sábado, 5 de novembro de 2011

CANTO FERIDO.



 " Às minhas queridas amigas e amigos que lutam pela conquista do sonho,  da lua, do mar, ou simplesmente do ser... mas também para zurzir aos ouvidos dos que condescendem, com estes loucos dizeres de quem poeta não é, mas sendo livre, feridamente, canta, como os galos de Barcelos e, ainda,  os burgueses de todos os gostos, feitios e cores que se julgam ínclitos, mas porquê, eu plebeu honrado, que não toco piano de cauda, nem tenho mansões de roubo e crime,  vos pergunto, mas porquê?....




Canto, feridamente,
por entre:
brumas,
escuros,
solidões,
sectarismos, 
fanatismos, 
e escravização,
para proclamar que:
Só o amor,
o sexo nu e puro,
na praia, 
no leito
e no rio,
e a luta sem quartéis contra:
 ilusionistas,
 vigaristas,
ditadores,
donos de almas -
nos podem salvar.

O resto...
matará a  Primavera,
que será Outono,
depois Inverno,
e, finalmente, 
Inferno!
Aqui chegados,
serão as revoltas, 
a guerra civil,
e depois... depois...
MY GOD!
salazar de novo,
ou outro Lúcifer,
que importa?
Mas sempre, um ditador:
maldito,
arrogante,
assassino, 
esquizofrénico,
 esperto só para os seus,
imbecil, manhoso
para o país
e 6.666.666  de Portugueses
que voltarão:
 às galeras,
à submissão,
vergarão de novo a espinha,
para sobreviverem,
e, a culpa, MY GOD,  a culpa?
É por nunca sermos livres,
mas sempre rebanho,
ou vara
dos senhores feudais:
Novos  Andeiros,
Migueis,
Francos,
Sidónios Pais
Salazares
e outros tais,
reencarnados.

Maldita sina
a deste Portugal
que sempre matou
o pensamento livre,
e se curvou,
rendido,
idiota feito,
ao pensamento velhaco,
único,   ou semi-único,
este, ainda mais malandro,
mais mentiroso.

Morreremos, uma vez mais  e outras vezes,
aos milhares,
por fora e, ou por dentro,
na alma e no coração,
mas sobreviveremos, como há 10 séculos.


Outros Abris, 
Outros 28 de Maio
vingarão.
Mas a Primavera,
volta, volta sempre.
Haverá sempre alguém  a resistir,
a defender -
A LIBERDADE,
DIGNIDADE HUMANA.

No sal da vida,
as mulheres e os homens livres
nunca
se renderão
e com novos:
1383
e Abris
salvarão -
PORTUGAL,
a Europa,
a Humanidade: 
A Alma lusíada
brilhará!

andrade da silva


PS: O 25 de Abril 74 foi um acto fantástico, extraordinário, ingénuo, maravilhoso,  espantoso, feito pelos melhores dos jovens portugueses de sempre, bem incarnado  num Salgueiro Maia - no momento de rendição de Marcelo Caetano - num Otelo, no posto de comando da pontinha e no Povo de Lisboa, do Alentejo, de Almada, do Pragal, de Vendas Novas e de Portugal que nos acompanharam.
A coluna de Vendas Novas foi vitoriada, nas ruas, de Almada até àquela vila por todo o Povo. 
Por mais voltas que dêem e queiram roubar a história ou escondê-la, numa comunidade  que,  como diz o historiador Luis Almeida Martins, tanto esquece e ignora a sua história,  a verdade, pura e nua, é que o 25de Abril foi um acontecimento fantástico que vencerá todas as perfídias reaccionárias e outras mais esconsas.

E, ainda aos que tudo desconhecem, é bom lembrar que Portugal tem  uma tradição de revoltas populares locais que depois voltaram guerras civis ou revoluções.

código da cor -vermelho: amor, revolução, Abril, liberdade.
















2 comentários:

azinheira sou eu disse...

compreendo bem esse sentimento de revolta, meu capitão de abril. também o sinto
e ao mesmo tempo pena e raiva
por sermos assim como somos, nós os portugueses, cada vez mais incapazes, passivos
a aceitar tudo
as injustiças
o medo
como nos tornámos mesquinhos

e não foi só o salazar que nos fez assim
está na nossa natureza

nem sei como foi possível o 25 de abril

estamos a entrar num ciclo infernal, cujo final não vai ser nada bom

a conspiração global do capitalismo está mesmo em marcha

andrade da silva disse...

Cara Amiga
a tua voz, a tua coragem e a de mais algumas e alguns não permitirão a morte de tudo, e, sobretudo, é preciso contrariar a arrogância de Marcelo Rebelo de Sousa e outros que dizem que o povo votou maioritariamente neste governo.
Todavia se 80% não concorda com a sua prática politica, como pode Marcelo Rebelo dizer que este governo tem legitimidade para executar o OGE de 2012, recusado por 80% dos portugueses e aprovado por menos de 60% dos deputados, isto é, os representantes dos portugueses estão a votar contra o mandato que receberam, isto é, estão a matar a alma e o coração da Democracia - o de representarem a vontade do povo que os elegeu.
abraço
asilva