quarta-feira, 10 de junho de 2009

STOP ao Cancro do Cólo do Útero na Europa

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STOP ao Cancro do Cólo do Útero na Europa

> Todos os anos 50.000 mulheres são diagnosticadas com cancro do cólo do útero e 25.000 morrem devido a esta doença. Programas de rastreio organizados para o cancro do cólo do útero podem prevenir até 80% destes cancros. As novas tecnologias, desde que implementadas com os programas de rastreio organizados, têm o potencial de reduzir ainda mais as taxas de cancro do cólo do útero, e prevenir quase todos os casos desta doença na Europa.
Nós, abaixo assinados, chamamos a atenção do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia e de todos os Governos Nacionais da Europa para:

> 1. Trabalhar em conjunto na implementação de programas de prevenção para o cancro do cólo do útero, de acordo com as recomendações do Conselho da União Europeia e com as Recomendações Europeias para a Garantia de Qualidade no Rastreio para o Cancro do Cólo do Útero.

> 2. Apoiar a criação de programas de educação para a saúde para assegurar que todas as mulheres estejam cientes da importância da prevenção do cancro do cólo do útero e que beneficiem dos serviços que lhes são disponibilizados para este efeito.

> 3. Facilitar a troca de boas práticas entre os países da Europa de modo a que todos possam beneficiar das melhores medidas possiveis que existem na Europa.

> 4. Apoiar programas de investigação independentes de modo a implementar novos métodos de rastreio e vacinação contra o Vírus do Papiloma Humano (HPV) para assegurar que se obtenham as maiores reduções no cancro do cólo do útero na Europa.

5. Reconhecer e apoiar o papel essencial e determinante das instituições de caridade, das associações de doentes, organizações não governamentais e trabalho voluntário com o
objectivo de reduzir o cancro do cólo do útero na Europa.
>


Faça aqui o download do Manifesto



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segunda-feira, 8 de junho de 2009

SEM PALAVRAS/ cem mil não chegarariam ao ouvido do surdo


AS MOSCAS MUDAM....












CUIDADO COM A ARDILOSA ARANHA!!!









Alerta






Grita filha !

há uma aranha

Na brancura da parede

Que peçonhenta tamanha

Vai tecendo sua rede.

Grita filha !

Essa fobia

É protecção natural

Contra a aranha sombria

Que além de símbolo

é mal !

Grita com todas as forças !

Grita porque há mesmo perigo

Essa aranha uma cruz negra

é o pior inimigo.

Por meu amor não te cales !

Grita filha

Tua mãe

Impele-te pra que fales :

Contigo grito também !

Essa aranha que se estende

Tem o passo marcial

Com fúria que surpreende

O incauto em voz fatal.

Grita filha

O bicho imundo

Sai vertiginosamente

Da sombra vinda do fundo

Em veneno de serpente.

Tal a jibóia medonha

Enrola-se abraça o mundo

Pra ir crescendo em peçonha.

Introduz-se em toda a parte

Tudo corrói e desfaz

É inimiga da Arte

Do Ser Humano da Paz.

Grita filha !

Mas tão alto

Num grito tão verdadeiro

Que desperte em sobressalto

O que não quer ver primeiro.

Essa aranha pestilenta

Odeia a própria Cultura

Em fogueira que alimenta

Livro após livro censura.

Opõe à Humanidade

A sua força brutal

Por onde ela passa invade

Mata o constitucional !

É um monstro repelente :

Primeiro ataca o mais fraco

Para ir seguidamente

Oculta em cada buraco

Destruir a Liberdade.

Inimiga da diferença !

Grita !

Minha filha Grita !

Faz ouvir tua presença.

Aponta o bicho feroz

Mostra-o sacode os amigos

Com a força da tua voz !

Grita !

Esse enredo de perigos !

Grita filha ! Desta vez

Esse grito é racional

Porque essa aranha é o não

Ao direito Universal.

Sem medo abre tua boca !

Grita alto ! Grita forte !

Porque toda a força é pouca

Para lutar contra a morte.

Grita ! Grita minha filha

não te cales nunca mais :

não se veja outra Bastilha

Prendendo os próprios jornais !

Que teu grito seja infindo

Circule dê volta ao mundo

Jovem voz entusiástica

Erguendo o povo profundo

Contra a bandeira suástica.


Marília Gonçalves


diz o povo quando tem razão e discernimento:
quem te avisa teu amigo é


DEMOCRACIA E DESENVOLVIMENTO AMEAÇADOS NA EUROPA E EM PORTUGAL.




Como as eleições europeias puseram a nu, a Europa e Portugal caminham a passos largos para uma tragédia. A vitória conservadora perante tanto voltar de costas à Europa só quer dizer que a Europa interessa aos eurocratas, aos que mais benesses tiram da União Europeia, e esses são os Durões Barrosos, os banqueiros e os grandes empresários. Grande parte das classes médias e operárias não acreditam nem nestes políticos, nem na Europa dos cidadãos, e voltaram costas.

Os 63% de abstenção deviam de encher de vergonha estes líderes partidários, porque esta abstenção revela que eles estão a governar sem qualquer base social de apoio. Todavia, ao invés, fazem discursos ridículos e indecentes, como se os 30% de votantes fossem numa eleição com uma votação com a participação de 100% do universo dos cidadãos. Esquecem-se de olhar que os tais 30% dos seus votos, são sobre uma pequena amostra de 37% da totalidade dos cidadãos, isto é, a eleição, tecnicamente foi por amostragem e daí, como se faz em qualquer estudo extrapolou-se, através de uma sobregenerlização para toda a comunidade.

Tudo isto é uma mero exercício de ciência aplicada, uma virtualidade democrática, teatro, encenação, no fundo uma grave aberração. Alienados querem alienar, quando as eleições europeias significam uma estrondosa derrota eleitoral do Projecto Europeu, agora, agravada pela vitória grave dos conservadores, o que vai trazer mais sofrimento para os povos europeus, e pode descambar em tragédia.

Todavia estas eleições são para Portugal um grave sintoma de que a mudança politica poderia acontecer, de acordo com a alternância do rotativismo, para uma situação mais desastrosa do que a actual, o que se deverá à justa penalização das politicas arrogantes e erradas do Sr. Eng. Sócrates, apoiadas por um discurso do ideólogo desta maioria, o Sr. ministro SANTOS Silva, que ainda torna o neo-liberalismo mais insuportável; à total capitulação do PS de esquerda que julgou que o primeiro ministro seria quem lhes manteria os lugares – triste e desgraçado erro de cálculo de quem tem dos portugueses uma visão paroquial -; e ao facto da continuação de Manuel Alegre no PS não segurar votos, o que aproveitou ao BE e à abstenção

Perante uma situação de crise do neo-liberelismo, este, incarnado no PS, PSD e CDS, os Portugueses podiam vencer ao ALVORECER, mas morremos, porque:


“QUEM DA LUTA FICA FORA
NESTE JOGO (da LIBERDADE E DA DIGNIDADE) NUNCA MEDRA".
MAS COM TANTA GENTE A SE EXIMIR, A PROTEGER, PORQUE É SEMPRE MAIS SEGURO ESTAR DEBAIXO DE TECTO QUANDO O GRANIZO CAI, DIFILCILMENTE, VENCEREMOS NA ALVORADA .


E porque a verdade de muitos dos nossos dirigentes é o que o caso paradigmático do BPN revela. Segundo eles próprios, os srs Dias Loureiro ( as reuniões de accionistas durante a noite) e o sr. Oliveira e Costa tudo seriam bandos, atrás de bandos ( os do 4, depois dos dez), gente com graves disfuncionalidades na personalidade e na maturidade moral.

Quanto a estas disfuncionalidades como técnico, psicólogo cognitivo-comportamental, que estuda, analisa e procura tratar estas disfuncionalidades, diria que estas pessoas ou deviam estar a tratar-se ou presas, mas o que acontece é que ganham milhões, são protegidos e tratados por excelência;

E também tudo isto acontece, porque quando há um apelo à consciência colectiva regista-se o silêncio, como se a coisa fosse pouca, como se não estivesse nesses apelos a radiografia de um pais subdesenvolvido politica e moralmente a caminho da Somalização. E se há o silêncio, as pessoas não serão cúmplices disto tudo?

Prefere-se falar de coisas que enchem o ego, mas nada mudam. As pessoas instaladas preferem manter-se instaladas e o país que se lixe, até quando puderem argumentar e contra-argumentar, manter os seus privilégios e tiverem a ideia que participam do poder, porque criticam, são a consciência critica, tudo vai bem, muito obrigado e VIVA o PÂNTANO!

Por certo, clamo no DESERTO de TUDO, DA VONTADE, DA MORAL E DAS IDEIAS. QUE FAZER, se até encartados democratas me querem calado, porque atento contra os seus pergaminhos históricos?

É como se não tivesse história, mas a verdade é que desde sempre lutei pela coerência entre práticas e princípios, desde pelo menos os meus 15 anos, e pela democracia desde os 23 anos.


A tragédia é que estamos a perder o sentido da história e a desbaratá-la. Como Alexis Tocqueville previu no século XIX, um dia havíamos de chegar a este desastre politico, com os deputados do País transformados em funcionários dos respectivos partidos, com um contrato a prazo, pelo que cumprem as ordens do chairman do partido, ou findo o contrato a prazo são despedidos.

É grave que os lideres se tenham transformado em administradores da empresa -partido, mas mais grave é que o parlamento se tenha convertido no centro operacional da empresa- partido, com os deputados convertidos em meros operários daquele centro, trabalhando na linha de montagem legislativa do governo. Mas isto foi o que aconteceu antes do 25 de Abril e deu no que deu.

Consequentemente pôr cobro a este estado de coisas mais de que uma UTOPIA é uma EMERGÊNCIA DEMOCRÁTICA, desde já, ao NIVEL NACIONAL, mas também ao EUROPEU
.


asilva

domingo, 7 de junho de 2009

DERROTA DA ARROGÂNCIA E VITÓRIA DO DESERTO.


A anunciada derrota do PS nestas eleições obriga a um esforço para evitar que as legislativas sejam ganhas pelo PSD, e talvez Manuel Alegre e a esquerda do PS compreendam que uma possível vitória do PSD é da INTEIRA E COMPLETA RESPONSABILIDADE DE TODOS. TODOS FORAM E SÃO SOLIDÁRIOS COM O SECETÁRIO -GERAL SÓCRATES e SANTOS SILVA. SÃO TODOS CO-RESPONSÁVEIS, PORQUE NEGARAM TODOS OS SINAIS, METERAM A CABEÇA NA AREIA. FORAM SURDOS, VÃO CONTINUAR?
E AGORA O QUE DIRÁ O SR. MINISTRO SANTOS SILVA?
Continuará a defender que esta democracia está de saúde, quando a abstenção é de 60%? Será que para estes democratas o pleno da democracia será atingido, quando um só português votar no seu partido que, assim, terá uma maioria superlativa de 100% de votos, todos os lugares da Assembleia da República e todos, todos os lugares da Governança Global.


É preciso derrotar o PSD e o Secretário Geral do PS Sr Sócrates e Santos Silva, para que Portugal vença.

É preciso que a esquerda combativa, não seja ultrapassada pela esquerda espectáculo.


PORTUGAL TEM DIREITO À VITÓRIA.


asilva

sexta-feira, 5 de junho de 2009

EU, CIDADÃO-MILITAR,ME APRESENTO! (VI) TO ANGOLA (71/72)- VIAGENS (1) - STRESSE DE GUERRA


O - bolinha vermelha

Nas viagens, como é hábito, enviamos postais, cá vai um:


Ao ter-me decidido editar algumas memórias de guerra e dos meandros do 25 de Abril, ao nível do alferes/tenente e não dos doutos e consagrados porta-vozes de todos os regimes, estou quase a fazer um novo 25 de Abril, nesta área, porque isto, no mundo dos interditos elitistas em todos os domínios que nos cercam, é uma quase-blasfémia saltar a cerca, mas quem participou no 25 de Abril, não pode temer os crimes de opinião, punidos explicitamente pelo fascismo, e dissimuladamente, e não menos gravemente sancionados pelo actual regime, com a morte civil e profissional e, obviamente, com o gueto.


A história que venho contando será também comum a muitos alferes, tenentes e capitães da guerra de África, porque como se verá passei por 5 unidades: Lumbala Velha, Cavungo (leste de Angola), Mucaba, Negage, Damba (norte Angola), o que me permitiu fazer uma radiografia daquela guerra que nem sempre será consentânea com alguns mitos de “super-stars”.

As “coisas” seriam mais comuns, embora muitos, e eu próprio, nos sentissimos uns aprendizes da Raposa do Deserto, o muito apreciado general Rommel que também pagou com a vida a sua oposição ao tresloucado e cabalístico Hitler.


Mas porque penso que a alma dos que nos acompanham é grande, lá irei contando esta pequena história, porque, isto, é um dever de cidadania que numa comunidade de cidadãos livres, hoje, ou amanhã, poderá ter o seu eco.

A Terra embora cercada e ameaçada pelos desertos, ainda, é o Planeta Azul e resiste, consequentemente, seguindo o exemplo da Terra-Madre continuemos o caminho, agora, do Cazombo até à simpática cidade do Luso.



CIDADE DO LUSO

Burgo simpático, onde, comprei alguns livros, jantei por 60 paus, vi filmes e tomei na Messe de oficiais um interminável banho de imersão. Só voltaria a estes banhos no regime Democrático, em 1976, quando injustamente prenderam um inocente, com abundante prova jurídica e factual da sua inocência.


( Estive detido na prisão da Trafaria, onde, em 74 fiz parte da equipa que libertou os, então, Tenente coronel Almeida Bruno, major Monge e capitão Varela, este, meu conterrâneo.
Durante a detenção fui visitado por muita gente general Fabião, general Vasco Gonçalves, Otelo, Duran Clemente, Dinis de Almeida, capitão Miranda, já falecido, bastante por força destas contracurvas, capitão Lameirinhas e muitos civis, entre os quais, Isabel Pestana, filha do capitão Pestana do assalto a Beja.


Foi-me revelado por alguém que depois de me porem o rótulo de comunista e mandarem-me para a Madeira pretendiam que A FLAMA- movimento independentista - cumprisse a sua missão, ou seja, fizesse com que o meu estado de vida entre vivo e morto se alterasse, tal não aconteceu, mas logo fui ameaçado pelo chefe dos bombistas, um meu antigo colega de nome Firmino, de que não me queriam por aquelas paragens, do que dei conhecimento, em exposição escrita, em 27 Março 76, ao Governador Militar, então, Brigadeiro Carlos Azeredo.

Mas para pouco valeu, porque tendo de me defender do bando diabo à solta, para não ser morto fui preso por dois anos, apesar de inocente, o que, foi mesmo reconhecido pelo Presidente do 3º Tribunal Territorial de Lisboa, Coronel da Força Aérea Cruz Novo, aos meus dois grandes advogados Dr. Xencora Camotim e Goucha Soares que dispensaram os seus honorários para me defenderem, após a escusa do Dr. Luso Soares – rendo-lhes a minha homenagem e a todos os bons e grandes advogados de Portugal que não são aqueles que o Dr. Marinho denuncia, e toda a gente sabe bem que os há -. O Dr. Xencora, muito nobre advogado, ainda tem presente este espinho da sua longa carreira.

Todavia nem tudo na prisão foi mau, porque sem que os meus carcereiros se tenham apercebido pelas 5h da manhã tomava uns grandes banhos de imersão, numa enorme banheira.

Se o coronel que chefiava aquela prisão, conhecido pelo B…. M…., por toda a gente assim tratar, soubesse teria feito sei lá o quê. Também na prisão me chamou de berda m….. Queixei-me ao, então, governador militar de Lisboa Brigadeiro Vasco Lourenço. Pela ousadia fui punido pelo coronel com 15 dias de isolamento, punição ilegal, mas nada aconteceu ao Sr. Comandante que também permitia que os tenentes e outros dissessem, nas formaturas, que o Brigadeiro Vasco Lourenço era um general Politico, e que tudo ficaria entre amigos com ele, com um prato de costeletas de porco, porque ali se julgava que era o prato preferido do Sr. general"


A BAGAGEM DO COMBATENTE

“Dedicatória: ao falar de viagens não posso esquecer-me desse grande alferes que comandei nos últimos anos, o João Rodrigues, que é um viajante por excelência. Desembarcado em Timor, sem ninguém à sua espera lá conseguiu ir de boleia até ao Batalhão Português. Também a este alferes psicólogo se deveu em grande parte a recuperação de um soldado quase condenado, com uma pneumonia atípica. Evacuado para um hospital da retaguarda australiano foi por aquele alferes acompanhado, o que lhe valeu muito e à sua família.

Sabe este Alferes irreverente e desenrascado, como o tenente Luís Carvalho e os demais quanto os estimava, porque talvez não pudessem adivinhar, mas eu revia-me muito neles, e também tinha como referência maior, o general Trindade que como Director da Arma de Infantaria nunca deixou morrer em si a chama do Alferes que vi brilhar, quando fui fazer um curso de Instrução Colectiva e de gestão por Objectivos à Direcção da Arma de Infantaria”

Nas viagens trazemos sempre uma dada bagagem. Nestas andanças para além da pobre bagagem do “ guerreiro” trazia uma rica bagagem de recordações, abrindo-a vejo, logo, aquelas palavras do alf. Mateus:


“Despedi-me dele, e, então, disse-me ter sido o “Chico” mais porreiro que tinha encontrado. Enfim mais uma opinião que respeito, e guardo com amizade, por julgar ser sincera”.


Vale sempre a pena trabalhar muito para quem comandamos.



O ESPINHO QUE DÓI


Mas também lá está aquele espinho que dói, ou seja, o acto que considerei menos correcto do meu capitão e de que já dei notícia, então, como hoje, verifica-se que acima das pessoas estão os interesses da política real. Nunca aceitei de bom grado estes comportamentos que são contraditórios com a formação cívica e militar que recebi, mas há, a tal coisa, chamada sumptuosamente de diplomacia. Enfim…


(Soube que este capitão, depois do 25 de Abril verberou o meu comportamento de militar da liberdade. Só uma razão poderá ter, é que de facto o alferes que ele conheceu era o tal aprendiz a Rommel, e, por isso, talvez não fosse muito esperado que tão cedo, dois anos depois, andasse numa revolução contra o ditador. Só que, até Novembro do ano 72, muita coisa na minha visão desta guerra se vai alterar).

O STRESSE DE GUERRA


Pelo Cavungo e Lumbala Velha havia uns militares com essa coisa tenebrosa e dolorosa que era o STRESSE DE GUERRA, mas na nossa ignorância lá olhávamos para o militar que passeava na parada galinhas imaginárias, como um golpista ou um pobre louco, cheio de piada, mas, afinal o que teria este militar a mais ou a menos que outros que entre velharias, de que só se safavam o velho jeep wills e o unimog 404 pelo roncar dos seus motores, se julgavam tão grandes como o Rommel, que dispunha daqueles potentes e majestosos carros de combate?


O nosso mundo era estranho, muito estranho, talvez a magia africana tivesse algo a ver com tudo isto. Talvez!?...


UM HOMEM QUE O ALFERES DESCONHECIA


Ainda no Cazombo e antes de partir almocei com o meu comandante, o tenente coronel Borda de Água, discutimos o valor intrínseco da artilharia e da sua aplicação naquela guerra, discussão que se eterniza.


O meu comandante era um Homem simpático, mas para um aprendiz a Rommel, de facto, do ponto de vista militar, não correspondia ao paradigma do comandante vitorioso que me tinham desenhado na Academia Militar.


Não sabia então que este meu comandante tinha passado já pelas agruras da derrota da Índia. Mas não seria, ou não será suposto que os alferes conheçam a biografia dos seus comandantes?


Da minha sempre dei conhecimento como um militar que andou na guerra colonial e no 25 de Abril, duas coisas que parecem constituir uma sopa maldita, enfim…


Mas também como sou um indivíduo de muita sorte, devo referir que fiz a viagem do Cazombo para o Luso num avião, tipo caranguejola, ao lado do tal administrador, todavia esta travessia área foi óptima. Vi toda a paisagem e o piloto a contornar as tempestades, não será possível fazer-se isto com os grandes aviões?


Voltando outra vez ao Luso, onde, estive só à espera de transporte, depois de cumpridas as tarefas a que já aludi, rumei a Luanda, e, aqui, no Quartel dos adidos contactarei com os náufragos desta guerra de que falarei, quando lá chegar.


Até Luanda.

Andrade da silva 5 Junho de 09

quinta-feira, 4 de junho de 2009

A TORTURA FASCISTA em PORTUGAL




NO 13º DIA DA TORTURA DO SONO



Esta manhã o Sol,


vermelho de vergonha,

veio espreitar se ainda vivo.




Sinto-me num barco que se afunda.

Só eu flutuo

à deriva num mar encapelado,

as tábuas unidas por um fio inquebrável,

jangada varrida por chicotadas de tormenta

com agressões de rochedos a doer nos ossos.



Desço ao fundo de mim. Ao menos

aqui encontro segurança.

À minha volta os monstros investem

mas só por fora a carne sangra.



Recosto-me

num monte de recordações

que as vertigens não deixam ordenar.

Ah! Bem desejam os monstros apreendê-las

e por isso espreitam desesperadamente

através dos meus olhos.

Mas, entretanto, eu desliguei a lâmpada

que dava luz cá dentro.



Estou suspenso de mim. Acho que vou cair.

Mas não. As paredes é que rodopiam

e abrem-se agora à passagem de figuras brancas,

monstros de cal, corpos recortados.

Quem são, quem são? Ah, não apertem

pois quero respirar.

Que ouvidos são aqueles pendurados no tecto?

Como conseguiram entrar na minha cabeça

e escavar, escavar... ?

Rio-me, pois nada encontrarão

a não ser uma ampulheta marcando o tempo,

cada vez mais difuso.

Rio-me, sim, com um riso de sangue em brasa.




Eles tentam isolar-me cortando as amarras,

quebrando as antenas,

destruindo a bússola.

Mas eu continuo a orientar-me

rompendo o nevoeiro do seu ódio.



O meu pensamento é uma escada em caracol

a que faltam degraus.


Ontem à noite escorreguei

e quase mergulhei no sono universal.

Mas hoje, com o render da noite,

senti-me vivo e gostei.



Amo a vida, o amor, a liberdade.

E é por isso que morro pela vida,

odeio pelo amor

e pela liberdade estou cativo.



Soltam à minha volta palavras-mastins

que ladram e abocanham:

"Diz!", "Declara!", "Fala e vais dormir!"

(sons para mim sem nexo).

Ó monstros pobres diabos!

Nem sequer se apercebem que não podem

vergar esta barra

dura como a vontade.



Deixei-me cair em indiferença de algodão.

Desisti de fazer o puzzle que trago nos olhos.

Sons e imagens, podeis vogar, sois livres,

podeis confundir-vos, bailar.

Gargalhadas na parede, ameaças,

olhos a passear pelo chão,

bichos repelentes, répteis,

hálito podre de polícias suados,

mãos na garganta, lápis

a rolar sobre a mesa como um bulldozer ,

tudo isto está prensado

nesta muralha de ódio à minha volta.




Dentro de mim está a vida.

Dentro de mim trago os companheiros que se agitam,

dentro de mim trago os povos que fervilham,

povos que recusam a vala comum

e reconstroem o Sol.

Dentro de mim está o amor

que se transmite em ondas de confiança.

Dentro de mim

há um carregamento de certezas

implacáveis.



É por isso que o meu sorriso

é uma arma de agressão

que transforma o ódio em desespero.

Dentro de mim, bem no fundo de mim,

é que está a passagem para a liberdade.



Mas só eu tenho a chave do alçapão.



Carlos Domingos

( Prisão de Caxias, Outubro de 1972)



quarta-feira, 3 de junho de 2009

EU, CIDADÃO-MILITAR, ME APRESENTO! (V).CAZOMBO/LESTE TO DE ANGOLA UMA PÁGINA DESGARRADA DE UM DIÁRIO: UM DESENTENDIMENTO COM A AUTORIDADE CIVIL.


O - bolinha vermelha

DEDICO : A todos os oficiais e monitores de educação física que na guerra, ou nas Missões de Paz, ou nos Quartéis dão o seu melhor pela defesa do bem estar físico dos nossos camaradas, e nem sempre são reconhecidos ou defendidos, como deveriam ser.

Cazombo, 13 Fer 72

Hoje a equipa do Cavungo jogou no Cazombo contra a Administração civil. Pela manhã disseram que o jogo seria às 10 horas, o que me levou a falar com o treinador da equipa civil, para acertarmos o passo. Porém o jogo não se realizou a esta hora.

Depois do almoço aconteceu um grave incidente. Pelas 14 h fui com o Furriel Queimada falar com o administrador do Cazombo, para que o jogo em vez de se fazer no campo da JAE se fizesse no Militar, ao que o administrador não acedeu, dizendo que o jogo era no campo JAE às 15, e que se nós não comparecêssemos perdíamos, afirmação que fez em tom autoritário. Retorqui-lhe que se tivéssemos usado o mesmo critério de manhã já tínhamos ganho o jogo.

Então, e com a maior surpresa nossa, o selvagem do administrador correu-nos da casa da Administração, “enjaulando-se” ( aspas postas, agora, à pressa) logo dentro do posto, o que não nos permitiu reagirmos do modo mais conveniente. Depois de o chamarmos de todos os nomes ( devem ter sido bonito) que nos surgiram à cabeça ( devem ter sido poucos, digo eu, agora), demos do facto a conhecimento ao capitão Marques ( comandante da companhia do Cavungo) que logo decidiu que a equipa se apresentava, mas não jogava. Concordei.

Todavia o administrador foi logo depois ter com a capitão pedir-lhe desculpa e (o nosso muito valoroso capitão) desculpou-o, exactamente porque não foi a ele que correram, e pediu-me para esquecer o sucedido.

No dia 14 Fevereiro ( tenho mau feitio, sou filho de um minhoto e uma madeirense corajosos) apresentei participação da ocorrência, e escrevi ( como sabem já vou a caminho de Mucaba) uma carta ao capitão criticando-lhe o facto o ter abandonado dois seus subordinados, o que foi extremamente incorrecto ( havia de saber que não era a excepção).

À noite estive na Caserna dos Madeirenses, lá estava o Perneta, contaram-me que uns dias antes fizeram o capitão da Companhia de Comando e Serviços do Batalhão borrar-se todo, apontaram-lhe, suavemente, as espingardas G3: ou mudava de comportamento, ou de vida. Mudou de comportamento, pudera!

Os madeirenses e os açorianos são uma tropa danada, mas como os madeirenses eram estúpidos os oficias e os sargentos eram todos continentais, só que se esqueciam que a malta de Câmara de Lobos e Machico usa a foice e a navalha para resolver diferendos que não entendem ( mas claro como diz ainda hoje um grande general do exército Português só havia disciplina, e não havia desertores. Claro o pessoal queria era regressar à santa terrinha, porque carga de água havia desertar, além do mais para onde? Mas ainda vou falar da disciplina e de disciplinadores nas parada dos quartéis no pute ( Portugal), mas lá my GOd….).

Gravei uma cassete com a voz do Hilário M. , que é natural de santo António. Comprei umas cervejas ( novos hábitos que já perdi, bem como o dos ovos cozidos com martini no terraço de um hotel em Luanda que servia de clube de oficias. Há dias encontrei no Chiado um meu conterrâneo e parceiro destas andanças que me falou do meu recordo de ovos numa dada noite. Sei que gostava e gosto muito de ovos cozidos com bastante sal e na altura, como já disse, com martini - já não tomo há séculos -, mas nunca pensei ter comido tanto ovos de uma vez, diz que contou oito, bem… não sei, até quatro não poria qualquer objecção, mas oito enfim….ah gente nova!… ah juventude!... quanto vos entendo.

A. da Silva
PS: A vitória no Leste de Angola que não vi, mas....