deixa todas as pontes abertas para negociações à esquerda, podia ter dito portas, só que todas as portas abertas podia gerar tempestade, logo, semanticamente, pontes é coisa mais sólida.

Quanto a esta perspectiva poderia ser uma realidade, se o militante Manuel Alegre se tornar num líder emergente e combativo no interior do PS, o que não foi no país, disposto a alterar a correlação de forças e a natureza viciada do aparelho de poder no interior do partido.

O aparelho do PS é o que é, há muitos, muitos anos, mas hoje persegue outros, como ontem perseguiu o secretariado do PS, onde, coexistiam Jorge Sampaio, António Arnaud e outros que, como alguns deles revelam, na Visão de 21 Maio, foram apelidados de traidores, mas como diz o poeta, mudam-se o tempos… ou, como dizem os cientistas tudo é mudança , e, ainda bem que assim é, acrescento, como cidadão com alguma opinião.

Todavia a visão da arquitecta pode ser mais uma ilusão, porque não se vê, se o Secretário Geral do PS, Sr. Eng Sócrates, tiver como assessor para a ideologia o Sr. Dr. Santos Silva e para o desaforo o Sr. Lelo, como isso seja possível. Mas há sempre alguém a ver milagres, desde do princípio do outro século, mas, seja como for, o que é preciso, fundamental mesmo, é clarificar do que se está a falar.

No meu caso falo claramente:

- De um novo modo de fazer política assente na verdade, na recta intenção, nos valores e espírito de Missão, e não na retórica e no marketing político, suportado por aparelhos partidários verticais alicerçados nos interesses de clãs que, através de um centralismo fechado, impõem a vontade dos dirigentes a todos os outros níveis que se habituam a filtrar a informação dissonante, bem como, todo o pensamento divergente. Todavia em democracia os partidos, de um modo particular, deveriam privilegiar na organização, a adocracia: objectivos colectivamente definidos, identificação com os objectivos, autonomia e responsabilidade individual, supervisão. Com uma gestão de porta aberta e do “ andando por todo o lado e contactando directamente com os cooperadores/ eleitores/militantes ( experimentei este tipo de gestão na muito rígida instituição militar, com êxito - auto e hetero-avaliado- ao nível dos meus vários comandos)

- De Combater a imoralidade dos salários e dos rendimentos de ofensa à maioria dos trabalhadores e, de um modo inaceitável, aos que precisariam de trabalhar séculos para obterem os rendimentos de um mês, dos magnatas;

- De Combater a corrupção que é intersticial. Está presente em todos os aparelhos partidários e outros, em todas as instituições e organizações, mesmo na que tem como dever combatê-la, a justiça, que não funciona em Portugal, nem contra os poderosos, nem contra os marginais, só funciona nas coisas mais laterais e contra os que não têm recursos, para contratarem os advogados dos grandes escritórios.

- Da miséria, dos guetos e da exclusão social e da sua superação, através de politicas de segurança social proactivas, não assistenciais, nem promotoras de subsiodependência

- Da arrogância politica e empresarial;

- De promover o restabelecimento dos direitos de quem trabalha, e, de um modo essencial e determinante, o próprio direito ao trabalho, conciliando sempre trabalho e vida familiar ( isto, é, uma necessidade para a sobrevivência do nosso modo de vida que corre um real perigo de ser submetido por outros em franca expansão).Neste capitulo o estado perante as debilidades do sector privado e das crises a que a má gestão empresarial e a desregulação da esfera financeira têm acarretado, deve de intervir na defesa do emprego e no combate ao desemprego ilegal, pelo que sem descurar as dificuldades dos empresários, não pode considerar os sindicados como uma força hostil;

-De restabelecer a autoridade democrática do Parlamento, combatendo a sua governamentalização, e criando a ética do deputado que responde perante os eleitores pelos programas sufragados, pelo que, não pode por ditadura partidária votar contra os programas votados e a sua consciência, sem nova audição dos eleitores, ou sem ser fora de um contexto moral, ou de emergência que o justifique e a consciência aceite;

- De Fortalecer o prestígio e o mérito das instituições e dos servidores do estado: funcionários públicos, professores, policias e militares, com a criação da carta dos deveres éticos e deontológicos do Servidor Público que deverá ser definido com a grandeza e a utilidade social e humana que tal função comporta. O Servidor Público terá de ser dos melhores trabalhadores, entre os melhores;
.....

(continua)


asilva maio2009

segunda-feira, 25 de maio de 2009
























ACUSO


Cavalo de vento
Meu dia perdido
O meu pensamento
Anda a soluçar
Por dentro do tempo
De cada gemido
Com olhos esquecidos
Do riso a cantar

Quem foi que levou
A ânfora antiga
Onde minha sede
Fui desalterar
Sementeira de astros
Que o olhar abriga
Por fora dos versos
Que hei-de procurar

Quem foi que em murmúrio
Na fonte gelava
Essa folha branca
Aonde pensar
Quem foi que a perdeu
Levando o futuro
Por onde o meu barco
não quer navegar

Quem foi que manchou
a página clara
Com água das sedes
Que eu hei-de contar
Quando o sol doirava
As velhas paredes
Da mansão perdida
De risos sem par

Quem foi que levou
Os astros azuis
Do meu tempo lindo
Meu tempo a vogar
Por mares de estrelas
Vermelhas abrindo
Quando minhas mãos
Querem soluçar

Não mais sei quem foi
só sei que foi quando
a noite vestiu o dia que era
E todos os sonhos
Partiram em bando
Fugindo de mim e da primavera

Mas há na memória
Da minha retina
A voz que se nega
A silenciar
Com dedo infantil
Erguendo a menina
Diante do réu
Em tempo e lugar!!!

Marília Gonçalves

domingo, 24 de maio de 2009

NA ROTUNDA HISTÓRICA O POVO ESTEVE ( ESTÁ) DE PÉ!


Ontem milhares de cidadãos gritaram, na Rotunda do Marquês, contra todo este sistema cheio de corrupção, quase podre, mas poderia e serão muitos, muitos, muitíssimos mais, e poderão ficar por muito, muito mais tempo no terreno, se a convocatória não for só da CDU, ou do bloco de esquerda, ou de qualquer outro grupo de descontentes, mas sim quando forem convocados por UM APELO QUE DEFENDA A DEMOCRACIA, A JUSTIÇA SOCIAL, o MÉRITO, A MORALIDADE, sem coloração partidária e, neste caso, estarão os comunistas, os bloquistas, e os socialistas que condenam o neoliberalismo, enfim, de um LADO TODO O POVO DE ABRIL, gente imensa, forte invencível. É o nobre POVO, Nação IMORTAL, É O MAIS SUBLIME DE ABRIL em MARCHA.

Há de facto dois povos o que luta e salva ABRIL e a DEMOCRACIA, e outro povo ( ambos são povo) que se afoga na luxúria, na ganância, na gula que nem católico parece ser. Parece adorar somente o bezerro de oiro, e terão de perder nos próximos impactos que aí vêm, para que não haja um retrocesso e um prolongado interregno na democracia.


Mas, ainda, uma constatação patética, incrível, ingénua, somos um pequeno país, com um grandioso POVO, somos 10 milhões, somos poucos, mas podemos e temos direito a sermos um povo feliz, bastava tão só que os Católicos praticassem os dois fundamentais mandamentos da lei de Deus que depois do Amor a Deus convida a AMAR AO PRÓXIMO, COMO A SI MESMO, então, porque tanta e tão miserável injustiça,corrupção, violência e imoralidade entre nós portugueses?

andrade da silva



sábado, 23 de maio de 2009

EU,CIDADÃO-MILITAR, ME APRESENTO (III) -A COMPANHIA DO CAVUNGO E O FOGO AMIGO!?...

O- Bolinha Vermelha

Dedico e conto esta pequena história aos civis que nunca foram militares, e aos civis que um dia o foram e aos meus caros camaradas.

Recordo a memória do Brigadeiro Themudo Vera que tendo sido mandado pelo Governo de Salazar para verificar se havia escravidão nas roças se São Tomé e Príncipe, depois de ter escrito à mulher que aquilo por lá era uma podridão, embarcará de regresso a Lisboa, mas nunca cá chegará, para uns foi suicídio, para outros homicídio, mas para todo o sempre o silêncio.

Devo acrescentar que em Lumbala-Velha só estávamos nós, os militares, o mangueiral e o grande rio Zambeze, na outra margem a uma certa distância ficava Lumbala-Nova.

Em Cavungo pelo jogo que todos, hoje, muito à vontade, consideram sujo ,também a UNITA faria, por nós, a guerra contra o MPLA, mas disto nada sabia, mas, hoje, pergunto-me, mas será que este sujo jogo não teve reflexos na guerra civil que se seguiu à descolonização?

Fomentamos o ódio e a divisão numa guerra que todos sabiam perdida, e, então, o pós retirada nunca foi pensado, então, queria-se fazer de Savimbi Governador do Bié e negociava-se com ele dando-lhe rebuçados para a tosse, mas como foi isto possível?


COMPANHIA DO CAVUNGO

Como já tinha referido deixo Lumbala amargurado, era amigo de toda aquela gente e parto para o Cavungo. Ficou também por aquelas paragens, pela Lumbala, um simpático cromo desta guerra, o grande carregador, por tal, conhecido como GMS. Indivíduo negro de quem todos gostávamos não só porque nas operações carregava os nossos sacos de bagagem, o que dava um grande jeito, sobretudo para quem queria levar algumas reservas, que, para alguns, era cerveja, mas também porque era muito extrovertido e muito chato, estava sempre a cravar qualquer coisa.

No Cavungo a mesma rotina, mas dei com um sinal da presença de um artilheiro amigo. Por lá havia umas pinturas do Carita, à altura tenente ou capitão. (Carita que no Curso de Promoção a Oficial Superior antecipou a cena chinesa da praça de Tinamene- um jovem de braços abertos a fazer frente a uma coluna de blindados. Nestes preparos pôs-me o Carita, numa caricatura que guardo como um tesouro. Um jovem capitão que com a sua pistola à cinta e com um grito horrendo de artilheiro põe em debandada toda a coluna inimiga que se rende. Muito obrigado Carita, hoje coronel, professor doutor na Madeira e completamente rendido aos encantos da Ilha e não só).

Aquela pintura era um bom sinal, se ele pintava, era porque a coisa não era tão má. Para quem vinha de uma companhia com o capitão com baixa psiquiátrica, era óptimo.

No meu primeiro serviço de Oficial de Dia constatei que o pessoal andava mal habituado, e que, por isso, ia ter problemas. Surgiram, mas resolvi-os. Na guerra não fiz de conta que não haviam problemas disciplinares, quando os houve resolvi-os, não temi nenhuma bala assassina, até porque quem o fizesse seria executado pela maioria dos outros, com quem sempre me dei muito bem, um par entre pares

Aqui contactei com os katangas ( refugiados do Gongo ao serviço do exército português) do Cazombo, pobres, desgraçados e com uns ridículos galões de oficial que lhes dava acesso à messe de oficiais, mas, onde, tinham de cravar tudo, porque não tinham dinheiro para coisa nenhuma. Um espectáculo ridículo, uma farsa, uma afronta à dignidade Humana.

Nesta companhia, o capitão, na minha primeira operação, estranhamente, mandou-me comandar dois grupos rivais de Grupos Especiais –GE- (civis negros armados para participarem em operações militares, como militares, mas que não o eram de nenhum ponto de vista: formal ou substantivo ), para a zona de acção de uma companhia de outro batalhão.

Por mera casualidade, ou por inspiração da minha madrinha que está nos céus, passei pela companhia do outro batalhão, onde, me foi dito que se não os tivéssemos contactado, poderíamos ter sido batidos a fogo.

A missão era estranha fazer com 40 homens emboscadas num extensa área de quilómetros. A força era toda de negros à excepção de mim, um furriel e o soldado das transmissões. Achei e continuo a achar muito pouco canónica esta operação. Não sei, porque carga de água um maçarico iria comandar uma tropa tão complexa que nem sequer falava português e nenhum de nós lueno?!... Enfim, coisas!….

Apontamento de farrapos de memória sobre esta operação:

“ A operação foi na zona do marco 25, rio Catangula, saliente do Cazombo, com a duração de 4 dias.
A tropa que comandei logo de inicio me desagradou por ser pouco disciplinada e o seu comandante, o Levi, ser um sorna de primeira apanha….
… Neste primeiro dia senti-me perfeitamente à vontade na mata, como se fosse um antigo e velho veterano….
“ ….Durante todo este santo dia ( 28 Janeiro 72) lá tive de aturar a ave negra do comandante dos GE, que dizia que desconhecia a zona, para depois afirmar que estávamos a não sei quantos quilómetros da picada, o que muito me irritou, e levou a maldizer a minha sorte, por ter de comandar estes tipos. Só tinham duas qualidades: muito bom ouvido e uma velocidade de marcha terrível, e nada mais…..
A partir do 2º dia depois de ter efectuado uma evacuação de um militar mordido supostamente por uma cobra de água, não tínhamos nenhum antídoto, fiquei sem meios rádio, de que não voltei a ser reabastecido, situação muito complicada em caso de contacto directo ou de haver feridos”…


Sobre o regresso:

“ O regresso é deveras uma sensação extremamente agradável: É uma alegria nostálgica que nos invade, e nos transmite uma mensagem de exaltação e uma sensação de bem-estar moral e psicológico. Sentimo-nos talvez mais homens, mais realizados, porque algo nos diz que mais uma etapa de um duro dever está cumprida, e, talvez para além disto tudo, haja aquela alegria, porque todos quantos foram, regressaram ilesos”.

Nesta operação porque comi em excesso saladas de frutas, trocava os atuns por conservas de frutas com os negros, andei 2 dias com as calças na mão, e com um grande receio de ser apanhado à unha, pelos tais turras, em pose menos guerreira e borrado. Enfim, coisas!....

FOGO AMIGO

No regresso e, já, numa coluna comandada pelo capitão, julga-se ter avistado um grupo de guerrilheiros no capim, qualquer negro for das sanzalas para que foram obrigados a irem, seriam, logo, considerados “turras”.

O capitão fica na picada, já lhe faltavam pernas para andar em perseguições. Tomo conta do grupo que se meteu pelo capim, mas um furriel que ficou na picada achou por bem fazer a sua guerra, e disparou morteiros.

Soube o que era essa coisa do fogo amigo, nós chamávamos na versão soft grande ca…. ao furriel que nos ia dando cabo do “canastro”. A barreira de morteiros susteve o nosso avanço, e permitiu que o nosso suposto inimigo fugisse.

Chegado ao Quartel soube que Lumbala Velha fora bombardeada com morteiros que na sua maioria não ultrapassaram o arame farpado, e não houve consequências. Aquilo também era “toma lá disto, e vamos embora que se faz tarde”. Enfim, coisas!……

Os convívios nesta companhia do Cavungo eram agradáveis, assim aconteceu com a visita do oficial de operações. Em honra do Sr. tivemos rancho melhorado, tendo os oficiais e sargentos almoçado na mesma mesa, eu fui mandado para uma das cabeceiras e lamentei a sorte de um catanga que não teve lugar na mesa, e que, por isso, poderia ver o seu quinhão mais encurtado, temia pela sorte dele, mas a minha foi idêntica.

Em 23 Janeiro 72 um condutor atropelou um catanga. Continuo a ser o preparador físico da equipa de futebol, que foi jogar a Lumbala –Velha. Ganhamos, tendo as comemorações corrido a expensas do meu bolso. Estivemos até às tantas da manhã, não deixei lá o vencimento, mas quase. Apesar das bebidas serem baratas, gastei 700 escudos, um dinheirão.

O pessoal reconhecido pela vitória e pela farra de borla, ao chegarmos a Cavungo cantou o bailinho da madeira, mal cantado, mas uma dádiva, naquelas paragens.

Em 9 de Fevereiro na casa do Administrador conheci a rainha dos Luenos que de facto era a autoridade gentílica a quem os negros obedeciam por respeito. As demais autoridades a temiam.

Nós sabíamos isto e no Cavungo quer as autoridades civis e religiosas da Igreja Protestante, quer as militares a tratavam com elevada cortesia, era o poder partilhado num ambiente de interculturlidade muito interessante, ampliado pela grande liberalidade nas relações sexuais, sem nenhum interdito. Este facto constituía um factor excepcional para o conforto psicológico, na minha opinião, decisivo,naquelas circunstãncias, para manutenção do bem-estar psicológico dos militares que muito contribuiu para se suportarem as muitas e severas agruras daquela guerra.

Uma outra das actividades de bem-estar psicológico era escrever cartas para tudo quanto era família e amigos e recebê-las. Era um bálsamo. Este serviço funcionava bastante bem. Também nunca abandonei a leitura de que ia tirando apontamentos

Em 10 de Fevereiro falo com o meu comandante de Batalhão ten-cor Borda de Água, chamado de outro modo na linguagem de caserna. Era simpático e educado, mas pareceu-me desmotivado e sem queda para o comando. Naquela altura não compreendia, nem sequer aceitava que pudesse haver um certo grau de desmotivação, então, era muito arrogante, reconheço-o, agora, mas só quando chegar à Damba, sede do batalhão no Norte, onde fui parar, falarei disto.

As coisas vão evoluindo, e, uma vez mais, sou enviado para outra companhia, agora, Mucaba, no norte de Angola, distrito de Carmona.

Mais uma vez lamento a minha sorte, já estava integrado na companhia, mas agora o capitão era, como oficial do QP, mais moderno que eu, tirou, na AM, o curso Especial de Oficial, tendo ficado à minha esquerda na lista de antiguidade, parece que não poderia ser meu comandante. Mais uma vez coisas… Como interpretá-las? Nunca soube, a minha falta de dotes para decifrar as coisas que vêm do Olimpo, sempre foi notável.

O capitão oferece-me um jantar de despedida, mas esta acontece, sobretudo na companhia dos soldados e sargentos, com canções e copos, o que deu lugar a gravações em cassetes.

Adeus Cavungo. Companheiros até Mucaba.


andrade da silva

quinta-feira, 21 de maio de 2009

13 - REFLEXÕES DE G.F. * Há muito que fazer!

Nós, os mais velhos, soubemos o que foi viver sob a batuta de Salazar. E também sob a batuta do seu delfim. E temos uma dívida para com os que não viveram essa experiência: a de não lhes termos divulgado a extensão das suas malfeitorias. E é uma dívida imperdoável, porque dela deriva, creio eu, a situação a que chegámos neste país assombrado por Novembro e onde a nostalgia de Abril só é sofrida por quem já era adulto aquando da Revolução dos Cravos.

Vivemos em democracia (?) há trinta e cinco (35) anos; logo, até quem hoje andar pelos cinquenta anos de idade pouco ou nada saberá do que foi o autoproclamado Estado Novo. E quem tiver menos idade, pois... Perante esta situação, há muito que fazer!

As pessoas com quem falo e que não conheceram vividamente a ausência da Liberdade, falam vagamente nas prisões e por aí se ficam, pois nada mais sabem. Ora, é dever dos mais velhos falarem do que viveram e assim manterem viva a memória da negação deste país, falarem da importância da Revolução dos Cravos interna e externamente e dos sonhos que Abril trazia e que Novembro trucidou.

Outra inventona que anda por aí é a de que Novembro pretendeu recolocar nos carris os desmandos que Abril vinha provocando. É inventona a desmistificar, designadamente pelos membros do MFA que para tanto se disponibilizem, a bem da Pátria, a bem da Verdade, a bem do País que queremos ser/ter. E isto sustento porque o Portugal de Abril sempre viveu sob o manto tutelar do Conselho da Revolução, logo dos Militares a quem todos devemos o fim do regime fascista.

A ignorância é a mãe de todos os males.

Que esperamos para esclarecer, de uma vez por todas, a verdade dos factos?

Até sempre!
Gabriel de Fochem

Democracia?



















Não interessa só aos linguístas!




Como falamos a democracia?


Na bela cidade de Durban, falávamos eu e outros escritores africanos da surpresa do modo como, no Zimbabwe, tantos ainda apoiam Robert Mugabe. Havia, no grupo, escritores de vários países de África. Aproveitámos o que melhor há nas conferências literárias: os intervalos. A nossa perplexidade não se limitava ao caso zimbabweano. Como é que povos inteiros, em outras nações, se acomodaram perante dirigentes corruptos e venais. De onde nasce tanta resignação?
Uma das razões dessa aceitação reside na forma como as línguas se relacionam com conceitos políticos da modernidade. Por exemplo, um zimbabweano rural designa os seus líderes nacionais como entidades divinizadas, fora das contingências da História e longe da vontade dos súbditos. O mesmo se passa em quase todas as línguas bantus.
A questão pode ser assim formulada: como pensar a democracia numa língua em que não existe a palavra «democracia»? Num idioma em que «Presidente» se diz «Deus»? Nas línguas do Sul de Moçambique, o termo para designar o chefe de Estado é «hossi». Essa mesma palavra designa também as entidades divinas na forma dos espíritos dos antepassados, traduzindo uma sociedade em que não há separação da esfera religiosa.
Parece uma questão de ordem linguística. Não é. Trata-se do modo como se organizam as percepções e as representações que uma sociedade constrói sobre si mesma. A sacralização do poder não pode casar com regimes em que se supõe que os líderes são escolhidos por livre votação. Numa sociedade em que os súbditos se convertem em cidadãos.
Esse assunto escapa muitas vezes a quem se especializou em organizar seminários sobre cidadania e modernidade em África. A problemática política é vista, quase sempre, na sua dimensão institucional, exterior à intimidade dos cidadãos. Quando o participante do seminário explicar à sua comunidade o conteúdo dos debates usará a sua língua materna. E sempre que se referir ao Presidente ele fará uso do termo «deus». Como pedir uma atitude de mudança nestas circunstâncias?
O que se pode fazer? Será que os falantes destas línguas estão condenados à imobilidade por causa desta inércia linguística? Na realidade, existem tensões entre a lógica interna de algumas destas línguas e a dinâmica social. Estas tensões não são novas e sempre foram resolvidas a favor da adaptação criativa e da criação de futuro.
Já no passado, as culturas africanas (e todas as outras em todos os continentes) tiveram que se moldar e se reajustar perante aquilo que surgia como novidade. Eu mesmo testemunhei o modo veloz como as línguas moçambicanas se municiaram de instrumentos novos, roubando e apropriando-se de termos não próprios.
Com o uso generalizado esses termos acabaram indigenizando-se. Sem drama linguístico, sem apoio de academias nem de acordos ortográficos os falantes dessas línguas «pediram» de empréstimo palavras de outros idiomas. Moçambique é, nesse domínio, um caldeirão dessas mestiçagens.
Os nacionalistas africanos não ficaram à espera que um vocabulário apropriado nascesse nas línguas maternas dos seus países. Eles começaram a luta e essa mesma dinâmica contaminou (mesmo com uso de termos e discursos inteiros em português) as restantes línguas locais.
Tudo isto nos traz a convicção do seguinte: a capacidade de questionar o presente necessita de língua portadora de futuro. A necessidade de sermos do nosso tempo e do nosso mundo exige línguas abertas ao cosmopolitismo. África – tantas vezes pensada como morando no passado – já está vivendo no futuro no que respeita à condição linguística: quase todos africanos são multilingues.
Essa disponibilidade é uma marca de modernidade vital. O destino da nossa espécie é que cada pessoa seja a humanidade toda inteira.

(Crónica de Mia Couto, escritor moçambicano, publicada na edição de Abril da revista África 21)

"O destino da nossa espécie é que cada pessoa seja a humanidade toda inteira."

Mia Couto

QUE A MEMÓRIA SEJA VIVA,SEMPRE!


Caro Augusto

Que as auroras da liberdade floresçam sempre com cravos e papoilas, mas também emprego, justiça e dignidade, porque do modo que vamos, com a Itália num quase mussolinismo e Portugal com tanta vergonha e desonra, só com grande boa vontade se vislumbram as grandes esperanças de Abril.

Parece que as memórias dos homens se tornam de novo, tempo parado... Mas GRITAREMOS, para não deixar adormecer a esperança e para ensurdecer os ouvidos, dos que nos querem roubar a dignidade de sermos povo-cidadão, de um país que jamais se pode vergar ao MEDO e ao SILÊNCIO, para não acabar aprisionado ou morto de fome.

SOMOS PORTUGAL, CHÃO DE NOVO LIBERTADO EM ABRIL DE 1974. NÃO PODEMOS VOLTAR A SER POVO-DE-CÓCORAS, OU SEJA NÃO-POVO, MASSA INFORME DE CARNEIROS-ESCRAVOS.

NÃO! NÃO! NÃO!

NUNCA MAIS!

Em boa verdade desespero com tanta canalhice, cobardia, deserção e cumplicidade. Procuro não desistir, como outros, mas em relação a muitos desses outros falta-me a sua heróica coragem e fé no Futuro, mas darei mais um passo e mais outro, até…

Abraço
asilva

quarta-feira, 20 de maio de 2009

04 - A MEMÓRIA DOS HOMENS * Era o Tempo parado






E tanto por dizer ficou estrangulado
nas malhas do silêncio azul e da clausura!
Do risco de falar ao de ficar calado,
medrava em cada olhar o esgar duma censura.

Era o Tempo parado
dos altares pagãos
onde foi imolado,
por atávicas mãos,
o devir revelado.

Difusa, em cada esquina, a sombra desenhava,
na mancha que sangrava as pedras da calçada,
o desvario que, insone e plúmbeo, procurava
a brisa que trazia a nova perfumada.

Era o tempo parado
dos desígnios fatais
dum fantasma danado
a negar os sinais
do devir revelado.

Ah, meu amigo, e tu nos longes por haver,
ainda do silêncio infausto tão distante,
vivias, no mistério, a sedução de ser
um astro mais do céu, a lucilar, errante.

Era o tempo parado
da vergonha de nós,
no estertor resignado
e no medo sem voz
a render-se calado,


Chegaste, agora, são e salvo, e o tempo é teu!
Bem-vindo sejas! Vem, no tempo que em ti cresce,
ser mais um cravo-Abril, que o dia amanheceu!
E deixa-te orvalhar de auroras e floresce!



José-Augusto de Carvalho
19/5/2009
Viana * Évora * Portugal

terça-feira, 19 de maio de 2009

EU, CIDADÃO MILITAR, ME APRESENTO (II). CHEGADA AO TO DE ANGOLA



O - bolinha vermelha

UM FIM DE TIROCÍNIO TUMULTUOSO

O meu curso de artilharia recusou-se nos idos de 1970, a fazer um conjunto de provas desportivas no final do tirocínio, por quebra de promessas pelo Comando da Escola Prática de Artilharia. Fomos ameaçados, mas não fizemos as provas. Eu era o chefe de curso destes “heróis” ( E há para aí uns historiadores militares a dizer que o pessoal só tinha a consciência da dor física e da canhota – a querida G3).

Talvez aqui, ou talvez antes com as várias rupturas que fiz tivesse começado o meu 25 de Abril, embora, nesta altura, ainda acreditasse na Força e na Justeza do modo, como os superiores desígnios da Nação, eram realizados pelo Estado Novo.

Era nesta altura um humilde alferes de artilharia, que se apresenta, não era adivinho, nem nenhum génio militar. Era talvez um mediano alferes que em 1971 foi mandado para o TO de Angola para vencer a guerra.

Estava, mesmo, convencido que o podia fazer, porque os Alf Ribeiro Batista, António Pedro e eu próprio fomos durante muitos anos, antes da chegada do Amílcar Rodrigues à Escola Prática de Artilharia (desculpem a falta modéstia, coisa para que sou um pedaço voltado – quem confessa…-) os melhores instrutores de atiradores de artilharia, portanto, estávamos talhados só para vencer aquela guerra, conquanto o Pedro tivesse dúvidas, que eu não tinha, e o Batista já tivesse perdido um irmão na guerra.

De qualquer modo só podíamos ir fechar a coisa com chave de oiro, porque como por cá se dizia, a guerra estava ganha, como já o tinham dito em 1962, mas isto, então, não o sabia.


PARTIDA PARA O TEATRO DE OPERAÇÕES DE ANGOLA

O PENSAMENTO CHAVE: AMANHÃ, PODE SER DEMASIADAMENTE TARDE ( sobre uma imagem de cruzes de campas rasas ) estava fixo sobre a cabeceira da minha cama.



Parti para Angola, em Dezembro de 1971. A temperatura ambiente em Lisboa era de 13 graus. Eu, madeirense, estava todo encapotado, cheio de frio. A viagem foi nos TAM, (Transporte Aéreo Militar) muitas horas de voo, com o militar hospedeiro a entornar sobre o meu blusão de cabedal verde, o molho de um bacalhau, qualquer coisa - mau sinal ?!....


Chegada a Luanda. Um calor dos diabos, começa o striptease, e a sensação horrível que não havia ar para respirar, para quem já, então, sofria de sinusite, deu logo para entender que estaria “feito”, isto é, em maus lençóis. Passei uns dias nos Adidos com o Custódio Pereira, ele foi para o norte de Angola, eu para o Leste.


Fui colocado em Lumbala Velha, saliente o Cazombo, local das minas anti-carro, a carta de operações dizia-o. Cheguei a este fim do Mundo, a 21 de Dezembro, depois de viajar para o Luso e de uma viagem de avião do Luso para aqueles confins. A companhia de atiradores de artilharia já lá estava há meses.


Lumbala Velha estava situada na margem esquerda do rio Zambeze, no meio de um lindíssimo mangueiral, vivíamos em casas de madeira e dormíamos debaixo de mosquiteiros. Não havia água potável, e tomávamos banhos com os chuveirinhos de campanha que deixavam metade da sujidade. Estávamos isolados. Uma beleza ameaçada pela guerra.


Conhecia todos os graduados, de quem tinha sido o mestre, agora, eram eles os veteranos, e, eu, o maçarico. Coisas interessantes da vida dos Militares!… E uma grande prova de fogo e de verdade para quem foi instrutor e dos duros. Ganhei a alma e coração daqueles militares. Venci a maior prova dos nove a que um instrutor militar pode ser sujeito. Sabem os militares que é exactamente assim.


Logo na primeira noite eles quiseram dizer que eram os senhores da guerra. Durante a noite rebentou por tudo quanto era sítio uma fogachada tremenda, e ali, a regra era “fogo - cavar para os abrigos subterrâneos”. Com toda aquela confusão, escuridão e “cagaço” não dei com o caminho dos abrigos, e fiquei por ali, à beira de um colapso, ou de me borrar. Aguentei-me, nada mau!Os combatentes regressaram, tinha sido um falso alarme, mas era preciso estar atento. Não preguei olho mais naquela noite, porque os cães não se calaram durante todo o tempo, e depois ouvi sempre uns ruídos secos que me pareciam morteiros, mas como o meu companheiro de cubata dormia, que nem um anjo, fiquei sossegado.


Mais tarde descobri o sacana do mistério, eram as grandes mangas que ao caírem de maduras, esborrachando-se no chão faziam o car…. daquele ruído.Não fiquei muito contente comigo, afinal o que vinha para ganhar a guerra, ficou acordado por causa da porcaria de umas mangas. Para tanta “cagança” ( recordam-se este texto tem bolinha vermelha) era mau.

Alguns, mais filhos de uma mãe, há sempre gente desta, mas muito simpáticos, tinham bom olho clínico, e chamavam-me “Vaidade e Silva”. De facto tinha-a, considerava-me um aprendiz a grande cabo-de-guerra, talvez, um Rommel, admirava-o. Coisas, talvez sonhos, qiuçá?!...


Fui Comandar a companhia por baixa psiquiátrica do capitão que nunca conheci. Mais um sinal que queria dizer qualquer coisa, os capitães ficavam "cacimbados". (Todavia em 2008 nega-se a um capitão ter PTSD, porque fez tão bem a guerra e foi tão condecorado, logo não pode ter a doença dos fracos. Mas não é assim ….).


Recebemos, entretanto, a visita do Exmo. Sr. General Bettencourt Rodrigues. No encontro com o Sr. general disse-lhe que em termos tácticos estávamos a fazer tudo ao contrário, do que tinha aprendido na Academia Militar (AM), e do instruído aos oficiais e sargentos que agora estava a comandar.


Dava-lhe como exemplo o facto de transportar, numa zona de minas anti-carro, na viatura rebenta minas, uma velha GMS, dez ou 15 militares por falta de viaturas.Esperava uma frase histórica e galvanizadora de um general, recebi uma frase frouxa e burocrática, de que tínhamos de fazer a guerra com a escassez de meios que eu referia. Assim e só assim, um soco seco e mortal no estômago.


Não sabia,então, das negociatas com a UNITA, com esta a fazer a guerra por nós, podíamos passar ali umas férias, mas não havia bruxos. Foi este o meu baptismo, um frente a frente, sem tremer, nem pestanejar, perante um dos considerados Grandes Generais do Exército Português, então, não o sabia. Mas que pode saber destas coisas um alferes? Quase de certeza nada, mas fiquei vacinado, e esclarecido, isso sim.


Lumbala Velha era, de vez em quando, alvo de morteiros inimigos, pelo que, ainda, recebi um raspanete, porque um dos morteiros estaria mais chegado do que devia ao arame farpado, o que, para mim artilheiro, não era, assim, tão importante, como não fora para o capitão, mas como este tinha baixado à Psiquiatria, a sua organização do terreno e defensiva deveriam ter merecido depois cuidada atenção, que eu alferes, cheio de teoria e tino, não dei. Coisas!….


Depois deste encontro recebi guia de marcha para outra companhia do Batalhão, no Cavungo. Achei estranha a coincidência, mas como a minha tarefa era ser adjunto do comandante de companhia, acabei por achar que isto tinha alguma lógica.


Fiz por Lumbala algumas operações, cacei. Éramos reabastecidos por avião, quando não havia voos, faltavam os frescos, e, assim, para consoarmos em 1971 tivemos de caçar, caso contrário, seria arroz com salsichas.


Dei aulas regimentais, preparei fisicamente a equipa de futebol, tive de fazer frente a um soldado, o Sá, que ameaçava de morte toda a gente, talvez tivesse Stresse de Guerra (PTSD), mas ao confrontá-lo com o meu, ele deve ter considerado que o meu era pior que o dele, e passou a comportar-se bem. Enfim coisas!...


Gostava de estar com aquela malta, detestei a saída, e amaldiçoei a minha sorte. Depois de evitar a partida, lá tive de enfrentar a realidade e o 2º comandante que passo a apresentar:


Dia de Reis, 6 Janeiro 1972 " Farrapo de memórias:“


"Levantei-me pelas 8h, para ir falar ao 2º Cte do Batalhão, homem antipático, e muito pouco inteligente. Uma das grandes e muitas aber…… do nosso Exército. As suas primeiras palavras de boas vindas foram um raspanete (continua a ter muitos seguidores, exímios seguidores, brilhantes mesmos) por causa de não nos termos apresentado a sua Exa., aquando da nossa chegada na noite anterior.” ( extracto do diário)


Adeus Lumbala Velha. Até amanhã companheiros no Cavungo.


andrade da silva
Fim do 2º texto