
Surge agora Loureiro dos Santos, general, entidade que ocupou os mais altos e responsáveis cargo na hierarquia, a lançar o mesmo aviso e já de forma algo dramática.
Loureiro dos Santos, Espírito Santo, Barrento, Rocha Vieira, etc., são homens que detiveram os mais altos e influentes cargos de responsabilização e decisão militar, influindo ou podendo influenciar e muito, toda a política para o sector, o que levaria a repensar, de alguma forma, alterações profundas em toda a governação nacional. Em diferentes épocas e com diferentes actores.
Não tendo tomado medidas de fundo enquanto intervenientes, podendo com um simples “murro na mesa”, obrigar a recuar ou a alterar muito do que os sucessivos governos foram decidindo e transformando em leis, mais ou menos absurdas, com absoluto prejuízo, desprestígio e até achincalhamento da coisa militar, com profundos reflexos na sociedade, posto que, os governos, ao sentirem que os agentes militares se “encolhem”, tendem a considerar que estarão defendidos pelos mesmos, para todas a avançadas que fizerem sobre a sociedade civil.
Vir agora, quando comodamente numa reforma dourada (sim, porque não podemos comparar as pensões destes senhores com as dos majores ou coronéis e muito menos com as dos sargentos ou praças), gritar que se vive um clima perigoso, de insatisfação e que pode ter consequências activas nas camadas mais jovens, atirando a memória para casos de insubordinação como por exemplo o 25 de Abril de 1974, parece lirismo, perigoso, mas somente lírico.
Desde Novembro de 1975 que digo, que a todo o momento se pode contar com um 28 de Maio, se não forem tomadas medidas sérias e justas, por parte dos homens que dizem governar.
As ameaças agora denunciadas ou prenunciadas por aquele e outros oficiais generais, vão exactamente nesse sentido.
Quer dizer. Enquanto agentes influentes e de influência, puseram o brilho da farda ao serviço do poder e agora, libertos que estão, desse jogo de hipotética obediência, já pode ser perigoso e ter consequências, tudo o que se está a passar.
Deixem-me que lhes diga, que desde sempre foi perigoso e que continuará a ser muito perigoso, a falta de coragem e de verticalidade dos homens, para dizerem não, quando em lugares de decisão.
Voltando ao princípio, o que tenho alertado, é esse mesmo perigo. O de um novo 28 de Maio.
Temos um país fértil em “pequeninos” Pinochet’s, que não irão desdenhar trair, como aquele, se virem chegada a altura de “subir o palanque”.
E não me venham dizer que isto é um oásis de heróis. Vivo cá há sessenta e tal anos, estou atento ao que se passa e só consigo contá-los por dois ou três dedos. Lembremo-nos, de que até por batatas nos vendemos !
A tornar muito mais séria esta conversa, vieram de imediato as Associações de Sargentos, primeiro e de Oficiais depois (como sempre), dizer que sim. Que o clima que se vive é muito instável e que não surpreenderia que algo acontecesse.
Que novidade, meus senhores.
O que realmente surpreende, é que se deixem amesquinhar até ao ponto presente e só agora acordem.
Um golpe de estado nunca foi um acto expontâneo. Foi sempre maturado no tempo e na insatisfação ou na vaidade.
E só em casos de excepção trouxe benefícios ao país ou aos cidadãos.
É óbvio que não advogo a defesa de um golpe e muito menos o surgimento de uma ditadura, sempre violenta e cega.
Não tenho porém, a mínima dúvida de que Portugal não pode continuar como vai, nem pode continuar a ser governado por gente desta, nem com estes objectivos.
É PRECISO MUDAR !
COMO ?
Tão simples meus caros concidadãos.
Em 2009, vai haver ELEIÇÕES !
Eis a grande oportunidade de fugir a ditaduras, a violências sociais e a escravaturas mascaradas.
Basta, respeitando a CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA, escolher ou rejeitar através do voto. É assim que funciona uma democracia.
E os militares também votam, podendo influenciar positivamente nos seus círculos.
Saibamos o que queremos. Evitemos em tempo, que um novo 28 de MAIO nos surja pela porta dentro.
PORTUGAL NÃO O MERECE !
O POVO NÃO O MERECE !
A JUVENTUDE NÃO O MERECE !
Jerónimo Sardinha