domingo, 8 de novembro de 2009

BILHETE QUE NÃO É POEMA, 8NOV09




VIVA A AMIZADE!


“ JOSÉ PACHECO PARTISTES HÁ UM MÊS, TODOS TE RECORDAMOS”


Nunca Chorem, porque Morri.
Cantem o meu nascimento,
Entre montes e mares.
Celebrem sempre a vida
E amem-se entre si, muito,
E ao planeta azul,
Meus amigos e companheiros serão.
Ao dobrar destes dias, rápidos,
Que se esgotam na voragem dos tempos,
Com um ai de espanto,
Já, no Olimpo, voltaremos a erguer
A taça da Vida.
Cantaremos.
Amai-vos na Alegria
E mais nas tristezas.
O meu amor está para além da vida,
Eternamente, vos Amo.
A Eternidade é o Porto da amizade,
A essência do Ser.
Por cá, vou ficando.
Até sempre.
Com muito Amor.
Do vosso JPP

……….
Cai Orvalho.
A natureza chora.
Até sempre.
Que as lágrimas levem esta mensagem.
Abraço.

Andrade da silva

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

CARAVELA E CASQUINHA


CARAVELA E CASQUINHA MEUS QUERIDOS COMPANHEIROS.
MÁRTIRES DE ABRIL.
QUEM VOS MATOU E PORQUÊ?
ERA TÃO JOVEM E FOI EXECUTADO POR CAUSA DE UM SONHO.
Quando foram assassinados era ministro da administração interna (interior ?) o Cor. Costa Brás, primeira-ministra a Eng. Lurdes Pintassilgo, uma mulher, uma católica progressista, mas o que valeu a este jovem e à sua familia? Era Presidente da República o Sr.Gen. Ramalho Eanes.
Porque calam a dor e a revolta por este sangue derramado, quando entre 25 de Abril 74 e Novembro de 75, apesar de todas as convulsões sociais no Alentejo ninguém sequer sofreu um arranhão. Será que alguém quer saber porquê?
Será que alguém quer saber que os militares comandados por uns tenentes malditos estavam postados às portas de alguns latifundiários, como o Sr. Vacas Nunes de Montemor, noite dentro, para que não lhes acontecesse nada.
Mas que país é este que não se importa com nada, nem com o terror no Irão, com a desculpa que está muito longe (estará mesmo?), nem com a sua história, porque está morta?
Há futebol, telenovelas e encenação a esmo no parlamento, é um enjoo. Continua a rodagem do mesmo filme de má qualidade, em cena nos últimos 4 anos, um fastio. Só mesmo em Portugal, mas há sardinhas no verão, chuva miudinha no Inverno, jeropiga em S. Martinho, e, porque amanhã nascerá o Sol e verei a bela face da Lua amo Portugal.
PORTUGAL!

À familia e a todos os alentejanos um forte abraço solidário de Abril , e a expressão de uma total revolta por esses crimes e muitos outros que Novembro contra Abril trouxe, e pelos tempos de corrupção, mentira e impunidade que correm hoje
.

andrade da silva

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

10 - JORNAL DE PAREDE * Outroragora




Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os, dizendo:

Em verdade vos digo,

-Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.

-Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

-Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles...


Pedro interrompeu:
- Temos que aprender isso de cor?

André disse:
- Temos que copiá-lo para o papiro?

Simão perguntou:
- Vamos ter teste sobre isso?

Tiago, o Menor, queixou-se:
- O Tiago, o Maior está sentado à minha frente, não vejo nada!

Tiago, o Maior, gritou:
- Cala-te queixinhas!

Filipe lamentou-se:
- Esqueci-me do papiro-diário.

Bartolomeu quis saber:
- Temos de tirar apontamentos?

João levantou a mão:
- Posso ir à casa de banho?

Judas Iscariotes exclamou:
(Judas Iscariotes era mesmo malvado, com retenção repetida e vindo de outro Mestre)
- Para que é que serve isto tudo?

Tomé inquietou-se:
- Há fórmulas? Vamos resolver problemas?

Judas Tadeu reclamou:
- Podemos ao menos usar o ábaco ?

Mateus queixou-se:
- Eu não entendi nada... ninguém entendeu nada!


Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele, dizendo:

Onde está a tua planificação?
Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didácticamediatizada?
E a avaliação diagnóstica?
E a avaliação institucional?
Quais são as tuas expectativas de sucesso?
Tens a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir oacesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade datransmissão?
Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dosconhecimentos prévios?
Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo aassegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem?
Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo?
E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais?
Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acçõestransversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos ecooperativos das áreas concomitantes?
Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais querespondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológicoconstituídos pelos núcleos generativos disciplinares,transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?


Caifás, o pior de todos os fariseus, disse a Jesus:

- Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos ereservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teusdiscípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensinode qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serásnotificado em devido tempo pela via mais adequada. E vê lá se reprovasalguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros denomeação definitiva!


... E Jesus pediu a reforma antecipada, aos trinta e três anos...


Nota: Recebi sem indicação de autor.

terça-feira, 3 de novembro de 2009




A noite do trigo

a fome do pão

cada puto antigo

a beber o chão.



Mordem searas

os sóis vagabundos

nestas pedras raras

que não parem mundos.



Espadas de neve

tornem minha mão

cornetim do ódio

desta negação.



Marília

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

CAIM: "EL MATADOR" DA HUMANIDADE NOVA.



ÀS MULHERES E HOMENS LIVRES DA HUMANIDADE-HUMANA…”

A obra de José Saramago, Caim, é uma sátira inteligente à bíblia, com o seu quê de vicentino, claro, na minha opinião que não sou critico, e , em qualquer caso, é o modo, como um ateu , ou um agnóstico lê a maioria dos episódios da Bíblia, obviamente, que quanto ao julgamento profano de um Deus, como FP, pelos critérios humanos há um exagerado, exagero, uma crueldade que ofende quem crê, e perdoa todas as maldades do seu Deus, que, segundo uma dada interpretação teológica dos seus actos, estes, relevam de uma fonte de transbordante bondade e amor.

Sempre, e, em todos os casos, a obra de Deus, como as dos Homens devem ser vistas na sua totalidade, aquele que pratica o mal, pode praticar o bem, e, isto, tem sempre de ser considerado, mesmo nos crimes dos padrinhos, na camorra napolitana, ponto.

Voltemos à obra. É deliciosa a descrição do Éden, com a sua rotina de morte que para além da actividade sexual depois do pecado original e do saber ou não saber, como é bom vencer tabus, tudo era uma rotina enfadonha. Mas Eva e Adão são expulsos para terras inóspitas. Todavia Eva corrompe o anjo querubim, e consegue uns frutos para sobreviverem. Sempre a mulher subtil a dar a volta ao homem viril, e, neste caso, a esta espécie de anjo-guerreiro, polícia do Olimpo.

Eva e Adão dão à luz a Caim e Abel, um agricultor, o primeiro, outro, pastor, Abel, um rico, outro pobre. Deus gosta mais do rico, Abel, então, quem pode pagar bulas?

Abel fala com Deus, este dá-lhe tudo.( Conheço pessoalmente gente desta que muito me irrita, mas Deus se lhes deu boa vida, deu-lhes um calote de centenas de milhares de euros, assim também eu) mas Abel era arrogante, poderoso, e despertou a inveja e o ódio de Caim que o arrumou, com a cumplicidade de Deus, com uma “cachaporrada” pela mona abaixo. Um género do tal lusitano a dar cabo dos Romanos, ou da padeira a dar cabo dos espanhóis, mas Caim vivia na Mesopotâmia, e nada tem a ver com Viriato, mas podia ter, através dos presentes alternativos de que José Saramago, magistralmente descobre, segundo as técnicas televisivas da telenovela Casarão, de que nada percebi, tanto eram as personagens. Mas Caim, o assassino, de seu irmão, terá uma vida errante, e viverá, por vontade de Deus, muitas vidas, as de ontem, de hoje e do futuro - os presentes alternativos.

A diferença de classes vem desde os primórdios dos tempos. Ao lado dos anjos-querubins, há os anjos–operários: uns fazem pouco, os outros são escravos, e também naqueles idos, as doces mulheres eram propriedade e escravas dos homens, e, estes, gostavam da coisa, pudera! ( Da minha parte confesso que defendo toda a liberdade da mulher para amar e se relacionar com todos e em simultâneo, embora, entre os homens, a fazer fé nas suas gargantas fundas, não seja nada beneficiário dessa liberdade, ou libertinagem. Enfim Deus e Vénus não me deram nenhum sinal atractivo, que pena! E pior deram-me esta língua maldita que não se cala, própria do índex. Bem! Lá está, como este espaço de liberdade e cidadania, nenhum talibã aceita estes desaforos. Só gente livre sabe pensar, segundo os ventos da Liberdade, os tais de Abril).

Voltando ao presente-passado, Caim na sua vida errante vai viver muitas vidas: fará sexo com mulher adúltera, vai ter relações sexuais libérrimas, com uma mulher livre, a primeira feminista, mas rainha e poderosa, matriarca, submetendo o desgraçado do marido à vergonha de, mansamente, aceitar o adultério para poder viver no palácio e fazer parte da corte da Rainha, os desgraçados que querem ir além do que podem, dos seus tamancos, pagam um preço elevado. No comércio é assim, mas Caim gozará muito e terá dietas de dezenas de anos, estas, uma
injusta tristeza. Caim verá coisas extraordinárias e cruéis que ele não entende que o levam a odiar Deus, e a querer matá-lo.


Caim apesar de assassino não compreende que um Deus bondoso mande um pai matar o seu filho para pôr à prova a sua fidelidade. Abraão superou a prova, porque perante Deus um filho valerá tanto quanto uma cabeça de gado, entendimento antigo, mas Caim que matou o irmão não entende isto, mas para os teólogos os desígnios de Deus são inescrutáveis, e, consequentemente a coisa se resolve, e não há lugar para dúvidas ou criticas.

Caim não entende que as crianças inocentes de Sodoma sejam queimadas por línguas de enxofre, por causa dos pecados e a iniquidade dos adultos. Para Caim isto é um acto de crueldade. Também não posso ver isto de outro modo. Há algum humano que seja pior que Caim, para ver isto como um acto justo? A haver só poderiam ser Hitler, Pinochet, haverá mais? Muitos talvez, mas….

Mas por causa de Sodoma as filhas de Lot farão incesto para que a família não desapareça, diz Saramago, que embriagavam o velho, e depois vinha a festa. Foi também testemunha do castigo de Deus aos homens, por causa da sua ambição, ao quererem ser iguais a Deus. Em Babel, toda a humanidade se desentendeu, para todo o sempre, a não ser que o esperanto um dia nos salve. Ainda é o castigo de Deus contra os que atentaram com a vida de 36 israelitas, para os punir, Josué , segundo a directiva divina, exterminará uma população inteira. Por todas estas guerras, Deus receberá o título Deus dos Exércitos.

Deus não desarma, mas Caim também não, cada vez mais se aproximam da batalha final, depois de Caim ter presenciado a tortura psicológica a Job que pacientemente resistiu a toda a vitimação feita pelo mafarrico com a cumplicidade de Deus, Caim encontra no Dilúvio o momento azado para vencer Deus.

Como é do geral conhecimento Deus ordenou a Noé para fazer uma grande arca, onde, embarcassem um macho e uma fêmea de cada espécie, para que depois do dilúvio e limpa a humanidade da iniquidade pudesse nascer a nova humanidade. Tudo estava, segundo os bons prognósticos e planos a se realizar, só que Caim também embarcou na arca, e depois de ter morto todos os filhos de Noé, ter gozado com as noras e com a mulher do próprio, para povoar a terra também a matou. Na arca só ficou vivo, para contar tudo isto, Caim, porque Noé tendo descoberto todos estes assassínios de Caim suicidou-se, e, assim, o projecto de Deus foi derrotado. Na arca morreu o único homem justo, Noé, e toda a sua família, portanto, daí em diante a terra só ficou povoada de bichos e unicórnios. A humanidade, ali, morreu. A história acabou, até que, desde há uns anos o homem, através da clonagem e da técnica, povoou o mundo de substitutos dos humanos, como se pode ver no filme – Os substitutos.

José Saramago, através do seu substituto, nos diz: A HUMANIDADE ACABOU, e como as romãs se corromperam e de vermelhas passaram a amarelas, mutação genética de finisterra, dos tempos de véspera, também, assim, a humanidade se corrompeu, e, hoje, resta a Humanidade Substituta, ou seja, a HUMANIDADE DE SEMPRE INÍQUA, GENEROSA, conforme o DEUS, ou os DEUSES que a GUIAM.

Andrade da silva

domingo, 1 de novembro de 2009

05 - POEMÁRIO * A verdade de mim!


Dórdio Gomes, Pintor Alentejano

Imagem obtida na internet





Bendito seja o meu nome!
Semeio e colho este pão,
mas só migalhas me dão,
enganando a minha fome.


Zé-povinho assim me chama
quem de mim se não reclama!


Arautos de feira exultam.
E com palavrinhas mansas
e falazes esperanças,
o meu dia a dia insultam.


Zé-povinho assim me chama
quem de mim se não reclama!


Quem me promete o que é meu,
como se fosse oferenda?
Quem supõe que estou à venda?
Quem é aqui mais do que eu?


Zé-povinho assim me chama
quem de mim se não reclama!



Da noite dos tempos venho,
vergado, chapéu na mão,
à deriva como um lenho
sem velame nem timão.


Zé-povinho assim me chama
quem de mim se não reclama!


Milénios já percorridos
de sofrimento e lições,
quando os terei aprendidos
por memória e por razões?


Zé-povinho assim me chama
quem de mim se não reclama!


Continuo um pé descalço,
um deserdado, a ralé,
a subir ao cadafalso
num qualquer auto de fé...


Zé-povinho assim me chama
quem de mim se não reclama!


Enredado em várias malhas
e presa dos maiores danos,
morro em todas as batalhas
só p'ra mudar de tiranos!


Zé-povinho assim me chama
quem de mim se não reclama!


Ah, que força, que arreganho
assim me tolhe a vontade
de me erguer e com verdade
ser livre e do meu tamanho?!


Até mudar de caminho,
serei sempre o Zé-povinho?



José-Augusto de Carvalho
Redigido em 21.03.1996/Corrigido em 30.10.2009
Viana * Évora * Portugal

Escutem

iv