quinta-feira, 2 de junho de 2011

SEM EMPREGO,SEM PÃO E SEM HABITAÇÃO.







Vive-se ao nível dos jovens e dos idosos uma situação de emergência e de crise moral e civilizacional, o que, exige medidas de emergência, para evitar que nos próximos 5, 10 anos, se esteja numa situação de caos e tragédia, a lembrar os tempos do principio do século XX, e não o suave regresso a 2004, como se vai propalando.


Os jovens, de facto, estão sem emprego, só o conseguem no mercado dos precários que não lhes abre portas para coisa nenhuma, nem para arquitectarem um projecto de vida, nem para terem qualquer perspectiva que amanhã terão pão para eles ou para os filhos, e, mais grave no momento actual, porque são precários não conseguem nenhuma habitação, não têm rendimento disponível para alugarem uma habitação, e não dão garantias de solvência para que o banco lhes empreste dinheiro, logo,ou dormem na casa dos familiares, ou na rua.


Para a atenuação desta crise económica, financeira e sobretudo moral, desde 2009, ando a propor, através do quase manifesto também aqui publicado a criação de um Fundo Nacional, que se pode iniciar em redes locais, para evitar as tragédias. Mas nenhum militante de nenhum partido, ou outra qualquer instituição dos que por aqui passam, agarram a ideia e levam para os seus partidosou instituições. Atitude que é muito trágica e cínica, porque, entretanto, os jovens e os idosos vão caindo na rede da exclusão e da pobreza, e até que a sociedade mude, muitos vão ser esmagados, mesmo que venha a mudar no sentido do amor e da paz!?...


Compreende-se que, em algumas centrais do poder, se espere pelo desespero dos jovens para que isto tudo rebente, o que, pela mistura explosiva, caótica e desencontrada de projectos no seu seio, pode não resultar em mais e melhor democracia, como de um modo algo ligeiro defende o Prof. Boaventura Santos, fazendo alguma confusão entre democracia na Europa, e o que intitula de democracias latino- americanas. Há diferenças e que diferenças.


Há, como se nota, várias tentativas para aprisionar os movimentos de jovens, desde logo:


I- O sistema vigente representado pelos poderes estabelecidos que procuram dar um dado ar de compreensão por esses movimentos, induzindo-os naquelas mudanças que são sempre para que tudo fique na mesma, estão neste caso os discursos do Presidente da República,o comportamento de outros políticos e outras conversas com avós deste desastre. O 25 de Abril que ainda sobreviveu na Constituição foi o PREC. O 25 de Abril sem PREC seria um mero golpe de estado, um 28 de Maio democrático, ponto. Há muita gente que não percebeu isto, mas que fazer?


II -a extrema-direita com algumas vantagens: aguerrida, o nacionalismo e a culpabilização de que foi a democracia que nos conduziu para a tragédia, mas como são totalitários perderão a sua face e o seu encanto, são dirigistas e a juventude gosta de liberdade etc.


III - a esquerda aguardando as condições objectivas e subjectivas para... mas tem com algumas dificuldades, porque tem de demonstrar e deixar muito claro concretamente que modelo de sociedade preconiza, como se vive nesse modelo e em aliança com quem, e como se captam os recursos financeiros necessários a um dado estilo de vida, o nosso, que precisa de ser alterado, para passar do consumismo compulsivo, ao inteligente e saudável, mas não destruído. Também debate-se com a questão do dirigismo e a falta de osmose com a sociedade, não na perspectiva de cima para baixo, mas de baixo para cima, e na dimensão horizontal com o povo e não para o povo.


IV- outras forças desagregadoras ao serviço dos donos do mundo que esperam pelo que caos, para melhor poderem governar os desgraçados.


Todavia, enquanto todas estas correntes e outras evoluem no terreno, e ainda novas aparecerão, as centrais do capitalismo para além da força vão jogar com as armas simbólicas, a alienação e a sedução, poderosíssimos engenhos, é preciso AGIR NA CONJUNTURA. É PRECISO, NESTE AQUI E AGORA, SALVAR MILHARES DE JOVENS DE DEIXAREM DE PROCRIAR e VIVEREM.


Este problema é actual, é uma emergência a exigir um 112 social, isto é, tem de se abrir na Caixa Geral de Depósitos uma linha de financiamento para a habitação aos jovens, que pode e deve ter a forma de FUNDO SOCIAL DE GARANTIA À NATALIDADE COM APOIO À HABITAÇÃO, ALIMENTAÇÃO E EDUCAÇÃO DOS RECÉM-NASCIDOS. Fundo a constituir-se pelo ESTADO E A SOCIEDADE CIVIL.


Não agir e continuar a discursar sobre as virtudes da verdadeira democracia é uma atitude cínica, porque estes jovens e outros idosos estão a ser aqui e agora FRITOS, e dentro de 5- 10 anos estão esturricados, dando-se um lapso grande na continuação do tecido social, por completa ruptura na natalidade. Será que não vêm isto, para a além da frustração de toda uma juventude no período de vida, em que podiam ser mais produtivos?


É evidente que esta situação só se resolverá com mais desenvolvimento económico-social e cultural, mas qualquer input nestas áreas levará anos a dar frutos e, consequentemente, é preciso agir para salvar da exclusão os jovens e os idosos actuais.


Que se façam acampamentos por tudo quanto é sítio, marchas com objectivos bem definidos, de emergência e realizáveis. A classe politica não sairá, nem pode sair toda ao mesmo tempo, e o povo só segue quem der sinais que tem força para vencer. Milhões de portugueses e europeus esperam esse sinal, mas tem de ser um sinal forte com cabeça tronco e membros e com grande probabilidade de vencer.


Uma vez mais, e outra vez de novo, o povo estará na rua, quando este sistema de corrupção, má governação se desagregar. Já quase ninguém o suporta, mas ninguém vai atrás de nuvens.


Todavia, mantém-se a emergência Nacional ao nível do emprego, do pão e da habitação, ao nível da habitação dezenas de empresas já não vendem uma casa há mais de um ou dois meses, não por falta de compradores, mas por falta de crédito. Facto grave, quer no presente, quer no futuro. Todos os que têm a casa já paga, sabem que é um investimento fundamental para a velhice, com a deterioração das pensões.


Agora, dizem-nos que não, porque querem que os trabalhadores andem com a mochila às costas, e querem ter mais liberdade para despedi-los sem afectar a banca. Um trabalhador em casa arrendada pode ser despejado com toda a facilidade. A central inteligente deste capitalismo de desastre tem tudo pensado, e beneficia da falta de visão de muita gente, até quando?


Jovens afastai-vos dos cínicos, segui o vosso caminho, actuai na conjuntura, sem descurar o que é estrutural, mas sem perderem tempo. Para quem tem 25 ou 70 anos, as soluções são uma URGÊNCIA SOCIAL E HUMANA.


andrade da silva

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