domingo, 14 de junho de 2015

05 - POEMÁRIO * Interrogação




O Alentejo não tem sombra

senão a que vem do céu…







Os olhos semicerro à tremulina.

Qe luz intensa! Cega a claridade!

Doída, a terra sonha-se e germina

a boa nova --- entranhas da verdade.



Atento, na vigília, o mundo antigo,

indaga até no vento que uiva rijo.

Que força tem um frágil grão de trigo

sonhando ser no seu esconderijo?



Amodorrado, o tempo das demoras

na pasmaceira espessa do abandono.

Nem o relógio marca já as horas.



Se há mantos de papoilas nos adis

sedentos dos teus lábios, por que o sono

te nega os êxtases primaveris?



*
José-Augusto de Carvalho
13 de Junho de 2015.
Alentejo * Portugal