quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

DIA DE REIS: UMA LÁGRIMA CHORADA PELOS IDOSOS.


Mas será preciso que morra mais de uma dezena de idosos para que caem lágrimas de crocodilo?

Porque não se ama quem é frágil? Porque se não permite que neste dia de Reis – dia de festa - aconteça a festa para todos, nomeadamente os jovens e os idosos, porquê?

Como já deu para entender, sendo filho de uma madeirense e de um minhoto, amante de África, Brasis e América Latina sou um fervoroso militante, militante dos 7 costados, das festas do Povo.

Mas a realidade é que 27% da população portuguesa tem mais de 65 anos, e a maioria é miserável socioeconómica, psicologicamente e muitos deles são doentes com doenças crónicas, como as de Alzheimer, ( gente sem autonomia, sem saber onde está e quem são, sem que haja qualquer resposta minimamente eficaz ao nível médico, a não ser o preço dos remédios, em que um frasco médio de axura custa 95 €) AVC, etc. e estão completamente abandonados, e porquê?

Pura e simplesmente porque desde há décadas muitos não lhes dão a devida atenção, nomeada e particularmente os poderes públicos, e os partidos políticos, mesmo os emergentes que com grande dificuldade introduzem nos seus programas a questão dos idosos. Para os partidos, hipocritamente, os idosos só são visitados e lembrados nas vésperas de eleições, depois tornam-se invisíveis.

Os idosos mereceriam, a todos os níveis outra consideração, desde logo, no seio das famílias, mas também da sociedade em geral que os ignora, e até muitos bem pensantes se revoltam, quando lhes são apresentadas propostas, referindo que o Estado tem de assumir a grande parte da responsabilidade de apoiar as famílias que ficam com os seus idosos, multiplicar os centros de dia e lares, o turismo sénior e motivar os jovens e as pessoas de meia idade a investirem e a tornarem-se empresários ou técnicos nesta área, para que os idosos não morram tão sós e com tanto sofrimento.

Porquê tanto alarme social acerca da noticia da morte de 12 idosos em 12 Horas?

A comunicação social cumpre a sua função, mas fica aquém do que devia fazer. Pode e deve cumprir mais e melhor a sua missão, basta que acompanhe as equipas de enfermagem de apoio ambulatório aos idosos, por exemplo com base nos Centros de Saúde, um deles está à mão, o de Benfica, que apoia centenas de idosos, ou mesmo da Santa Casa da Misericórdia em que o apoio é dado, mas a relação inter-pessoal não faz parte dos protocolos de apoio, pelo contrário, parece que a afectividade está excluída daqueles.

Mais que as noticias espectaculares seria ética e moralmente imperativo e pertinente a nível de imprensa a tematização desta questão, e a nível dos cidadãos e dos poderes a REFORMA SOCIAL E CIVILIZACIONAL COM A ASSUMPÇÃO DA RESPONSABILIDADE PELO ESTADO E A SOCIEDADE DE GARANTIREM A TODOS UMA VIDA DIGNA DO NASCIMENTO ATÉ À MORTE, programa politico e social que apresentei ao Movimento Nova Esquerda que, em parte, o acolheu na sua Carta de Princípios, e falei a outros cidadãos. Queria publicar em 1 Novembro num Jornal Algarvio, o Sambrense, mas os novos proprietários, exactamente naquela data, sanearam a direcção e, agora, espero a retoma do dia a dia das pessoas, para postar neste blogue e noutros.

Basta de lágrimas de crocodilo e de ódio e desprezo ao outro, mesmo por gente que põe os olhos de pessoas sensíveis, algumas queridas amigas, com lágrimas através de belas palavras, mas têm no lugar do coração uma pedra e na mente uma máquina de dever e haver. Mas o que importa é mudar esta sociedade, esta Democracia moribunda. Revolucionar o Mundo com acções e não manter e alimentar este cinismo cobarde que serve de verniz a almas viúvas-negras que, tal como a aranha, são letais.

Cai uma lágrima chorada que seja semente em terreno fértil, e faça nascer tempestades de amor, alegria e bem-estar para todos, sobretudo para os mais sós e abandonados da polis e da alma e corações de quase todos.



Funchal, 6 Janeiro 2010

andrade da silva

PS: Sinais dos tempos:
Uma mini-convulsão na Caparica dos donos de carrosséis.

Artur Martins, depositante do BPP, denunciou num programa da TVI o tratamento discriminado para os clientes deste, em relação aos clientes com peso politico do BPN, mesmo para produtos idênticos. Todavia Artur disse que tinha sido conduzido para aquele banco, através da publicidade feita na revista Única do Expresso, com textos muito bem escritos e com elevada técnica e altas personalidades.

Pela riqueza do estilo coleccionei alguns destes textos, um deles com particular atenção, o do Sr. General Rocha Vieira, por causa da massiva utilização de parêntesis, mas há artistas, como a Medeiros, escritores etc.. Todavia depois de conhecida a aldrabice de todo esta banco, tenho-me questionado sobre a responsabilidade moral destas personalidades, e o que os fez assinar aqueles textos, será, porque, como dizem, rendem em média 2 mil euros?



7 comentários:

Jerónimo Sardinha disse...

Oh! Andrade da Silva,

Continuas o mesmo jovem Tenente de Artilharia, ingénuo, crédulo e bondoso. De entrega total, tal como no longíncuo 25 de Abril de 1974.
Então tu ainda não percebestes que os "senhores" que citas foram dos que mais se utilizou da "virtuose" de Novembro, por si criada e mantida?
Olha com atenção para as suas posições ao longo dos anos!
Vê a aura em que se envolvem. Os amigos de que rodeiam. Os "serventes" que enaltecem e promovem. Tens o completo retrato dessa gente, dita dum abril, ou dum maio, ou... das suas conveniências.
Os teus últimos dois post's, não podem ser respondidos nem comentados desta forma. por isso, irei fazer um artigo, só para ti. Mas em boa verdade, tu MERECES. Mereces muito e muito mais, pelo menos pela tua inquietação social, tão em desuso neste nosso tempo actual.
A velhice não é preocupante. Portugal "só" tem um terço da população acima dos 60 anos. Não é preocupante. Pelo menos para a profissionalizada classe chamada política.
O problema que realmente me aflige é o que fizemos e induzimos aos nossos jovens, hoje sem valores de referência e sem balizas sociais por onde se bitolarem. Também eles irão ser velhos. Mas como? Ainda em piores condições do que nós. O seu mundo está esvaziado. É ôco. Só tem € e revistas, marcas e automóveis. Tudo consumíveis! Foi o que lhe demos.
Será que ainda vamos a tempo de inverter alguma coisa? Corrigir males por nós criados e criminosamente mantidos? Será que ainda vamos a tempo de substituir centros comerciais por jardins com coreto e banda? Será... que ainda poderemos ser FELIZES, dar e ensinar FELICIDADE aos nossos descendentes?
Como sabes, sou um céptico contumaz. Dúvido, com a quase certeza do abrenúncio de quem nos lê. Sim, porque quem nos comenta é como nós! Inquieto e preocupado.

Por aqui me fico, com o habitual e Companheiro Abraço, para terras de "D. Alberto João"... mas vou voltar!

Jerónimo Sardinha

Ernesto A Cunha disse...

quem está no convento é que sabe o que lá vai dentro!...
para os de fora é difícil ou impossível tomar posição com consciência
cuidado não beliscar Abril,por meios que podem ser usados pela direita e a extrema, que valha-me Deus,esfregam as mãos "sastifeitos" gordos e felizes
Um processo a Abril, já lhe tentaram tirar o R sabido, cuidado não lhe tirem tudo, falta poucachinho

Ernesto A Cunha

Fernanda disse...

Infelizmente é a sociedade que temos.... Mas acredito, que nós , os menos idosos possamos fazer qualquer coisa em palavras e acções. Os outros ajudam muito os outros. Há solidariedade, algumas vezes desconhecida, mas há. Eu pergunto porque somos dos países da
Europa que mais idosos tem ?
Fernanda Neves

Jerónimo Sardinha disse...

Caro Ernesto A. Cunha,

Melhores saudações.

Grato pela chamada de atenção que faz sobre Abril. Tem toda a razão. E se tem sido beliscado. Direi melhor, abocanhado. Desde o dia 26. Mas não só a direita. Embora seja necessário especial cuidado com essa feição social.
Repare, que na minha utilização de "ABRIL", dadas as circunstâncias e as pessoas a que se refere, utilizo letra minúscula.
Porque será?
Nós o sabemos, já percebi.
No resto, deixo o comentário ao comentário, ao nosso muito Caro Coronel Andrade da Silva, a quem, por direito e mérito, compete.

Abraço Companheiro, do,
Jerónimo Sardinha

andrade da silva disse...

Jeronimo

És muito generoso para comigo, sei o que nos rodeia, mas não é com cobardes que se defende Abril é com abril que se defende Abril é o que tenho a dizer ao nosso amigo Ernesto.

Não é escondendo a verdade que se vence a direita, pelo contrário a direita quer é ser porta-voz destas causas, como a da segurança, como a da agricultura que são causas da esquerda.

A direita não se vence com os que traem Abril, a direita só pode ser vencida quando a esquerda, abril assumirem as suas responsabilidades, porque o desprezo pelos idosos e pelos direitos de todos é uma atitude de de dreita neo-liberal, fascizante. Como se pode entender que num país de tantas necessidades uns palermas ganhem 30 mil euros, que são mais de 60000 mil salários minimos.

Mas onde estamos e para onde vamos, se todos nos calarmos e dermos cobertura a esta gente e permitirmos todos os desmandos?

Se Abril se calar, se a democracia não varrer estes manhosos, se a Republica não se regenerar pode estar em causa não só o sistema, mas também o regime.

A direita e os seus cúmplices tem de ser combatidos, uns e outros são os coveiros da democracia e a gente de esquerda que se agacha, tem medo ainda cava mais fundo a cova que se prepara para nos devorar.

Na própria Escola Pratica de Artilharia se tivesse havido medo às 23 e 55 do dia 24 de Abril 74, quando um dos elementos da equipa de assalto ao gabinete do Comandante borregou provavelmente a unidade não teria sido tomada, e o que poderia ter acontecido com Abril?

Conheço a ideia de calar a traição, mas não lhe reconheço nenhuma utilidade histórica, só tem servido para os opotunistas se safarem, mas o que acontece ao povo.

Claramente não é por aqui que a direita terá trunfos,aliás, dessa gentalha falarei quando responder à Marilia sobre violência.

A atitude de trazer questões do dia à discussão cria dificuldades acrescidas à gestão do blogue.

Mas por aqui a direita liberal e a neo-fascista, como os seus cumplices não encontrarão amigos, nem braços caídos, encontrarão defensores e construtores de Abril.

Abraço e gritos
asilva

Anónimo disse...

VOLTA AO MIOLO

"Não estou destruindo meus inimigos quando os transformo em amigos?"
- Abraham Lincoln

Marília Gonçalves disse...

Aprendemos a voar como os pássaros e nadar como os peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos ."
Martin Luther King, pastor protestante USA