segunda-feira, 17 de novembro de 2008

OBAMA ENTRE A AURORA, O IMPÉRIO E O CAOS




DECLARAÇÂO: “Admiro mais Spartacus do que os filósofos Sócrates e Platão,
porque aquele descobriu a indignidade da escravatura e os
grandes pensadores não. Conheço as explicações. Mas não as
aceito. Será ridículo e estúpido, mas é assim.


Admiro ainda Jesus Cristo, Mandela, Ghandi, Camões, Bocage e a
coragem de D. Afonso Henriques e a do Tenente Machado dos
Santos, e ainda o sacrifício dos que, com as suas vidas, libertaram
Portugal da Realeza e do fascismo, destes últimos, somente os
generosos que nunca sonharam, ou quiseram qualquer ditadura.


Isto para dizer que não partilho de nenhuma Obamania, ou de
outra qualquer obsessão, por quem só falou, mas fê-lo de um modo
diferente e o Mundo ouviu, quiçá, de um modo ainda muito mais
d iferente e interpretou as atitudes e os discursos de acordo
com os seus desejos mais fundos, e é desta realidade que quero
falar em termos sociológicos, políticos e psicológicos”.




Obama é, segundo a minha opinião, o Homem que desde há muitos, muitos anos, mesmo, tem as melhores condições políticas, comunicacionais, semióticas e psicológicas para ser um fundador de uma nova filosofia de ser cidadão e de exercer a cidadania, quer na circunstância de líder, quer na de liderado.

A sua vitória significa, em primeiro lugar, um profundo desejo de humanização dos métodos mais brutais do capitalismo, num momento inicial ao nível da América. Mas se Obama e os que o acompanham descobrirem a dimensão mais sublime da natureza humana que é dar-se ao outro, ultrapassará, por certo, a dimensão caseira e lançar-se–à na liderança planetária, guiado pelas bandeiras do desenvolvimento, da paz, da igualdade de direitos, da fraternidade e da liberdade.


A afirmação de retomar os princípios constitutivos dos EUA, quanto à defesa das liberdade dos povos, para ser consequente, tem de promover e estimular a igualdade, eliminando em muito a desigualdade que, nas actuais sociedades, a condição de nascimento do pobre determina, convertendo a liberdade num artefacto sem conteúdo, ou seja, de um modo imoral, inaceitável todos são livres, mas alguns só conhecem esta liberdade para morrerem de fome e doença.


Para quem morre de fome, disenteria de muito pouco lhes serve serem livres, quando a sua situação é em termos de sobrevivência pior que a dos escravos no esclavagismo.


Objectivamente são múltiplos os sinais de que se Obama quisesse poderia quase ser o fundador a nível Mundial de uma nova religiosidade amigável, por oposição à da violência, para a promoção da bondade e do belo. Contra esta transcendente força, se mobilizada, nenhum dos actuais governos de pigmeus se atreveria a opor. Procurarão sim, por todos os meios, instrumentalizar Obama para a preservação do império, o que se for recusado poderá conduzir o Presidente eleito dos EUA à situação de mártir.

Todavia a teia e a alcateia dos interesses capitalistas e dos grandes banqueiros não deixarão de tentar executá-lo se sair das malhas, e talvez o façam de um modo menos evidente do que com Kennedy. Se a Tragédia acontecer será com um processo bem mais familiar e muito mais difícil de se atribuir a um atentado.


Mas para Obama vir a ser este líder, como julgo que pode e os sinais são muitos, a revelarem as condições objectivas e únicas para isso, é importante que os melhores entre os melhores o acompanhem.

Sabemos de um modo indiscutível que a história é feita muito das circunstâncias objectivas, mas alguns autores individuais, quando querem deixar a sua marca no devir, mudam páginas e livros da história secular, foi já assim na China, e na Rússia, entre outros países.


Resta saber o que realmente quer Obama fazer, porque o que pode, segundo a regra das probabilidades, todos sabemos, seria continuar o Império, mas isto também pode não querer, e, ainda mais, pode ser estimulado a não querer, e ser contrariamente apoiado para mudar a América e o Mundo, para o que será determinante que se reúna de pessoas como Hillary Clinton.


Será também imperativo que as pessoas bondosas e sábias se aproximem dele, muito antes dos grandes banqueiros, do governo universal do Mundo e de personagens, como Durão Barros. Se estes chegarem primeiro e o instrumentalizarem, podemos, então, assistir à mais tenebrosa descida aos infernos.

Obama pode ser o fundador de algo que ultrapassa muito a esfera do politico, e projecta-se na do sagrado, do imaginário, do psicológico, pelo que se quiser e não o matarem, ou instumentalizarem no sentido da preservação do Império, o mundo pode estar no limiar da humanização do capitalismo, ou mesmo de uma nova era. A história oferece-lhe possibilidades que vão muito para além do que uma pessoa mediana pode realizar. Só um ser de excepção estará à altura dos desafios com que o mundo interpela Obama e todos nós.


Será Obama este cidadão Universal que o novo milénio precisa, espera e até já se cansa de esperar, podendo mesmo entrar em caótico desespero?


Não há Messias, mas há homens com condições objectivas e subjectivas particulares para no pensamento ou na acção darem novos dias e possibilidades de Governança ao Mundo. Temos pensadores como Marx e homens de Acção, como os Fundadores da América. Obama saberá ou, sequer, quererá aproveitar este Mundo quase a seus pés para a construção da bondade e da justiça?


Penso, no entanto, que se Obama não se arrojar nesta possibilidade da transcendência, e ficar pela mediania rotineira da gestão do Império, então, a politica dificilmente terá salvação, e cada vez mais se assistirá à descrença Universal da democracia, dos homens e das Instituições, o que, tornará o Mundo num campo cada vez mais pocilga, profícuo à prática da barbárie, da tortura, da exploração dos países do sul, conduzindo milhões de homens para o mais profundo desespero que se não for organizado no sentido da superação desta realidade social, conduzirá multidões à turbulência caótica, violenta e cara em vidas, mas sem outros resultados que não sejam os genocídios, por ora limitadas, com a nossa cumplicidade, ao sacrificado continente Africano.

Pode o seu sangue impulsioná-lo para um papel só comparável ao dos grandes lideres da História na área politica, mas também filosófica e religiosa, e, se assim for, estaremos no dealbar de uma nova aurora da civilização. Se Obama limitar-se a seguir a rotina da defesa do Império tudo fica adiado para um dia no futuro, através da luta sofrida de milhões.


Mas se ainda quiser explorando a sua vitória no plano sociológico e psicológico, e usando a manipulação aprofundar mais, e mais, as crueldades do capitalismo e do Império, então, vamos descer aos infernos, e a luta, pelos Direitos Universais do Homem e pela correcção das disfunções capitalistas, será ainda mais difícil, porque, apesar dos muitos erros e contradições que cometa, Obama será amado com paixão por muito tempo, e até que os olhos vejam os erros de quem se ama, muita dor acontecerá.


Na minha perspectiva o mais belo e importante seria que Obama olhasse um Mandela, um João XXIII, um Luther King e um Gandhi, e voltasse a pôr em todas as agendas internacionais a defesa dos direitos humanos e da vida da Terra como prioridades fundamentais e indiscutíveis, e que todos os prevaricadores fossem declarados inimigos da humanidade, e como tal julgados e condenados no plano moral, social e jurídico, pelo tribunal da opinião pública mas também pelo Tribunal Penal Internacional.

Sei que é pedir demais a um homem, mas ele pode connosco operar esta mudança que o 3º milénio deseja, espera e pode alcançar.

Porém se tudo falhar nos EUA, que, pelo menos, entre nós, em 2009, se quebre a maldita cadeia do rotativismo e da semi-democracia neo-liberal em que temos vivido, após o 25 de Novembro de 1975.


Que com força se mude a Governança no sentido da JUSTIÇA SOCIAL, DA LIBERDADE, DA FRATERNIDADE, DA PAZ, com novos autores individuais e colectivos.


Que a opinião pública não capitule e que os democratas não permitam que os partidos identificados com a social-democracia continuem vergonhosamente a capitular, perante o neo-liberalismo feroz e desumano.


Se quisermos podemos alcançar estes objectivos, animados pelo exemplo que vem dos EUA, onde, alcançar ou realizar qualquer objectivo de humanismo ou mudança é muito mais difícil que entre nós.

andrade da silva 11Novembro 2008



4 comentários:

Marilia Gonçalves disse...

Universais Ideias,universal sonho,
sobre vontades dispersas... Tal dimensão , INFINITO
Caminhamos atentos mas perdidos do todo!
Como pode um homem,fosse ele um deus,
com o peso de grandeza de tal ordem?
e se deus se dissesse depressa o fariam novo Cristo
a vontade e a força dos povos devem brotar.
Dar tal poder a um homem sem temer que os miolos lhe estoirem
de inflados?
Vamos acordar os povos, gritar por pensadores duma nova Economia, que nos levante desta mundialização que nos esmaga, que mata o Futuro e a Esperança, que faz estrondosamente cerrar as portas de Amanhã às novas gerações! como não escutar se troam canhões? como ficar em silêncio, se é o Futuro , a vida de filhos que ameaçam, de nova escravatura, num mundo onde o dinheiro é rei e senhor e negam oas povos os direitos ao longo de anos conquistados, e baixam salarios e aumentam o tempo de trabalho para que se encha seus cofres!
Enquanto a vida cada dia que passa cada vez mais cara... e tanto despdimento e tanto desemprego, num Mundo de rastros pelo chão
Caminhamos atentos mas perdidos do todo!
Como pode um homem,fosse ele um deus,
com o peso de grandeza de tal ordem,e se deus se dissesse depressa o fariam novo Cristo
a vontade e a força dos povos devem brotar.
Dar tal poder a um homem sem temer que os miolos lhe estoirem
de inflados?
Vamos acordar os povos, gritar por pensadores duma nova Economia, que nos levante desta mundialização que nos esmaga, que mata o Futuro e a Esperança, que faz estrondosamente cerrar as portas de amanhã às novas gerações! como não escutar se troam canhões? como ficar em silêncio, se é o Futuro a vida de teus filhos que ameaçam, de nova escravatura, num mundo onde o dinheiro é rei e senhor e negam oas povos os direitos ao longo de anos conquistados, e baixam salarios e aumentam o tempo de trabalho para que se encha os cofres!

à Praça! à Praça com protestos, com versos com canções, e com essa absoluta e total certeza de que atentos e alerta:não nos esmagarão!
Somos um povo universal, partilhando no fundo o mesmo amor pela vida, pelos que amamos e temos o dever de protegar e defender!
Não foi isso que juramos um dia sobre um pequeno berço? defender a vida pequenina que confiante ali estava dependente dos pais, a rir para o dia e para o nosso desvelo?!

Povos a pé! de pé vossos cantores, vossos poetas, e tal como Castro Alves vamos tomar a Praça! essa Praça que o Poeta afirmou ser nossa!
(A praça! A praça é do povo
Como o céu é do condor
É o antro onde a liberdade
Cria águias em seu calor.
Senhor!... pois quereis a praça?
Desgraçada a populaça
Só tem a rua de seu...
Ninguém vos rouba os castelos
Tendes palácios tão belos...
Deixai a terra ao Anteu.

Castro Alves )

e tal como a escravatura foi abolida neesa época... Quanto pode a palavra! assim nos faremos ouvir! assim por nossa voz despertarão nossos irmãos!
de pé! de pé e despertos Construtores dum Novo e Fraterno dia!
Nas nossas mãos nasce ou morre o Futuro

Marilia Gonçalves

andrade da silva disse...

Grande Companheira Marilia
que força a tua,
donde te vem tanta força?
Só da vida, da luta, do querer e o do acreditar. Como o mundo poderia ser diferente se os povos, os cangados te ouvissem. Se o teu amor à causa dos povos abrasasse talvez o coração recheado de petrodolares e a alma álgida de Obama, talvez ele pudesse dar uma ajuda e é neste registo muito frágil e neste caminho muito estreito que me parece importante forçar Obama a compromissos progressistas.

São tentativas que na minha opinião são importantes S. Pedro fundou uma Igreja poderosa e muito violenta, outros fundaram organizações hostis, porque não pode haver um homem, mesmo que seja americano, que funde uma organização da paz e do progresso.

Julgo que é preciso tentar, julgo que é um dever tentar lá, como cá, como nessa França agora entregue a uma figura de opereta bufa, sem nenhum desprimor para estas que são e muito melhor qualidade, conquistar gentes e lideres para a causa do liberdade,da fraternidade e do combate à desigualdade, à fome, à guerra, à doença, à ignorância.

FORÇA COMPANHEIRA, A TUA FORÇA DARÁ SEMPRE CORAGEM PARA IRMOS EM FRENTE.
Obrigado
abraço
asilva

se Obama fosse africano? disse...

apenas para vos deixar e aos leitores a visão desse Homem de Letras

Marilia
se Obama fosse africano?

http://www.soniavandijck.com/negros_2008E

Por Mia Couto

Marilia Gonçalves disse...

corrijo o engano na morada
pelo que peço desculpa
Marilia


http://www.soniavandijck.com/negros_2008.htm