
Nunca reneguei nada na vida e, muito menos, a minha prática de católico com missa e comunhão diárias, às 7 horas na Igreja do Bom Jesus, no Funchal. Fiz dois cursos de cristandade para jovens, rezei muitos terços, vivi em estado de graça, fui muito feliz nesses tempos, e fui secretário Diocesano da Juventude Escolar Católica.
Identifico-me com Cristo, com todos os cristãos, católicos ou não, com os padres progressistas que vivem ao lado do povo, e, sobretudo, com os que reclamam contra as arbitrariedades da cúria romana, e a aliança da Igreja e dos Bispos aos poderes despóticos, como o de D. Alberto João. Estes padres, como outros que põem em causa a atitude totalitária de Roma são pura e simplesmente PERSEGUIDOS.
É deste fundamentalismo anti-cristão que falo, e que nenhuma pessoa justa pode calar. É uma vil mentira falar-se do silêncio dos justos. O silêncio perante o arbítrio não é JUSTO, e quem se cala é um mísero COBARDE e, ou CÚMPLICE. Ninguém é justo, quando se cala.
O Papa não pode fazer discursos de AMOR, Tolerância nos paços do Poder e nos Santuários zurzir contra o amor homossexual, o aborto e o uso do preservativo.
O papa, os bispos não podem falar de amor para serem generosos, no caso da pedofilia de padres e bispos ( mas generosos como? E com quem?), e serem tiranos para os padres que querem seguir o exemplo de Cristo.
O papa e a igreja Católica não podem falar de amor fraterno, quando têm suspensos à divinis, isto é, eternamente, sem nenhum julgamento, há 33 anos, o Padre Martins da paróquia da Ribeira Seca em Machico/Madeira e muitos outros, uns porque amaram mulheres, figura de pecado, outros não pactuaram com o abafamento de alguns actos de pedofilia, outros ainda defenderam os humilhados etc etc. .
Claro que os defensores dos bezerros de oiro dirão que, entre outros, os padres Martins, Jorge Ribeiro, Albino Vaz - estes dois últimos, deram testemunhos pungentes na RTP2, em que afirmaram que a Igreja hoje é monárquica, e que no seu início foi democrática, e que a igreja de hoje devia ser a do Cristo ressuscitado, ou seja, a da liberdade, e não a do crucificado, ou seja, o preso ( padre Jorge Ribeiro) - e ainda outro padre Madeirense, Mário Figueira, são uns renegados.
Não está em causa a bondade e a generosidade de milhares de padres e de milhões de católicos, como, da minha parte, nunca esteve em causa a bondade de milhares de ayatolhahs e de milhões de muçulmanos, budistas e hindus, o que está em causa: é o fundamentalismo e a desumanidade do Papa e a teologia cega, como, de igual modo, está em causa a desumanidade do hinduísmo ao aceitar as castas, nomeadamente a dos intocáveis que, na Índia, não têm nenhuns direitos, e o ódio ao ser humano de alguns ayatolhahs, como o de terrível memória Khomeini.
Todos os abusos contra a dignidade humana e os direitos humanos são crimes.
Tudo o mais são vergonhosas cumplicidades, ou actos da mais miserável cobardia. Nenhum justo se cala, quem é justo nunca se calará. Falar do silêncio dos justos é uma ignomínia.
Só a morte cala um justo e um homem bom, como, infelizmente, acaba de acontecer, entre nós, com a morte de Saldanha Sanches. Mais uma voz incómoda que se cala, mais uma vitória para os que escravizam e vigarizam o povo.
Tenho por todas as mulheres e homens que seguem a Cristo, e, por Cristo e com Cristo, lutam pela vitória da justiça e do Amor, o maior respeito e pratico para com eles o mais glorioso preceito dos mandamentos: Amo-os, como a mim mesmo.
No meu espírito não há nenhuma confusão ou perturbação, sei-o com Cristo que o poder de ROMA, os seus pecados e crimes nada têm a ver com DEUS, com Cristo ou com Espírito Santo, só podem ter a ver com as tentações de Satanás, e, este, venceu e reina sobre a Cúria Romana.
A Igreja, os Católicos têm o Dever e o Direito de esconjurar o mal que de Roma os domina e afasta a Igreja de Cristo.
Direi, finalmente, falem-me de tudo, contem-me histórias, mas nunca me digam que algum justo um dia se calou, porque isso é IGNOMINIOSO.
andrade da silva