segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

GOVERNANÇA DE ESQUERDA E BORDA FORA COM O NEO-LIBERALISMO




A alternativa de esquerda ao neo-liberalismo é, de um ponto de vista IDEOLÓGICO E POLÍTICO, MUITO CLARA. O PS tém-se colocado sempre à defesa do capitalismo internacional e dos interesses dos poderosos em Portugal, pelo que, deixou de poder representar, nas actuais circunstâncias, a garantia da estabilidade social.

É certo que um neo-liberalismo de natureza tão aviltante como o do PS ou do PSD, é suportável na Inglaterra, Alemanha, França não o é, todavia, entre nós, pela exiguidade da economia portuguesa e pelas semelhanças do nosso estado de coisas com essas tristes democracias africanas.

Antes que as grandes massas se apercebam da dimensão da crise de valores e da sistemática mentira que lhes é transmitida, é preciso a refundação do partido socialista, ou a constituição de um novo partido socialista/ social-democrata que caracterize com toda a evidência, os actuais secretários gerais do PS e PSD, como neo-liberais responsáveis com todos os demais neo-liberais, nomeadamente o Sr. Barroso, pelo descalabro da economia Nacional e, no caso, do Sr. Barroso pelo internacional, face ao manifesto e incondicional apoio que deu às politicas escabrosas do sr. Bush , o que apressadamente procura, agora, esconder.

Neste contexto de elevado risco para a democracia portuguesa muitos, imensos democratas, com redobrada energia, espírito de liderança, convicções fortes e motivação transcendente têm de avançar para uma alternativa de governo que quebre o rotativismo neo-liberal , apresentando um programa alternativo às politicas contra os trabalhadores e a classe média-média que os sucessivos governos do PS e PSD têm praticado sistematicamente.

O tempo é muito urgente, pelo que a determinação, a energia e as decisões não podem ser adiadas, nem jamais uma alternativa de Esquerda pode nascer de ambiguidades ou jogos de magia que queiram fazer a partir de partidos existentes um novo, mas igual, ou mesmo, ainda, mais igual ao seu progenitor, com base em mais valias pessoais de dadas individualidades históricas, sejam elas: Manuel Alegre ou Carvalho da Silva, ou outros.

Asilva

3 comentários:

Marilia Gonçalves disse...

POR ONDE ANDA O POETA
Esqueceu Adriano, seu amigo e seu cantor?
Esqueceu que amigos mais?
Esquecido talvez de si, desse immenso POETA que é! que do poeta tudo esperamos! PRINCIPALMENTE QUE A DOR O SOFRIMENTO DO Povo de Portugal? SEJAM MOTOR TÃO PODEROSO que o façam voltar à fonte de seus versos!
Poeta Volta a ti e a merecer o teu Cantar!!!

Marilia Gonçalves ( a filha de teu amigo!)

As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre, O Canto e as Armas, 1967

Marília Gonçalves disse...

a força é a VOZ do POETA!!
Marilia

Poeta Castrado, Não!

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
--- é tão vulgar que nos cansa ---
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
--- a morte é branda e letal ---
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
--- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
--- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

José Carlos Ary dos Santos

Jerónimo Sardinha disse...

Caro Andrade da Silva,

Quando li o teu "escrito", fiquei com ganas de uma resposta de arrobo!

Ao entrar aqui, dou de caras com os comentários da nossa querida e Marília e...
depois os ler, que mais poderei eu acrescentar.
Apresenta-nos dois dos nossos mais ilustres expoentes de resistência.
Se um nos tem desiludido sistemáticamente, negando em tempo e compromisso, o que poderia ter sido um "auto de alevante", o outro, precocemente desaparecido, finca as certezas do seu ser na resistência que os tempos modernos impõem e a que certamente, tal como nós, daria combate e resistência acérrima.

Bem hajam os dois!
Pelo artigo e pelos comentários. Ímpares.

Grande abraço e melhoras para a Marília,
Jerónimo Sardinha