
(Queridas amigas e amigos é fim-de-semana, recebei este humilde tributo, como pétalas do meu jardim da afectividade, que também pode ser um pouco louco, desculpem-me, como na canção, “qualquer coisinha”…)
Sou um nativo da Madeira, sou um individuo sexuado com um cromossoma X e Y, felizmente não tenho dois cromossomas YY , e, por maioria de razão, nenhuma trissomia Y.
Por todas estas circunstâncias adoro o SOL, o MAR, as ESTRELAS, AS SERRAS, O ACO-IRIS, O SEXO, AS MULHERES. SOU UM COMPLETO SELVAGEM.
Selvagem sou, talvez aquele bom selvagem de Rousseau, talvez um selvagem made in Madeira, sem de longe, nem de perto, penso, seguir o modelo mais conhecido do soba lá da terrinha, com o pensamento esquizofrénico de que é rei. Seja como for , sou um selvagem que adora tudo o que à vida diz respeito, e fica fascinado com uma noite estrelada, mas sobretudo com a natureza humana.
Adoro o Mundo, mas sobretudo a bondade humana e os humanos bondosos, particularmente, quando este humano toma a sua forma mais diáfana de uma linda mulher, perdoem-me se desiludo alguém, mas num primeiro momento o que me fascina são as linhas físicas. Nisto sou tão Sarkozy, como Sarkozy, só que quando ele tem todo o êxito, o meu pólo é o dos sonhos. Confesso que, deste ponto vista, se criticar os Sarkosys é por pura dor de cotovelo.
Mas para este selvagem perdido na cidade, deslumbra-o os pequenos actos belos de que vos vou falar.
Um dia destes subia o Chiado, em dado ponto, um jovem com uma enorme ninhada de cães recém-nascidos pedia esmola para ele e para os seu amiguinhos – muito enternecedor – entretanto, aproxima-se do local das oferendas um homem idoso, vestido com um fato gasto, e trazendo dobrado um jornal dos gratuitos. O idoso fez uns gestos que me pareceram de quem ponha uma moeda, mas fazia troco. Pura ilusão de óptica.
Quando vi a mão do jovem, sobre a do idoso, forçando-o a colocar uma moeda de um euro que retirara do tapete, percebi o que se passou. Aquele idoso queria apropriar-se de um euro. Fiquei fascinado com a atitude do rapaz que não disse uma palavra. Conclui que há almas pobres que conhecem e reconhecem as necessidades de outros desesperados.
O velhote subiu o Chiado, e eu seguiu-o. Já na Brasileira circundou nervosamente entre as mesas, apalpando-as com os dedos. Vi que os empregados o seguiam a alguma distância, já o deviam conhecer. Observei por mais algum tempo toda esta hiperactividade até que conclui que o homem precisava mesmo de uma moeda. Discretamente aproximei-me dele, dei-lhe um euro, não trocamos nenhuma palavra, e ele desapareceu num ápice. Amei este jovem e este velho, a este dei o que dei, e, enfim, não sei pronunciar-me sobre este acto.
Neste mesmo dia, há dias em que o Sol brilha e as noites são de luar com céu estrelado, entrei no Metro e sentei-me à frente de uma rapariga com uma cara cheia de felicidade, e que me pareceu ser um pouco raquítica. Logo a amei, coisa a que sou muito dado, mas… ponto final… nisto sou tão parvalhão, como todos os selvagens genuínos que são diferentes dos boçais que se julgam uns Casanovas.
Enquanto naquele sonhar acordado a amava, e não verbalmente ia comunicando o que podia, sem ser entendido, nem sei se sequer se visto, aqueles olhos olhavam, mas podiam estar a ver o infinito e não este ser finito, já gasto, entrou um jovem que por ali anda a cantar julgo que RAP e a pedir esmolas, também parece raquítico. Como uma mola aquela rapariga se levantou e com aquela cara, lua de felicidade, lhe deu uma esmola.
Li neste seu acto uma certa identificação quanto a um eventual abandono da Natureza. Depois a rapariga pareceu-me ainda mais feliz. Amei-a ainda mais. Umas estações à frente saiu, e eu fiquei com a sua imagem de estrelinha humana bondosa. Que a bondade cósmica nunca a deserde!
Num outro dia, também no Metro, um rapaz com 18, 19 anos passeava o seu lagarto entre a T-shirt e o peito. Esta e outras tão bondosas e magníficas imagens retiram-me ao pesadelo das maldades humanas, e fazem-me acreditar que no “after-day” da desumanidade, há sempre um humano jovem ou idoso, mulher ou homem a dizerem que os HUMANOS continuam a existir.
Na Madeira, no promenade da praia do Lido, todos os dias pelas 9 e 30 cruzava-me com um casal que ia alimentar uma carrada de gatos domesticados e mansos que por ali, preguiçosamente, vivem no jardim ao Sol. Como reconhecimento por este acto cumprimentava-os com um alegre bons dias. Acto meramente simbólico que nem sequer sei se como tal foi entendido, espero que sim, porque no Funchal, como em Lisboa, não se cumprimenta quem não se conhece.
Estas são coisa do quotidiano que apesar de as viver sempre condicionado pelas regras que me são impostas e que cumpro automaticamente, me dão algum alento. Espero que também sejam balsâmicas para quem as ler, e, já agora, não levem muito a sério a confissão do pinga amor, que, com certeza, é mais uma das minhas tonteiras.
Abraços e flores para quem as quiser receber.
andrade da silva
Sou um nativo da Madeira, sou um individuo sexuado com um cromossoma X e Y, felizmente não tenho dois cromossomas YY , e, por maioria de razão, nenhuma trissomia Y.
Por todas estas circunstâncias adoro o SOL, o MAR, as ESTRELAS, AS SERRAS, O ACO-IRIS, O SEXO, AS MULHERES. SOU UM COMPLETO SELVAGEM.
Selvagem sou, talvez aquele bom selvagem de Rousseau, talvez um selvagem made in Madeira, sem de longe, nem de perto, penso, seguir o modelo mais conhecido do soba lá da terrinha, com o pensamento esquizofrénico de que é rei. Seja como for , sou um selvagem que adora tudo o que à vida diz respeito, e fica fascinado com uma noite estrelada, mas sobretudo com a natureza humana.
Adoro o Mundo, mas sobretudo a bondade humana e os humanos bondosos, particularmente, quando este humano toma a sua forma mais diáfana de uma linda mulher, perdoem-me se desiludo alguém, mas num primeiro momento o que me fascina são as linhas físicas. Nisto sou tão Sarkozy, como Sarkozy, só que quando ele tem todo o êxito, o meu pólo é o dos sonhos. Confesso que, deste ponto vista, se criticar os Sarkosys é por pura dor de cotovelo.
Mas para este selvagem perdido na cidade, deslumbra-o os pequenos actos belos de que vos vou falar.
Um dia destes subia o Chiado, em dado ponto, um jovem com uma enorme ninhada de cães recém-nascidos pedia esmola para ele e para os seu amiguinhos – muito enternecedor – entretanto, aproxima-se do local das oferendas um homem idoso, vestido com um fato gasto, e trazendo dobrado um jornal dos gratuitos. O idoso fez uns gestos que me pareceram de quem ponha uma moeda, mas fazia troco. Pura ilusão de óptica.
Quando vi a mão do jovem, sobre a do idoso, forçando-o a colocar uma moeda de um euro que retirara do tapete, percebi o que se passou. Aquele idoso queria apropriar-se de um euro. Fiquei fascinado com a atitude do rapaz que não disse uma palavra. Conclui que há almas pobres que conhecem e reconhecem as necessidades de outros desesperados.
O velhote subiu o Chiado, e eu seguiu-o. Já na Brasileira circundou nervosamente entre as mesas, apalpando-as com os dedos. Vi que os empregados o seguiam a alguma distância, já o deviam conhecer. Observei por mais algum tempo toda esta hiperactividade até que conclui que o homem precisava mesmo de uma moeda. Discretamente aproximei-me dele, dei-lhe um euro, não trocamos nenhuma palavra, e ele desapareceu num ápice. Amei este jovem e este velho, a este dei o que dei, e, enfim, não sei pronunciar-me sobre este acto.
Neste mesmo dia, há dias em que o Sol brilha e as noites são de luar com céu estrelado, entrei no Metro e sentei-me à frente de uma rapariga com uma cara cheia de felicidade, e que me pareceu ser um pouco raquítica. Logo a amei, coisa a que sou muito dado, mas… ponto final… nisto sou tão parvalhão, como todos os selvagens genuínos que são diferentes dos boçais que se julgam uns Casanovas.
Enquanto naquele sonhar acordado a amava, e não verbalmente ia comunicando o que podia, sem ser entendido, nem sei se sequer se visto, aqueles olhos olhavam, mas podiam estar a ver o infinito e não este ser finito, já gasto, entrou um jovem que por ali anda a cantar julgo que RAP e a pedir esmolas, também parece raquítico. Como uma mola aquela rapariga se levantou e com aquela cara, lua de felicidade, lhe deu uma esmola.
Li neste seu acto uma certa identificação quanto a um eventual abandono da Natureza. Depois a rapariga pareceu-me ainda mais feliz. Amei-a ainda mais. Umas estações à frente saiu, e eu fiquei com a sua imagem de estrelinha humana bondosa. Que a bondade cósmica nunca a deserde!
Num outro dia, também no Metro, um rapaz com 18, 19 anos passeava o seu lagarto entre a T-shirt e o peito. Esta e outras tão bondosas e magníficas imagens retiram-me ao pesadelo das maldades humanas, e fazem-me acreditar que no “after-day” da desumanidade, há sempre um humano jovem ou idoso, mulher ou homem a dizerem que os HUMANOS continuam a existir.
Na Madeira, no promenade da praia do Lido, todos os dias pelas 9 e 30 cruzava-me com um casal que ia alimentar uma carrada de gatos domesticados e mansos que por ali, preguiçosamente, vivem no jardim ao Sol. Como reconhecimento por este acto cumprimentava-os com um alegre bons dias. Acto meramente simbólico que nem sequer sei se como tal foi entendido, espero que sim, porque no Funchal, como em Lisboa, não se cumprimenta quem não se conhece.
Estas são coisa do quotidiano que apesar de as viver sempre condicionado pelas regras que me são impostas e que cumpro automaticamente, me dão algum alento. Espero que também sejam balsâmicas para quem as ler, e, já agora, não levem muito a sério a confissão do pinga amor, que, com certeza, é mais uma das minhas tonteiras.
Abraços e flores para quem as quiser receber.
andrade da silva