sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

COMPORTAMENTO ÉTICO - A SALVAÇÃO DA DEMOCRACIA. NÃO HÁ ALTERNATIVA.




Como já disse e repetirei até  à exaustão não me sinto responsável, como cidadão política, económica e moralmente pelo actual   estado de coisas, que desde 1990 denuncio com muita insistência.

 Nunca hipotequei o meu rendimento disponível, para além da recompra de metade da minha casa, um T2, de 3 mil contos, a preços de  1985,  depois de quase a ter pago por incidentes da vida, e sempre pautei os meus comportamentos  profissionais e pessoais pela ética do servidor público, isto é, não delapidei, contrariamente, administrei com parcimónia   os recursos postos à disposição  dos órgãos que dirigi, e nunca desviei em meu benefício um tostão ou um cêntimo, ou qualquer influência, ou objecto material ou imaterial, isto é, nada, absolutamente nada, obtive para além do  meu vencimento, ( injusto) com o qual, pelo contrário, por vezes paguei  coisas que os serviço deviam ter suportado.

 Todavia não concordo é com acusações míopes, a deputados ou outros,  pois que  a questão central na vida pública, empresarial e mesmo ao nível mais elementar dos cidadãos são os valores, nomeadamente, o comportamento ÉTICO, só este  pode gerar confiança, e só com confiança entre governantes e governados podem manter-se as democracias, e, aqui, repito com Eduardo Lourenço, se o movimento dos indignados fosse consequente a Europa e a América já estavam a arder, e, com Boaventura Santos,  digo são precisos novos dirigentes. Os actuais estão a asfixiarem – nos e  a conduzirem-nos para uma morte lenta, e, é nesta perspectiva tão grave que quando vejo propostas mesquinhas me revolto, como as de querer responsabilizar os deputados ou mesmo outros políticos por tudo.

 Julgo sim que todos os servidores da Republica têm de estar sujeitos a um mesmo código de ÉTICA e não só os deputados, se é verdade que  leis gerais são só eles que fazem, mas  decretos e portarias faz o governo e nas câmaras também se criam normas, editais que favorecem as vereações, e na Madeira até nem se respeita a lei das incompatibilidades dos deputados, ao que acresce que se as leis podem ser mal feitas de propósito, ou até não se fazem  as leis para combater a corrupção, esta existe como uma prática na sociedade  que pode  relevar da falta de leis que a combatam,  mas também terá como móbil fundamental a falta de ética dos vários agentes e dos cidadãos, em geral.

 Face a isto, interessaria sim, por um lado, a constitucionalização   de um preceito ou instituto constitucional para todos os titulares de órgãos de soberania,   do poder central e local que objectivamente criasse normas éticas e sanções  administrativas para a sua violação, para além das judiciais, sendo  que estas, entre nós não funcionam, e, por  outra, muito mais importante,  a difusão geral ao nível da formação dos cidadãos da importância da moralidade e da ética, valores que estão atirados para debaixo dos tapetes da maioria das casas portuguesas.

Numa palavra cidadãos ou grupo de cidadãos deveriam apresentar propostas e actos consistentes  com objectivos a atingir, para  não andarmos sempre atrás de coisas coxas, míopes de um verdadeiro andar em círculo, como tem sido em grande parte os movimentos de contestação, que reúnem muita gente para dizer que isto está mal e muito menos para dizerem que mudança querem.

Temos de ser éticos, objectivos e claros de todas as pessoas que se reúnem aos milhares nas ruas só uma parte delas tem uma proposta de mudança alternativa global que são os militantes do PCP. Militantes que são acompanhados por muitos outros milhares para tentarem corrigir os erros e mesmo crimes destas governanças, mas não  são defensores do mesmo paradigma social e politico, e, aqui, reside a questão se os Governos caírem nas ruas, onde está  a alternativa que mobilize maioritariamente o povo?

 Não havendo uma alternativa mobilizadora e global  a história diz o que se segue: REVOLUÇÃO/ CONTRAREVOLUÇÂO,   REVOLTAS, CAOS, GUERRA CIVIL, OU DITADURAS.

Também sabemos que nada será feito ao mesmo tempo por 100% da população, sobretudo no caso da portuguesa que é  muito idosa, conformista e muito guiada pelos humores dos ditadores. A mudança  será sempre motivada por  um grupo de liderança que servirá de fermento e de ignição à explosão social, mas esta será tanto mais profunda, democrática e digna, quanto mais ético e próximo do povo, pela  sua audição, estiver aquele grupo de liderança.  

Na minha opinião este é o desafio, o resto é mais do mesmo, ou pior do mesmo, como, aliás, se tem visto.

 Sociológica e politicamente neste jogo de espelhos todos percebem, porque se quererá dizer que  há outras leituras, claro, sobretudo as que mais servem os interesses parcelares de grupos organizados e motivados para a tomada do poder, sem  ter como móbil fundamental PORTUGAL E O POVO PORTUGUÊS e a sua ligação umbilical a todos os povos do mundo.

E uma vez mais cai o pano e o silêncio, e uma vez mais se fica mais próximo da tragédia, por falta de LIBERDADE E DIGNIDADE/ÉTICA.

andrade da silva


PS: É muito interessante verificar que muito tempo depois de falar destes e de outros assuntos recebo dezenas e e-mail´s a dizerem o mesmo, como se fosse novidade, isto mesmo está a acontecer  agora com chinisação da Europa, de Portugal e do Mundo do que já falo desde 2008, neste blogue.  Interessante

2 comentários:

Belos e Malditos disse...

são precisos novos dirigentes, novas cabeças não afectos a religiões, ou politicas totalitárias. acredito que o PCP vteve o seu tempo com Alvaro Cunhal, agora essa política não faz qualquer sentido. também não vislumbro qualquer outro partido político a fazer face a este governo, antónio josé seguro é um fantoche que toma o peq almoço com o coelho, até penso que combinam "jogadas" entre os dois.

ps e psd são os "amantes regulares", isto é, raramente estão desavindos, combinam estratégias entre eles. os chamados "dissidentes" da ala esquerda do partido socialista, são o fogo fátuo, sem força para actuar. não existe qualquer comportamento ético ou valores de cidadania entre a maioria dos deputados, eles não nos podem inspirar confiança,na medida em que são os respectivos partidos, em reuniões nas sedes, que deliberam a actuação dos deputados na assembleia, como muito bem deve saber. não estão ali para defender o povo, por isso governo e representantes do povo estão ambos a conduzirem-nos para uma morte lenta.

não consigo entender como políticos que prometem isto ou aquilo, vêm sucessivamente,desmentir as suas promessas feitas apenas no dia anterior, isto já não é de hoje nem de ontem, por isso não me me considero ofensivo para com o povo, ao afirmar que o povo é estúpido e, por isso, tem o governo que merece.

há 10 anos que os erros de sucessivos governos levaram-nos a esta morte lenta, com o povo, ceguinho, a votar naquele que mentia melhor. programas de partidos sempre passados a papel quimico, promessas não cumpridas, o Portas e as feiras, o Cavaco e os reformados, etc...

orgãos de soberania, quando já não existe soberania? proximamente seremos apenas, uns tipos ali do sul da europa, cuja identidade se perdeu, porque o seu povo, de marinheiros, capitães de abril e descolinazões selvagens, se tornou naquilo que sempre foi: desinteressado, bronco,iletrado, pobre, dependente de outros, esperando a salvação através de outros que não ele próprio. um povo sem espinha dorsal, um povo que não consegue lutar, mas espera sim que outros façam o trabalho que ele. povo que deveria começar a pensar FAZER. já vai sendo tempo que os portugueses aprendam que não há ninguém que os possa salvar, para além deles próprios. e não vejo qualquer alternativa: esse combate terá de ser feito nas ruas, indignados, ou não, tem de ser feito.

andrade da silva disse...

Pois este é o nosso problema, só que desloco mais o centro da nossa tragédia para a falta de lideranças do que para menos capacidades do povo, os povos não mudam muito de um lado para outro,o que faz a diferença são lideranças.

sim o PS de António Seguro,está seguramente perdido em combate, sem norte,sem chama e isso só complica tudo e mesmo a luta da rua que é de mais, muito mais de contestação do que de construção. Contestar é universal, construir são projectos
parcelares.logo... sem O PS na luta ou uma orça emergente que o substitua mobilizando os indiferentes e os socialistas a coisa fica preta, mesmo que o governo venha a cair por pressão da rua, ou por outras polémicas mais laterais.