sexta-feira, 6 de novembro de 2009

CARAVELA E CASQUINHA


CARAVELA E CASQUINHA MEUS QUERIDOS COMPANHEIROS.
MÁRTIRES DE ABRIL.
QUEM VOS MATOU E PORQUÊ?
ERA TÃO JOVEM E FOI EXECUTADO POR CAUSA DE UM SONHO.
Quando foram assassinados era ministro da administração interna (interior ?) o Cor. Costa Brás, primeira-ministra a Eng. Lurdes Pintassilgo, uma mulher, uma católica progressista, mas o que valeu a este jovem e à sua familia? Era Presidente da República o Sr.Gen. Ramalho Eanes.
Porque calam a dor e a revolta por este sangue derramado, quando entre 25 de Abril 74 e Novembro de 75, apesar de todas as convulsões sociais no Alentejo ninguém sequer sofreu um arranhão. Será que alguém quer saber porquê?
Será que alguém quer saber que os militares comandados por uns tenentes malditos estavam postados às portas de alguns latifundiários, como o Sr. Vacas Nunes de Montemor, noite dentro, para que não lhes acontecesse nada.
Mas que país é este que não se importa com nada, nem com o terror no Irão, com a desculpa que está muito longe (estará mesmo?), nem com a sua história, porque está morta?
Há futebol, telenovelas e encenação a esmo no parlamento, é um enjoo. Continua a rodagem do mesmo filme de má qualidade, em cena nos últimos 4 anos, um fastio. Só mesmo em Portugal, mas há sardinhas no verão, chuva miudinha no Inverno, jeropiga em S. Martinho, e, porque amanhã nascerá o Sol e verei a bela face da Lua amo Portugal.
PORTUGAL!

À familia e a todos os alentejanos um forte abraço solidário de Abril , e a expressão de uma total revolta por esses crimes e muitos outros que Novembro contra Abril trouxe, e pelos tempos de corrupção, mentira e impunidade que correm hoje
.

andrade da silva

7 comentários:

Anónimo disse...

Caro Andrade da Silva,

Sucumbida pelo seu texto, não tenho palavras a não ser que compreendo a sua revolta e mágoa pela falta de memória. Não só colectiva, como , muito possivelmente,também por parte dos latifundiários que protegeu com risco da sua própria vida.
Lamentavelmente parece que ninguém aprendeu nada.
Aos seus Companheiros Mártires de Abril: Caravela e Casquinha expresso a minha solidáriedade póstuma e associo-me à homenagem que lhes é prestada na Biblioteca Municipal de Momtemor.
Amigo abraço
Maria José Gama

Young Cannibal disse...

Olá João
Pois é, quem anda à chuva molha-se. Mas o horror é quem não anda à chuva e seja vilmente morto, só porque estava no sítio errado à hora errada, sem nada ter com o que se estava a passar. Refiro-me ao casal de namorados que foi metralhado na Encarnação, às portas de Lisboa. O esquecimento é a sua lápide. Alentejo sem pinga de sangue? Não sei onde estavas, quando na estrada que ligava Grândola a Lisboa, fui obrigado, por uma turba de meter medo, armada de caçadeiras como se fossem fazer uma batida aos coelhos, enquadrada por militares, a parar o carro, obrigado a sair violentamente da viatura, ajoelhar-me na estrada, ficar a ouvir todo o cardápio de impropérios, só porque era lisboeta, enquanto, sem o mais pequeno respeito, devassavam o carro que, quando verificaram que não tínhamos nada que me pudesse “incriminar”, um deles urinou para dentro dele. E os militares a verem!
Um abraço
Augusto Dias

andrade da silva disse...

Augusto

Quanto à defesa de um crime estamos falados.

Condeno todos os crimes, mas há uma diferença abissal entre vandalismo e assassinato. Não sei se compreendestes que o rapaz, era um rapazinho de 17 anos. Tu aos 17 anos não andavas à chuva? E se te tivessem morto, que dirias lá dos céus, o mesmo que estás a dizer agora? Duvido. E se ele fosse teu filho? Que dirias e que crime estavam a cometer?

Em todas as datas estive na rua com os militares, sob o meu comando e com o meu conhecimento ou consentimento ninguém praticou actos de vandalismo, mas os carros foram obrigados a parar e a serem revistados. Trabalho feito por militares, mas se te urinaram no carro essa gente nasceu no regime anterior ao 25 de Abril, eram os selvagens que tinhamos.

já agora fui insultado violentamente por um homem que ia para uma consulta e vinha com um saco a tiracolo para onde urinava, o que me impressionou muito e sem uma palavra escrevi um papel para lhe darem prioridade em todas as barragens. Estavamos no 28 de Setembro. mMs as baragens surgiram por causa do levantamento da extrema direita -a causa, sabias?

Quanto a mim e outros nunca fomos deuses, só estavamos num e num só sitio, o que te disse é onde eu estive e, onde estava na rua entre as 8h e as 24h não houve um arranhão. Tira as tuas conclusões.
obrigado

Cara Maria José

Obrigado pelo bálsamo das suas palavras. Falo de amor e obviamente que condeno todo o fim trágico de namorados, sobretudo de jovens e ainda por cima namorados, o que no meu caso tem um significado partiular, sendo alguém que tão facilmente se enamora.
abraços
asilva

Marília Gonçalves disse...

Caro Companheiro Andrade e Silva
não pode com certeza ignorar o meu ponto de vista quanto a assassinato de resistentes e lutadores. Mas este caso, o que tantas vezes narra, por dor, sobre seus companheiros, tem nele a trágica contradição de ser apôs a nossa Revolução!!
Mas quero aqui deixar bem patente que estive com meu pai e amigos e marido,nas barricadas do 28 de Setembro assim como nas do 11 de Março, não fizemos mal, nem ofendemos ninguém, a nossa única vitima do 11 de Março foi um arbusto que no decorrer da noite fomos queimando para nos aquecermos, estava um frio de todos os diabos perto da costa algarvia. Pelo contrario tive sempre o cuidado de tranquilizar os ocupantes dos carros que revistàmos dizendo que nao estàvamos ali para fazer mal a ninguém e que apenas controlá vamos o conteudo dos veículos
Mas como o Companheiro diz e bem os excessos, mesmo os crimes advêm de que a Revolução não foi varinha de condão que transformasse brutos em seres humanos dignos!
o meu abraço para si e para todos os que partilham o Espírito de Abril!
Marilia Gonçalves

andrade da silva disse...

Marilia

Não ignoro nenhum ponto de vista, nenhum. Falo muito deste caso não só porque convivi com estas pessoas vivas, bebi um copo e comi chouriça com eles, estive nas suas casas, mas porque em nome do MFA e de Abril e por incumbência da Instituição Militar,(eu marchei para as acções da Reforma Agrária com guia de Marcha) falei-lhes do dia Novo e o jovem sonhou e foi assassinado já no dia inteiro,o que ainda é mais grave.

Nas barricadas onde estive quem foi insultado e muito fui eu e os militares por alguns, mas ninguém dessa gente foi detida, humilhada e muito menos levou um tiro ou uma coronhada. Num circulo de 50, 100, 2oo m do ponto, onde, me encontrava foi assim, e, assim, devia ter sido por todo o raio da terra, onde, foi diferente houve erro grave, e foi pena, e quem matou por dá á aquela palha FOI,É E SERÁ UM ASSASSINO,ponto.

abraço
asilva

José-Augusto de Carvalho disse...

Boa noite!
O leitor Young Cannibal/Augusto Dias confunde vandalismo com uma acção desastrada da GNR, a 27 de Setembro de 1979, nos campos de Montemor-o-Novo.
Nas barricadas, onde tb estive, nada vi de censurável por parte dos militares e dos populares.
Aliás, a História do 28 de Setembro de 1975 está feita.
Não entender o que se passou ou estar do lado errado da História é questão diferente.
José-Augusto de Carvalho

Anónimo disse...

Ao meu Camarada de armas Andrade da Silva

Obrigado!
Obrigado pela tua verticalidade.
Não poderias de deixar de ser outra coisa como sempre foste, um bom companheiro de Justiça, mesmo enfrentado as vicissitudes e as partidas que a vida nos prega.
A todos quanto visitam este Blog, gostaria que um dia conhecessem este HOMEM de HONRA que eu um dia tive de o ter como companheiro durante uma passagem da minha vida.
Há muito tempo que não te via, há poucos dias tive o grato prazer de te voltar a ver e sentir a tua honestidade de sempre.
Aos que aqui escrevem (No Blog), penso que nem todos conhecem pessoalmente o A.Silva,comunguem com ele pessoalmente e verão a sua verdadeira essência humana.
Obrigado por me teres convidado a este Blog. Aos Deuses, obrigado por nos termos reencontrado.

João Artur